quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Luis Felipe Noé na Bienal de Veneza

Com uma trajetória de 50 anos marcada pelo compromisso social e a inovação estética, o artista será o representante argentino na mostra plástica mais importante do mundo. León Ferrari obteve o máximo galardão em 2007.
Noé encontra linguagens sempre novas para expressar sua visão sobre as tensões e antagonismos da vida argentina.



A Bienal ficará em cartaz de 7 de junho a 22 de novembro e terá como eixos a encenação de artistas-chave da história da arte que ainda continuam produzindo obras e que constituem claras influências sobre as seguintes gerações. A escolha de Noé se ajusta com precisão a estes lineamentos.
“Sem dúvidas, sua obra é representativa da Argentina no sentido mais profundo, real e simbólico, com todas as suas contradições, idas e voltas, durante o último meio século, no passado, no presente e na soma de ambos: isto é, no futuro ", explicou o crítico Fabián Lebenglik, o curador designado pela Chancelaria argentina para a Bienal.
Noé, por sua vez, confessou que ficou contente ao saber do reconhecimento, “porque entendo que é a minha obra atual e não simplesmente aquela que realizei nos anos ´60. Sinto-me vivo criativamente e não a viúva de um artista que existiu nos ´60”.
Nasceu em Buenos Aires em 1933, o artista integrou entre 1961 e 1965 o grupo Otra Figuración (também conhecido como Nueva Figuración), junto a Ernesto Deira, Rómulo Maccio e Jorge de la Vega, que marcou um ponto de quebra na agitada vida cultural da Argentina nos anos 60.
A obra de Noé representa uma singular conjunção entre vanguarda estética e vanguarda política. A partir da compartimentação da superfície de suas pinturas que já se observam em quadros como “Mambo” (1962) ou “Introdução à esperança” (1963), Noé encontra linguagens sempre novas para expressar sua visão sobre as tensões e antagonismos da vida argentina.
Na Bienal Internacional de Veneza 2007, León Ferrari, outro destacado artista argentino foi reconhecido com o Leão de Ouro por seu compromisso ético e político e pela vigência estética de sua obra, que compreende seis décadas. Ferrari participou dos collages de sua série de L´Osservatore Romano (2001) e a escultura “A civilização ocidental e cristã” (1965), com um Cristo crucificado contra um bombardeiro americano. O diretor da Bienal, Robert Storr, também convidou o argentino Guillermo Kuitca para integrar a mostra central com obras de sua produção recente, que aludem a outros artistas nacionais, como Alfredo Hlito e Lucio Fontana.
Desejo de reencontro

Fonte: Canal Contemporâneo - por Tatiana do Zero Hora, em 19 de fevereiro de 2009

Carlos Vergara, artista que está com grande exposição em Porto Alegre, fala sobre Santa Maria, cidade onde nasceu e à qual não voltou mais
Santa Maria está de olho em um artista que nasceu lá, que construiu uma carreira admirável, de projeção nacional, mas que nunca voltou a sua própria cidade. Trata-se de Carlos Vergara, 67 anos, gaúcho radicado no Rio de Janeiro, atualmente em cartaz no Margs, em Porto Alegre, com a exposição Sagrado Coração, que tem como ponto de partida as ruínas de São Miguel das Missões.
O secretário de Cultura de Santa Maria, o artista plástico Titi Roth, diz que entrará em contato com Carlos Vergara para convidá-lo a expôr na cidade o mais breve possível. O plano é que as obras dos grandes artistas da região (além de Vergara, Carlos Scliar e Iberê Camargo) sejam expostas no Museu de Arte de Santa Maria (Masm). Para que isso aconteça, Roth quer fechar uma parceria com o Margs. Ele fala com entusiasmo da obra de Vergara:
– Ele tem uma pintura extremamente vigorosa e contemporânea. Há toda uma trajetória de brasilidade na cor, nos elementos que ele usa. É uma produção representativa de nossos valores.
Apesar de jamais ter morado no Estado, Vergara colocou o Rio Grande em seu mapa-múndi artístico na mostra Sagrado Coração, um olhar do artista sobre as ruínas de São Miguel das Missões, em cartaz no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs). Em uma das idas às reduções jesuíticas, no ano passado, o artista sobrevoou sua terra natal e sentiu uma certa nostalgia.
– A Santa Maria, não voltei não por falta de curiosidade, mas de oportunidade – diz. – Iberê Camargo (pintor gaúcho que foi professor de Vergara), que tinha uma relação grande com Santa Maria, tentou mesmo fazer uma exposição minha lá. É uma coisa que ainda está para acontecer. Tomara que aconteça logo.
Carlos Vergara deu entrevista, de seu estúdio em Santa Teresa, no Rio, por telefone. Na oportunidade, vibrava com a expectativa de desfilar no bloco carnavalesco Cariocas do Mundo, formado só por pessoas que vivem no Rio de Janeiro mas que não nasceram lá.
– Já tem até uma ambulância contratada. Pode ser a última entrevista – riu o artista, de 67 anos.

“Quero pisar no chão onde eu nasci”, diz Vergara.

“Diga aí para os nossos conterrâneos, que espero ter oportunidade de fazer alguma coisa em Santa Maria, uma exposição, alguma obra. Soube de dois lugares que me interessariam muito. Um é a velha estação férrea. Talvez eu pudesse fazer uma coisa que não fosse pieguice de novela (risos). Outra são umas águas paradas que Iberê pintou, em 1939 ou 1940, e que ficam na região de Santa Maria. Me interessaria muito visitar esses locais e retrabalhar com olhos contemporâneos uma coisa que ele pintou na época em que eu estava nascendo. Só estou esperando um convite para visitar a cidade, da universidade, da prefeitura. Se me chamarem, eu vou. Sobrevoei Santa Maria, na última vez que fui a São Miguel, ano passado. Mas quero pisar no chão, olhar as colinas, andar, e de repente, descobrir em qual maternidade eu nasci. Quero revisitar os alfarrábios da minha velha certidão de nascimento.”

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Steve MCqueen to represent britain at the 2009 Venice Biennale

Born in London in 1969, McQueen works predominantly in film and is considered one of Britain’s most influential artists. He was awarded the first ICA Futures Award in 1996, the Turner Prize in 1999 and an OBE in 2002. His work is represented in museum collections throughout the world and he has shown widely in important group and solo exhibitions. These include Documenta X and XI, the 50th and 52nd Venice Biennales, Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, Museu Serralves, Oporto, Fondazione Prada, Milan, and the Renaissance Society, Chicago.
As Official War Artist to Iraq, commissioned by the Imperial War Museum in 2003, McQueen generated international media attention with one of his rare non-film works Queen and Country. His first feature film Hunger, commissioned by Channel 4/Film 4, won both the Camera d’Or and an International Film Critics Federation Prize at the 2008 Cannes Film Festival, in addition to the inaugural Sydney Film Prize, for best film at the Sydney Film Festival.
Deadpan 1997, 16mm black and white film, without sound transferred to DVD - 4min 30sec

Steve McQueen is represented by Thomas Dane Gallery, London and Marian Goodman Gallery, New York and Paris. He lives and works in Amsterdam and London.

For more information please contact Eleanor Hutchins on +44 (0) 207 389 4981 or email Eleanor.Hutchins@britishcouncil.org.

McQueen is represented by Thomas Dane Gallery, London. For inquiries please contact Martine d'Angelejan-Chatillon at martine@thomasdane.com or phone +44 (0)20 7925 2505. For further information about the gallery, please visit www.thomasdane.com

The British Council works with an advisory committee of leading arts professionals across the UK who advises on the artist selection for the Venice Biennale every two years. This is to ensure that the selection process is transparent and broadly based. The advisory committee met on June 19 2008 and was made up of:

- Martin Barlow, Director Oriel Mostyn, Llandudno
- Katrina Brown, Director The Common Guild, Glasgow
- Penelope Curtis, Curator Henry Moore Institute, Leeds
- Stephen Deuchar, Director Tate Britain
- Alex Farquharson, Director Centre for Contemporary Art, Nottingham
- Jack Persekian, Director Al Ma’mal Foundation, East Jerusalem
- Declan McGonagle, Chair in Art & Design & Director School of Art and Design, University of Ulster, Belfast
- Magdalene Odundo, Professor of Ceramics, University College of the Creative Arts, Farnham
- Richard Riley, Head of Exhibitions, British Council
- Adrian Searle, Chief Critic, The Guardian
- Chair: Andrea Rose, Director of Visual Arts, British Council

If you are interested in the minutes of the meeting, you can download them here.

The 53rd International Art Exhibition in Venice will run Sunday 7th June – Sunday 22nd November 2009. Next year the British Council will be celebrating its 75th Anniversary. It has commissioned artists to represent Britain at the Venice Biennale to celebrate the best of emerging and established British artistic talent since 1938, including Barbara Hepworth, Henry Moore, Bridget Riley, Anish Kapoor, Mark Wallinger, Paul Nash, Gilbert & George, and most recently Tracey Emin in 2007, amongst many more.
The Icelandic Pavilion

Ragnar Kjartansson
to represent Iceland at the Venice Biennale in 2009

The artist Ragnar Kjartansson has been chosen to exhibit on Iceland’s behalf at the 53rd Biennale in Venice 2009. Born in 1976, he is the youngest artist ever chosen to represent the country in this important international venue where the art world gathers every two years to see the most exciting new art brought in from every corner of the earth.

Icelandic artists were first sent to the Venice Biennale in 1960 but in the last decade, more funding and effort has been expended to support and promote the representing artist, reflecting the growing importance of such international art events. Most recently, Iceland was represented in 2007 by Steingrímur Eyfjörð, in 2005 by Gabríela Friðriksdóttir, in 2003 by Rúrí and in 2001 by Finnbogi Pétursson – all artists who exhibit internationally and have built a strong reputation in and outside Iceland. Until 2005, the Icelandic artists were exhibited in a small pavilion built in 1956 by Finnish architect Alvar Alto in the Giardini di Castelli exhibition gardens. In 2007, however, Steingrímur Eyfjörð’s exhibition was mounted in the Palazzo Bianchi Michiel on the Canale Grande, reflecting the expansion of the Biennale in recent years as more and more exhibitions are held outside the gardens traditionally reserved for the event. The location of Kjartansson’s exhibition has yet to be announced.

Ragnar Kjartansson graduated from the Icelandic Academy of the Arts in 2001 but his artistic development has been rapid and he has already had twelve private exhibitions in five countries and taken part in some thirty group shows. He has built a body of work that is at once highly individual and easily appreciated, combining performances, video, sculpture and painting. In addition to his work in the visual arts, Kjartansson has a career in music, having released several albums with his bands and performing around the world. His contribution to the Reykjavík Arts Festival in 2005, though staged in an abandoned rural meeting house far from the city, was one of the most successful events of the festival and brought him to the attention of the international press. Like many of Kjartansson’s works, it combined drawing and painting with a dramatically staged setting and a performance piece that tested the artist’s endurance as he spent twelve hours a day for two weeks in the draughty, unheated building, dressed in fading theatrical costume, his face streaked with stage blood, strumming a guitar and singing to himself, gradually adding details to the chaotic installation. Kjartansson often highlights such themes as sadness, regret and loneliness, but his approach and execution are always fresh and intensely personal, forging a strong bond with the viewer and captivating audiences wherever he exhibits.

With Ragnar Kjartansson, the Icelandic pavilion in Venice in 2009 will feature a young artist who has in a remarkably short time built an impressive roster of international exhibitions and an engaging individual style that stands out even in today’s crowded global art world. He is a worthy representative of the vibrant young art scene in Iceland, a cutting-edge contemporary artist with strong roots in cultural tradition and a keen eye for the tragicomic spectacle of human experience.

The choice of an Icelandic artist for the Biennale is in the hands of a committee that this time included Christian Schoen, Director of the Center for Icelandic Art, Hafþór Yngvason, Director of the Reykjavík Art Museum, and the artist Rúrí who herself exhibited in Venice on Iceland’s behalf in 2003. Two further consultants were brought in to assist in the deliberations: Halldór Björn Runólfsson, Director of the National Gallery of Iceland, and Kristján Steingrímur Jónsson, Head of Visual Arts at the Icelandic Academy of Art. Christian Schoen is the commissioner for Iceland’s pavilion in Venice and the project is overseen by the Center for Icelandic Art, which in turn is funded by the Ministry of Education, Science and Culture.

Commissioner: Christian Schoen
Assistant: Rebekka Silvía Ragnarsdóttir
Curators: Markús Þór Andrésson & Dorothée Kirch
Commissioning Institution: CIA.IS – Center for Icelandic Art

Hafnarstræti 16
IS-101 Reykjavík
Tel: 00354-562 72 62
Fax: 00354-562 66 56
info@cia.is
www.cia.is

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Yoko Ono e John Baldessari serão premiados na Bienal de Veneza


ROMA, Itália, 24 Fev 2009 (AFP) - A Bienal de Arte Contemporânea de Veneza (7 de junho a 22 de novembro) concederá um Leão de Ouro pela carreira à japonesa Yoko Ono e ao americano John Baldessari, artistas que "revolucionaram a linguagem da arte", anunciaram os organizadores do evento.
"A Mostra deseja recompensar dois artistas cujos trabalhos de vanguarda abriram novas possibilidades de expressão poética, conceitual e social para os artistas do mundo inteiro", declarou o crítico de arte e filósofo Daniel Birnbaum, curador da 53ª edição da Bienal.
"O trabalho de Yoko Ono e John Baldessari revolucionou a linguagem da arte e continuará sendo uma fonte de inspiração para as futuras gerações", completou Birnbaum.
Yoko Ono, 76 anos, mulher de John Lennon, é uma "pioneira da arte-performance e da arte conceitual, e atualmente uma das artistas mais influentes. Ela desenvolveu modelos artísticos que deixaram marcas duradouras", afirma um comunicado oficial.
John Baldessari, californiano de 78 anos, é um artista conceitual "que desenvolveu sobretudo uma linguagem visual específica".

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Representação Portuguesa na 53.ª Bienal de Veneza

fonte: RTP - Portugal

Os artistas portugueses João Maria Gusmão e Pedro Paiva vão representar Portugal na 53/a Exposição Internacional de Arte - Bienal de Veneza, num projecto comissariado por Natxo Checa, revelou hoje à Agência Lusa o director-geral das Artes.

De acordo com Jorge Barreto Xavier, a escolha desta equipa - que já recebeu o aval do ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro - visa "reconhecer o valor do trabalho em equipa de três profissionais que ao longo dos últimos sete anos têm trabalhado juntos, e num percurso coerente e muito marcado por linhas singulares e reconhecidas no contexto nacional e internacional".

"Esta escolha permite a uma geração mais nova, mas com provas dadas e reconhecidas, o acesso ao circuito da Bienal de Veneza, numa promoção do país, mas também das possibilidades de sedimentação da sua presença internacional para assegurar o sucesso de um projecto que cumpra a exigência desta apresentação e o perfil de contemporaneidade" da representação portuguesa na Bienal de Veneza.

Pedro Paiva e João Maria Gusmão - The Occult (2007)

João Maria Gusmão, de 29 anos, e Pedro Paiva, 31 anos, ambos nascidos em Lisboa, "têm tido um trabalho discreto mas fulgurante em termos de reconhecimento", comentou à Lusa Jorge Barreto Xavier, acrescentando que a presença de ambos em Veneza "terá um grande impacto na sua carreira artística".

Por outro lado, "a equipa tem apresentado muito propostas existenciais que se inserem bem no tema geral da Bienal de Veneza", que na edição de 2009 se apresenta sob o título "Making Worlds/Fazer Mundos", e que terá como curador geral o sueco Daniel Birnbaum, decorrendo entre 07 de Junho e 22 de Novembro deste ano.

Desde 1997 que o Instituto de Arte Contemporânea, posteriormente Instituto das Artes, e actualmente Direcção-Geral das Artes, organismos do Ministério da Cultura, têm vindo a designar e financiar a representação portuguesa nesta Bienal, onde já representaram Portugal artistas como Helena Almeida, Jorge Molder e Ângela Ferreira.

Questionado pela Lusa sobre algumas críticas surgidas na imprensa, por parte de alguns meios artísticos, de que a escolha da representação portuguesa tardava em ser anunciada, Barreto Xavier escusou-se a comentar, sublinhando: "O processo esteve a decorrer e a Direcção-Geral das Artes está muito empenhada e satisfeita com esta escolha".

Desde há uma década que Pedro Paiva e João Maria Gusmão têm apresentado, em plataformas como o cinema experimental e a instalação, um conjunto estruturado de ensaios de investigação artística sobre os sentidos para a experiência humana no mundo.

Internacionalmente, têm vindo a apresentar-se no circuito das bienais, nomeadamente em São Paulo (2006), Mercosul (2007) e, mais recentemente, na Manifesta 7, assim como nas apresentações individuais no Wattis Institute em São Francisco, Photoespaña, em Madrid, e Adams Gallery em Wellington.

Este ano os artistas irão ainda expor individualmente na Kunstverein Hannover e Ikon Gallery em Birmingham.

Nascido em Barcelona em 1968, Natxo Checa iniciou a sua actividade profissional no início dos anos 90, e desde 1994, no contexto do espaço Zé Dos Bois (ZDB), em Lisboa, que co-dirige, ou do Festival Atlântico que dirigiu, tem vindo a mostrar diversa produção artística visual emergente portuguesa. Também tem organizado mostras e intercâmbios internacionais em algumas capitais europeias e na costa Oeste Americana com artistas da geração de noventa.

Cotidiano inspira poética de obras em mostra coletiva

por Mário Gioia da Folha

"Realidades Imprecisas", exposição que é aberta hoje no Sesc Pinheiros, reúne trabalhos de 13 artistas contemporâneos

De acordo com curadora, instalações, pinturas, esculturas, objetos e vídeos atestam ligações da arte com coisas corriqueiras

Objeto da série "La Donna, La Casa, Il Bambino", de Nino Cais

Baldes de plástico de R$ 1,99 que formam esculturas. Uma torneira colocada na parede de um espaço expositivo. Fotografias caseiras de festas familiares ampliadas e dispostas como banners em janelas. Os trabalhos da mostra "Realidades Imprecisas", que é aberta hoje no Sesc Pinheiros, parecem sempre dar um sentido poético ao cotidiano.
Com obras de 13 artistas jovens, com idade média de 30 anos, a exposição coletiva reúne peças de diversos suportes, como pinturas, instalações, esculturas e vídeos, que comentam as ligações entre arte e realidade. "O recorte que fiz destaca como os artistas sempre buscam sensibilizar e dar uma nova significação ao mundo real.
Escolhi quem mais acompanho de perto pelo desenvolvimento da obra e, por isso, os trabalhos são muito diversos", afirma a curadora de "Realidades...", Carolina Soares, 32, ex-curadora do MAM-SP (Museu de Arte Moderna de São Paulo) e que atuou como pesquisadora na 28ª Bienal de São Paulo.
Logo na abertura da mostra, no térreo, as cinco esculturas e os cinco objetos do paulistano Nino Cais, 39, exemplificam de modo claro a tese da curadora.
As esculturas no centro da sala são formadas por objetos baratos, como baldes, bancos e vassouras, que, rearranjados, servem de apoio a vasos de plantas e flores.
"Meu trabalho fala constantemente do cuidar. Para sobreviverem, as plantas precisarão de cuidados, em meio a esses rearranjos de peças banais e que agora estão num espaço de exposição", conta o artista. Outros cinco objetos de Cais têm como base páginas de uma revista feminina publicada na Itália nos anos 60, que ganham colagens feitas pelo artista.
Nas janelas da entrada do Sesc, o goiano Marcelo Amorim, 31, ampliou 32 fotos de seus registros familiares para discutir a identidade.
"Jogo com a presença e a ausência da minha figura em diferentes tempos." Já a mineira Flávia Bertinato, 28, apresenta uma instalação repleta de cortinas na cor vinho, com canção de Ennio Morricone ao fundo.
"A música alegre seduz o público para entrar no espaço, mas não há nada especial para ver." A paulistana Tatiana Blass, 29, apresenta cinco novas pinturas, que têm o palco teatral como foco principal. "Às vezes o espaço está vazio, às vezes tem personagens que não identificamos logo. Tem um quê de mistério essa série", conta ela.
A incerteza das obras de Blass encontra eco em outras peças da exposição, como nas fotografias oníricas do paraense Mariano Klautau Filho e na improvável torneira da carioca Débora Bolsoni, colocada discretamente em uma das paredes dos espaços de exibição da mostra, no terceiro andar.

Realidades Imprecisas

Quando: de ter. a sáb., das 10h30 às 21h30, e sáb., das 10h30 às 18h30; até 19/3
Onde: Sesc Pinheiros (r. Paes Leme, 195, tel. 3095-9400); livre
Quanto: entrada franca

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Cildo Meireles: Individual

Depois da histórica exposição individual na Tate Modern em Londres, a obra de Cildo Meireles chega a Catalunha. Em cartaz neste mês no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, o artista brasileiro apresenta sua maior exposição internacional.

A mostra reúne cerca de 80 obras que datam de 1967 até 2008. Neste último ano, Cildo ganhou o prêmio Velázquez, concedido pelo Ministério da Cultura da Espanha, e o Ordway Prize, do New Museum de Nova York, além de um documentário sobre sua vida dirigido pelo cineasta Gustavo Moura.

A abordagem de suas obras explora sempre os processos de comunicação, a figura do expectador, o valor da arte e da herança histórica, onde o real, o simbólico, e imaginário se encontram em perfeita harmonia.

Cildo Meireles está na lista de brasileiros de Daniel Birnbaum, curador da 53 Bienal de Veneza, juntamente com Sara Ramo e Renata Lucas.

Obra Desvio para o Vermelho

Cildo Meirelles – MACBA
Plaça dels Angels, 1
08001 Barcelona
Tel.: 34 93 412 08 10

Até 30 de abril.

Representação Brasileira na Bienal de Veneza


fonte: Folha de S.Paulo 23/01/2009


Dois artistas de fora do eixo Rio-São Paulo foram os escolhidos pelo curador Ivo Mesquita para representar o Brasil na Bienal de Veneza, programada para ser aberta ao público no dia 7 de junho: o fotógrafo paraense Luiz Braga e o pintor alagoano Delson Uchôa. Mesquita, curador da polêmica 28ª Bienal de São Paulo, encerrada em dezembro, confirmou, ontem, à Folha, sua seleção.

A galeria Oeste, que representava Braga, fechou as portas no mês passado. "Estamos brilhando na razão inversa do mercado", comentou ele, por telefone, do Rio de Janeiro. Já Uchôa é representado pela antiga Brito Cimino, que passa a se chamar Luciana Brito.

Bar Azul - 1996 do paraense Luiz Braga,representante da Geração 80 e um dos escolhidos para bienal

Presença no circuito

Ambos são da mesma geração, nascidos em 1956, e são artistas com presença no circuito institucional.

Uchôa participou da histórica mostra "Como Vai Você, Geração 80?", realizada em 1984, no Parque Lage, no Rio, e mais recentemente da 24ª Bienal de São Paulo, com curadoria de Paulo Herkenhoff, em 1998, e do 30º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna, em 2007, organizada por Moacir dos Anjos.

Típico representante da Geração 80, Uchôa cria suas pinturas sobre suportes distintos como fotos e tecidos plásticos, a exemplo de "Entre o Céu e a Terra", trabalho que exibiu em "Contraditório", o Panorama de 2007, também visto em Madri, no ano passado.

Já Braga, apesar de nunca ter participado de uma Bienal de São Paulo, teve várias exposições em instituições nacionais como o Museu de Arte de São Paulo, onde também faz parte da coleção Masp-Pirelli, e o Museu de Arte Moderna de São Paulo, além de outras no exterior, como na Photographer's Gallery, de Londres.

"Sou meio 'off' por trabalhar e morar em Belém, mas é minha escolha. Meu trabalho não está pautado pelo mercado, sempre fui fiel ao que chamo de território interior do olhar, muito mais influenciado pelas artes plásticas do que pela fotografia", conta Braga.

As imagens que serão vistas em Veneza ainda não foram selecionadas pelo curador. "O Ivo me disse que vai para Belém no próximo mês, mas a gente já sabe por quais caminhos vamos trilhar, que são a cor e a luz, os mais marcantes do meu trabalho", diz o paraense.

Pintor alagoano Delson Uchôa, que também foi escolhido para representar o Brasil na Bienal de Veneza, com a obra "Céu e Terra"

Em abril, o fotógrafo participa da primeira mostra organizada por conta do Ano da França no Brasil, na Pinacoteca do Estado.Lá, ele irá exibir 25 imagens inéditas, ao lado de fotógrafos franceses como Pierre Verger e Marcel Gautherot.

Segundo a Folha apurou, a decisão de Mesquita não agradou a alguns conselheiros da Fundação Bienal, como Jens Olesen, que havia indicado a artista Regina Silveira, também da Luciana Brito, para representar o país na mostra de Veneza.

Foi a segunda vez que Mesquita indicou artistas para o pavilhão brasileiro: há dez anos, sua dupla foi composta por Iran do Espírito Santo e Nelson Leirner.
Venice Biennale 2009

A partir de hoje o Blog Frequentar os Incorporais se dedicará a publicação diária de tudo que acontece em torno da 53ª Bienal de Veneza que ocorre de 7 de junho a 22 de novembro de 2009. Serão postados informes sobre os preparativos, artistas, curadoria, representações nacionais e notícias, além de textos relacionados. Procuraremos dentro do possível trazer os informes já traduzidos, voluntários para tradução das postagens em inglês serão muito bem vindos já que o Blog tem o público brasileiro como seu principal foco. Seguiremos normalmente com nossas já costumeiras notícias gerais sobre Arte Contemporânea.

Rodrigo Linhares - roodris@gmail.com

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Artistas criam em prol da proteção ambiental

da Deutsche Welle, na Alemanha

A luta contra a destruição do meio ambiente tornou-se assunto frequente na sociedade. Artistas de vários países também estão engajados e fazem de sua obra uma maneira de chamar atenção para os problemas climáticos.


Enquanto carros e pessoas transitam freneticamente por Wall Street, uma mulher se senta, coloca uma máscara de oxigênio e respira fundo dentro de um pequeno carro provido de dois assentos e um guarda-sol. Este era o Fresh Air Cart (Carro de Ar Fresco), aparato criado pelo artista americano Gordon Matta-Clark, em 1972, para oferecer ar limpo aos transeuntes de uma das ruas mais movimentadas de Nova York.
Documentada em vídeo, a performance de Matta-Clark é uma das obras da exposição "Fantasias morais. Posições atuais da arte contemporânea no contexto do aquecimento global", aberta ao público até 26 de abril, no Castelo Morsbroich em Leverkusen, perto de Colônia. Com Fresh Air Cart, Matta-Clark se consagrou como pioneiro da arte engajada pelo meio ambiente.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Quem é quem na Arte



Livro do crítico carioca Paulo Sérgio Duarte traz lista de 77 artistas que conquistaram o Brasil e o mundo com seu trabalho

por Antonio Gonçalves Filho do Estadão em 18/02/09


Uma das inúmeras qualidades do crítico carioca Paulo Sérgio Duarte é sua franqueza. Quando alguém lhe faz uma pergunta à queima-roupa, responde de forma direta, sem rodeios. Pede-se uma lista de quem é quem na arte brasileira e ele começa a declinar nomes sem pausas cautelosas.
Duarte reconhece que poderia ter aplicado um filtro mais fino para selecionar os artistas que figuram em seu livro Arte Brasileira Contemporânea (Sílvia Roesler Edições de Arte/Opus Investimentos, 300 págs., R$ 150), espécie de "quem é quem" na arte contemporânea brasileira, mas preferiu apresentar ao leitor as obras que lhe foram mostradas recentemente, arriscando-se a um recorte arbitrário. Assim, de uma lista inicial de 300 nomes, entre artistas jovens ou veteranos de sua geração - Duarte tem 63 anos e longa carreira como diretor de importantes instituições como a Funarte - ele escolheu 77 artistas que testemunham o que a arte brasileira tem de melhor: sua diversidade.

Dessa lista não constam artistas seminais. Afinal, não se trata de um catálogo, mas apenas de um recorte - criterioso, evoque-se. Dificilmente outro crítico de renome viria a contestar o valor de seus eleitos: da turma que já ultrapassou a barreira dos 50 anos fazem parte, entre outros, Antonio Dias, Antonio Manuel, Arthur Barrio, Carlos Zilio, Carmela Gross, Cildo Meireles, Iole de Freitas, José Resende, Miguel Rio Branco, Nuno Ramos, Paulo Pasta e Tunga. Na turma que ainda não passou dos 40 estão a paulistana Laura Vinci e a paraibana Oriana Duarte. Na faixa dos 30 uma outra artista que cresce é a paulistana Tatiana Brass. Finalmente, entre os caçulas, que ainda estão nos 20, o mineiro Thiago Rocha Pitta é um dos mais promissores. Apesar da pouca idade, já tem um vídeo na coleção do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA).

O livro de Duarte vem acompanhado de um CD-ROM e um DVD, justamente por não se tratar de uma edição para especialistas. Como reconhece o crítico, seu texto "oscila entre um tom professoral e um passeio informal" pela arte contemporânea. No CD-ROM estão 15 entrevistas com teóricos, críticos e curadores. No DVD, dirigido pelo cineasta Murilo Salles, o leitor é convidado a visitar templos da arte contemporânea (como o Instituto Cultural Inhotim, em Minas Gerais, que abriga a coleção Bernardo Paz) e ainda ganha nos extras vídeos de artistas como Laura Erber (1979), Marcelo Cidade (1979), Thiago Rocha Pitta (1980) e Mariana Manhães (1977).

A pouca idade de alguns desses artistas não deve ser entendida como uma tentativa de o crítico se debruçar sobre a "arte atual". A perspectiva de Duarte é mesmo histórica. Fukuyama não tem a mínima chance em seu livro. "Eclipsar a história, até mesmo recalcá-la, pode ser interessante para o mercado, uma máquina que movimenta bilhões de dólares por ano, para o balaio pós-moderno, não para a arte", defende o crítico, que trabalha num campo teórico em que a arte é aceita como um conhecimento específico, sempre de natureza subjetiva. Sem a história, reforça Duarte, "não veremos a luz no fim do túnel". Assim, a tentativa de levar ao marco zero uma mostra internacional como a Bienal de São Paulo, como na última edição, que apresentou um andar inteiro vazio, é um atentado contra a história. "A Bienal sempre funcionou como um Ministério das Relações Exteriores da arte, apresentando a curadores e críticos estrangeiros o que de melhor se produz no Brasil", justifica. "É preciso desenvolver uma estratégia urgente de restauração da Bienal para que ela volte a ter a importância das mostras passadas." A última grande, segundo o crítico, foi realizada em 1998 pelo curador Paulo Herkenhoff, a Bienal da Antropofagia (24ª.). "Depois disso foi o declínio."

Curador da Bienal do Mercosul em 2005, Duarte comenta que a arte brasileira começou a conquistar espaço lá fora graças ao esforço individual dos próprios artistas, citando exemplos presentes nas catedrais da arte internacional - Cildo Meireles na Tate Modern, Tunga no Louvre, Waltércio Caldas em todas as bienais e Documentas - por conta do trânsito internacional desses nomes. Para um território estético dominado por pressão de agentes comerciais e curadores, o da arte contemporânea, a invenção ainda conta - e muito -, segundo Duarte, destacando a importância do experimentalismo no trabalho da paraibana Oriana Duarte, que vive e trabalha no Recife. "Em suas instalações e performances, ela inscreve no próprio corpo uma cartografia do mundo em trânsito em que vive." Duarte vê entre os mais jovens uma predominância das questões urbanas e existenciais, que suplantam a questão social. "As manifestações políticas estão dentro da cultura hip hop", diz, elogiando o artista paulistano Marcelo Cidade, de 30 anos, que faz performances, fotos e vídeos, sempre elegendo o ambiente urbano como foco de seu trabalho.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

VERDADEIRA MARAVILHA

Mostras oferecem amplo painel sobre obra de Josef Albers


Por Fabio Cypriano da Folha de SP

Tomie Ohtake expõe ótima série de 45 trabalhos, e Pinacoteca trata de percurso do artista na América Latina

Duas mostras em diferentes instituições apresentam de forma complementar a obra do pintor alemão Josef Albers (1888-1976), um dos mais importantes artistas do século 20, ambas com curadoria de Brenda Danilowitz. Na Pinacoteca do Estado, "Anni e Josef Albers - Viagens pela América Latina", apresenta o percurso do artista em suas diversas viagens ao México, ao Peru, ao Chile e a Cuba, de 1934 a 1967. Estudante da Bauhaus, onde conheceu sua mulher, Anni, em 1922, Albers chegou a lecionar na famosa escola, ao unir forma e função. Fechada pelo nazismo, em 1933, foi naquele ano que Albers se transferiu para os EUA, de onde partiu para as 14 viagens que a mostra enfoca. Nos EUA, seguiu também sua carreira docente, no Black Mountain College e na Universidade Yale, um dos temas do ótimo documentário que abre a exposição. O filme apresenta um Albers performático em suas aulas, que chegaram a ter entre seus alunos artistas como Robert Rauschenberg. Em suas viagens, o casal não só colecionou objetos pré-colombianos como se deixou influenciar pelo grafismo dos índios latino-americanos, como se pode ver nas diversas peças de tapeçaria desenvolvidas por Anni, cujo conjunto ganha grande força, mérito da mostra, ao não focar só seu marido. Albers, contudo, vai se revelando, no percurso da exposição, cada vez mais sintético em suas composições, até chegar a "Homenagem ao Quadrado", que tem poucos exemplares na Pinacoteca e é sua mais importante série, iniciada em 1950. É no Tomie Ohtake, em "Cor e Luz: Josef Albers - Homenagem ao Quadrado", que a série pode ser vista em sua plenitude, num estonteante conjunto de 45 obras, entre elas uma que pertence ao Museu de Arte Contemporânea da USP, adquirida em 1969, quando ele participou da 10ª Bienal de SP. A mostra é um dos melhores exemplos da produção moderna, com sua obsessão pela forma geométrica e o estudo das cores. Três ou quatro quadrados se repetem nas obras, com cores que pouco variam, mas que tornam cada peça única. Gênio é palavra forte, mas que não pode deixar de ser usada.

Anni e Josef Albers - Viagens pela América Latina
Quando: de ter. a dom., das 10h às 18h
Onde: Pinacoteca do Estado (pça. da Luz, 2, tel. 3324-1000; até 8/3); livre
Quanto: R$ 2 a R$ 4 (sáb.: grátis)

Homenagem ao Quadrado
Quando: de ter. a dom., das 11h às 20h
Onde: Instituto Tomie Ohtake (r. Coropés, 88, tel. 2245-1900; até 1º/3); livre Quanto: grátis
Avaliação: ótimo (ambas as mostras)

JOSEPH ALBERS

Homage to the Square: Edition Keller IaJosef Albers
Homage to the Square: Edition Keller Ia, 1970
screenprint
21 11/16 x 21 11/16 inches
ED: 125
Josef Albers
Homage to the Square: Edition Keller Ib, 1970
screenprint
21 11/16 x 21 11/16 inches
ED: 125

Homage to the Square: Edition Keller Ib
Homage to the Square: Edition Keller IgJosef Albers
Homage to the Square: Edition Keller Ig, 1970
screenprint
21 11/16 x 21 11/16 inches
ED: 125

Josef Albers
Homage to the Square: Edition Keller Ii, 1970
screenprint
Image: 13 13/16 x 13 13/16 inches
Paper: 21 11/16 x 21 11/16 inches
ED: 125
(14792)
Homage to the Square: Edition Keller Ii
White Line Square XIVJosef Albers
White Line Square XIV, 1966
Three-color lithograph
Image size: 15 1/2 x 15 1/2 inches
Paper size: 20 3/4 x 20 3/4 inches
Edition: 125, 15 AP, 1 PP
(14994)
Josef Albers
White Line Square XVII, 1967
Three-color lithograph
Image size: 15 1/2 x 15 1/2 inches
Paper size: 20 3/4 x 20 3/4 inches
Edition: 125, 15 AP, 1 PP
(14817)
White Line Square XVII
Homage to the Square: Edition Keller IhJosef Albers
Homage to the Square: Edition Keller Ih, 1970
screenprint
21 11/16 x 21 11/16 inches
ED: 125
(14791)
Josef Albers
ADV, 1969
screenprint
Image Size: 13 3/4 x 13 3/4 inches
Paper Size: 21 1/2 x 21 1/2 inches
ED: 125
(17559)
ADV
White Line Square VIIJosef Albers
White Line Square VII, 1966
Three-color lithograph
Image: 15 1/2 x 15 1/2 inches
Paper: 20 3/4 x 20 3/4 inches
Edition: 125, 15 AP, 1 PP
(14572)
Josef Albers
FGa, 1968
Screenprint
Image size: 11 x 11 inches
Paper size: 17 x 17 inches
ED: 100
(17558)
FGa
IS-dJosef Albers
IS-d, 1969
screenprint
Image Size: 13 3/4 x 13 3/4 inches
Paper Size: 21 1/2 x 21 1/2 inches
ED: 125
(15911)
Josef Albers
I-S LXXIa, 1971
Screenprint
Image size: 15 x 15 inches
Paper size: 23 x 23 inches
ED: 125
(17561)
I-S LXXIa
Homage to the Square: Edition Keller IcJosef Albers
Homage to the Square: Edition Keller Ic, 1970
screenprint
21 11/16 x 21 11/16 inches
ED: 125

Josef Albers
Homage to the Square: Edition Keller Ie, 1970
screenprint
21 11/16 x 21 11/16 inches
ED: 125
Homage to the Square: Edition Keller Ie
Censura????

CCSP retira obra após reclamações de funcionários



por Silas Martí da Folha de S.Paulo


Depois de reclamações de funcionários, que se disseram ofendidos pelo artista, a direção do Centro Cultural São Paulo decidiu retirar de uma mostra uma obra de arte que ficaria em cartaz até 29 de março. A fotografia "O Fantasma", de João Loureiro, retrata pessoas e objetos de trabalho cobertos com lençóis brancos no setor administrativo do CCSP, onde ficou exposta até o dia 2 deste mês, quando foi retirada.

"A gente tem uma imagem de fantasma lá fora, mas trabalha muito, rala muito", disse à Folha Rogéria Massula, 51, funcionária do CCSP que mandou uma carta à ouvidoria da prefeitura pedindo que fosse retirada a obra de Loureiro. "Achei de mau gosto, porque era a minha mesa de trabalho ali, com olhinho, boquinha. Por mais que eu queira, não dá para desconsiderar que é uma afronta contra os funcionários."
Antes mesmo do início da mostra, em 29 de novembro do ano passado, funcionários haviam reclamado à direção do CCSP, irritados com o teor da fotografia. Na abertura da exposição, tanto o diretor da instituição, Martin Grossmann, quanto a curadora de artes visuais, Carla Zaccagnini, optaram por expor a obra.
"Houve resistência dos funcionários à obra, e isso foi virando uma bola de neve", conta Loureiro, 36, que diz não considerar o episódio um caso de censura, embora discorde da remoção da obra. Segundo ele, que teve R$ 8.000 do CCSP para produzir a foto, alguns funcionários foram trabalhar vestidos de branco em protesto.
A curadora e o diretor do CCSP negam que houve censura. "Acho que se trataria de censura se a obra não tivesse sido realizada ou tivesse sofrido alterações por exigências externas ao trabalho. Neste caso, a obra foi realizada de acordo com o projeto do artista e esteve exposta no local por ele escolhido", diz Zaccagnini, 35.
A curadora deixará seu cargo no CCSP no mês que vem, mas nega que seja por causa do episódio. "A minha saída, que está sendo negociada de forma a não prejudicar o projeto institucional, não tem nada de represália", afirma a curadora.

Pressão externa

O secretário municipal da Cultura, Carlos Augusto Calil, que já dirigiu o CCSP e nomeou Martin Grossmann para a posição, confirmou, por meio de sua assessoria, que foi procurado por funcionários do CCSP.
O diretor da instituição, a curadora de artes visuais e funcionários ouvidos pela Folha negam, no entanto, que tenha havido qualquer interferência por parte do secretário da Cultura ou da prefeitura. "Não houve nenhuma pressão por parte da ouvidoria da prefeitura, tampouco da Secretaria da Cultura", afirmou Grossmann, 48.
"Não havia nenhuma posição da Secretaria da Cultura nem da ouvidoria com relação ao conteúdo da carta", diz Zaccagnini. "Foi por meio de uma longa discussão interna, iniciada ainda durante o processo de produção da obra [de Loureiro], que se chegou à decisão."
1ª Bolsa Cajasol para Projetos de Artes Visuais 2008-2009

fonte: Fórum Permanente


Durante a última década, os convites para os eventos de Artes Visuais e as bolsas de projetos de Fotografia têm sido um avanço para o desenvolvimento das artes visuais em Andaluzia. A fim de dar continuidade a essas convocatórias direcionando-as a um contexto internacional e de integração das práticas artísticas, a Obra Social Cajasol destina 125.000 € para cinco bolsas para a execução de projetos de artes visuais em qualquer de suas áreas ou disciplinas.
A convocatória está aberta a artistas de qualquer nacionalidade, de forma individual quer coletiva, e sem limite de idade. No entanto, será reservada uma bolsa para artistas naturalizados ou residentes em Andaluzia. O financiamento é direto, indivisível e intransferível. A atribuição deste auxílio é incompatível com qualquer outro apoio institucional

Calendário
Recepção dos projetos até 31 de março de 2009
Seleção: até 30 de abril de 2009
Encontro com os artistas para a definição dos projetos:antes de 30 de maio de 2009.
Apresentação em uma exposição coletiva nas salas Cajasol de Sevilha em Março de 2010.

Custos
25.000 euros para cada projeto. Incluem os custos de produção, viagens, alojamento, materiais, etc. Todos os conceitos envolvidos na sua execução, bem como honorários do autor de um montante não superior a € 5.000. Esta assistência está sujeita a tributação atual.

Estrutura
A organização irá fornecer os elementos essenciais para a apresentação no auditório: montagem e necessidades técnicas do projeto.

Forma de pagamento
50% uma vez selecionado um projeto, e antes de 30 de abril de 2009
25% em janeiro de 2010
25% para a apresentação pública do projeto

Documentação
Currículo com um máximo de 2000 caracteres e uma fotocópia do documento de identidade ou documento equivalente, do autor ou autores.
Descrição do projeto no âmbito da concessão de auxílios para os 15 ou 20 imagens do mesmo, acompanhado de fotografias de obras de obras de cada autor correspondente aos dois anos anteriores a data de recepção (máximo até 31 de março de 2009) em slide, ou apoio digital compatível com PC.

Orçamento Estimado
A documentação será fornecida em Espanhol ou Inglês
A devolução do material é facultativa e deve ser indicado na documentação.

Termos
A participação no presente concurso implica na aceitação total das bases.
A documentação que é gerada no projeto deve mostrar "trabalho produzido com o apoio do Cajasol Trabalho."

O Trabalho Social do Cajasol poderá avaliar o projeto durante o seu processo de execução. Ficará a cargo do Sr. Francisco del Rio, chefe de exposições no Trabalho Social Cajasol, assistida por Marta Puerta, coordenadora de exposições.

A Obra social programará a apresentação em exclusiva dos projetos realizados pelos artistas, e proporcionará os meios para a recolhida de informação e documentação do projeto.

A obra social de Cajasol reserva os direitos de publicçao e reprodução dos projetos selecionados para a promoção dos mesmos.

A obra social de Cajasol selecionará uma das obras para fazer parte da sua coleção.

O veredicto do júri é definitivo.

Envio da documentação
Obra Social Cajasol.
1°as Becas para projetos de artes visuais 2008 - 2009
Att Francisco Molina s/n
41003 Sevilla
2ª Trienal Poli/Gráfica de San Juan: América Latina e Caribe


de 08 de Abril a 28 de junho de 2009
Curador Geral: Adriano Pedrosa
Co-Curadores: Julieta González, Jens Hoffmann
Curador Convidado: Beatriz Santiago

Inaugura no dia 18 de abril a 2ª Trienal Poligrafica de San Juan, com curadoria geral de Adriano Pedrosa, a mostra tem como objetivo tratar do conceito de poligrafia nas práticas criativas marginais e experimentais que trabalham com arte contemporânea e projeto gráfico. Uma série de plataformas poligráficas estão sendo apresentadas de junho 2008 até junho 2009, com uma abertura oficial de apresentação no mês abril de 2009 que consistirá em exposições individuais e coletivas de pôsteres, livros de artistas, cartões, papéis de parede, quadros de avisos, entre outros trabalhos com características gráficas.

Exposição:Pôsteres
O pôster é um suporte gráfico com lugar privilegiado na Trienal. Um grupo de designers gráficos latino-americanos e do Caribe foram convidados a criar propostas para a série de pôsteres oficiais da exposição, sendo que seis foram selecionados. O lançamento de cada um dos escolhidos ocorrerá periodicamente até a data da abertura oficial da mostra.

Pôster 1: Gabriel Piovanetti & Luis Díaz, San Juan
Pôster 2: Alex Quinto, Toronto
Pôster 3: Alexander Wright, Caracas
Pôster 4: Javier Cirioni & Santiago Velazco, Montevideo
Pôster 5: Ena Andrade, Lima
Pôster 6: Benkee Chang, Carlos González and Alvaro Bustillos, Caracas

Livros de Artista
O Trienal selecionou 20 artistas que foram convidados a produzir livros com edição limitada.

Alexander Apóstol (Caracas/Madrid)
Juan Araujo (Caracas)
Fernando Bryce (Lima/Berlin)
Jesús Bubu Negrón (San Juan)
Carolina Caycedo (Bogotá/San Juan)
Tony Cruz (Puerto Rico)
Abraham Cruzvillegas (Mexico City)
Alejandro Cesarco (Montevideo/New York)
Flavia Gandolfo (Lima)
Mario García Torres (Mexico City/ San Diego)
Dominique Gonzalez-Foerster (Paris/Rio de Janeiro)
Cao Guimarães (Belo Horizonte)
Pablo Helguera (Mexico City/New York)
Renata Lucas (Ribeirão Preto, Brazil/Rio de Janeiro)
Gilda Mantilla & Raimond Chaves (Lima)
Mateo López (Bogotá)
Rivane Neuenschwander (Belo Horizonte)
Popular de Lujo (Bogotá)
Nicolás Robbio (Buenos Aires/São Paulo)
Chemi Rosado Seijo (San Juan)

Patrocínios para Publicações Independentes
Dado o financiamento precário que muitas revistas e publicações independentes de arte enfrentam na América Latina e no Caribe, e a necessidade para promover sua continuidade e circulação, a Trienal está concedendo um patrocínio a 12 publicações selecionadas pela equipe curatorial para a edição de um número em 2009.

Conboca, Puerto Rico
Cuadernos de Movilización, Chile
Estrago, Nicaragua
Juanacha, Peru
Número, São Paulo
Orificio, Puerto Rico
Pablo Magazine, Mexico/UK
Pazmaker, Mexico
Ramona, Argentina
Sabroso, Peru
Script, Argentina
Tropicalgoth, Colômbia

Informações
Instituto de Cultura Puertorriqueña
Antiguo Arsenal de la Marina Española
La Puntilla, Viejo San Juan
P.O. Box 9024184
San Juan, Puerto Rico, 00902-4184
T: 1-787-725-8320; 1-787-724-18770
http://www.icp.gobierno.pr
trienalsanjuan@icp.gobierno.pr

sábado, 14 de fevereiro de 2009

"Broadcast"

A galeria nova-iorquina Pratt Manhattan apresentará "Broadcast", uma exposição de treze obras realizadas por um grupo internacional de artistas que desde a década de 1960 estão desenvolvendo trabalhos que criticam os canais oficiais de transmissão de rádio e de televisão. A exposição ocorrerá de 20 de Fevereiro a 2 de maio de 2009 apresentando uma série de vídeos, além de obras específicas em vídeo-projeção, fotografia, instalações, projetos e transmissões interativas.
Segundo a curadora Irene Hofmann, a idéia é reunir obras que desafiem e subvertam diretamente à estrutura de autoridade dos meios de informação, questionando o impacto que o rádio e a televisão podem ter na definição dos acontecimentos do nosso tempo.

Gregory Green, M.I.T.A.R.B.U. (Celular, Internet, televisão, rádio e unidade), mídia mista com 35 watts de transmissão pirata em rádio FM, 100 watts de transmissão pirata em sistema de televisão, internet e sistema de radiodifusão, 2000.

Numa época em que o YouTube convida a todos para fazer parte de uma rede participativa de postagens em som e imagem, as obras da exposição nos lembram que, mesmo com a difusão desses novos e democratizantes meios de comunicação, o poder e o controle ainda está nas empresas de mídia tradicional lideradas apenas por algumas poucas, mas poderosas entidades".
Entre os trabalhos que estarão na mostra, destaque para a instalação da artista Dara Birnbaum que desde os anos 70 se apropria e re-interpreta imagens de vídeo, seriados e programas televisivos. Na exposição estará um vídeo que a artista criou a partir de arquivos de TV com registros da imprensa na cobertura do seqüestro do industrial alemão Hanns-Martin Schleyer pelo grupo Baader-Meinhof, famosos caso ocorrido em 1977. O fotógrafo, cinegrafista e artista Antoni Muntadas traz a instalação multi-mídia The Last Ten Minutes, onde faz uma análise de diferentes momentos da história sob o olhar da radiodifusão.

O artista conceitual Christian Jankowski apresenta a obra Telemistica, apresentada em 1999 na Bienal de Veneza. Consiste na gravação de imagens transmitidas originalmente ao vivo por estações de TV da cidade de Veneza aonde videntes respondem a perguntas do artista sobre a forma como seu trabalho seria recebido pelo público da Bienal.
A exposição também apresenta trabalhos do artista e renegado radio difusor Gregory Green; os performers e vídeo-artistas Doug Hall, Chip Senhor, e Jody Procter; o escultor e vídeo-artista Iñigo Manglano-Ovalle, o pioneiro do vídeo Nam June Paik e o artista e pesquisador em arte e tecnologia Siebren Versteeg.

Um áudio tour por telefone celular conduzida pelo curador que caracteriza o comentário de cinco dos artistas da exposição estará disponível no local.

Mais informações sobre a exposição podem ser encontradas em www.pratt.edu/exhibitions.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

ARTISTA: Dara Birnbaum

1946, Nova York, EUA
vive e trabalha em Nova York, EUA

Technology/Transformation (1979), vídeo de Dara Birnbaum, que utiliza imagens “pirateadas” do seriado americano Wonder Woman (Mulher Maravilha) e as desmonta para discutir a imagem da mulher nos meios de massa. A artista fixou-se basicamente na seqüência da transformação da mulher comum em Mulher Maravilha, um espetáculo típico de seriados juvenis, baseado em efeitos pirotécnicos de mágico de vaudeville. Essa seqüência é repetida mais de uma dezena de vezes, até esgotar todo o seu apelo sedutor e resultar banalizada pelo excesso de ênfase.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

São Paulo inaugura galeria de arte africana contemporânea


Matéria publicada no site da Revista Época no dia 06/02 - por RegianeTeixeira


Foto do artista angolano Kiluanji, em exposição em São Paulo, retrata a África nos dias de hoje

Se a influência africana no Brasil algumas vezes passa despercebida em meio às outras culturas presentes em São Paulo, a partir dessa sexta-feira (6) haverá um local que irá lembrar esse povo que ajudou a formar o nosso país. A capital ganhou a sua primeira galeria de arte contemporânea africana. Sediada no segundo andar do Edifício Seguradoras, prédio projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer no centro da cidade, o espaço recebeu o nome de SOSO (que significa "faisca" em Kikongo, língua falada em países como Angola e Zaire).

A primeira exposição fica em cartaz até 21 de março e conta com 12 obras entre fotografias e vídeos de quatro artistas angolanos nascidos na década de 70. Segundo o dono da galeria, o angolano Mário Almeida, o objetivo é estabelecer um dialogo entre a África e a cidade de São Paulo. “No Brasil há pouca informação sobre o que acontece atualmente na África e a ideia da galeria é fazer essa aproximação”, diz.

Além da exposição na SOSO, os artistas Cláudio Veiga, Ihosvanny, Kiluanji e Yonamine participam de um projeto de residência no Hotel Central, prédio projetado por Ramos de Azevedo e construído em 1916. O local deve ser transformado em um centro cultural e contará com intervenção dos angolanos. “Estamos na fase de obtenção de licenças junto aos órgãos da prefeitura da cidade que tratam dos assuntos do patrimônio histórico, uma vez que as fachadas do prédio são tombadas. Pretendemos iniciar as obras o mais rápido possível”, conta Almeida.

De 6 de fevereiro a 21 de março, de segunda a sexta, das 11h às 19h; sábado, das 11h às 16h30. SOSO: Av. São João, 313, 2º andar, tel.: (11) 3222-3973. Grátis.