sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Allan McCollum: Americano desafia os originais



Allan McCollum faz individual com pastiche da reprodução em massa: vasos, formas e quadros idênticos

Artista conceitual que esteve na última Bienal de São Paulo ganha primeira mostra de peso no Brasil, aberta pela galeria Luciana Brito

Silas Martí da Folha de S. Paulo

Allan McCollum não acredita em auras atrofiadas. Não importa que as obras de arte não sejam mais únicas. Seu trabalho é feito de cópias, substitutos e originais questionáveis.
Desde que é possível produzir quase tudo em grande escala, o mercado de arte se equilibra tentando restringir circulações, edições de gravuras e impressões fotográficas, mantendo a escassez como motor da demanda e âncora dos preços.
Na contramão, McCollum, ou seu discurso, dispensa objetos únicos. "A reprodução cria outro tipo de aura, uma aura que inclui o espectador", diz o americano, que abre hoje individual na galeria Luciana Brito.


"Vejo certa magia em alguém com os mesmos sapatos que o meu, a xícara de café, a mesma coisa nas mãos de tanta gente."
Num pastiche da reprodução em massa, McCollum dispõe 50 vasos idênticos lado a lado, 70 pinturas de um retângulo negro, milhares de moldes de madeira quase iguais, 12 dos mesmos cachorros de gesso.
São cópias feitas a partir do molde de um cão original petrificado pela erupção do Vesúvio há quase dois milênios. Um museu de Nápoles replicou o bicho que morreu e fez outras três cópias, espalhadas pela Itália. McCollum usou uma delas para reproduzir sua série.

"Tem o cachorro que viveu em Pompeia, o primeiro molde do século 19, as cópias do museu e agora essa cópia e as cópias dela", lembra. "Mas estão ligadas ao cachorro original e ao sofrimento original dele."
McCollum gosta de lembrar Brecht e como o dramaturgo alemão usava artifícios para revelar que a peça era a peça, que aqueles eram atores, que a plateia era a plateia. Ele tenta fazer o mesmo em suas instalações.
"Isso é o duplo de uma galeria de arte, como num palco, no centro da ação", diz McCollum.
"Antes, fazia objetos singulares, mas não viam esses objetos como acessórios cênicos."
De certa forma, toda a obra de McCollum vira objeto cênico também, um sinal dela mesma, vista como a obra ao fundo, no cenário, dentro da teatralidade orquestrada pelo artista, como se essa fosse uma performance. Ele propõe a exposição toda como grande instalação, uma curadoria autofágica levada às últimas consequências.
Mas não é um trajeto sem escalas. Lá onde era possível programar uma máquina para executar todas as cópias, McCollum decide dar as próprias pinceladas, muda as cores e reajusta dimensões milimétricas. Tudo parece igual, mas não é.
"Estou buscando o melhor dos dois mundos", admite o artista. "Decidir se algo é original ou cópia é ambíguo, uma construção social, a ideia de que o rei é o filho de Deus e de que todos os peões são idênticos."
Suas quase cópias são vendidas a preço de original, mas sempre em série. "Cobro mais se são mais objetos e menos se são menos objetos", explica.
"Tem preços diferentes, porque algumas pessoas querem pagar mais pelos originais."

SERVIÇO

ALLAN MCCOLLUM
Quando: ter. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 17h
Onde: Luciana Brito (r. Gomes de Carvalho, 842, tel. 3842-0634)
Quanto: entrada franca

11ª BIENAL DE ISTAMBUL

A 11ª Bienal de Istambul será inaugura em 12 de Setembro e decorrerá até 8 de Novembro de 2009. Será comissariada pelo coletivo What, How and for Whom/WHW, organização formada em 1999 por um grupo de curadores, com sede em Zagreb. “What Keeps Mankind Alive?” é a proposta curatorial deste coletivo que se apropria do título de uma canção escrita em 1928 por Bertolt Brecht, para a peça “A Ópera dos Três Vinténs”, com o objetivo de olhar o presente à luz do passado e investigar as possibilidades de a arte reexaminar velhas e novas relações entre o compromisso político e o gesto artístico.

Lista de artistas participantes:

• Jumana Emil Abboud
• Vyacheslav Akhunov
• Mounira Al Solh
• Nevin Aladağ
• Doa Aly
• Karen Andreassian
• Yüksel Arslan
• Zanny Begg
• Lida Blinova
• Anna Boghiguian
• KP Brehmer
• Bureau d\'études
• Cengiz Çekil
• Danica Dakić
• Lado Darakhvelidze
• decolonizing.ps by Sandi Hilal, Alessandro Petti, Eyal Weizman
• Natalya Dyu
• Rena Effendi
• Işıl Eğrikavuk
• Etcétera...
• Hans-Peter Feldmann
• Shahab Fotouhi
• İnci Furni
• Igor Grubić
• Nilbar Güreş
• Margaret Harrison
• Sharon Hayes
• Vlatka Horvat
• Wafa Hourani
• Hamlet Hovsepian
• Sanja Iveković
• Donghwan Jo & Haejun Jo
• Jesse Jones
• Alimjan Jorobaev
• Michel Journiac
• KwieKulik [presented by Zofia Kulik]
• Siniša Labrović
• Signs of Conflict: Political Posters of Lebanon\'s Civil War [a project by Zeina Maasri]
• David Maljković
• Marwan
• Avi Mograbi
• Rabih Mroué
• Aydan Murtezaoğlu & Bülent Şangar
• Museum of American Art-Belgrade
• Marina Naprushkina
• Deimantas Narkevičius
• Ioana Nemes
• Wendelien van Oldenborgh
• Mohammad Oussama
• Erkan Özgen
• Trevor Paglen
• Nam June Paik
• Marko Peljhan
• Darinka Pop-Mitić
• Lisi Raskin
• María Ruido
• Larissa Sansour
• Hrair Sarkissian
• Ruti Sela & Maayan Amir
• Canan Şenol
• Société Réaliste
• Mladen Stilinović
• Tamás St.Auby
• Jinoos Taghizadeh
• Oraib Toukan
• Vangelis Vlahos
• Simon Wachsmuth
• Artur Żmijewski
• What is to be done / Chto delat?

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Doug Aitken em Inhotin


Norte-americano premiado na Bienal de Veneza faz primeira obra no Brasil

Silas Marti da Folha de S.Paulo

Uma fratura exposta na terra abriu outra fenda em Doug Aitken. Quando o artista viu a mina aberta do outro lado da montanha em Brumadinho, decidiu que nenhuma imagem expressaria a mesma sensação, a não ser a própria paisagem de terra vermelha, mata verde e montanhas azul profundo.

Obra do artista Doug Aitken, na foto, transmite ao vivo, de um buraco de 200 m de profundidade, os ruídos subterrâneos de uma montanha

Em Inhotim, Aitken desistiu de fabricar imagens e buscou só a trilha sonora para o "efeito alucinógeno" de toda a terra. Cavou um buraco de 200 metros no alto de uma montanha e instalou oito microfones ao longo do trajeto. O som, do gotejar de lençóis freáticos ao estrepitar de rochas desconhecidas, reverbera numa construção de vidro em volta do rasgo.

Esse pavilhão, primeira obra do americano no país, será aberto em setembro, com mais oito trabalhos no museu mineiro de arte contemporânea.

Aitken já mostrou o sono de algumas celebridades na fachada do Museu de Arte Moderna de Nova York. Eram curtas projetados no prédio em Manhattan: Cat Power e Seu Jorge percorriam sonâmbulos cenários escancarados à metrópole.

Anônimos também deram vida a paragens elétricas e desertos e minas surgem auscultados, fundidos, refeitos nas investigações visuais de Aitken.

Agora é só o som e a paisagem que já existe. "Aqui é menos ficção e mais a qualidade física, tátil da paisagem", descreve Aitken. "É imaterial, esse volume deslocado de terra se transforma em volume literal de som."

O pavilhão em círculo de Inhotim dá vista panorâmica aos vales e montanhas que se alastram infinitos lá fora. Mas surgem nítidos só quando encarados de frente, já que um filtro nos vidros torna difusa a imagem quando vista a partir de qualquer outro ângulo.

"Queria focar a percepção do espectador, não de um jeito dominante, mas oferecer uma vista de cada vez", diz o artista. "Isso dá forma arquitetônica ao som: o buraco no meio cria perspectiva, um vórtice ótico."

Percepção expandida

É o ponto central que concentra o olhar num vazio cheio de som. "Isso leva a outro lugar", resume Aitken. "É uma janela para um mundo perceptivo, não de ícones, mitologias, mas uma janela para uma forma de percepção expandida."

Não foge do que os renascentistas propunham pintando janelas nos afrescos: abrir fendas para outros mundos, religiosos, imaginários, alegóricos. Mas ao contrário de Michelangelo, Aitken nunca termina sua obra.

Captados ao vivo, os roncos subterrâneos chegam à superfície sem partitura. Não seguem roteiro prévio, nem têm hora para se repetir. Aitken só tem certeza da gama de frequências capaz de atingir o ouvido humano, sabe que notas agudas demais ficam de fora desse canto terrestre.

Na transmissão direta, que amortece sobressaltos com a âncora dos graves, também ficam de fora os contornos. Aitken abre mão do acabamento, deixa em aberto a duração -uma sinfonia rochosa eterna enquanto durar o museu.

"São notas imprevisíveis", diz o artista. "Penso na possibilidade de o som não se limitar à duração da música do disco, de não ser música, ser só o som descontrolado, ao vivo."

Numa ópera coletiva, na Basileia, Aitken encenou uma revolta de lanterninhas e seguranças. Incitaram a plateia com gritos, numa espécie de leilão fictício, e um blecaute programado, mas a euforia tinha hora para acabar. "Era só som, não tinha nada à venda, mas era como se acelerasse o rap mais rápido de todos", lembra. "Era um som de dimensões físicas."

Em Brumadinho, Aitken dissolveu as barreiras do espetáculo e encontrou as medidas de sua obra aberta. Está na silhueta negra das montanhas, no azul escuro do céu e nos ruídos soturnos da terra. "É atraente a ideia do trabalho que não termina nunca, que não entra em loop", diz. "Essa ideia do artista no estúdio, finalizando seu trabalho, é talvez algo do passado."

7ª BIENAL DO MERCOSUL


É internacional, mas os latinos são a prioridade


Camila Molina

Desde seu início, em 1997, a Bienal do Mercosul, sempre em Porto Alegre, nasceu tendo como objetivo ser uma vitrine da arte latino-americana. "Ela é cada vez mais internacional, quer ser ainda melhor, mas quem quiser ver arte latino-americana, vai ver aqui", diz Mauro Knijnik, pres didente da Fundação Bienalo Mercosul. A última edição do evento, em 2007, com curadoria do espanhol Gabriel Pérez-Barreiro, foi um marco no caráter de internacionalização da mostra, com uma expansão de participação de artistas de outras partes do mundo, inclusive, estrelas como o sul-africano William Kentridge Kentridge e o inglês Steve McQueen.

A Bienal de Porto Alegre, apesar de estar se tornando cada vez mais global, conserva o Mercosul em seu nome. "Porque os parceiros mais destacados e a maioria das obras são dos países do Mercosul", diz Knijnik. Segundo o presidente, entretanto, os recursos para a realização da Bienal foram sempre brasileiros, por meio da Lei Rouanet e da Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Rio Grande do Sul - a deste ano, orçada em R$ 7,5 milhões, já captados.

Em suas primeiras cinco edições, a Bienal do Mercosul se prendia até mesmo a ter curadores convidados dos países vizinhos para reforçar a parceria. "A 6ª contratou um europeu e para a 7ª fizemos uma seleção internacional", diz Knijnik - e então foi selecionado o projeto argentino-chileno de Victoria Noorthorn e Camilo Yáñez. "Para nossa surpresa, países que não poderíamos imaginar, distanciados de nós, mandaram propostas, como Escócia ou Irlanda", afirma ainda o presidente da Fundação Bienal do Mercosul. "É uma proposta inovadora, internacional." Liliana Magalhães, do Santander Cultural, diz que no sul "somos Mercosul". "Não precisamos formalizar porque somos irmãos aqui embaixo", afirma ela, completando que sobressaem parcerias com Argentina e Uruguai.

Bienal do Mercosul anuncia ''aperitivo''


A grande mostra começa em outubro, mas em setembro tem início a prévia

Camila Molina do Estadão


A Bienal do Mercosul vem se consolidando a cada edição como um dos mais importantes eventos de artes visuais brasileiros, dentro e fora do País, em âmbito global. Neste ano, a 7ª Bienal do Mercosul começa no dia 15 de setembro, com uma programação prévia, e segue até 4 de outubro, no Santander Cultural de Porto Alegre. É já um esquenta motores para a grande mostra, marcada para ocorrer entre 16 de outubro e 29 de novembro em três espaços da capital gaúcha - sete exposições ficarão abrigadas nos Armazéns do Cais do Porto, no Museu de Artes do Rio Grande do Sul e ainda no Santander. Sob título provisório de Pré-Bienal - Índices e Anotações, o evento prévio será de dias intensos de exibições de filmes, realização de palestras - com curadores e artistas -, shows e oficinas pedagógicas que apresentam as referências do que será apresentado na grande exposição propriamente dita, sob o tema Grito e Escuta.

"É uma pré-visão da 7ª Bienal do Mercosul para que já se conheçam as inquietudes que moveram o evento e não suas obras", diz o artista chileno Camilo Yáñez, que divide a curadoria-geral desta edição com a argentina Victoria Noorthoorn. O Estado obteve com exclusividade a programação da Pré-Bienal, que terá, por exemplo, shows de Arnaldo Antunes e Márcia Xavier e do francês François Virot no hall do Santander; exibição do clássico O Cão Andaluz (1928), de Luis Buñuel ; dos documentários Power of Ten (1968), do casal de arquitetos Charles e Ray Eames, de Cildo (2009), de Gustavo Moura, sobre o artista Cildo Meireles (com bate-papo depois com os dois criadores) e de Mas Allá de Estos Muros, de Juan Ignacio Sabatini, sobre Juan Downey, participante da 7ª Bienal; dos filmes Ouvindo Imagens, de Michel Favre, Insolação, de Daniela Thomas, e Versus Inversus, de Anna Maria Maiolino; palestra da curadora Victoria Noorthoorn com o ator Luiz Paulo Vasconcellos (aproveitando o Porto Alegre em Cena de Teatro). "Esta é uma Bienal dinâmica, rizomática, não tem uma estrutura clássica. Artes visuais é ponto de partida e não de chegada e, por isso, ela terá muita performance, coreografia, a Rádiovisual, shows", vai ainda explicando Yáñez.

O projeto de Grito e Escuta foi selecionado a partir de um edital que recebeu 69 propostas de curadores de todo o mundo, como diz o presidente da Fundação Bienal do Mercosul, Mauro Knijnik. A 7ª edição do evento, concebida por Victoria e Yáñez, mas tendo como curadores ainda os argentinos Marina De Caro e Roberto Jacoby, os brasileiros Artur Lescher, Laura Lima e Lenora de Barros, o chileno Mario Navarro, o mexicano Erick Beltrán e o colombiano Bernardo Ortiz (todos artistas), centra-se na questão dos processos artísticos e não na concentração de obras já prontas. Por isso, muitos dos trabalhos são resultado da experiência dos artistas na cidade de Porto Alegre, por meio de residências que começaram em julho (entre eles, do francês Nicholas Floch, que passou cinco semanas na comunidade do Morro da Cruz, e dos brasileiros João Modé e Cadu Costa). "Eles criaram trabalhos mais diretos com o ritmo da cidade, que não serão esculturas públicas", afirma Yáñez - a edição retrasada da Bienal, por exemplo, deixou para Porto Alegre esculturas permanentes de José Resende e Carmela Gross, entre outras.

Como a Pré-Bienal é um evento para preparar os visitantes sobre os temas de cada uma das sete mostras desta edição (Absurdo, Ficções do Invisível, Biografias Coletivas, Texto Público, Árvore Magnética, Projetáveis e Desenho das Ideias), muitos dos trabalhos que integram sua programação (quase toda gratuita, exceto os shows dos domingos, a R$ 10) foram escolhidos pelos próprios artistas participantes. Ela foi uma proposta do próprio Santander Cultural, que a acolhe, como diz a superintende da instituição, Liliana Magalhães. "Como o trabalho criativo é o tema desta Bienal do Mercosul, o preparar de um evento como este é um momento riquíssimo", diz Liliana, reforçando também o caráter pedagógico da atividade. Todo o espaço do Santander (Rua Sete de Setembro, 1.028, Centro) será dedicado à Pré-Bienal, inclusive a grade de exibições do Cine Santander (com entradas de R$ 3 a R$ 6).

Com a crise econômica mundial, a 7ª Bienal do Mercosul teve sua duração reduzida para 45 dias. O evento prévio, que de certa forma estende esta edição, é uma oportunidade para conhecer filmes históricos da Fundação John Cage e obras do coletivo chileno de videoarte Hoffmanns House.


Destaques

15 DE SETEMBRO: Exibição do documentário Power of Ten, dos arquitetos Charles e Ray Eames, e palestra com os curadores gerais da 7ª Bienal do Mercosul, Victoria Noorthorn e Camilo Yáñez

17 DE SETEMBRO: Exibição de vídeos do coletivo chileno Hoffmans House e palestra com os artistas Carlos Cabezas e Pablo Rivera, participantes da mostra

20 DE SETEMBRO: Espetáculo multimídia com Arnaldo Antunes e Márcia Xavier como parte do programa Domingo no Átrio (17 horas, R$ 10)

27 DE SETEMBRO: Exibição do clássico desenho Fantasia, da Disney, e show de rock alternativo do francês François Virot (17 horas, R$ 10)

30 DE SETEMBRO: Exibição de O Cão Andaluz, de Buñuel, e palestra com a artista Laura Lima e integrantes do grupo de teatro Falus & Stercus

2 DE OUTUBRO: Projeção de filmes da Fundação John Cage

3 DE OUTUBRO: Exibição de Cildo (15 h e 17 h) e conversa com Cildo Meireles e Gustavo Moura

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Prêmio Porto Seguro de fotografia anuncia vencedores

Considerada a mais importante premiação da categoria, o Prêmio Porto Seguro Fotografia 2009 anunciou os vencedores nesta terça-feira (25).

Trabalho do fotógrafo Miguel Rio Branco, vencedor da categoria especial do prêmio

Além do prêmio especial no valor de R$ 40 mil, que foi para o fotógrafo Miguel Rio Branco, os fotógrafos Felipe Bertarelli, Andréa Bernardelli e Sofia Dellatorre Borges também foram premiados. Cada um deles receberá a quantia de R$ 18 mil.

A categoria revelação, que premia o vencedor com R$ 10 mil, foi para Breno Rotatori. A entrega dos prêmios será no dia 6 de outubro, no Espaço Porto Seguro de Fotografia, e a exposição com os trabalhos dos vencedores estará aberta ao público a partir do dia 7 do mesmo mês.

A comissão que avaliou os trabalhos foi formada por Cildo Oliveira, Mariano Klautau, Maria Hirszman, Tadeu Chiarelli, German Lorca.

Filme traça painel crítico e utópico sobre mulheres no Irã




por Silas Marti
da Folha de S.Paulo


É árido o terreno de Shirin Neshat. Mulher, artista, iraniana, ela equilibra gênero, origem e profissão num vácuo.

Acostumada a gritar para ninguém ouvir, Neshat acaba de trocar as artes visuais pelo cinema, algo que compara a trocar a poesia pela prosa. "Sou muito lenta, hipnótica", resume em entrevista à Folha. "Mas sei que se continuar assim, vou perder meu público."

Há dez anos, Neshat venceu o Leão de Ouro na Bienal de Veneza por sua obra artística. Ela volta à cidade agora para competir por outro Leão, desta vez no Festival de Cinema, que começa no mês que vem.

Mas não são tão distintos os projetos. Na esteira do estardalhaço causado pela também iraniana Marjane Satrapi e seu cartum-manifesto "Persépolis", Neshat deve ganhar projeção mundial com "Women Without Men", ou mulheres sem homens, filme que junta as mesmas personagens que povoam suas videoinstalações.

São cinco mulheres: a submissa, a solitária, a devassa, a revolucionária e a artista. Migraram do romance da iraniana Shahrnush Parsipur, escrito há 20 anos, para as instalações de Neshat --e agora vão ao cinema, num painel crítico e utópico da condição feminina no Irã.

Neshat tem um pouco de cada uma delas. Diz ser complexada com o próprio corpo, que vê como um problema no país. Também se espelha na revolucionária e acredita, como a artista, que a válvula de escape numa sociedade repressora é mesmo a fantasia, utopias forjadas a qualquer custo.

"Essa é a forma mais universal de traduzir certas opiniões", diz Neshat. "Artistas podem ser grandes comunicadores da tragédia humana sem pregar ideologia ou propaganda."

No filme, Teerã vive o golpe de Estado que derrubou o premiê Mohammed Mossadegh em 1953, e as mulheres de Neshat se refugiam num jardim encantado --a violência diluída em tintas fantásticas.

Não que a mulher precise de uma redoma para viver, mesmo no Irã. "Não sou uma feminista de verdade", diz Neshat. "A ideia de utopia transcende gênero e nacionalidade."

Neshat planta as flores de seu jardim acreditando numa "necessidade de refúgio, exílio" universal. "Homens e mulheres fogem em busca de segurança, numa questão existencial", diz. "É possível abandonar esse mundo para encarar a própria condição humana."

Embora estenda a questão para abarcar também os homens, Neshat fez toda a sua obra girar em torno de ser mulher. São opostos absolutos que dão carga aos trabalhos. Numa videoinstalação dos anos 90, pôs lado a lado um homem e uma mulher. Ele canta para um teatro lotado; ela grita, chora, urra diante da plateia vazia.

Se a raiz imediata da obra é a proibição que mulheres cantem em público no Irã, Neshat extrai algo maior do contexto. Questiona o que deve criar uma artista mulher diante de um público ausente, como pode soar uma canção no vácuo.

"Não sou uma mulher obcecada por mulheres, só entendo a cabeça delas e tento revelar por elas a complexidade da sociedade, da religião", diz. "Mulheres no Irã são fascinantes, pela forma que confrontam a autoridade, a censura, mas não reduzo meu trabalho a isso."

Melancolia nostálgica

Mais do que isso, Neshat carrega nas imagens e metáforas para narrar seus dramas femininos. "É muito visual, ponho muita ênfase no poder das imagens", diz a artista. "Faço algo minimalista e metafórico."

Nessa proposta, Neshat não olha para nomes do cinema iraniano. Descarta Abbas Kiarostami, diretor mais conhecido de seu país, como "convencional", mesmo com seu ritmo arrastado e longuíssimos planos estáticos. Ela diz buscar a melancolia nostálgica de cineastas do Leste Europeu: Andrei Tarkovsky e Krzysztof Kieslowski.

"Kieslowski é poderosíssimo do ponto de vista moral, visual nem tanto", diz, sobre o polonês. "Tarkovsky tem um visual profundo. É muito sombrio, talvez porque venha de um país comunista", diz, sobre o russo.

Ela também não se desliga da política. Sabe que fez um dos poucos filmes que discute de forma aberta o apoio de britânicos e norte-americanos ao golpe de Estado que instaurou um regime totalitário no Irã, o que chama de momento "monumental" na história do país.

Não difere muito dos episódios de dois meses atrás, quando o presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito, desencadeando ondas de protestos violentos.

"Há uma ressonância incrível entre as imagens de 1953 e as de hoje", diz ela. "As pessoas saíram às ruas então pedindo o mesmo que querem agora. É um sentimento de traição."

Obra histórica de Flavio de Carvalho está à venda em SP



Fábio Cypriano da Folha de S.Paulo

O traje "New Look de Verão", uma das mais importantes peças da arte brasileira do século 20, usado por Flavio de Carvalho em sua "Experiência nº 3", em 1956, está à venda, a partir de hoje. É o carro-chefe da mostra "Sob um Céu Tropical", na galeria James Lisboa Escritório de Arte.

"New Look de Verão", traje usado em 1956 por Flavio de Carvalho que está à venda

Carvalho (1899-1973) é não só um dos artistas mais experimentais no Brasil, como um dos precursores do happening e da performance na história da arte. Em 1931, ao caminhar de chapéu em sentido contrário ao de uma procissão de Corpus Christi, ele quase foi linchado. A polêmica foi registrada pelo próprio artista no livro "Experiência nº 2".

Contudo, Carvalho ainda é subavaliado pelo mercado de arte, tanto que o marchand James Lisboa estima que o "New Look" seja vendido por R$ 500 mil cada um, enquanto a tela "Mulata com Ramalhete de Flores" (1936), de Di Cavalcanti, na mesma exposição, está estimada em R$ 2 milhões. Cavalcanti (1897-1976) produziu mais de 25 mil trabalhos em vida, e a obra na mostra está longe de ter a importância histórica do "New Look". Os dois trajes na exposição pertenciam a sobrinhos do artista.

"Ele é o primeiro artista que trabalhou moda e arte", diz o pesquisador Flavio Roberto Lotufo, cujo tema de mestrado foi a "Experiência nº 3". Segundo Lotufo, em 18/10/1956, Carvalho andou pela cidade com dois conjuntos de saia e blusa: um de cor vermelha (que pertenceria à Faap, segundo o pesquisador) e o outro, que está na mostra.

A terceira blusa foi usada em outras ocasiões. De acordo com Lotufo, ele usou o conjunto várias vezes. As saias se perderam --na mostra há uma que serve como modelo da original. A Faap não confirmou para a Folha se possui um traje original.

Carvalho passará a ter destaque internacional no ano que vem, quando Lisette Lagnado organiza uma mostra, no museu Reina Sofía, em Madri, tendo o artista como figura central. "A apresentação das roupas está menos voltada para suas características, mas para a faceta de arquiteto e urbanista que foi o Flavio. Para ele, a cidade do século 20 passava necessariamente por uma mudança de comportamentos, livre de tabus", afirma a curadora.

SERVIÇO

SOB UM CÉU TROPICAL
Quando: abertura hoje, às 19h30; de seg. a sex., das 10h às 19h, e sáb., das 10h às 14h; até 26/9
Onde: James Lisboa Escritório de Arte (r. Dr. Melo Alves, 397, SP, tel. 0/xx/11/3061-3155); livre
Quanto: entrada franca

sábado, 22 de agosto de 2009

Cores de Matisse chegam à Luz


O pintor que iluminou a cena moderna ganha mostra na Pinacoteca que sintetiza seu percurso


por Antonio Gonçalves Filho do Estadão


O poder transcendental da pintura do francês Henri Matisse (1869-1954), que atravessou o século 20 como principal rival de Picasso, é inquestionável. Tanto que Émilie Ovaere, curadora adjunta do museu que leva seu nome na França, ao organizar a exposição Matisse Hoje na Pinacoteca do Estado, aberta a partir de 5 de setembro, reuniu, além de 80 obras suas, trabalhos de pintores contemporâneos franceses que ainda fazem uso de suas técnicas e invenções. Como eles, Matisse buscava, acima de tudo, a expressão. Injustamente, diziam dele que tudo o que procurava não ia além de uma satisfação puramente visual. Acusavam-no, enfim, de ser decorativo. Ele, parafraseando Delacroix, respondia que os artistas não são compreendidos, apenas aceitos. E defendia o decorativo como uma qualidade essencial de uma obra de arte. Concordam com ele seus cinco discípulos contemporâneos que dialogam com Matisse na exposição.

Natureza Morta com Magnólia (1941)

Assim, a mostra da Pinacoteca traz pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e papéis recortados "comentados" visualmente pelos artistas Cécile Bart, Christophe Cuzin, Frédérique Lucien, Pierre Mabille e Phillipe Richard, cinco representantes da arte contemporânea francesa que não fazem feio ao lado do deus da cor, um homem que atravessou duas guerras mundiais sem permitir, como disse o crítico italiano Giulio Carlo Argan (1909-1992), que a dor do mundo entrasse em sua pintura. A arte, defendia Argan, "conserva e restitui aos homens a alegria de viver que a tragédia destrói". Por isso, Matisse é, conforme a visão do crítico, um dos pilares da ponte artística que uniu a França ao resto do mundo (oriental, inclusive).

A mostra, diz a curadora Emilie, faz um percurso retrospectivo da pintura "incorruptível" de Matisse - e não só dela. Ele vem acompanhado de obras contemporâneas que exploram os temas básicos de sua arte: a cor, a linha, o arabesco e o espaço, que, segundo o pintor, não tinham autonomia para desprezar as relações entre esses elementos constituintes da boa pintura. E há inúmeros exemplos dela na exposição, desde uma paisagem feita no final do século 19 em Belle-île-en-Mer, uma ilha na costa atlântica da Bretanha, até os papéis recortados da fase terminal, época em que Matisse se concentra nos vitrais e ornamentos litúrgicos da Capela de Vence e sua caligrafia abre falência por conta de um derrame cerebral que o levou à morte em 1954.

Felizmente, essa "indesejada das gentes" não marca presença na mostra - alegre, colorida, sensual -, que tem pinturas icônicas como Torso Grego e Vaso de Flores (1919) e Natureza Morta com Magnólia (1941), esculturas de bronze (Nu au Canapé), gravuras , livros ilustrados e as collages com papéis recortados dos anos 1940. Por essa época, Matisse, submetido a uma colostomia e preso a uma cadeira de rodas, passou a usar a tesoura no lugar do pincel. Com a ajuda de assistentes, ele criou collages de grandes dimensões que chamou de ?gouaches découpés?. Painéis serigrafados (da série Océanie) e pranchas do livro Jazz, publicado em 1947, completam a exposição, que traz ainda fotografias do ateliê do artista feitas por Cartier-Bresson e Man Ray.

Essas imagens registram mais que a figura do pintor. Documentam seu modo de produção. A curadora Emilie chama a atenção para a relação afetiva que Matisse mantinha com os objetos, intensa como a de Morandi com suas garrafas. "Ele gostava de se ver rodeado por flores e mulheres", observa, lembrando que as fotos de Cartier-Bresson flagram o pintor integrado à arquitetura do ambiente do ateliê como se fizesse parte da decoração. E, mesmo idoso, transpira sensualidade, saudoso de suas odaliscas. A esse respeito, a curadora é tão cautelosa como a biógrafa inglesa do pintor, Hilary Spurling, que jura ter Matisse feito amor "apenas na tela" com sua modelo Lydia - ela começou como enfermeira da mulher do artista e virou sua assistente. "Os ingleses são um pouco moralistas, não é mesmo?", observa a curadora francesa, elogiando o primeiro volume da biografia, mas acirrando a histórica rivalidade com os súditos da rainha. Em tempo: a biógrafa inglesa esqueceu que madame Matisse exigiu a demissão de Lydia. A razão parece óbvia.

De qualquer modo, mulheres não faltam na mostra. A fixação de Matisse pelo corpo feminino, por cores vibrantes, tecidos, roupas e acessórios - justificada pela biografia do pintor, nascido em um povoado têxtil (Le Cateau-Cambrésis)- é sintetizada no óleo Odalisque à la Cullote Rouge (1921). De cores vivas, ele traz uma odalisca em pose sensual e distante da paleta sombria do começo de carreira, que seguia os mestres do Louvre. É possível, percorrendo a mostra, organizada de forma cronológica, acompanhar a evolução dessa pintura, da influência de Cézanne e dos orientais até os sintéticos papéis recortados, passando pelas obras fauvistas e as de caráter decorativo, que dão espaço, em 1914, a uma expressão mais sofisticada - e que será analisada num colóquio (promovido pela Pinacoteca) e num livro (Matisse: Imaginação, Erotismo, Visão Decorativa) que a editora Cosac Naify lança durante a mostra (aberta até 1º de novembro).

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

NOVELA DAS 8

Bienal-SP e MP fecham acordo para posse de presidente

Agência Estado

A Fundação Bienal de São Paulo finalizou acordo com o Ministério Público (MP), que permitirá legitimar a nova gestão, eleita em maio, e prosseguir com os preparativos para a 29ª mostra de arte. Integrantes do conselho assinaram ontem o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que o Ministério Público do Estado (MPE) propôs - por meio do curador de Fundações, Airton Grazzioli - para resolver o impasse envolvendo a posse do presidente executivo da instituição, Heitor Martins.

"Acredito que os impedimentos estão resolvidos", diz Julio Landmann, conselheiro da Bienal. "A 29ª mostra pode ser deslanchada". Essa assinatura ainda dará aval aos sete novos membros do conselho, também eleitos havia quatro meses. Mas o processo de criação do TAC, que demandou uma semana inteira de reuniões, levou à renúncia do presidente administrativo da Bienal, o arquiteto Miguel Alves Pereira. Ele considerou uma "devastação" a maioria das proposições do MP. "Eu me neguei a assinar o termo porque achei pouco cortês com a Bienal."

Até a eleição de um novo presidente do conselho administrativo, responderá pelo cargo a atual vice-presidente, Elizabeth Machado. Hoje, ela deverá marcar uma reunião extraordinária para a primeira semana de setembro, segundo Landmann, quando um novo nome será apresentado - a gestão de Pereira vai até junho de 2010. Elizabeth assinou ontem o TAC do MPE. Martins, que estava no Chile e retorna hoje a São Paulo, também deverá assiná-lo. "Finalizamos um texto e começamos a recolher ontem as assinaturas dos conselheiros da Bienal - teriam de ser cerca de oito pessoas. Fiz poucas alterações, ainda não vistas por Martins, o maior interessado", afirma Grazzioli. Formalizado o TAC e cumpridas as condições, a ata de posse de Heitor Martins será validada pelo MPE, segundo o promotor. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Promotoria deve rever veto à nova diretoria da Bienal

Folha de S. Paulo

Após indeferir a posse de Heitor Martins à frente da Fundação Bienal de São Paulo, o curador de fundações do Ministério Público Estadual (MPE), Airton Grazzioli, pode encontrar uma forma de manter o presidente recém-eleito no seu cargo.
Ontem, em reunião com o ministro da Cultura, Juca Ferreira, Grazzioli propôs a realização de uma nova reunião para resolver o impasse.
"A Bienal é o único evento cultural globalizado de sucesso do país. Senti-me na necessidade de ir à reunião para apoiar a nova diretoria", disse Ferreira à Folha.
"Estamos buscando uma saída que não afronte o estatuto da Bienal, nem as leis, e mantenha o projeto cultural", disse Grazzioli.

Leda Catunda ganha retrospectiva


Exposição na Estação Pinacoteca reúne 60 obras da artista, uma das musas da pintura da década de 80


Fábio Cypriano da Folha de S. paulo

Nos anos 80, celebrados como o período do retorno à pintura, a artista Leda Catunda era uma das grandes musas. Quase 30 anos depois, ela ganha a primeira retrospectiva de sua carreira, com cerca de 60 obras na Estação Pinacoteca.
Outros artistas daquele período já expuseram recentemente no mesmo local, mas Leda revela-se a única a seguir uma linha coerente desde o início, sem sofrer grandes alterações em seu processo criativo, como ocorreu com os demais.
"Acho que a linha perceptível em minha carreira é a apropriação ligada a assuntos do cotidiano, construindo uma espécie de visualidade do cotidiano", disse a artista, anteontem, na montagem da exposição.
Em 1983, Leda apropriava-se de toalhas com personagens de desenhos animados, como em "Vedação em Quadrinhos", a obra mais antiga da exposição, quando a artista ainda cursava artes plásticas na Faap. Em seus trabalhos atuais, quadrinhos seguem sendo utilizados, mas agora são os personagens eróticos de Carlos Zéfiro que fazem parte de suas obras, revelando como o universo pop está sempre presente.
Outra característica importante é o que ela mesma denomina "poética da maciez", já que seus trabalhos sempre utilizam materiais que remetem ao conforto, como em formas orgânicas tridimensionais com tecidos como veludo.
A mostra ocupa três grandes salas do quarto andar da Estação, mas outras obras foram distribuídas pelo local, como "A Cachoeira", sua famosa instalação na Bienal de São Paulo de 1985, composta por tecidos diversos, instalada em meio à coleção Nemirovsky, no 2º andar.

SERVIÇO
LEDA CATUNDA: 1983-2008
Onde: Estação Pinacoteca (lgo. General Osório, 66, tel. 0/xx/11/ 3337-0185)
Quando: hoje, das 11h às 14h; ter. a dom., das 10h às 18h; até 18/ 10
Quanto: R$ 6; grátis aos sábados


Crítica: Sophie Calle por Fábio Cypriano

Sophie Calle sintetiza elementos da arte

Em mostra no Sesc Pompeia, francesa aborda fim de relação e utiliza múltiplos meios, expressões e procedimentos

Fábio Cypriano da Folha de S. Paulo

Quando, nos anos 1960 e 1970, artistas passaram a misturar arte e vida em performances, seja trancando-se por cinco dias num armário da faculdade, como Chris Burden, em 1971, seja masturbando-se embaixo do tablado em uma galeria, como Vito Acconci em "Seedbed" (cama de semente), de 1972, havia a busca pela veracidade na recusa pela representação. Assim, naquela época, os artistas da performance substituíam a ficção pela experiência.

Essa tradição da performance pode enganar aqueles que visitam a mostra "Cuide de Você", da artista francesa Sophie Calle, em cartaz no Sesc Pompeia, criada originalmente para ocupar o pavilhão francês na Bienal de Veneza, em 2007. "Cuide de Você" são as últimas palavras de um e-mail enviado pelo então namorado de Calle, o escritor Grégoire Bouillier, terminando a relação com a artista. Calle, como para se vingar da maneira abrupta como foi comunicada do fim do romance, convocou 104 mulheres, duas marionetes e uma papagaia para interpretar a carta, cada uma segundo sua especialidade: uma advogada, do ponto de vista jurídico; uma linguista, do ponto de vista gramatical, e assim sucessivamente. A exposição, em sua versão paulistana, traz 83 desses testemunhos, como o da papagaia Brenda, que come o papel com o e-mail e fala o mote da exposição, "cuide de você", ou da vidente que interpreta a mensagem em cartas do tarô: "Essas são as palavras de um homem infeliz, por causa do Eremita". Esses dois exemplos são suficientes para exemplificar o tom sarcástico da exposição, que poderia ser vista apenas como um manifesto feminista, afinal somente mulheres interpretam a mensagem do ex-amante. No entanto, ao contrário das performances que se afastavam da representação, a trajetória de Calle aponta que a artista costuma jogar com os limites entre real e ficção, como quando pediu à sua mãe que contratasse um detetive para segui-la (em 1981, com "Perseguição"). Ora, sabendo que seria perseguida, a própria artista poderia conduzir o investigador. No entanto, o que interessava aí era revelar um processo, apresentando tanto os registros fotográficos feitos pelo detetive em confronto com suas próprias anotações. "Cuide de Você", portanto, pode ser vista como uma grande encenação a partir de um fim de caso. Vingança, revanche? Será o e-mail verdadeiro? De fato, isso tudo pouco importa, já que ao final a mostra acaba por reunir alguns dos principais elementos da arte contemporânea de forma invisível, e aí está seu grande mérito. Seja pela multiplicidade de meios (fotografia, vídeo, texto), expressões (dança, teatro, performance) e procedimento (apropriação, colaboração), Calle criou uma das mais representativas instalações atuais. A artista dá a impressão de estar apenas abordando um tema, quando no final, o tema é uma excelente estratégia para seduzir o visitante no universo da arte contemporânea.

SERVIÇO

CUIDE DE VOCÊ

Quando: de ter. a sáb., das 10h às 21h; dom. e feriados, das 10h às 20h; até 7/9 Onde: Sesc Pompeia (r. Clélia, 93, tel. 0/xx/11/3871-7700)

Quanto: entrada franca
Avaliação: ótimo

Presidente do conselho da Bienal renuncia

Fábio Cypriano da Folha de S. Paulo

O presidente do Conselho Administrativo da Fundação Bienal de São Paulo, Miguel Pereira, renunciou ontem ao cargo, em carta enviada aos conselheiros da instituição.
O motivo é o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) que era negociado entre a Bienal e o Ministério Público Estadual (MPE). Entre os itens, estava prevista a renúncia de Pereira.
"Considero abusivas e falsas algumas teses do Ministério Público e, por isso, prefiro renunciar", disse Pereira à Folha. A vice-presidente do Conselho, Elizabeth Machado, deve assumir.
Pereira diz que o MPE foi "condescendente" com Manuel Francisco Pires da Costa, presidente por três mandatos da Bienal: "Há dois pesos e duas medidas". "Não é verdade, a curadoria tem política institucional independente da peculiaridade de uma ou outra entidade", diz o curador de Fundações do MPE, Airton Grazzioli.
A carta diz que o TAC em negociação prevê que Martins, eleito presidente da Fundação, não seja responsável por fiscalizar o contrato da mulher, Fernanda Feitosa, que aluga o pavilhão da Bienal para a Feira SP Arte, e sim uma comissão independente.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

VERA CHAVES BARCELLOS TEM INDIVIDUAL NO MASP

O Masp abre hoje para convidados e amanhã para o público uma grande retrospectiva da artista gaúcha Vera Chaves Barcellos. São quase cem obras feitas entre os anos 60 e os dias de hoje. A artista é nome conhecido no cenário nacional e já participou da Bienal de Veneza e de quatro edições da Bienal de São Paulo. Na mostra aberta hoje, sua maior já feita na cidade, estão reunidas fotografias, instalações, gravuras e vídeos, entre obras conhecidas e inéditas.

“Memorial III - Dones de la Vida”, 1992.

SERVIÇO

VERA CHAVES BARCELLOS
Quando: de ter. a dom., das 11h às 18h; qui., das 11h às 20h; até 18/10
Onde: Masp (av. Paulista, 1.578, tel. 0/xx/11/3251-5644)
Quanto: R$ 15

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Fernanda Chieco na Galeria LEME em São Paulo



A artista paulistana Fernanda Chieco, 33, apresenta hoje sua primeira exposição individual, às 19h, na galeria Leme, em São Paulo.
Chieco já participou de coletivas importantes no Brasil, como a "Paralela", em 2006, e de mostras na Inglaterra, França e Irlanda, entre outros países.
A artista exibe em "Os Catamoscas" uma série recente de dez desenhos, nos quais a língua aparece em todos os trabalhos.

Guinea Pig Levitates In Lingual Magnetic Field, 2009
Grafite, lápis de cor e aquarela sobre papel
58,1 x 94 cm

SERVIÇO

Fernanda Chieco
Exposição: "Os Catamoscas"
Abertura: hoje 12/08 as 19h - fica em cartaz até 19/9.
Galeria LEME - Rua Agostinho Cantu, 88, Butantã
Tel. 0/xx/11/ 3814-8184;
De seg. a sex., das 10 às 19h, e sáb., das 10h às 17h; entrada franca.

Manifestação na internet pede pela permanência da Polaroid

fonte: Folha de S. Paulo

Quando a Polaroid anunciou, em 2008, que deixaria de fabricar e de distribuir câmeras e filmes fotográficos instantâneos, uma leva de entusiastas usou a internet para protestar.
A empresa, criada em 1937, anunciara o fechamento de unidades nos EUA e no México, onde eram produzidos filmes que abasteciam a máquina. Bastou para que fossem criados sites, grupos e petições pedindo pela permanência não só de uma máquina fotográfica mas de um estilo de fotografia.
O site Save Polaroid (www.savepolaroid.com) foi um dos primeiros a pedir a salvação da Polaroid, como o próprio nome diz. Entre as razões para isso, os criadores do site apontam a imperfeição que torna a máquina e suas fotos tão únicas. Outro diz que a extinção do filme é um exemplo de equívoco diante do digital -é um erro achar que a imagem digital deva substituir o filme, em oposição a coexistir com ele.
No Flickr, o grupo Save Polaroid (flickr.com/groups/savepolaroid) convida entusiastas a enviarem uma foto com uma frase sobre porque o filme instantâneo deve continuar vivo.
E um homem de negócios parece ter resolvido atender a tantos pedidos. No início deste ano, o austríaco Florian Kaps anunciou que a fábrica da Polaroid em Amsterdã deverá produzir filmes novamente. Há cinco anos, ele se dedica à Polaroid. É responsável pelo site Polanoid (www.polanoid.net), tido como um dos maiores acervos de Polaroid na internet, e, também, pela Polanoir, a primeira galeria de arte dedicada ao filme instantâneo - fica localizada em Viena.
Sobre a fabricação dos filmes Polaroid, Kasp disse ao "Independent": "Esse projeto é mais do que um plano de negócios; é uma briga contra a ideia de que tudo tem que morrer se não cria um movimento de vendas". (DANIELA ARRAIS)


Funarte dá bolsa de R$ 30 mil para pesquisar arte e tecnologia

A Funarte oferece bolsas de R$ 30 mil para que pesquisadores, teóricos, artistas e estudantes se dediquem à produção de conhecimento crítico sobre a arte brasileira e suas relações com as tecnologias digitais.
As cinco bolsas serão distribuídas para as cinco regiões do país. "As propostas de trabalho devem estar relacionadas à análise de conteúdos artísticos -das áreas de artes visuais, dança, circo, teatro, performance, fotografia, música, audiovisual e literatura- que tenham sido criados ou estejam expostos em websites, CDs, DVDs, celulares, entre outros", diz a Funarte.
Para participar da segunda edição do Bolsa Funarte de Produção Crítica sobre Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais/Internet, é preciso enviar à Funarte um projeto de trabalho, acompanhado pela ficha de inscrição preenchida e por cópias de documentos. As inscrições vão até a próxima quinta-feira, pelo site www.funarte.gov.br.

Bienal: Urgente


Declaração Pública de Apoio


"A Associação Brasileira de Arte Contemporânea acompanha com preocupação o impasse criado para a posse da diretoria da Bienal de São Paulo, presidida pelo senhor Heitor Martins. Torna-se urgente a continuidade do projeto de revitalização da Bienal Internacional de São Paulo, evento dos mais importantes para a cultura e a arte do país.
Nesse sentido, esta associação manifesta o seu apoio à diretoria presidida pelo senhor Heitor Martins, ao seu projeto de constituição de novas bases para o funcionamento da instituição e ao seu plano para a realização da exposição em 2010."


LUISA MALZONI STRINA , vice-presidente (São Paulo, SP)


-

Artur Lescher na Anita Schwartz Galeria - Rio de Janeiro


Após 19 anos sem expor no Rio, o paulistano Artur Lescher, um dos mais celebrados escultores contemporâneos, inaugura na Anita Schwartz Galeria a exposição "Rio Máquina".

A mostra apresenta trabalhos inéditos do artista, feitos em 2008 e 2009. São peças grandiosas, que reafirmam seu conhecido estilo: o diálogo com a arquitetura e com a paisagem, a simplicidade que cria jogos de tensão com o entorno.

Peça da série 'Metaméricos', do escultor Arthur Lescher/ Divulgação

A instalação que dá nome à mostra é um belo exemplo desse estilo. Trata-se de uma grande malha de aço inoxidável derramada no chão, que flui por cilindros de aço. Na vertical, há uma outra malha, feita com o mesmo material. Segundo Lescher, elas dão, juntas, a ideia de paisagem, como indícios de cachoeira ou de rio - um "rio máquina", afinal.

Em outra parte da exposição, o artista faz uma homenagem a Lygia Clark e aos seus "Bichos", com a série "Metaméricos". São 10 objetos em madeira e latão, que se assemelham a insetos e, dotados de dobradiças, podem ser modificados e manuseados.

SERVIÇO

ARTUR LESCHER - RIO MÁQUINA
Anita Schwartz Galeria de Arte: Rua José Roberto Macedo Soares 30, Gávea.
Tel: 2274-3873.
Abertura: quarta-feira (12.08), às 19h.
Exposição: de 13 de agosto a 12 de setembro.
De segunda a sexta, das 10h às 20h. Sábados, das 11h às 17h. Entrada franca.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Novo MIS terá projeto inspirado em Burle Marx

Júri escolhe proposta de arquitetos de NY para museu em Copacabana

Felipe Werneck do Estadão

Inspirado nas formas criadas pelo paisagista Roberto Burle Marx para o calçadão da orla, o projeto arquitetônico do escritório de Nova York Diller Scofidio + Renfro foi o escolhido, por unanimidade, para abrigar a nova sede do Museu da Imagem e do Som (MIS), em Copacabana. A decisão dos jurados, que analisaram outros seis projetos (quatro de escritórios brasileiros), foi anunciada ontem pelo governador Sérgio Cabral Filho.

Projeto do escritório norte americano Diller Scofidio + Renfro

Em discurso, ele contou que onze anos atrás foi a Bilbao "exclusivamente" para visitar o Guggenheim. "Imagina isso na Avenida Atlântica?" Cabral prometeu "acabar com o cheiro insuportável" naquele trecho da praia e "pacificar até o fim do ano" o Morro do Cantagalo.

"O edifício é melódico, extremamente musical", disse o crítico de arte Paulo Herkenhoff, um dos jurados. "Apesar de ser a cidade naturalmente maravilhosa, os cariocas sempre se sentiram responsáveis por agregar algo. O Rio é uma cidade onde o homem se sente responsável por responder à natureza. Creio que esse seja um momento capital desse processo de interação", completou Herkenhoff, que foi curador da 24.ª Bienal de São Paulo.

A atual diretora do MIS, Rosa Maria Araujo, disse que foi "conquistada" pela ideia dos americanos de "transformar e subir" a calçada de Burle Marx. Além da "grande inspiração" na obra do paisagista, Elizabeth Diller citou, durante a apresentação após o resultado, sua admiração pelo Manifesto Antropofágico e pelo Tropicalismo. "O lugar (a orla de Copacabana) é tão rico que sentimos que tínhamos de pegar um pouco emprestado", disse ela.

A arquiteta conta que pretendeu projetar algo "poroso, aberto", que deixasse qualquer um à vontade para entrar, fugindo da "muralha" de prédios da Avenida Atlântica. O escritório foi responsável por belos projetos, como o Institute of Contemporary Art (ICA), nos EUA, e a Blur Building, na Suíça.

Ela e Ricardo Scofidio vieram ao Brasil pela primeira vez na semana passada, para a apresentação final aos jurados. Scofidio disse que eles ficaram apaixonados pela cidade. "Esse projeto é muito importante para nós. Acreditamos nessa conexão de uma instituição pública com a cidade." Além das salas de exposições permanentes e temporárias, o prédio terá um café e um cinema ao ar livre no terraço, um restaurante panorâmico no terceiro piso, um piano bar no segundo ("quiçá uma boate", disse a secretária de Cultura, Adriana Rattes), além do auditório no subsolo, que também pode ser visto do térreo. A estrutura permite observar a praia a partir de vários pontos. Grandes rampas com jardins suspensos, definidas como uma extensão do calçadão, "convidam" os pedestres a percorrer um "museu vivo".

HELP

O projeto do MIS do Rio está orçado em R$ 65 milhões, dos quais R$ 13 milhões já foram depositados em juízo para a desapropriação do terreno de 1.600 metros quadrados ocupado desde a década de 1980 pela discoteca Help. O valor da indenização foi questionado na Justiça, mas o governo espera uma solução nos próximos dois meses. As obras levariam dois anos e meio, após a demolição. O governo se comprometeu a bancar R$ 50 milhões e mais R$ 15 milhões seriam captados na iniciativa privada.

O projeto é uma parceria do governo com a Fundação Roberto Marinho, responsável pelo Museu da Língua Portuguesa e o do Futebol, em São Paulo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Galeria LEME inaugura individual do artista japonês Atsushi Kaga


Why can we keep going forward? Because we forget the problem of yesterday

Atsushi Kaga, artista japonês residente na Irlanda, utiliza-se de diferentes suportes para criar seus trabalhos - pintura, desenho, escultura, animação - sempre acompanhados de sarcasmo e senso de humor. Seu estilo foi influenciado pela cultura popular japonesa – meio no qual ele cresceu – e sua abordagem, intencionalmente amadora e intimista, cria contextos que mesclam a vida e arte. Ele descreve seu trabalho como uma incorporação das margens do mundo – ao mesmo tempo desconhecido e cotidiano – onde há "perguntas mundanas para as quais não existem respostas especiais". Em seu projeto na Galeria Leme ele traz à tona aspectos anônimos da vida, analisando a si próprio inserido em um mundo avesso.

Rua Agostinho Cantu 88 in the Night, 2009 - Acrílica e marcador sobre tela - 35 x 27 cm

Para sua primeira exposição no Brasil - Why can we keep going forward? Because we forget the problem of yesterday, Atsushi está produzindo a partir do que encontrou disponível em São Paulo. Além de objetos, o artista tem usado como base para o seu trabalho algumas impressões interessantes em relação à cidade e às pessoas que nela habitam. Na bagagem, nada exceto melancolia, que trouxe para confrontar a energia e vivacidade brasileira, que estava ansioso por conhecer. O resultado é um trabalho ao mesmo tempo melancólico e bem-humorado: ele tem utilizado materiais descartados na rua para as suas esculturas, e pintado os travestis que trabalham em frente ao seu estúdio. Com estas apropriações, Atsushi busca questionar o valor agregado àquilo que esperamos, nos desfazemos ou descartamos, e de que forma isso influencia quem nos tornamos.

O artista chegou a São Paulo no dia 24 de junho, para uma residência na Galeria Leme apoiada pelo Culture Ireland, e ficará na cidade até o dia 23 de julho, quando retorna a Dublin.

Sobre o artista:

Atsushi Kaga (Tóquio, 1978), vive e trabalha em Dublin, Irlanda.

O artista formou-se em 2005 no National College for Art & Design, em Dublin, e desde então tem exposto internacionalmente. Recebeu a premiação Visual Arts Bursary do Arts Council of Ireland em 2007 e 2009. Nos próximos meses ele fará outras duas residências: em outubro próximo no Fountainhead, em Miami, e no Irish Museum of Modern Art (IMMA) por seis meses a partir de janeiro de 2010.

SERVIÇO
Galeria LEME
Exposição: Atsushi Kaga - Why can we keep going forward? Because we forget the problem of yesterday
Abertura: 12/08, às 19h até 19/09.
Rua Agostinho Cantu, 88, Butantã - tel. (11) 3814-8184
http://www.galerialeme.com

Salão Paranaense divulga lista de selecionados

A 63º edição do Salão Paranaense divulgou, nesta segunda-feira (10), os artistas selecionados que irão expor na mostra. A abertura do Salão acontecerá no dia 29 de outubro, no Museu de Arte Contemporânea do Paraná.

Trabalho do artista Cristiano Lenhardt é um dos selecionados desta edição

Os artistas selecionados foram avaliados pelo conselho curador - formado por cinco críticos de arte - que escolheram 27 participantes, incluindo os artistas nacionais convidados.

Ao todo se inscreveram 525 artistas Nesta edição o conselho curador foi formado pelos críticos de arte Stephanie Dahn Batista (PR), Marilia Panitz Silveira (DF), Fabrizio Vaz Nunes (PR), Marcos César de Senna Hill (MG) e Paulo Sérgio Duarte (RJ), que além de analisar as obras das participações espontâneas também fizeram as indicações de seis artistas com uma atuação expressiva na arte contemporânea.

Criado em 1944, o Salão Paranaense é o evento mais tradicional promovido pelo Museu de Arte Contemporânea do Paraná e, além de ininterrupto desde sua fundação, é o Salão mais antigo do País. Desde a edição de 2005, passou a ser bienal.

Veja os artistas selecionados:


1. ALICE SHINTANI
(São Paulo/SP)

2. AMALIA GIACOMINI
(Rio de Janeiro/RJ)

3. ANDRÉ HAUCK (Belo Horizonte/MG)
4. ANDREI THOMAZ
(São Paulo/SP)

5. ANGELLA CONTE
(São Paulo/SP)

6. BEANKA MARIZ (Rio de Janeiro/RJ)
7. C.L. SALVARO
(Curitiba/PR)

8. CARLA VENDRAMI
(Curitiba/PR) In Memoriam

9. CHARLY TECHIO
(Curitiba/PR)

10. CRISTIANO LENHARDT
(Recife/PE)

11. DACH - DANIEL ARAUJO CHAVES - (Curitiba/PR)
12. ELDER ROCHA
(Brasília/DF)

13. ESTEVÃO MACHADO
(Belo Horizonte/MG)

14. FABIO MAGALHÃES
(Salvador/BA)

15. GRUPO PORO
(Belo Horizonte/MG)

16. LAERTE RAMOS
(São Paulo/SP)

17. LEONARDO TEPEDINO - (Rio de Janeiro/RJ)
18. LOISE RODRIGUES
(Brasília/DF)

19. MARCELO SILVEIRA
(Recife/PE)

20. MARCUS ANDRÉ
(Rio de Janeiro/RJ)

21. MARIA LYNCH
(Rio de Janeiro/RJ)

22. MILENA TRAVASSOS
(Fortaleza/CE)

23. MILLA JUNG
(Curitiba/PR)

24. PATRICIA OSSES
(São Paulo/SP)

25. PAULO ALMEIDA
(São Paulo/SP)

26. PAULO VIVACQUA
(Rio de Janeiro/RJ)

27. WASHINGTON SILVERA (Curitiba/PR)

Vencedor do Pritzker, Paulo Mendes da Rocha constrói em Vitória


Silas Martí da Folha de S.Paulo


Não têm hora os trabalhos do mar. Paulo Mendes da Rocha sabe disso e quer o contraste entre o "desfile monumental" de navios e sua construção no cais do porto de Vitória.

Perspectiva de museu de arte moderna que será construído no cais do porto de Vitória

Numa espécie de moldura concreta da paisagem marítima, o vencedor do Pritzker projeta o que será o museu de arte moderna da capital capixaba e um teatro operístico, complexo batizado de Cais das Artes pelo governo do Espírito Santo.

Orçado em R$ 120 milhões, bancados pelo Estado, começa a sair do papel em novembro deste ano e deve ser concluído em meados de 2011, com a promessa de inserir Vitória no circuito nacional das grandes exposições e espetáculos.

Em escala menor, também tem certo valor afetivo para Mendes da Rocha, que nasceu em Vitória, mas nunca projetou na cidade. Seu avô trabalhou na construção do aterro onde hoje fica o parque Moscoso.

É o que ele chama de "inexorável confronto entre as terras e o mar" das cidades costeiras. Da mesma forma que o aterro que seu avô ajudou a construir, Mendes da Rocha faz um projeto ambicioso numa zona de "territórios ganhados do mar".

"É uma esplanada em frente ao mar, no canal de entrada do porto de Vitória", descreve. "A cidade fica espetacular nesse ponto, um confronto entre os navios belíssimos, iluminados, moventes e as construções."

Mendes da Rocha tenta manter a transparência da paisagem erguendo o pavilhão sobre pilares, num projeto que lembra o Museu de Arte Moderna do Rio, construído no aterro do Flamengo por Afonso Reidy nos anos 50. "É uma sucessão de espaços nesse engenho horizontal, suspenso do chão."

Brutalismo à beira-mar

Lá dentro, são cinco salões de exposição articulados entre rampas transparentes, com vista para a esplanada lá fora. Dessa forma, as áreas entre um espaço expositivo e outro devem ganhar uma iluminação natural vinda de baixo para cima, uma grande caixa vazada, que se mistura à praça exterior.

Essa fusão de espaços internos e externos marca quase todos os projetos do arquiteto, de linhagem modernista. Lembra, nos traços ortogonais e também pelo esquema de andares intercalados, as construções de Vilanova Artigas, que desenhou o prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

Numa transposição do estilo brutalista para a beira do Atlântico, Mendes da Rocha faz um teatro de 1.300 lugares debruçado sobre o mar. Colado ao chão, por causa do fosso da orquestra, é uma estrutura que começa na esplanada, mas tem dois de seus pilares de sustentação fincados direto na água.

"Não é extravagante fazer a fundação no mar", diz Mendes da Rocha, sobre um dos pontos mais impressionantes do projeto. Segundo o arquiteto, o lençol freático no terreno é tão alto que os pilares teriam de atingir a mesma profundidade tanto na esplanada quanto no mar.

Atrás da plateia, janelas dão vista para o outro lado do canal de Vitória, onde está a cidade de Vila Velha e o convento de Nossa Senhora da Penha, 300 metros sobre o nível da água -o lado de lá da moldura concreta de Mendes da Rocha.

sábado, 8 de agosto de 2009

Galeria Virgilio inaugura individual de Alice Shintani

Como olhamos o que olhamos?

Em que medida percebemos as pessoas, as coisas, o mundo, para além de um mero reflexo de nós mesmos? Buscamos de fato o estranhamento de um novo encontro ou procuramos o conforto do familiar? Agüentamos esse estranho ou necessitamos logo identificá-lo, rotulá-lo (e descartá-lo)?

A partir dessas indagações, Alice Shintani apresenta a mostra “Éter” na Galeria Virgílio. Concebida em dois ambientes que tomam por base a arquitetura local e institucional, a artista propõe uma experiência imersiva no andar térreo da galeria e uma sala com oito pinturas em resina acrílica sobre tela no piso superior.
Alice vem trabalhando a partir de uma idéia expandida de pintura para propor ambientes e situações no limiar do conforto e da beleza, mas que poderiam subitamente perder tal caráter “familiar” para alguma experiência ambígua de estranhamento, de não-entendimento ou de não-afirmação, “inclusive de seu próprio discurso”, como reitera a própria artista.

“Éter” é a segunda mostra individual de Alice Shintani na Galeria Virgílio. A artista vem obtendo importante reconhecimento no circuito nacional, como as recentes participações nas mostras “Nova Arte Nova”, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro e São Paulo, e “Rumos Artes Visuais – Trilhas do Desejo”, no Instituto Itaú Cultural em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.
Alice Shintani - Mostra Éter | sala 1 - Site-specific - 2009 | alvenaria e resina acrílica

SERVIÇO
Abertura: 12/08, às 20h até 05/09.
Rua Dr. Virgilio de Carvalho Pinto, 426, Pinheiros
tels. (11) 3062-9446 e 3061-2999. Seg. a sex., 10h/19h; sáb., 10h/17h.
http://www.galeriavirgilio.com.br