quinta-feira, 12 de março de 2009

Livro vê teor espiritual no trabalho de Mira Schendel

por Silas Martí da Folha de S.Paulo


Engavetada por mais de uma década, vem a público uma tese polêmica, que analisa o teor espiritual e religioso da obra de Mira Schendel. Escrito em alemão nos anos 90, só agora sai, em português, "Mira Schendel - Do Espiritual à Corporeidade", de Geraldo Souza Dias, que chega às livrarias em abril.
Mira Schendel (1919-1988), artista plástica suíça e radicada no Brasil

"A controvérsia maior é quando se fala em espiritualidade", admite Souza Dias, 54. "Era uma tendência antes na crítica da arte deixar de fora tudo que pudesse trazer impurezas ao discurso mainstream", diz o autor, justificando a longa espera para a publicação do livro, reedição de sua tese de doutorado pela Cosac Naify.
Espécie de "biografia intelectual", o volume de mais de 300 páginas deve surpreender até estudiosos da obra da artista, pela pesquisa minuciosa que envolveu, incluindo a compilação de diários de Schendel e sua troca intensa de cartas com filósofos na Europa e brasileiros, como Haroldo de Campos.
"O cerne do trabalho é o diálogo dela com intelectuais", diz Souza Dias. "Eu fiz cópias de quase tudo, dos diários, dos rascunhos, da correspondência e fui atrás dos interlocutores."
Entre os mais importantes, estão os alemães Jean Gebser (1905-1973), com quem Schendel teria aguçado suas reflexões sobre a transparência, mote central de suas célebres monotipias, e Hermann Schmitz, que, segundo Souza Dias, influenciou a artista com sua teoria do "corpo vivo", ideia que tentava abolir a distinção clássica entre corpo e alma.
Um tanto obscuros, são eles os possíveis pontos de partida para as obsessões de Schendel.
Enquanto Gebser teorizava sobre a direção da escrita, tema caro à artista, o "corpo vivo" de Schmitz deu margem à produção de Schendel ligada à espiritualidade, como as citações bíblicas, as mandalas que desenhou e o flerte com composições do alemão Karlheinz Stockhausen (1928-2007) que fazem referências a Deus.
Descrita como "vulcão interrogativo" pela obsessão em destrinchar os meandros da vida espiritual, Schendel, com seus óculos fundo-de-garrafa, não seguia uma única religião, foi batizada pela mãe católica e criada pelo pai judeu.
Chegou mais tarde a presentear frades dominicanos com uma de suas poucas obras figurativas, uma pintura de duas flores brancas.

Lançamentos

Além da tese de Souza Dias, dois outros livros serão lançados. Na primeira parceria de uma editora brasileira com o MoMA, a Cosac Naify lança "León Ferrari and Mira Schendel: Tangled Alphabets", catálogo da exposição do museu nova-iorquino que sai junto com o início da mostra sobre os dois artistas, no dia 5 de abril.
Editado em inglês, o volume com textos de Luis Pérez-Oramas, Andrea Giunta, que escreve sobre Ferrari, e Rodrigo Naves, que fala sobre Schendel, também deve ser lançado em português pela mesma editora.
Também volta às livrarias "Mira Schendel", de Maria Eduarda Marques, livro-referência sobre a artista, até agora esgotado, da coleção "Espaços da Arte Brasileira", coordenada por Naves.
Contra crise, Bienal do Mercosul cresce

Apesar de corte no orçamento, evento amplia participação de artistas, que também estão na curadoria

por Fábio Cypriano da Folha de S. Paulo


Em vez de sujeitar-se ao colapso econômico mundial, a 7ª Bienal do Mercosul irá ampliar seu formato. Programada para ser inaugurada em 26 de setembro, em Porto Alegre, a mostra denominada "Grito e Escuta", com curadoria da argentina Victoria Noorthoorn e do chileno Camilo Yáñez, mesmo com um corte em seu orçamento, terá ampliada a participação de artistas.
"A crise foi uma grande sacudida, mas a Fundação Bienal decidiu manter o projeto, e nossa decisão foi aumentar o número de artistas para mostrar a pertinência da arte em abordar o que se passa hoje", disse Noorthoorn à Folha, no ateliê de Lenora de Barros, uma das cocuradoras da mostra, na semana passada. A lista dos selecionados será divulgada em maio, mas a curadora estima que, no total, haja cerca de 150 participações, contando autores de trabalhos sonoros.
Segundo a assessoria de imprensa da mostra, o orçamento da Bienal previa a captação de R$ 14 milhões, e agora se trabalha com a previsão de R$ 10 mi. Para chegar a tal economia, entre outras ações, o período da mostra foi reduzido, caindo de três para dois meses, e a abertura às segundas foi extinta.
"Essa crise até ajudou na definição do título, pois se trata de abordar a criação, o grito, e a reflexão, a escuta, tensionando assim os limites da arte contemporânea", diz a curadora.
Nessa edição, o projeto foi selecionado por concurso internacional e artistas ocupam toda a estrutura da mostra. Da equipe curatorial, de dez pessoas, apenas Noorthoorn é curadora de fato. Os demais são artistas: do Brasil, além de Barros, responsável pela programação de uma rádio, denominada Rádio Visual, participam Artur Lescher e Laura Lima, como curadores-adjuntos; da Argentina, Marina de Caro é curadora pedagógica e Roberto Jacoby, adjunto; do Chile, Mario Navarro é adjunto.
Os curadores editoriais são o mexicano Erick Beltrán e o colombiano Bernardo Ortiz. Uma das inovações é que os curadores editoriais serão responsáveis também pelo projeto gráfico e pela identidade visual da Bienal. Em geral, essas são áreas a cargo de publicitários, que muitas vezes elaboram projetos até contraditórios com os conceitos das mostras.
Para Noorthoorn, "os artistas estão ocupando um território que geralmente não é deles, mas isso tem a ver com o desafio de se repensar o sistema das bienais por meio de uma forma distinta, que é colocar o artista no centro do processo".
Além do Santander e dos armazéns do cais, já tradicionais, o recém-inaugurado Museu Iberê Camargo também funcionará como sede do evento. Estão programadas seis mostras distintas para essa edição, todas com foco na produção contemporânea.
Tracey Emin. 20 Years

Exhibition at the Museum of
Fine Arts Berne, Switzerland
19 March - 21 June 2009

Opening:
Wednesday, 18 March, 2009 18 - 20 hrs
Wednesday - Sunday 10 - 17 hrs
Tuesday 10 - 21 hrs
Tracey Emin. 20 Years
19 March - 21 June 2009

Scott Douglas - Tracey Emin - Foto Cortesia Scott Douglas © Scott Douglas, 2008

The first major retrospective exhibition of works by Tracey Emin, one of the most celebrated and influential artists of her generation will be the highlight of this year's exhibition programme at the Kunstmuseum Bern. The show will chart the artist's career from the late 1980s to the present day, presenting the full range of her work in an exceptionally wide range of media - from her famous appliquéd blankets to video; from neons and installation to her intensely personal paintings and drawings. The largest, and most significant showing of Emin's work to date, this eagerly anticipated exhibition will offer the first comprehensive overview of her career.
My Bed, 1998 - Bed, Mattress, Linen, Pillows, Mixed Media - 79 x 211 x 234 cm
Saatchi Gallery London © 2008 Tracey Emim

Tracey Emin is one of the best-known artists working in Britain today. Born in London in 1963, she is a central figure in the generation of Young British Artists (or YBAs) that emerged in the early 1990s, and has produced some of the most memorable, compelling and iconic works of the last fifteen years. Her autobiographical, confessional art has tapped into the mainstream of public consciousness. Emin studied at Maidstone College of Art, and the Royal College of Art in London, and has had major exhibitions around the world. She became a member of the Royal Academy of Arts in 2007, and in the same year, was selected to represent Britain at the Venice Biennale.

Highlights of the exhibition will include My Bed, perhaps the artist's most celebrated work, which caused a sensation when it was shown at the Tate Gallery in 1999. Other large-scale installations, such as Exorcism of the Last Painting I Ever Made (1996), The Perfect Place to Grow (2001) and It's Not the Way I want to Die (2005) will also be reconstructed for the show.

Famously, Emin's art is intimately bound up in her own biography. Drawing directly upon her personal experiences, it often refers, with disarming and sometimes painful frankness, to traumatic episodes in her life, including her rape at the age of 13, her sexually promiscuous adolescence, and abortions. Emin's great achievement is to have drawn upon her background and to have done so in a manner that is neither tragic nor sentimental.

Tracey Emin. 20 Years will include a dazzling array of the artist's embroidered blankets, which she covers in bold, autobiographical texts. The earliest of these, Hotel International, dates from 1993 and was made for her first solo exhibition, where it was shown alongside a collection of letters, memorabilia, teenage diaries and photographs of paintings that she had destroyed. Emin's family relationships are a central, recurring theme in her art, which the artist has explored in a variety of media. The exhibition will feature powerful examples, including a series of raw and deeply personal monoprints from 1994, entitled Family Suite; and There's Alot of Money in Chairs (1994), a poignant and affectionate work made from an armchair given to Emin by her grandmother.

Curator: Kathleen Bühler, phone +41 31 328 09 42, e-mail kathleen.buehler@kunstmuseumbern.ch

Hodlerstrasse 8-12
CH-3000 Bern 7
Phone +41 31 328 09 44
press@kunstmuseumbern.ch

http://www.kunstmuseumbern.ch

quarta-feira, 11 de março de 2009

Mira Schendel ganha mostras no MoMA de NY e em galerias de Londres e SP

Mira Schendel (Zurique/Suíça, 1919 - São Paulo/SP, 1988) e León Ferrari (Buenos Aires/Argentina, 1920) são o foco da mostra “Tangled Alphabets: León Ferrari and Mira Schendel”, realizada no MoMA (Museum of Modern Art ; www.moma.org), em Nova York (EUA), de 05/04/09 a 15/06/09. Mira ganha também exposição na Stephen Friedman Gallery (www.stephenfriedman.com), em Londres (Inglaterra), de 30/05/09 a 11/07/09. E na paulistana Galeria Millan (www.galeriamillan.com.br), Mira ganha exibição de 30 obras, unicamente monotipias, trabalhos em óleo sobre papel-arroz que a artista fez entre os anos de 1964 e 1966. São obras que evidenciam a gestualidade e a espontaneidade do traço, composto por elementos como linhas, frases, palavras e arquiteturas. Fica em cartaz de 18/03/09, às 20h, a 25/04/09.
Artistas desistem de bolsa do Salão de PE

Matéria originalmente publicada no Diário de Pernambuco, em 02/03/09.

Em sua 47ª edição, o Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, considerado o principal prêmio de arte contemporânea do Nordeste, com uma das maiores verbas do país, corre mais uma vez o risco de arranhar sua credibilidade, construída ao longo de mais de 50 anos, graças a atrasos na distribuição de verbas e cobranças de impostos excessivos.
Marcos Costa e Carlos Mascarenhas, dupla de artistas que foi selecionada com o projeto “Ópera Crua”, anunciaram por meio de uma carta entregue à imprensa que vão recusar a premiação e devolver para o governo do Estado o dinheiro recebido até agora.
O regulamento do 47º Salão foi divulgado em junho de 2008 e o resultado da seleção foi anunciado em outubro, com “Ópera Crua” entre os selecionados. Costa e Mascarenhas, junto com outros artistas, receberiam dez bolsas mensais de R$ 1,5 mil (totalizando R$ 15 mil) para desenvolver o projeto ao longo de dez meses. Segundo o edital, eles teriam que começar a trabalhar em novembro e concluir tudo em agosto de 2009. As parcelas, porém, só começaram a ser pagas no fim de dezembro, com um desconto de cerca de 30% do total.
O pagamento da primeira parcela não ocorreu em novembro. Os artistas só começaram a receber no fim de dezembro, quando ganharam os dois meses retroativos, já com o desconto de 30%. Em janeiro e fevereiro, as bolsas também não foram distribuídas. Até agora, os artistas dizem que não receberam nenhuma justificativa oficial e que também não foram comunicados sobre o motivo dos atrasos.
Burocracia - O atraso no pagamento das bolsas aos artistas deve ser resolvido na primeira semana de março. Essa é a promessa feita pela coordenadora-geral do Salão, Luciana Padilha. "A expectativa é que, até o fim da semana, os pagamentos de janeiro, fevereiro e março sejam efetuados e, a partir daí, a gente não tenha mais atrasos", explica Luciana. Ainda de acordo com a coordenadora, o atraso inicial no pagamento das bolsas - quando os valores referentes a novembro e dezembro foram pagos no fim de dezembro - foram ocasionados por questões "burocráticas". "Agora, esse novo atraso aconteceu porque, até o dia 15 de janeiro, o governo está empenhado na prestação de contas e não faz os pagamentos", complementa.
Esta semana também os artistas devem ter uma resposta com relação aos descontos no valor da bolsa, que chegam a 30%. "O desconto foi previsto no edital, mas nós não especificamos de quanto seria. É o valor referente ao imposto de renda, já que o edital se enquadrou na categoria de prêmio. Mas o jurídico está fazendo um estudo para ver se esse desconto pode ser, de alguma forma, reduzido", esclarece Luciana Padilha.
O cronograma do Salão não deve sofrer muitas alterações por conta dos problemas financeiros. A idéia é conversar com os artistas que se sintam prejudicados para tentar solucionar o problema. "Pode até acontecer um atraso, mas de poucos dias. Vamos tentar resolver de outra forma. O nosso interesse mesmo é que todos desenvolvam seus trabalhos da melhor forma e poder proporcionar pesquisas, fomentar as artes plásticas, ter um salão nacional em Pernambuco, que tenha troca de informações entre os artistas", finaliza a coordenadora.
Inconformismo - "Não temos como nos comprometer se não houver uma regularidade da fonte pagadora", reclama Marcos Costa. "Se aceitarmos trabalhar desta forma, vamos estar sendo incoerentes com o próprio mérito do prêmio. Não temos como garantir a qualidade", explica o artista, que precisaria alugar equipamentos e contratar técnicos e assistentes para produzir “Ópera Crua”, mas fica impedido de se planejar por causa dos atrasos.
"A gente não quer fazer mal feito para depois botar a culpa no Salão. Preferimos não fazer", raciocina Carlos Mascarenhas. "Dinheiro público merece ser gasto com responsabilidade", complementa Marcos Costa, que não quer assumir um compromisso sem receber condições suficientes para cumprir os prazos.
Na carta, intitulada “Tributo das artes ou tributo às artes?”, os artistas dizem que receberam um "tratamento amador" e uma "completa ausência de justificativa em relação ao atraso na liberação das mensalidades referentes ao financiamento dos projetos". Eles dizem ainda que "a natureza desses tributos, vale ressaltar, até então, não está devidamente discriminada e esclarecida".

Leia abaixo a íntegra da carta dos artistas.

“Tributo das artes ou tributo às artes?” - Carta-Manifesto escrita a quatro mãos por Carlos Mascarenhas e Marcos Costa.
Novidade alguma quanto à incrível capacidade do ser humano em adaptar-se às circunstâncias mais escabrosas e inóspitas nos chamaria à atenção se, contudo, as ondas de insatisfações e sintomas decorrentes de um tal contexto, não se perdessem e se desgastassem sem atingirem devidamente as motivações que geram o estado inaceitável das coisas.
Talvez, por isso mesmo, a qualidade da produção nem sempre é objeto privilegiado. Felizmente, essa postura não atinge a totalidade da classe artística, pois, é sabido que, por outro lado, existem os que prezam, não só pela qualidade da própria obra como, igualmente, pelos expedientes nos quais se envolvem para expor seus trabalhos.
Os descontentamentos advindos deste 47º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco são profusamente expressos através dos e-mails que circulam entre bolsistas contemplados. Invariavelmente, queixosos quanto ao tratamento amador e à completa ausência de justificação relativa ao abusivo atraso na liberação das mensalidades referentes ao financiamento dos projetos. Como se não bastasse todo esse descaso imobilizante, o artista ainda se depara com uma carga tributária que mutila em um terço o orçamento programado para a realização do trabalho, tal como fora contabilizado no cronograma original do projeto. A natureza desses tributos, vale ressaltar, até então, não está devidamente discriminada e esclarecida. Daí que, numa conjuntura mórbida e paralisante como essa, talvez seja o caso de se saber o que está realmente em questão: O Tributo das Artes ou Tributo às Artes?
Testemunhando assim, como se nos configura o atual quadro onde se denotam as distorções abusivas, sobretudo no que respeita ao trato com os artistas deste 47º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, a COMPARSA – Companhia de Arte & Saúde –, em nome dos seus respectivos criadores Marcos Costa e Carlos Mascarenhas, autores do “Ópera Crua”, projeto premiado na última seleção, vêm expressa e publicamente manifestar sua dissidência e afastamento do referido Salão, comprometendo-se, através desta carta-manifesto, em devolver na íntegra todo o subsídio financeiro até então disponibilizado pela Fundarpe – Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco.
Museu Vale (Vila Velha/ES) realiza 4ª edição dos Seminários Internacionais

O Museu Vale, em Vila Velha (ES), apresenta a 4ª edição dos Seminários Internacionais entre 11/03/09 e 15/03/09. Com o tema “Criação e Crítica”, o evento tem o propósito de mostrar a relação entre o fazer artístico e o pensamento que o compreende. São encontros entre artistas e críticos. A coordenação está a cargo do filósofo Dr. Fernando Pessoa, professor de Filosofia da Universidade Federal do Espírito Santo, e de Glória Ferreira, crítica de arte e curadora independente.

Programação:

11/03/09, credenciamento e abertura.
19h - Abertura do seminário com Mônica Zielinski (professora e coordenadora da catalogação da obra completa do pintor Iberê Camargo) e lançamento de livro.

12/03/09
15h - mesa-redonda 1 - José Damasceno (artista) e Tania Rivera (psicanalista e crítica de arte).
19h - mesa-redonda 2 – Jean-Claude Lebensztejn (crítico de arte - professor emérito de história da arte da Universidade Paris).
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13/03/09
- 15h – mesa-redonda 3 – Rodrigo Braga e Clarissa Diniz (artistas).
- 19h – mesa-redonda 4 - Ana Maria Machado (escritora) e Eduardo F. Coutinho (crítico literário).

14/03/09
- 11h – mesa-redonda 5 - Marilá Dardot (artista) e Luisa Duarte (crítica de arte).
- 15h – mesa-redonda 6 – Nelson Félix (artistas) e Glória Ferreira (crítica de arte e curadora).

15/03/09
- 11h – mesa-redonda 7 - Ricardo Basbaum e Waltercio Caldas (artistas).
- 15h – mesa-redonda 8 – Jacinto Lagueira (crítico de arte, professor de Estética na Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne) e Thierry De Duve (crítico de arte, historiador, filósofo da arte, professor da Universidade de Lille 3).

Vila Velha (ES): antiga Estação Pedro Nolasco, s/nº, Argolas, tel. (27) 3333-2484. www.museuvale.com e www.seminariosmv.org.br
Rumos é pautado pela delicadeza

Quarta edição do projeto reúne 45 obras selecionadas entre mais de 1.600 inscritos, quase todas marcadas pela sutileza

Maria Hirszman do Estadão

Com uma edição bastante enxuta, em que predomina grande multiplicidade de enfoques, suportes e tendências, será inaugurada hoje a 4ª exposição do projeto Rumos Visuais, do Itaú Cultural. Como ocorre desde sua implementação, há uma década, o evento conta com participação mais expressiva do Sudeste, com forte presença de artistas residentes em São Paulo e no Rio. Mas há também representantes de outros nove Estados entre os 45 artistas selecionados pela equipe curatorial, a partir de um esforço de mapeamento desenvolvido por um amplo time formada não apenas por um curador-geral, Paulo Sergio Duarte, mas também por quatro curadores e oito curadores-assistentes. Neste biênio, houve número recorde de inscrições (mais de 1.600), tornando extremamente difícil o processo de seleção, sobretudo na fase final.
Apesar da dificuldade crescente em sintetizar os rumos atuais dessa produção e do desejo de abertura expresso pela própria generalidade do título Trilhas do Desejo, adotado pela mostra, é possível notar ao longo da exposição a persistência de algumas linhas mestras, como o entrecruzamento de linguagens, a inexistência de uma hierarquia entre os diferentes suportes e grande preocupação com a beleza plástica da obra. Característica curiosa, destacada por Paulo Sergio Duarte, é, por exemplo, o desaparecimento do mundo rural nos trabalhos inscritos.
Também não se nota esboço de nenhuma ação poética crítica, de cunho político. Há, sim, em várias obras, a presença de questões de caráter regional ou de reelaboração de elementos cotidianos, de memória e vivências (em sua maioria urbana), mas sempre pautadas por grande sutileza. A tal ponto que Duarte tenderia a chamar a mostra de O Espetáculo e a Delicadeza. Ele faz questão de destacar que usa espetáculo não no sentido pejorativo do termo, mas como forma de definir o caráter sedutor, belo, dos trabalhos. Exemplos de trabalhos que se enquadram nesse binômio são os apresentados por Amanda Mei (SP) e Daniel Herthel (MG).
A opção por reduzir o número de artistas também contribui para essa maior sensação de leveza, tornando o espaço menos comprimido do que nas edições anteriores. O projeto museográfico criado por Pedro Mendes da Rocha não estabelece linhas divisórias. Vídeos, performances, pinturas e esculturas convivem nos três andares do prédio, se é que ainda é possível usar essas categorias de linguagem para falar das obras. Letícia Ramos (RS) faz uma videoinstalação a partir de fotos distorcidas e repetitivas feitas no Largo de Pinheiros; Rafael Alonso (RJ) cria obras de grande efeito pictórico usando elásticos ou fitas adesivas; Laila Terra (SP) propõe uma experiência multisensorial com sua escultura sonora.
Talvez o único piso em que haja uma vertente mais clara seja o primeiro andar, no qual se nota certa presença de questões pictóricas, cromáticas, mesmo que o suporte muitas vezes não tenha nada a ver com a tradicional superfície bidimensional. Lá estão, por exemplo, os baldes suspensos de Nino Cais ou o espaço de cor criado por Aline Shintani (ambos de SP).
Além de Trilhas do Desejo, a 4ª edição Rumos prevê eventos paralelos, como a organização de seminário entre 12 e 14 de março (que poderá ser acompanhado pelo site www.itaucultural.org.br), a realização de mostras itinerantes com recortes de obras selecionadas pelos curadores e ainda a parceria com diferentes instituições culturais do Brasil e do exterior, que receberão 4 dos 45 selecionados para períodos de residência. O júri responsável pela seleção dos artistas deve divulgar na próxima semana o nome dos contemplados com as bolsas de estudo.

Serviço

Rumos Artes Visuais 2008/ 2009. Itaú Cultural. Avenida Paulista, 149, tel. 2168-1776. 3.ª a 6.ª, 10 h/21 h; sáb., dom., 10 h/ 19 h. Grátis. Até 10/5

Preste Atenção

Este ano a mostra expandiu-se para fora do prédio do Itaú. Dois dos trabalhos mais interessantes estão numa casa alugada na R. Tomás Carvalhal, 273. Galeria Boliche, do mineiro Tiago de Carvalho, reúne obras de intensidade poética a partir de narrativas recolhidas no bairro; e a instalação do pernambucano Kilian Glassner, que pintou uma surpreendente paisagem no terraço do segundo andar da casa, para depois demolir parte do espaço, cria interessante relação com o entorno urbano.
Algumas obras conseguem potência poética com a manipulação e o encantamento de materiais aparentemente comuns. Preste atenção nas paisagens de arquitetura modernista de Yana Tamayo (DF) fotografando utensílios de plástico ou nas oníricas nuvens que Marcelo Moscheta, também com individual na Galeria Leme, sobrepondo caixas transparentes do chocolate que abrigam tufos de algodão.
Há certo caráter lúdico, infantil, em algumas obras, como a batalha naval interativa e agigantada, proposta por Laerte Ramos (SP), e a Revista Pretinho Básico, reedição das bonecas de papel acompanhadas de vestidos recortados. No caso da versão distribuída por Marina de Botas (SP), a boneca veste uma réplica do vestido que a artista usará em performance nesta noite. M.H.
Rumos mostra nova arte do país

Mapeamento de 45 artistas realizado pelo Itaú Cultural não encontra regionalismos e política explícita

Mostra, que tem abertura hoje para convidados, é fruto de trabalho coordenado pelo crítico Paulo Sergio Duarte


Mario Gioia da Folha de S. Paulo

Mapeamento da nova arte nacional, o projeto Rumos Artes Visuais tem aberta sua exposição hoje no Itaú Cultural celebrando o cruzamento de linguagens -pintura, fotografia, vídeo, gravura, escultura, instalação, desenho e performance- como uma das principais características das 72 obras dos 45 nomes da mostra.
Mas esse não é o único traço comum. O esvaziamento dos regionalismos e a ausência de trabalhos de teor explicitamente político são outros aspectos que surpreenderam a equipe curatorial.
"A arte militante de cunho político-social acabou, ao menos nesse nosso mapeamento", afirma Paulo Sergio Duarte, 62, crítico de arte radicado no Rio e coordenador do grupo. "Nem entre os trabalhos descartados havia esse viés", diz ele, que contou com a ajuda de quatro curadores de outros Estados -Alexandre Sequeira (PA), Christine Melo (SP), Marília Panitz (DF) e Paulo Reis (PR).
Nino Cais
Na entrada do último andar da exposição, o diálogo entre linguagens é destacado pelos curadores. Em uma das paredes, quatro fotografias da paulista Sofia Borges, 24, são influenciadas pela luz e pela composição da pintura. E, na frente delas, duas pinturas do paulista Rafael Carneiro se apropriam de imagens registradas por câmeras de um circuito interno de segurança.
"As fotos da Sofia têm uma luz barroca, guardam algo das pinturas dos séculos 16 e 17, de antigas naturezas-mortas", avalia Panitz, 50. "Já as pinturas do Rafael se apropriam dos frames do vídeo, são opacas." Borges concorda com a avaliação de Panitz. "Faço construções fotográficas.
Duplico figuras, faço sobreposições, coloco elementos. De certa forma, o meu método se apropria muito mais do "arbitrário" da pintura que do "instantâneo" da fotografia", diz a artista, um dos 16 nomes de São Paulo, o Estado com mais representantes no Rumos. Logo depois, vem o Rio, com seis, e o Pará, com cinco.
E é do Pará que são exibidos outros bons trabalhos da mostra, como o vídeo "Efêmera Paisagem", de Alberto Bitar, que, em quatro minutos, reconstrói o caminho de 70
km que o artista percorria com a sua família de Belém a Mosqueiro. "Poderia ter sido feito em qualquer lugar, tem uma velocidade próxima do mundo urbano", diz Sequeira, 47. "Por isso acreditamos que os regionalismos mais antigos foram suplantados. O artista usa um discurso que é forte em qualquer ambiente."
Uma noção de precariedade também parece aproximar as obras do paulistano Nino Cais, 39, que faz esculturas com baldes e objetos domésticos, e do gaúcho Ernani Chaves, que exibe tacos empilhados. "Busco o equilíbrio, mas há uma tensão permanente, pois as varas que sustentam o trabalho são frágeis. Um esbarrão mais forte, e desaba tudo", diz Cais.

RUMOS ARTES VISUAIS
Quando: abertura hoje (convidados), às 20h; de ter. a sex., das 10h às 21h, sáb. e dom., das 10h às 19h; até 10/5
Onde: Itaú Cultural (av. Paulista, 149, tel. 0/xx/11/2168-1776); livre
Quanto: entrada franca

terça-feira, 10 de março de 2009

Escócia em Veneza

Visual artist Martin Boyce has been selected to represent Scotland at the 2009 Venice Biennale; the world’s largest and most prestigious international showcase for contemporary visual arts.
This will be the fourth Scottish presentation at Venice by the Scottish Arts Council, together with partners the National Galleries of Scotland and the British Council in Scotland and is curated for the first time by Dundee Contemporary Arts (DCA).
Scotland and Venice 2009 will be the first time a solo presentation has been selected to represent Scotland and the presentation will build on the critical success of previous projects which have promoted artists including Turner Prize winner Simon Starling and current Turner Prize nominee Cathy Wilkes.
Martin Boyce’s work relates to and transforms the space around it creating atmospheric, sculptural art inspired by modernist design history. His work has been shown across the world and is currently exhibited at the prestigious Sculpture Center in New York. An installation ‘Our love is like the earth, the sun, the trees and the birth’, (2002) is on show at the Gallery of Modern Art in his home town of Glasgow.
Boyce will develop work specifically for the presentation in Venice and he has already undertaken a visit to Venice to identify sites and locations together with the DCA curatorial team of Judith Winter, Deputy Director/Head of Arts Programme and Graham Domke, Exhibitions Curator.
Following the Venice presentation the work will return to Scotland in December 2009 to be presented at a special exhibition at Dundee Contemporary Arts marking its 10th anniversary.
In addition, an exhibition at the Pier Arts Centre in Orkney this autumn offers visitors a flavour of the first three Scottish presentations at Venice with work by Simon Starling (2003) Cathy Wilkes (2005) and Charles Avery (2007).

The exhibition ‘Venice & Scotland – 2003, 2005, 2007’ will be on show at the Pier Arts Centre, Orkney from 20 September to 8 November 2008
Palestine c/o Venice

Palestine c/o Venice
53rd International Art Exhibition – La Biennale di Venezia
June 7th - Sept. 30th, 2009
Opening reception June 6th at 5 pm

Venue:
Convento Ss. Cosma & Damiano,
Campo S. Cosmo,
Giudecca Palanca,
30133 Venezia

Jawad Al Malhi - House No. 197, 2007-2009 - Image: courtesy of the artist - © Jawad Al Malhi

Palestine c/o Venice marks the first Palestinian participation at the Venice Biennale. Rather than adopt one theme, the exhibition takes on a conceptual framework that embraces the Palestinian people questioning the disproportionate use of the media image of nameless faces and voiceless people. Two of the art projects are collaborative interventions with diverse Palestinian communities whose members will travel to Venice to participate in the art performance and/or the Symposium.

In the same spirit, it is appropriate and necessary to insure that the Palestinian communities under siege, unable to obtain travel passes, join in celebrating the first Palestinian exhibition at the Venice Biennale. In this respect, six Palestinian art institutions in Palestine will exhibit duplicates of the art works, thereby allowing Palestinian audiences to participate in the opening of the exhibition simultaneously to its opening in Venice. The Palestinian venues are: A.M. Qattan Foundation, Birzeit University Art Museum, Al-Hoash Palestinian Art court, International Academy of Art Palestine, Al Ma'mal Foundation for Contemporary Art, and Riwaq Center for Architectural Conservation.

The seven participating artists, commissioned to create new works, were chosen for their outstanding commitment to their art and their ability to bridge local and global themes. Among them are emerging and established artists. They employ diverse techniques including sound installation, multimedia performance installation, site specific work, animation, photography, and video. Their art references Palestinian issues within an international artistic discourse. It is self-reflexive on the artistic process outside the boundaries of the traditional exhibition space, tackles themes ranging from the epistemology of the concept of biennales to the dialogue of cultures within architecture and urban design, and explores visual perception of objects in the mechanical state, marginality via the structural geography of the refugee camp, and the activation of an almost non-exiting community discourse on the colonialist socio-spatial reconfiguration of urban centers.

Participating Artists
Taysir Batniji, lives and works in Paris
Shadi HabibAllah, lives and works in Ramallah
Sandi Hilal and Alessandro Petti, live and work in Bethlehem
Jawad Al Malhi, lives and work in Jerusalem
Emily Jacir, lives and works in Ramallah/New York
Khalil Rabah, lives and works in Ramallah
Curator: Salwa Mikdadi, Independent Curator based in Berkeley, CA
Commissioner: Vittorio Urbani, Director Nuova Icona

Symposium: Conversations
Date: June 5th, 2009 9:30 until 5:00 pm
Free Admission. Limited seating, early registration required
Contact: info@palestinecoveniceb09.org

Issues to be discussed will focus on art in the time of perpetual crisis, the role artists play in civil society as activist and as catalysts of democratic discourse, and the artists' activation of public spaces as alternative venues in the absence of museums and state support.

Symposium participants include the artists as well as art historian Yazid Anani (Birzeit University, W. Bank), Kamal Boullata (artist & art historian), Salwa Mikdadi, Vittorio Urbani, Tina Sherwell (art historian and director of The International Academy of Art Palestine), Jack Persekian (curator, al Ma'mal Foundation for the Arts, Jerusalem & artistic director of the Sharjah Biennale) architects Suad Al Amiry (Director, Riwaq Center for Architectural Conservation) and Farhat Yousef (Head of Planning Unit, Riwaq), Ramallah.

Catalogue: A fully illustrated catalogue will be available in two editions, Arabic and English.

For more information contact Salma Tuqan, Exhibition Coordinator at:
info@palestinecoveniceb09.org
http://www.palestinecoveniceb09.org

quarta-feira, 4 de março de 2009

Venice Biennale 2009 - USA

PHILADELPHIA—The conceptual artist and sculptor Bruce Nauman has been selected to represent the United States at the 2009 Venice Biennale. The Philadelphia Museum of Art proposed the exhibition, and it will be organized by the museum's curator of contemporary art, Carlos Basualdo, and curator of modern art, Michael R. Taylor. The decision was made by the Federal Advisory Committee on International Exhibitions, a group of arts professionals organized by the National Endowment for the Arts to advise the State Department, which is contributing $500,000 to the pavilion, its highest grant for the Biennale yet.
The Philadelphia museum's last contribution was in 1988, when it organized "Jasper Johns: Work from 1974-1986," which won the gold medal for painting that year. Nauman has shown work five times in Venice since 1978, always in exhibitions outside the national pavilions; in 1999, he won a Golden Lion for lifetime achievement there. “Bruce Nauman has fundamentally altered our conception of artistic practice and identity," says Anne d'Harnoncourt, director and chief executive of the Philadelphia museum. "The Biennale provides the perfect venue in which to explore and contextualize his radical ideas."

terça-feira, 3 de março de 2009

COM O PÉ NO MUNDO - Havana/Veneza

Na contramão de artistas que se queixam de morar numa capital “provinciana” e afastada do eixo Rio-São Paulo, o alagoano Delson Uchôa enxerga essa condição como um aspecto positivo

por janaina Ávila da Gazeta de Alagoas

Em março de 2007, quando realizou a exposição Pintura Habitada, na Pinacoteca Universitária, em Maceió, o artista plástico alagoano Delson Uchôa celebrava a atualização pictórica que havia alcançado “morando” dentro da pintura. Hoje, mais do que nunca, Uchôa está embriagado do ofício de pintor. Além da realização do artista, parte dessa imersão absoluta tem dado bons frutos em relação à projeção de sua obra e, claro, à valorização no mercado. Agora, o alagoano dá um passo essencial a todo artista que alcança reconhecimento internacional: é um dos brasileiros selecionados para participar da 53ª Bienal de Veneza, que acontece em junho. Antes, a partir do dia 27 deste mês, quatro obras de Delson Uchôa serão vistas na 10ª Bienal de Havana, em Cuba, da qual participam 200 artistas de cerca de 40 países.
Gazeta – O fotógrafo paraense Luiz Braga, que também foi selecionado para a Bienal de Veneza, disse que é “off” por morar em Belém, mas que havia escolhido esse caminho. Essa é também sua opção?
Delson Uchôa – A princípio, meu retorno a Maceió foi decidido em função da melhoria da qualidade de vida que aqui eu poderia fornecer a meus filhos, mas logo em seguida percebi os lucros em reunir meu acervo em um só lugar. Perceber que já tinha um corpo, mudou minha orientação no sentido de que existo como obra e como tal devo ser pensado. Foi aí que comecei minha autofagia: tinha material suficiente para me alimentar de mim mesmo e, nessa direção, me afastei do grande risco de ser tragado pela torrente globalizada, troquei o bulevar pelas trilhas do meu nato, quero a universalização com meu sotaque. A partir desse momento, morar em Maceió já era estratégico. Entrei em clausura acompanhado da pintura e propus a convivência e conivência, e o criado não está além do testemunho desse embate. Ao barulho da asfixia da pintura no final do século, da pergunta que não se fazia calar: como continuar pintando? Onde está a pintura contemporânea? Respondi pintando.

EM VENEZA, O VALOR À PINTURA
Há dois eventos de arte que são referência no mundo: a Bienal de Veneza, na Itália, e a Documenta de Kassel, na Alemanha. Os outros, por mais importantes que sejam dentro de seus contextos locais, não se comparam às duas mostras europeias. Curadores, galerias, críticos e artistas se voltam para o que acontece lá e são esses acontecimentos que “pautam” o rumo dos fatos que se sucedem: visibilidade do artista, valorização da obra e, é claro, a crítica, cuja atuação influi sobre tudo.
Este ano, quando a Bienal de Veneza chega a 53ª edição, seu prestígio continua imbatível. Com o título Fazer Mundos, propõe-se a destacar o processo de produção de uma obra de arte (ao invés da obra já concluída) e a promover o intercâmbio de informações entre artistas de diferentes trajetórias.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Exibição de "Penetráveis" amplia visão sobre Oiticica

Ótima exposição no Rio reúne trabalhos que convidam o espectador à interação

por Fábio Cypriano da Folha

Os "Penetráveis" representam um dos momentos fundamentais na trajetória de Hélio Oiticica (1937-1980), quando o artista passa a criar espaços de convivência que rompem com a relação formal entre arte e observador e pedem presença ativa e distendida no tempo.
"Hélio Oiticica: Penetráveis", em cartaz no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica (Centro HO), no Rio, com curadoria de César Oiticica, César Oiticica Filho e Luciano Figueiredo, apresenta um conjunto significativo, sem cair no risco de "museificar" os trabalhos. São seis penetráveis, mas alguns contêm outros vários, como "Éden", que possui seis, como "Cannabiana", "Lololiana" ou "Yemanjá".
Criados para serem vivenciados (ou penetrados) pelo espectador, seria uma contradição "institucionalizar" essas obras de modo que só pudessem ser vistas e não experimentadas. É o que tem ocorrido com outros trabalhos daquele período, caso notório dos "Bichos", de Lygia Clark, muitas vezes exibidos em vitrines, como se não fossem objetos para serem manipulados.

Éden

Mas no Centro HO, como queria o autor, não há limites à participação. Além de apresentar obras que tiveram bastante visibilidade recentemente, como "Tropicália", ou muito conhecidas, como "Éden" (exposta na Whitechapel Gallery, de Londres, em 1969, e vista hoje pelos novos manuais de história da arte como uma espécie de obra-prima de Oiticica), a exposição surpreende especialmente ao remontar penetráveis até agora praticamente ignorados, que estimulam um novo olhar sobre o autor. É o caso, por exemplo, de "Rhodislandia: contact", de 1971, feito na Universidade de Rhode Island, que traz um Oiticica mais introspectivo e intimista. O trabalho troca as cores fortes em superfícies por telas transparentes e iluminação colorida, além de um piso com pedras e galhos secos, materiais que tinham relação com o contexto norte-americano.
Mais inesperado ainda é "Rijanviera", de 1979, montado apenas na galeria Café des Arts, do Hotel Meridien, do Rio, naquele ano. Composto por uma estrutura de metal com várias plataformas por onde circula água, esse Penetrável só ganha sentido quando percorrido pelo visitante descalço. Enquanto em "Tropicália" a referência era o morro da Mangueira, em "Rijanviera" é a maré baixa das praias cariocas. Reconhecida mas ainda muito incompreendida, quando não simplificada em demasia, a obra de Oiticica, com essa mostra, ganha novas possibilidades de compreensão, em seus diálogos com o contexto e em seu convite à interação -algo que no virtualismo do século 21 se reveste de um sentido extra.
HELIO OITICICA: PENETRÁVEIS

Onde: Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica (r. Luís de Camões, 68, Rio, tel. 0/xx/21/2242-1012)
Quando: de ter. a sex., das 11h às 18h; sáb. e dom., das 11h às 17h; até 21/6
Quanto: entrada franca
Avaliação: ótimo
Zilvinas Kempinas to represent Lithuanian at 53rd Venice Biennale 2009

Organized by the Vartai Gallery, commissioner Laura Rutkutė, curator Laima Kreivytė.

New York-based Lithuanian artist Žilvinas Kempinas employs videotape as a sculptural material rather than visual data carrier. In his installations invisible forces of gravity and air circulation animate architectural space, reshaping it into a totally new environment. His latest work, a large-scale installation TUBE was created at Atelier Calder (Saché, France) and will be set up for the Lithuanian pavilion in Venice to resonate with the environment of the city. TUBE addresses the physical and optical experience of the viewer, passage of time, perception of the body and architecture.

Kempinas has been using magnetic tape since the beginning of this decade to construct monumental yet fragile spaces of experience. Playful gestures and geometric clarity are equally important. His artistic practice is based on recycling the principles of minimal, abstract, op art and kinetic art in the post-medium condition.

Zilvinas Kempinas. Tube, 2008 Installation view, Atelier Calder, France

Žilvinas Kempinas was born in 1969 in Plunge, Lithuania. He lives and works in New York. Solo exhibitions: Kunsthalle Wien, Austria (through January 25, 2009); Grand Café, Saint Nazare, France (2008); Contemporary Art Centre, Vilnius, Lithuania (2007); Palais de Tokyo, Paris (2006); P.S.1, New York (2003); Spencer Brownstone Gallery, New York (2004, 2006, 2007). Selected group shows: The Immediate Future, Lund Konsthall, Sweden (January 31 – March 29, 2009), Now Jump, Nam June Paik Art Center, Yongin/Seoul, Korea (through February 5, 2009), Manifesta 7, Bolzano (2008); New Work: Zilvinas Kempinas, Alyson Shotz, Mary Temple, SFMOMA (2008); Go East, Museum of Modern Art, Luxembourg (2008). In 2007 Kempinas was awarded the Calder Prize and Atelier Calder residency.

Laura Rutkutė is a co-founder of Vartai Gallery, coordinator of an international contemporary art project ARTscape in collaboration with “Vilnius – European Capital of Culture 2009”.

Laima Kreivytė is an art critic and curator based in Vilnius. In 2007, she was part of the curatorial team of Prague Biennale 3. Since June 2007, she has been working as a visual arts projects manager at “Vilnius – European Capital of Culture 2009”.

Lithuanian Pavilion at the 53rd Venice Biennale is principally funded by the Lithuanian Ministry of Culture.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Bienal de SP ainda deve aos artistas

Pelo menos 8 participantes da mostra ainda não receberam

Existem "pequenos saldos devedores e créditos a receber decorrentes da realização da 28ª Bienal", afirma a fundação

por Silas Martí da Folha de SP

Quase três meses após o fim da 28ª Bienal de São Paulo, pelo menos oito dos 41 artistas na mostra ainda não foram pagos por sua participação, ou tiveram apenas parte do cachê depositado. A Fundação Bienal também deixou de pagar fornecedores desses artistas e de bancar custos de produção.
Segundo apurou a Folha, a instituição deve cerca de R$ 1 milhão em pendências da última Bienal, que teve R$ 9 milhões de orçamento total.
Procurados pela reportagem, o presidente da Fundação Bienal, Manoel Francisco Pires da Costa, e os responsáveis pelo departamento financeiro não quiseram comentar o assunto. Em e-mail, a assessoria de imprensa da fundação afirmou apenas: "Existem, ainda, alguns pequenos saldos devedores e créditos a receber decorrentes da realização da 28ª Bienal de São Paulo. Estes ajustes estão acontecendo dentro da normalidade".
Normalmente um artista convidado recebe um cachê pela participação na mostra e tem os custos de produção financiados pela Fundação Bienal, embora o reembolso, como na 27ª edição, possa levar 18 meses.
"As únicas memórias que tenho da Bienal são problemas", disse o artista colombiano Gabriel Sierra, 33, à Folha. "É como um jogo de gato e rato."
Sierra passou meses em São Paulo bancado pela Bienal enquanto desenhava o mobiliário usado na exposição, mas até o fechamento desta edição tinha US$ 3.000 a receber dos organizadores do evento.
"Houve uma quantidade de injustiças que fizeram comigo, mentiram para mim", disse o artista Nicolás Robbio, 34, argentino radicado em São Paulo que tem R$ 5.000 a receber.
"Eu tive o mesmo problema na última Bienal [em 2006], isso me parece mais um procedimento recorrente do que um problema desta edição", afirma a artista Mabe Bethônico, 43, que organizou um ciclo de palestras para a 28ª Bienal.
"Tinha um constrangimento da curadoria que me contratou dessa vez porque todo mundo sabia o que eu já havia passado lá dentro", diz Bethônico, que recebeu por sua participação na Bienal de 2006 com um ano e meio de atraso, quando já havia começado o projeto para a edição de 2008 da exposição.

Mais grave do que não receber, na opinião da artista, é não ter como pagar assistentes e fornecedores. "É uma situação constrangedora para o artista", diz Bethônico. Na mesma situação, Dora Longo Bahia, que também não recebeu cachê, e sua galerista, Luisa Strina, gastaram cerca de R$ 20 mil para pagar seus oito assistentes.
"A Bienal ficou de pagar, correr atrás de patrocínio e não fez isso", conta Longo Bahia, 47, que disse também não ter autorização para ligar as luzes quando trabalhava à noite.

Gringos
Tentando evitar mais estresse, alguns artistas estrangeiros, como o norte-americano Casey Spooner, do duo eletrônico Fischerspooner, o argentino Martiniano López-Crozet e a mexicana Milena Muzquiz, do Los Super Elegantes, foram mais duros na negociação.
Spooner se recusou a pegar o avião para fazer sua performance no Brasil até que depositassem o cachê na sua conta, enquanto López-Crozet e Muzquiz esperaram mais de três meses para receber, sendo que tiveram o dinheiro depositado só quando ameaçaram falar sobre o caso numa entrevista ao jornal "The New York Times".

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009



Excelente trabalho, vale a pena ver o site deste artista.

Australian Pavilion Giardini 2

Ludoteca

Sydney-based curator Felicity Fenner will curate a group exhibition of early career artists at The Ludoteca, a former convent in the Castello district between the Giardini and the Arsenale. The exhibition ONCE REMOVED, will present artists – Vernon Ah Kee, Ken Yonetani, and Claire Healy & Sean Cordeiro – through a series of installations unified by themes of displacement, Indigenous and environmental issues.
This exhibition will resonant with international audiences with its themes of displacement and environmental issues, while also revealing a diversity of work by early career Australian artists.

Vernon Ah Kee












Vernon Ah Kee, Cant Chant, Institute of Modern Art, Brisbane, 2007 (installation view)


Vernon Ah Kee creates work dealing with issues facing Australian Indigenous culture in a post-colonial society. He is best known for his monumentally scaled pencil portraits of Aboriginal family members, who gaze defiantly at the viewer.
Vernon Ah Kee is a younger generation Indigenous artist who lives and works in Brisbane, Queensland. He received his doctorate in Visual Arts from Queensland College of the Arts in 2007. His work explores Australian Indigenous and non-Indigenous culture in contemporary society. Using text, video and drawing, Ah Kee references past racial atrocities and the way they resonant in the present context.

Artist Representation Milani Gallery, Brisbane
Claire Healy & Sean Cordeiro














Claire Healy & Sean Cordeiro, Deceased Estate, Glashaus Gallery, Weil, am Rhein, Germany, 2004


Claire Healy & Sean Cordeiro explore the space between creation and consumption, questioning the layers that disguise the simple economics that underscore our increasingly complex lives. Their site-specific investigations of certain places are also investigations into the perception of the way things shift. Their art material is often found on site, recycled and reused in works that ponder the material and immaterial value of everyday objects. The artists’ explorations into formality, materiality, accumulation and transition manifest in works that relate closely either to the site in which they’re presented or from whence they derive.
More information: http://www.claireandsean.com/
Artists Representation: Barry Keldoulis Gallery, Sydney

Ken Yonetani














Ken Yonetani, Sweet Barrier Reef, Adelaide Biennial of Australian Art, 2008


Australian based Japanese artist Ken Yonetani creates sculptural installations made from ceramics and other similarly fragile materials. His work draws on the traditions of his Japanese cultural heritage to address contemporary environmental crises facing many parts of the world.
Ken Yonetani was born in Japan in 1971, where he studied pottery under the master Toshio Kinjo. He moved to Australia in 2003, gaining an MA from the Australian National University’s School of Art in 2005. Yonetani’s current work uses fragile and ephemeral materials as a metaphor for modern day consumerism and destruction of the natural environment.
More Information: www.diannetanzergallery.net.au
Artists Representation: Dianne Tanzer Gallery, Melbourne
Australian Pavilion Giardini

Shaun Gladwell, Apology to Roadkill, production still, videography: Gotaro Uematsu, photography: Josh Raymond, courtesy the artist & Anna Schwartz Gallery.

Artist Shaun Gladwell will present his work in the Australian Pavilion in the Giardini. Influenced by his experiences in Australia’s landscape of the outback, and Mad Max movies, the work is a suite of videos accompanied by sound, photographic and sculptural works.

Gladwell’s work critically engages personal history, memory and contemporary cultural phenomena through performance, video, painting and sculpture. He has exhibited in major national and international exhibitions; including The Mind is a Horse, Bloomberg Space, London (2001) and the Yokohama 2005 Triennale of Contemporary Art, Japan. Gladwell’s work was also represented in the 2006 Biennale in Busan (South Korea) and Sao Paulo (Brazil). In 2008 he exhibited in Sydney and Taipei Biennales. Gladwell was part of the Think with the Senses Feel with the Mind exhibition curated by Robert Storr at the Venice Biennale 2007.

Shaun Gladwell was one of three Australian artists selected by Director Robert Storr to participate in the 52nd International Art Exhibition at Venice Biennale 2007. Gladwell’s Storm Sequence generated positive reviews from a range of international newspapers and journals including Art in America and Frieze magazine. His installation for the Australian pavilion will build upon the foundation of interest and support created by his participation in the 2007 Venice Biennale.

More information:
http://shaungladwell.com

Shaun Gladwell is represented by Anna Schwartz Gallery, Sydney, Melbourne, Australiaiardini
Luis Felipe Noé na Bienal de Veneza

Com uma trajetória de 50 anos marcada pelo compromisso social e a inovação estética, o artista será o representante argentino na mostra plástica mais importante do mundo. León Ferrari obteve o máximo galardão em 2007.
Noé encontra linguagens sempre novas para expressar sua visão sobre as tensões e antagonismos da vida argentina.



A Bienal ficará em cartaz de 7 de junho a 22 de novembro e terá como eixos a encenação de artistas-chave da história da arte que ainda continuam produzindo obras e que constituem claras influências sobre as seguintes gerações. A escolha de Noé se ajusta com precisão a estes lineamentos.
“Sem dúvidas, sua obra é representativa da Argentina no sentido mais profundo, real e simbólico, com todas as suas contradições, idas e voltas, durante o último meio século, no passado, no presente e na soma de ambos: isto é, no futuro ", explicou o crítico Fabián Lebenglik, o curador designado pela Chancelaria argentina para a Bienal.
Noé, por sua vez, confessou que ficou contente ao saber do reconhecimento, “porque entendo que é a minha obra atual e não simplesmente aquela que realizei nos anos ´60. Sinto-me vivo criativamente e não a viúva de um artista que existiu nos ´60”.
Nasceu em Buenos Aires em 1933, o artista integrou entre 1961 e 1965 o grupo Otra Figuración (também conhecido como Nueva Figuración), junto a Ernesto Deira, Rómulo Maccio e Jorge de la Vega, que marcou um ponto de quebra na agitada vida cultural da Argentina nos anos 60.
A obra de Noé representa uma singular conjunção entre vanguarda estética e vanguarda política. A partir da compartimentação da superfície de suas pinturas que já se observam em quadros como “Mambo” (1962) ou “Introdução à esperança” (1963), Noé encontra linguagens sempre novas para expressar sua visão sobre as tensões e antagonismos da vida argentina.
Na Bienal Internacional de Veneza 2007, León Ferrari, outro destacado artista argentino foi reconhecido com o Leão de Ouro por seu compromisso ético e político e pela vigência estética de sua obra, que compreende seis décadas. Ferrari participou dos collages de sua série de L´Osservatore Romano (2001) e a escultura “A civilização ocidental e cristã” (1965), com um Cristo crucificado contra um bombardeiro americano. O diretor da Bienal, Robert Storr, também convidou o argentino Guillermo Kuitca para integrar a mostra central com obras de sua produção recente, que aludem a outros artistas nacionais, como Alfredo Hlito e Lucio Fontana.
Desejo de reencontro

Fonte: Canal Contemporâneo - por Tatiana do Zero Hora, em 19 de fevereiro de 2009

Carlos Vergara, artista que está com grande exposição em Porto Alegre, fala sobre Santa Maria, cidade onde nasceu e à qual não voltou mais
Santa Maria está de olho em um artista que nasceu lá, que construiu uma carreira admirável, de projeção nacional, mas que nunca voltou a sua própria cidade. Trata-se de Carlos Vergara, 67 anos, gaúcho radicado no Rio de Janeiro, atualmente em cartaz no Margs, em Porto Alegre, com a exposição Sagrado Coração, que tem como ponto de partida as ruínas de São Miguel das Missões.
O secretário de Cultura de Santa Maria, o artista plástico Titi Roth, diz que entrará em contato com Carlos Vergara para convidá-lo a expôr na cidade o mais breve possível. O plano é que as obras dos grandes artistas da região (além de Vergara, Carlos Scliar e Iberê Camargo) sejam expostas no Museu de Arte de Santa Maria (Masm). Para que isso aconteça, Roth quer fechar uma parceria com o Margs. Ele fala com entusiasmo da obra de Vergara:
– Ele tem uma pintura extremamente vigorosa e contemporânea. Há toda uma trajetória de brasilidade na cor, nos elementos que ele usa. É uma produção representativa de nossos valores.
Apesar de jamais ter morado no Estado, Vergara colocou o Rio Grande em seu mapa-múndi artístico na mostra Sagrado Coração, um olhar do artista sobre as ruínas de São Miguel das Missões, em cartaz no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs). Em uma das idas às reduções jesuíticas, no ano passado, o artista sobrevoou sua terra natal e sentiu uma certa nostalgia.
– A Santa Maria, não voltei não por falta de curiosidade, mas de oportunidade – diz. – Iberê Camargo (pintor gaúcho que foi professor de Vergara), que tinha uma relação grande com Santa Maria, tentou mesmo fazer uma exposição minha lá. É uma coisa que ainda está para acontecer. Tomara que aconteça logo.
Carlos Vergara deu entrevista, de seu estúdio em Santa Teresa, no Rio, por telefone. Na oportunidade, vibrava com a expectativa de desfilar no bloco carnavalesco Cariocas do Mundo, formado só por pessoas que vivem no Rio de Janeiro mas que não nasceram lá.
– Já tem até uma ambulância contratada. Pode ser a última entrevista – riu o artista, de 67 anos.

“Quero pisar no chão onde eu nasci”, diz Vergara.

“Diga aí para os nossos conterrâneos, que espero ter oportunidade de fazer alguma coisa em Santa Maria, uma exposição, alguma obra. Soube de dois lugares que me interessariam muito. Um é a velha estação férrea. Talvez eu pudesse fazer uma coisa que não fosse pieguice de novela (risos). Outra são umas águas paradas que Iberê pintou, em 1939 ou 1940, e que ficam na região de Santa Maria. Me interessaria muito visitar esses locais e retrabalhar com olhos contemporâneos uma coisa que ele pintou na época em que eu estava nascendo. Só estou esperando um convite para visitar a cidade, da universidade, da prefeitura. Se me chamarem, eu vou. Sobrevoei Santa Maria, na última vez que fui a São Miguel, ano passado. Mas quero pisar no chão, olhar as colinas, andar, e de repente, descobrir em qual maternidade eu nasci. Quero revisitar os alfarrábios da minha velha certidão de nascimento.”