segunda-feira, 23 de março de 2009

Maquete de favela brasileira, uma das atrações da Bienal de Havana

HAVANA, Cuba (AFP) — Uma maquete de quatro metros quadrados representando a favela mineira de "Nossa Senhora de Fátima" será uma das atrações da X Bienal de Havana, que abre suas portas na próxima sexta-feira.

A obra já está sendo montada pelo artista Sergio Cezar, conhecido como "o arquiteto do papelão", na antiga fortaleza colonial de San Carlos de la Cabaña, sede principal da Bienal.

"Trata-se de uma obra que fala das imensas possibilidades criativas do ser humano", afirma o artista, explicando que se trata de uma maquete em escalar menor da que ele montou em seu país com a ajuda dos moradores da citada favela da capital mineira.

"Vivemos num mundo que está num momento muito delicado em relação à natureza. Todas as obras que serão reunidas na Bienal mostram a possibilidade de uma mudança no presente para um futuro melhor", acrescentu o artista, que fez sua obra com material reciclado do lixo.

Bienal de Veneza foge da crise em sua 53ª edição

fonte EFE


Roma, 23 mar (EFE).- A Bienal de Veneza, na Itália, tentará fugir da crise econômica e da arte como mercadoria em sua 53ª edição, graças à visão "não obsessiva com os objetos únicos" do diretor e curador da divisão de arte do evento, o sueco Daniel Birnbaum.

Durante a cerimônia de apresentação da Bienal, que estará aberta ao público entre 7 de junho e 22 de novembro sob o lema "Fare Mondi" (Criando Mundos), a crise foi mencionada apenas duas vezes, a primeira delas quando Birnbaum anunciou que o evento "não reagirá excepcionalmente" às dificuldades econômicas globais.

O curador deu como exemplo a arte de Yoko Ono, que será premiada neste ano com o Leão de Ouro pelo conjunto de sua carreira, para descrever uma edição na qual a Bienal de Veneza estará "mais próxima de outra economia, que foge dos objetos preciosos".

Entre os artistas convidados há figuras de reconhecido prestígio, como o pintor espanhol Miquel Barceló, como outros de países recém chegados ao circuito internacional da arte, como o indiano Nikhil Chopra.

A projeção internacional da mostra ficou patente durante a apresentação, quando diversos jornalistas fizeram perguntas sobre a participação até então inédita de países como Irã e Israel.

O presidente do evento, Paolo Baratta, explicou que a Bienal contará com a participação de 77 países - entre eles o Brasil -, a maior da história da mostra.

Francesco Prosperetti, o diretor-geral do Parc, organismo do Governo italiano responsável pela tutela e pela qualidade da arte contemporânea e da arquitetura, foi outro que mencionou a crise econômica durante seu discurso e afirmou que a Bienal de Veneza também deve "suportar cortes nas despesas".

No entanto, Prosperetti deu como exemplo do esforço feito pela organização as várias ampliações da estrutura expositiva que terão início neste ano, mesmo com menos recursos.

A primeira grande mudança é a criação do Novo Palácio de Exposições chamado de "Área dos Jardins", o qual, nas palavras de Baratta, representa "pela primeira vez na história da Bienal uma sede onde será possível desenvolver atividades permanentes, de forma paralela às festividades e às grandes exposições".

O novo edifício, que se chamará Palácio de Exposições da Bienal, terá acesso disponível ao público durante todo o ano e vai abrigar a biblioteca do Arquivo Histórico das Artes Contemporâneas daqui a uma década.

A 53ª edição da Bienal de Veneza também quis dar um papel mais importante à Itália, país que a partir de agora ocupará um pavilhão de 1.800 metros quadrados, quase duas vezes maior que o anterior.

Outra mudança para este ano é a volta do edifício "Ca' Giustinian" como parte da mostra, graças a um acordo com a Prefeitura de Veneza que previa a restauração da sede histórica.

A última grande novidade da estrutura da edição deste ano é a criação de uma nova ponte que une a zona do Arsenal com a dos jardins, uma infraestrutura que dará coesão aos diversos recintos.

Em seu discurso, Baratta que a terceira sede do evento será a própria cidade de Veneza, graças aos diversos atos paralelos que estão programados por instituições como a Coleção Peggy Guggenheim e o Palazzo Grassi. EFE

sexta-feira, 20 de março de 2009

Mostra de arte brasileira não terá artistas nacionais

por Fabio Cypriano da Folha de S.Paulo


Depois da polêmica Bienal do Vazio, no ano passado, que deixou um andar do pavilhão no Ibirapuera sem produções artísticas, a controvérsia do mundo das artes plásticas nacionais deste ano promete ser o 31º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), previsto para ser aberto no dia 10 de outubro.

Com curadoria de Adriano Pedrosa, 43, a mostra bienal não terá artistas brasileiros, ao contrário do que indica seu título, mas estrangeiros que estabeleçam algum diálogo com a cultura local ou estejam vinculados a um tipo de produção que ele considere brasileira.

"Minha primeira ideia foi organizar um panorama de arte latino-americana, que acabou amadurecendo nessa ideia de arte brasileira feita por estrangeiros. Esse projeto também reflete minha percepção de que a programação das instituições na cidade é majoritariamente com brasileiros", disse Pedrosa à Folha, na sede do MAM.

Curador da exposição, Adriano Pedrosa, emfrente ao MAM

Criado em 1969 e transformado em evento bienal em 1995, o Panorama visava até então apresentar uma leitura da produção brasileira contemporânea, tendo sido organizado por curadores como Ivo Mesquita, em 1995, ou o cubano Gerardo Mosquera, em 2003, que agregou três estrangeiros à mostra, entre 19 artistas.

A proposta de não incluir artistas brasileiros significaria que a produção nacional anda fraca? "Estou flexibilizando uma noção ossificada de 'arte brasileira', questionando-a. O 'brasileiro' nesse contexto deixa de ser nacionalista. Parece-me pertinente, pois o Brasil e a arte brasileira sempre foram muito abertos", diz Pedrosa.

Residências

Outra inovação será a realização de residências artísticas para estrangeiros, como ocorreu na 27ª Bienal de SP (2006), na qual Pedrosa foi cocurador.

Assim como daquela vez, a Faap irá acolher os artistas em um edifício na praça Patriarca. Esse tipo de procedimento, contudo, teve início antes na carreira do curador: "O projeto de residências é algo que primeiro desenvolvi com a Luisa Lambri, uma italiana que fez fotografias de arquitetura brasileira, em 2003. É um bom exemplo de 'arte brasileira', nesse sentido ampliado".

Pedrosa pretende selecionar cerca de 30 nomes para a mostra: "Meu objetivo é buscar artistas que estabeleçam uma relação mais profunda com a cultura brasileira, como o Superflex [da Dinamarca], que trabalhou com o guaraná Power, ou a [francesa] Dominique Gonzalez-Foerster, que já trabalhou com muitas referências nossas e vive no Rio".

Cerca de metade da seleção, ainda segundo Pedrosa, deve participar do programa com a Faap: "Nas residências, vamos convidar de dez a 15 artistas que potencialmente possam desenvolver uma relação com o país, não apenas para realizar uma obra para o Panorama mas para algo muito além disso. Trata-se assim de reunir artistas estrangeiros que já produzam 'arte brasileira' e oferecer possibilidades para que outros também o façam".

Mais que polêmica, a proposta de Pedrosa é ambiciosa: é possível definir como brasileiro um trabalho de arte contemporânea, independentemente de quem o realize? Essa foi, afinal, uma das questões fundamentais dos modernistas brasileiros, que nunca conseguiram chegar a uma conclusão.

Bienal em NY

Com caráter similar ao do Panorama, apesar de criada em 1932, a Bienal do Whitney --museu sediado em Nova York e dedicado à produção norte-americana-- há oito anos flexibilizou a restrição para que apenas artistas nascidos nos EUA fizessem parte da mostra.

Há dez anos, na revista "Poliéster", Pedrosa criticou a Bienal do Whitney por sua condição restritiva. Já na última edição, em 2008, por exemplo, participaram o suíço Olaf Breuning, o venezuelano Javier Téllez e o israelense Omer Fast, ainda que os primeiros dois vivam nos EUA.

Em edições anteriores, fizeram parte os brasileiros Vik Muniz e Karim Aïnouz.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Akram Zaatari

28 March - 24 May 2009

Galeriestraße 4

80539 München, Germany


http://www.kunstverein-muenchen.de


Akram Zaatari - "This Day. Akram`s audio recordings. Basf cassette", 2007
Color light-jet print, 49 x 40 cm - Courtesy the Artist & Sfeir-Semler Gallery

Kunstverein München is pleased to present the first survey exhibition of Lebanese artist Akram Zaatari (*1966 Saida, Lebanon)

Zaatari studies the cultural and political conditions of the Lebanon's postwar society, dedicating part of his research to the phenomenon of the national resistance movements, underlining the limitations in the representation of territorial conflicts ('All Is Well on the Border', 1997, 'In This House', 2005 and 'Nature Morte', 2008). In his feature length film 'This Day', 2003 Zaatari presents a geographical and mental voyage that comments on the production and circulation of images across the Middle East. "In these moments, film ceases to be part of "an uninterrupted chain of images over which we have lost all power" and is transformed into a tool for investigating how, and in whose interests, images are assigned meaning in the world. The active role of the viewer in that investigation echoes the challenge that for example Godard and Miéville issue at the end of their film: "To learn to see in order to hear elsewhere. To learn to hear one's self speaking in order to see what others are doing. The others, the elsewhere of our 'here'." (Hannah Feldman)

As co-founder of the Arab Image Foundation in Beirut, collecting, archiving and analysing the visual history of the Middle East form the basis of Zaataris work. His 'Madani Project' for example, is an extensive investigation in to the archive of the photographer Hashem el Madani (*1928), studying social relationships in relation to portrait photography and the urban history of the city Saida.

Akram Zaatari`s artistic practice is an ongoing study of historical photographic documents, and there correlation to personal histories - confronting personal with historical political events. Presenting the history of intimate everyday experiences, as a parable for the political and cultural shifts taking place in Beirut and across the Middle East.

Akram Zaatari (*1966 Saida, Lebanon) lives and works in Beirut.
Solo exhibitions: 2006, Paris Photo La Caixa (Barcelona); 2005, Grey Art Gallery (New York); 2004 Portikus, Frankfurt; 2002, Palais des Beaux Arts (Brüssel). Group exhibitions: 2008, Centre Georges Pompidou (Paris); 2007, 52. Biennale, Venice; 2006, Sao Paulo Biennale, Gwangju Biennale (Korea), Sydney Biennale.


Talks & Screenings

Sunday, 29 March 2009, 3 pm:
Artisttalk
Akram Zaatari, Suzanne Cotter (Curator, Modern Art Oxford) and Stefan Kalmár (Director, Kunstverein München)

Sunday, 26 April 2009, 5 pm:
Filmscreening
'This Day' ('Al Yaoum') 2003, 86 min, Akram Zaatari
At Werkstattkino, Frauenhoferstrasse 9, 80469 München

Sunday 5 May 2009, 5 pm:
Filmscreening
'All Is Well On The Border' ('Al-Sharit Bikhayr') 1997, 43 min, Akram Zaatari
'Here and Elsewhere' ('Ici et Ailleurs') 1975, 67 min, Jean-Luc Godard
At Werkstattkino, Frauenhoferstrasse 9, 80469 München

quarta-feira, 18 de março de 2009

MERECE NOTA

Jorge Macchi no Iberê

O artista plástico argentino Jorge Macchi – um dos três homenageados da última Bienal do Mercosul, em 2007, com uma grande exposição no Santander Cultural – está de volta a Porto Alegre. Amanhã, às 18h30min, no auditório da Fundação Iberê Camargo (Avenida Padre Cacique, 2.000), ele fala sobre sua trajetória e mostra imagens de seu trabalho. A entrada é franca. Macchi é o atual convidado do programa Ateliê de Gravura, que chama artistas contemporâneos para trabalhar na velha oficina de gravura de Iberê Camargo.
JIMMIE DURHAM
Pierres Rejetées ...

por Sílvia Guerra do ArtCapital.net


MUSÉE D’ART MODERNE DE LA VILLE DE PARIS
Avenue du President Wilson, 11
75116 PARIS
30 JAN - 12 ABR 2009

O último nativo americano em Paris

“Art is in the not ending-ness of the experience”

“Foi no Iraque que se construiu a primeira cidade. Era a cidade de Gilgamesh e foi também sob o seu reinado que nasceu a primeira linguagem escrita. Tudo começou com ele e com a forma como construiu a cidade. “

“... Queria criar contra a arquitectura monumental europeia então comecei a atirar pedras como um instrumento, o meu instrumento, contra frigoríficos, televisores e automóveis e finalmente sobre um avião mas basta ir a um cemitério para ver como são delicadas as pedras.” > Jimmie Durham

Como o vídeo “Pursuit of happyness” (2002) testemunha, um jovem artista, pode querer “queimar” as suas origens e sair do seu país natal, onde a institucionalização dos valores e da verdade o incomodam. Neste filme, Joe Hill, alter ego de Jimmie Durham, protagonizado por Anri Sala (Albânia,1974), inicia uma recolha itinerante de objectos, num mítico on the road americano. Segue-se uma primeira exposição aclamada pelo público; o galerista paga-lhe generosamente e o artista decide queimar a roulotte onde vivia e partir para o velho continente.

O Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris apresenta uma exposição monográfica consagrada a Jimmie Durham que reúne os últimos 15 anos da sua produção artística na Europa. O seu título provém da expressão pedras rejeitadas pelos construtores do Salmo 118 - 22 da Bíblia, que se refere ao sistema hierárquico do Estado, que o artista rejeita. Nele o arquitecto detém o poder de construir e destruir a Cidade regendo a vida dos cidadãos. Imaginemos, porém, que não conhecemos este artista, nem qualquer facto real sobre a sua vida ou obra e começamos a nossa visita à exposição, onde as obras nos parecem frescos, readymades, dos anos 2000.
Jimmie Durham, “Encore tranquillité”, 2008. Avião, pedra. 150 x 860 x 860 cm.
Cortesia de Pury & Luxembourg, Zurich. © Roman März


Na entrada do Museu encontramos a peça que foi capa da revista Artforum de Janeiro de 2009: “Encore tranquilité” (2008) que consiste de um avião partido em dois por uma enorme pedra. A obra é impressionante, exposta no sopé da escadaria do museu, junto da “Fée Electricité” de Raoul Dufy, a lançar um sortilégio do alto das escadas. Subimos para o primeiro andar do edifício onde se estende a monografia e deparamos com os auto-retratos fotográficos do artista (“Self-portraits” de 1995 a 2006) sob uma máscara de Maria Thereza Alves ou de Rosa Lévy. Prosseguimos com as esculturas de grandes dimensões que fazem o tour da história de arte Ocidental, reinventada por Durham e onde a intervenção com pedras é visível. Expõe-se também os vídeos realizados em co-autoria com a sua companheira, a artista americano-brasileira Maria Thereza Alves que datam da chegada do casal à Europa em 1994 até hoje. Por vezes são solilóquios do artista ao telefone, em frente à câmara, ou registos arquivísticos de ateliers com jovens artistas como o realizado para a Fondazione António Ratto, em Como, na Itália (2004), onde entre os participantes se contava Mário Garcia Torres.

Chegamos a uma grande sala onde estão dispostos diversos bidões de petróleo numa instalação. A peça intitula-se “Sweet life crude” (2008), e cada bidão pintado em doces tons pastel tem uma palavra inscrita como: puro, amor, fraternidade, etc.; depois voltamos aos “self-portraits” de Jimmie Durham, com cores guerreiras no rosto. Passamos ainda por “Saint Frigo” (1996), uma obra que pertence à colecção do Ministério da Cultura português. Talvez por mérito de Isabel Carlos subdirectora do Instituto de Arte Contemporânea entre 1996 e 2001, que também levou Durham a realizar a sua primeira obra de grandes dimensões para a Bienal de Sidney em 2004: “Still Life with Stone and Car”, um Ford Festiva vermelho esmagado por uma enorme pedra pintada com um rosto humano.

“Saint Frigo” é uma das primeiras experiências de Jimmie Durham no seu processo de alteração dos objectos, de “modelagem” escultórica através do lançamento de pequenas pedras; muitas vezes os objectos que utiliza estão destinados a ir para a sucata, como é o caso do mono-motor ex libris desta exposição, ou a serem vendidos a África por não possuírem as condições de segurança exigidas pela União Europeia. Ele transforma estes objectos industriais pela sua intervenção artística em objectos de colecção “salvando-os do desprezo do homem”. Finalmente, numa vitrina de grandes dimensões expõe-se pequenos objectos que são fósseis petrificados de pecorino italiano, nuvens, salame entre outras, que se intitulam “The Dangers of Petrification” (1996–2007).
Jimmie Durham, “He said I was always juxtaposing, but I thought he said just opposing.
So to prove him wrong I agreed with him..., 2005. Cortesia de Pury & Luxembourg, Zurique

Saímos da exposição com um pequeno sorriso à Mona Lisa, mas sentimos que precisamos de saber mais sobre a pré-historia destas pedras rejeitadas...
Rewind ... Jimmie Durham é um nativo americano descendente dos índios Navajo, lutou entre os anos 70 e 80 pelos direitos do homem e dos índios inclusivamente como seu representante nas Nações Unidas. Em 1994 decide transferir-se definitivamente para a Europa devido à desilusão ideológica em relação ao seu país onde “líderes políticos mandam esculpir o seu rosto nas montanhas”. Jimmie Durham nunca se auto-definiu como um artista pois tem dúvidas sobre a marca da assinatura na arte. As suas preferências artísticas vão para “O Cordeiro Mágico” de Van Eyck e “One of these stupid flower painting” de Monet.
Jimmie Durham, “Jesus (Es geht um die Wurst)”, 1992. Técnica mista. 149 x 110 cm. MuHKA, Musée d'Art contemporain, Anvers

Os símbolos americanos do selvagem transformados pelo capitalismo em jipes Cherokee ou na lingerie da personagem Pocahontas, foram o mote para muitas das suas obras que fazem alusão a todos estes clichés adoçados da cultura americana. Seguiu-se depois a sua acção com as pedras e com elas a um certo retorno à natureza pelo poder do primeiro instrumento pré- histórico do homem. Porque não convidar Jimmie Durham a fazer um atelier com jovens artistas portugueses? É um excelente pedagogo. A obra de Jimmie Durham precisa de um certo substrato conceptual e cultural para ser entendida a um segundo nível, mas desde uma primeira leitura as suas obras são surpreendentemente libertadoras no mesmo sentido em que as vanguardas artísticas o foram no início do séc. XX. As de Jimmie Durham são-no numa época de homogeneização da cultura e das últimas etnias.

As pedras rejeitam estar na arquitectura europeia das catedrais do homem branco para voltarem ao seu estádio inicial na natureza: arte conceptual ou arte primitiva?
Sweet life crude!

sábado, 14 de março de 2009

Recessão causa cortes em museus dos EUA

Reuters/Brasil Online Por Christine Kearney

NOVA YORK (Reuters) - Museus de Filadélfia e Nova York estão cortando empregos, reduzindo salários e fechando lojas por causa da redução dos fundos oriundos de doações privadas, ajuda governamental e dividendos de investimentos.
O Museu Metropolitan decidiu fechar 15 das suas lojas espalhadas pelos EUA, deixando apenas 8 abertas em Nova York. Isso representará 250 demissões até 1o de julho, ou 10 por cento da força de trabalho do Metropolitan.
O museu já perdeu 800 milhões de dólares do seu fundo desde meados de 2008, quando o valor era de cerca de 2,9 bilhões de dólares, disse o porta-voz Harold Holzer. Não há planos de reduzir as exposições.
A Academia de Ciências Naturais de Filadélfia anunciou na sexta-feira que deixará de contratar pessoal e reduzirá os salários em 5 por cento. Seu fundo, junto com os investimentos, diminuiu de 60 milhões de dólares no começo de 2008 para menos de 40 milhões.
Holzer disse que o Met perderá 2,2 milhões de dólares do seu orçamento operacional de 220 milhões de dólares no próximo ano fiscal, e o orçamento operacional será ainda mais afetado pela perda de arrecadação, inclusive da venda de produtos.
A frequência a ambos os museus caiu, inclusive entre os estrangeiros - mais propensos a pagar o ingresso sugerido e voluntário de 20 dólares.
Outros museus dos EUA também já demitiram funcionários ou preveem que terão de fazê-lo em breve.
"As pessoas têm menos dinheiro para gastar em experiências educacionais e culturais", afirmou a Academia de Ciências Naturais em comunicado.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Biografia: Oda Projesi (Turquia)

DA CONSTRUÇÃO DO LUGAR PELA ARTE CONTEMPORÂNEA III_A ARTE COMO UM ESTADO DE ENCONTRO


A ARTE COMO UM ESTADO DE ENCONTRO: O TRABALHO DO GRUPO ODA PROJESI *

Marta Tarquino do site ArteCapital.net - 2009-03-04

O Oda Projesi é um projecto de três artistas: Özge Açikkol, Günes Savas e Seçil Yersel. Começaram a trabalhar juntas em 1997 partindo das possibilidades de relação entre espaços públicos da cidade turca onde nasceram e vivem, Istambul, e os workshops que realizavam com grupos de crianças (actividades que na altura não tinham lugar em nenhuma instituição cultural da cidade). Em 2000 adoptaram o nome Oda Projesi e iniciaram as suas actividades num apartamento de três quartos, alugado num prédio de um antigo bairro de Istambul, Galata, o mesmo local onde começaram por desenvolver os workshops em 1997.

Galata está localizado no centro de Istambul, próximo de uma zona de entretenimento, ao pé da famosa rua pedonal Istiklal. Possui um modo de vida cosmopolita e desde há séculos que acolhe minorias sociais. A arquitectura de Galata caracteriza-se por um estilo clássico urbano de século XIX, destinado, na altura da sua construção, a moradores ricos. Em consequência de mudanças políticas, os prédios viriam a ser abandonados. Desde os anos setenta os seus quarteirões são maioritariamente habitados por imigrantes de várias zonas rurais, mais tradicionais, da Turquia.

O apartamento do Oda Projesi, em Galata, funcionou como um lugar de encontro entre vizinhos e plataforma para projectos, dentro e fora das suas paredes, gerados em cooperação com as pessoas da zona e outras, e com artistas convidados. Diversos, os projectos podiam ser: exposições, conversas e debates, picnics, concertos, actividades com crianças, etc. Os moradores do bairro envolviam-se na sua maior parte, não apenas enquanto audiência mas também como participantes.

Segundo as artistas, o principal objectivo do Oda Projesi é multiplicar as possibilidades de fazer prestando atenção a modos de vida comuns. Ou seja, recuperar a vida quotidiana como um modo de fazer arte, entendida como uma escultura social formada pelas relações entre pessoas e espaços. Uma espécie de performance colectiva em processo contínuo. Para o Oda Projesi, as actividades que ocorrem num espaço específico determinam a sua existência e forma. Procura-se investigar como as pessoas se relacionam com os espaços e os utilizam, através de uma relação flexível entre acção e espaço. Daí, explorar a (re)criação de diferentes lugares passando pelas maneiras de usar situações espaciais e cultivar interacções, lugares esses que promovem relações alternativas entre o espaço privado e o espaço público. Quando as artistas perguntaram a uma rapariga de dezasseis anos, moradora do bairro, se o espaço do Oda Projesi era um espaço de exposição, ela respondeu que às vezes era e outras vezes não, dependendo daquilo que lá se colocava. Oda significa quarto/espaço e Projesi significa projecto.

A posição das artistas do Oda Projesi nada tem a ver com a de artistas convidados para trabalhar com uma comunidade. Trata-se de uma escolha voluntária, o que faz grande diferença, e as próprias artistas pertencem à comunidade, com o seu lugar no bairro. A relação entre o Oda Projesi e o bairro Galata desenvolve-se ao longo do tempo, sem limites pré-estabelecidos e sem pressa. O projecto não depende de apoios institucionais, por conseguinte, não se subordina a atingir expectativas definidas por outros distantes da comunidade. Só deste modo se cumpre o desejo das artistas de criar um monumento composto de gestos da vida quotidiana e de camadas de memórias da comunidade. Primeiro, avizinharam-se das pessoas pela informalidade do dia-a-dia e, depois, os projectos começaram naturalmente a desenvolver-se encadeados. Sem separação entre o “mundo da arte” e o “mundo real”. Há ainda um grande cuidado por parte das artistas em evitar em transformá-los em objectos vendáveis, como obras para serem expostas. Os projectos têm é uma documentação, como espécie de diário com interpretações personalizadas, registadas após a realização das actividades. Deles resulta também (e este é o aspecto mais importante) a memória das experiências nos seus participantes.

O Oda Projesi tem um método de trabalho que estabelece uma relação estreita com características específicas da própria cidade, adoptando o seu estilo de vida e modos de funcionamento. Mesmo antes de o começarem, as artistas já percorriam a cidade pelas suas diversas zonas, fotografando e filmando, reflectindo sobre como a arte nela se pode produzir e apresentar. Na sua opinião, Istambul é uma cidade de formações orgânicas criadas pelos seus habitantes independentemente do poder e das regras determinadas pelo governo local, o que a torna dinâmica continuamente. Utilizando uma metáfora curiosa, comparam Istambul com as cidades ocidentais: estas são como os museus tradicionais, enquanto que a primeira se aproxima mais de um museu de arte contemporânea relacional, flexível, orgânico, orientado pelo “processo”. A instabilidade económica e política de Istambul dá origem a espaços adaptáveis a diversas situações (por exemplo, uma casa para quatro pessoas que acolhe dez), não confinados à especialização e funcionalidade única dos espaços de países economicamente mais estáveis (onde uma escola é construída para apenas assim ser). Este aspecto é interpretado pelo seu lado positivo no trabalho do Oda Projesi, na medida em que se relaciona com a ideia de flexibilidade do espaço e permite a consciência, por parte das pessoas, do seu poder transformador do ambiente em que vivem, privado ou público.

Entre 2000 e 2002, o Oda Projesi convidou vários artistas a passar um dia num dos quartos do apartamento desenvolvendo uma actividade com moradores do bairro. Das várias realizadas no âmbito de “A Day in the Room” (Um Dia no Quarto) destacamos três. “Slide Show”, realizado no dia 30 de Agosto de 2000 pela artista Aydan Murtezaoglu, consistiu numa mostra de slides às crianças do bairro. O conjunto de slides era constituído por dois tipos de imagens: algumas do álbum de família da artista e outras tiradas por si e transformadas em obras de arte através de intervenções subtis. As imagens funcionavam como um ponto de partida para uma conversa com as crianças sobre o que leva um trabalho a ser considerado “arte”, uma vez que a fronteira entre os trabalhos da artista e a sua vida diária era quase imperceptível, sugerindo às crianças estabelecerem relações também com as suas próprias vidas.

No dia 9 de Setembro de 2000, a artista Özge Açikkol (do Oda Projesi) realizou “Bring Something From Your House” (Traz Algo da Tua Casa). Pedia-se às crianças do bairro que trouxessem algo das suas casas para o quarto central, vazio, do apartamento do Oda Projesi. Ao longo do dia as crianças foram colocando diversos objectos no quarto através da janela (que dá para o pátio do prédio), como se fosse uma espécie de armazém. Com os vários objectos organizaram um quarto, cheio de carpetes, almofadas, pequenas mesas com flores de plástico e brinquedos. Depois, ali passaram o resto do dia, a comer e a brincar. No final, cada um levou as suas coisas de novo para casa.

“Picnic” foi a actividade realizada pelo artista Erik Gongrich no dia 10 de Junho de 2001. Desta vez, o projecto acontecia no pátio do prédio, inspirado pela cidade de Istambul que é, aos olhos do artista, uma “cidade-picnic”. Gongrich constatou que bastava estender uma carpete no chão da rua para que o espaço público se tornasse privado. O chão do pátio foi coberto por diversas carpetes de plástico, como as usadas no espaço urbano de Istambul para diversos efeitos, e convidaram-se os habitantes do bairro. Todos levaram alguma comida. Também pelas suas características arquitectónicas, de repente o pátio transformava-se em espaço interior com o ambiente criado. As crianças tiravam os sapatos para brincar em cima das carpetes. Pessoas de fora também participaram. Na sua maior parte, as mães estavam no pátio, os pais participavam pelas janelas das casas.
“Picnic” durou até à noite. Quando escureceu, Gongrich fez uma sessão de slides com imagens de Istambul. Todas as pessoas tinha histórias pessoais ou de familiares a contar em relação com o que identificavam nas imagens. Decorreu um longo serão, animado pela partilha de experiências.

Em síntese, mais do que formulados isoladamente, a arte relacional do Oda Projesi implica uma rede de projectos num processo de continuidade inter-relacional. O seu método de trabalho assenta neste encadeamento de projectos anteriores que inspiram os seguintes, e derivando das relações diárias com os seus vizinhos, comungarem e viverem as diferenças entre as pessoas. As experiências em Galata são utilizadas como matriz para outros projectos noutros lugares, mas cuja base é sempre uma micro-situação, com situações muito pessoais. E desde que o grupo começou a receber convites para outros contextos, países, comunidades, promove uma cuidadosa reflexão de modo a preservar a coerência com os princípios do projecto, habitualmente sem dependência de instituições, organizações ou galerias. Por vezes, as próprias dificuldades económicas originam modos específicos de construir e gerir os projectos.

Em 2003, convidado pelo Kunstprojekte_Riem e pelo Kunstverein Munich, o grupo trabalhou durante um mês na Messestadt Riem, nova área residencial a Este de Munique, Alemanha, na qual vivem famílias de sessenta nacionalidades diferentes e diversas condições socio-económicas. O Kunstprojekte_Riem foi um projecto ambicioso, comissariado por Claudia Butter, de iniciativa da cidade de Munique para integrar trabalhos artísticos nessa área em desenvolvimento no terreno do velho aeroporto. Cederam ao Oda Projesi um espaço na zona residencial para funcionar como ponto de encontro, espaço para workshops e outros eventos de um dia, à semelhança de iniciativas anteriores. Este espaço ficava ao lado do local oficial de encontro entre os moradores, quase sempre deserto. Naturalmente, devido à afinidade da língua, a primeira aproximação deu-se com as famílias turcas e os contactos alargaram-se depois às restantes pessoas. Contaram com a ajuda de um casal turco, dono de uma pequena mercearia na zona, na qual se realizaram também vários encontros entre residentes, com mostras de vídeos realizados na área residencial.

A equipa do Oda Projesi manteve o seu espaço em Riem aberto vinte e quatro horas. Especialmente as mulheres da zona utilizaram-no para desenvolver actividades diárias. Aí podiam realizar-se cortes de cabelo, jantares ou apresentações de cultura turca aos outros moradores (e vice-versa). Enquanto “casa de arte” o espaço induzia à penetração da prática artística no quotidiano. Um dos principais locais que determinam as características desta zona residencial é o edifício de habitação social designado Galeriahaus, no qual habitam seiscentas famílias. Tem no interior um enorme pátio fechado, coberto por vidro, à semelhança de um hospital ou de uma prisão. Aqui o Oda Projesi organizou lanches, com música e dança. Rolos de papel de quarenta metros de comprimento foram colocados à volta do edifício para que todos deixassem um registo pessoal, criando uma espécie de suporte de memória comum. Os resultados davam origem a novas conversas.

Sobre este projecto, que se designou Riem Project (Projecto Riem) a crítica de arte Nina Montmann disse que o Oda Projesi criou “um ‘estar juntos’ temporário e um ponto de identificação. As relações e actividades resultantes poderiam continuar e permitir que fosse estabelecida a urgente necessidade de estruturas. Os encontros, conversas e acções colectivas em Riem correspondem ao que é descrito por Homi Bhabha num contexto pós-colonial: ‘Estes espaços-entre possibilitam o terreno para elaborar estratégias de ser – singular ou comunal – que iniciam novos sinais de identidade, inovando sítios de colaboração e contestação, no acto de definir a própria sociedade’ (Bhabha, 1994: 1-2). Os ‘espaços-entre’ sociais, produzidos pelo Oda Projesi vêem da ideia de possibilitar novos modelos para a identificação e para a colaboração, sem o conteúdo económico, que tornem próximo o contacto com o estrangeiro.” (1).

As práticas do Oda Projesi potenciam-se em estreita relação com o espaço público, sem dúvida o terreno mais fértil para a arte trabalhar com o Lugar. Despertariam, aliás, para uma longa análise em torno do que, ao longo das últimas décadas, tem vindo a caber dentro da definição de “arte pública”. Mas neste momento interessa atender ao que julgamos ser o essencial desse universo da “arte pública”: os modos de aproximação do artista em relação ao Outro, a recepção participante, nos quais se viabiliza o ponto de partida para desenvolver no espaço público contemporâneo a abordagem ao Lugar. A própria noção de Experiência incorporada na arte contemporânea estrutura-se nesse envolvimento do Outro na obra como seu factor constitutivo.

Numa sociedade de acentuada privatização (e veja-se, literalmente, o aumento do “fenómeno” dos condomínios fechados) e descontextualização com vidas e imaginários mais “descolados” dos lugares, a arte no espaço público pode desempenhar um papel relevante na mediação da relação entre as pessoas e os seus contextos. Será também um espaço ideal e pragmaticamente dialógico e cívico quanto mais se cultivarem aproximações, ultrapassando barreiras físicas, sociais, ideológicas e políticas.

Nas propostas do Oda Projesi a arte configura um espaço autónomo de comunicação em que se convidam as pessoas a questionarem-se sobre a representação das coisas, em alternativa à exposição mais passiva incutida pelos mass-media. As práticas destas artistas não apresentam imagens; antes enquadramentos para a viabilização de experiências, nomeadamente a do encontro face-a-face, o confronto directo com a diferença, a pluralidade de faces num mesmo bairro. Não se trata de meramente observar e interpretar. Interessa a possibilidade de ocorrência de diálogo, de modo a que se possa abraçar a pluralidade da sociedade contemporânea.

No contexto do espaço público, em sentido de espaço partilhado por esta vertente artística que previligia, assim, as capacidades de audição e interacção, há também consciência de que o Lugar já não se confina a uma área, a fronteiras limitadas de apenas uma história interna. Intersecta uma ampla constelação de relações sociais e simbólicas. Como define a geógrafa Doreen Massey (2), os lugares concretizam momentos articulados de redes de relações específicas e mais extensas. As suas ligações implicam a imbrincação local/global, e os artistas quando ajem no sentido de (re)construir lugares — ou heterotopias específicas, segundo um termo de Foucault — acabam sempre por se inscrever num duplo processo de translocalização e relocalização. Aí, e como proclama o crítico e comissário independente Hou Hanru, a sua missão associa-se mais à crença e defesa de que “o valor real ou o significado real da arte na sociedade não está no permitir alguns objectos ou experiências estéticas agradáveis, mas no criar espiritualmente, intelectualmente ou culturalmente determinados valores; permitir referências para a sociedade avaliar a sua própria existência. Para isto, o compromisso artístico é muito mais significativo do que simples experiências artísticas.” (3). Por isso, não são artistas no interior do paradigma da economia de mercado — do mercado da arte com a circulação física e financeira de obras. Essa missão é, em síntese, a de promover e requalificar a cidadania. Querem trabalhar para que haja menos…

“Homens que são como lugares mal situados
Homens que são como casas saqueadas
Que são como sítios fora dos mapas (…)
Homens agitados sem bússola onde repousem (…)
Que são como caminhos barricados (…)
(…) que são como danos irreparáveis (…)
Homens que são como sítios desviados
Do lugar” (4)

Marta Traquino
Artista Plástica e Investigadora em arte contemporânea.

NOTAS
* O presente texto é um fragmento da dissertação A Construção do Lugar pela Arte Contemporânea (Marta Traquino, ISCTE 2006).
(1) Möntmann, Nina, Mixing with the locals, in www.tenstakonsthall.se/?subDir=doc&id=252, Abril 2006.
(2) Massey, Doreen, Space, Place and Gender, Cambridge, Polity Press, 1994.
(3) Hanru, Hou in Pietromarchi, Bartolomeo, (ed.), The [un]common place: art, public space and aesthetics in Europe, Barcelona, Fondazione Adriano Olivetti and Actar, 2005, p.22.
(4) Excerto de um poema de Daniel Faria (1998) in Poesia, Famalicão, Quasi Edições, 2003, pp.144-145.
MERCADO ARTÍSTICO CHINÊS EM DECLIVE

Disponível em: www.nytimes.com - 2009-03-13

Numa altura em que os artistas chineses gozam o seu recente sucesso, o mercado para a arte contemporânea chinesa entra em espiral descendente.

A crise financeira global limpou vastas quantidades de riqueza pessoal, provocando uma descida abrupta nos preços da arte. Subitamente vazias de visitantes, as galerias estão despedindo pessoal, e os colecionadores que as patrocinaram preocupam-se agora que o seus investimentos resultem num erro colossal.

“Tem sido um Inverno longo e frio”, disse Zoe Butt, diretor de programas internacionais da Long March Space, que fechará duas das suas três galerias de Pequim. “A era em que a arte contemporânea chinesa comandava preços tão altos acabou.”

Os leilões, talvez o termômetro mais popular da recente febre pela arte contemporânea chinesa, também têm sido difíceis. O leilão de Outono de arte contemporânea chinesa da Sotheby’s em Outubro foi muito fraco, em comparação com os resultados de Outubro de 2007, com algumas peças ficando sem comprador.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Boletín 9 Décima Bienal de La Habana

de contactobienal@wlam.cult.cu

Sonrisas impregnadas de sana malicia. Miradas cómplices. Una carcajada, ¿por qué no? La ineludible reflexión. Sucede así frente a la obra de Reinerio Tamayo Fonseca (Niquero, 1968) e, incluso, al dialogar con el artista. La clave reside en la eficaz implementación del humor, así como de la cita –rara vez exenta de jocosidad– del estilo o fragmentos de obras de íconos del arte universal: Leonardo Da Vinci, Diego Velázquez, Francisco de Goya, Vincent Van Gogh, los bodegonistas del Barroco español, Pablo Picasso, Salvador Dalí y el Ukiyo-e (más conocido por estampa japonesa). No es palpable la impronta formal de creadores del ámbito nacional; sin embargo, en el orden conceptual, es fuerte la presencia del espíritu contestatario o, como dijera él, de la actitud de las artes plásticas de los 80, período en el cual se desarrolló parte de su formación artística.
Tamayo reconoce dicha herencia, al igual que la del humorismo gráfico: de su práctica provienen la inmediatez e ingeniosidad que le imprime a sus creaciones, al igual que la constante provocación al público. Varios son los premios obtenidos con sus historietas humorísticas en certámenes nacionales y foráneos. Entonces, ¿estamos en presencia de un pintor o de un humorista? “De un pintor que disfruta el trabajo en el caballete”, contesta. Su larga trayectoria pictórica da fe de esta pasión. Ello no significa en medida alguna el desprecio de otras manifestaciones. Según su manera de ver la creación artística, o más bien cómo se da esta en él, primero surge la idea, la cual le demanda ejecutarla por medio de la pintura, el grabado –técnica para la cual tiene varios proyectos que no ha podido llevar a efecto por falta de tiempo– o la escultura.

Si se revisan los listados de obras de sus exposiciones, se puede constatar una presencia cada vez mayor de la obra tridimensional. Ya en la enseñanza elemental algunos de sus profesores se percataron de sus dotes para la escultura. En ese entonces se inicia en el mundo de la cerámica, cuya realización le provoca gran placer. En la pasada Bienal de La Habana el público pudo ver obras suyas que desafiaban el espacio: “ Taxitiburón” –de emplazamiento infeliz en la Cabaña, al verse privada del contacto con su referente: las calles de la Habana Vieja – y uno de los “refrigeradores” que conformaron la muestra colateral Manual de instrucciones, en el Centro Nacional de Conservación, Restauración y Escultura Monumentaria (CENCREM).

Tamayo es un viejo conocido de las citas habaneras . Participó en El mundo es cruel (Centro de Desarrollo de las Artes Visuales, Centro de Arte 23 y 12 y Galería Juan David; Cuarta Bienal); La familia del huracán (Galería La Casona , Quinta Bienal); El gran juego (Centro de Arte 23 y 12, Séptima Bienal), junto a Rubén Alpízar; y el proyecto especial Maneras de inventarse una sonrisa (Centro de Desarrollo de las Artes Visuales, Octava Bienal).

En la Décima Bienal se presentará con la escultura El buque petrolero , realizada con el artista matancero Eulises Niebla Pérez (Matanzas, 1963). No es el primer trabajo que realizan juntos; ya hicieron algunas variaciones de la obra La lámpara maravillosa , durante la exposición personal de Reinerio Tamayo Magma mia!!! (mayo-junio de 2008) , en la Galería Villa Manuela, de la Unión de Escritores y Artistas de Cuba (UNEAC).

Eulises Niebla, tras egresar del Instituto Superior de Arte y cursar estudios en la beca Delfina Studio Trust (Londres), ha ejecutado una vastísima obra. El multipremiado escultor es otro conocido del máximo certamen organizado por el Centro de Arte Contemporáneo Wifredo Lam. En 1994 (Cuarta Bienal) participó en la muestra Escultura cubana . Con todo, su presencia en el circuito expositivo capitalino no ha sido sistemática, tal vez a causa de su permanencia en Matanzas. En dicho territorio, especialmente en Varadero, se han emplazado muchas de sus obras.

Común a todas es la impecable factura que da el ejercicio diario del oficio. Al ver sus primeros trabajos, es perceptible un tránsito desde el constructivismo hacia el mínimal. Se opera entonces una reducción de los volúmenes geométricos en su aspecto formal, y el espacio deviene protagonista. Ello se acrecienta cuando se trata de la escultura ambiental, donde, con gran economía de recursos, logra un sabio diálogo obra-entorno. Los materiales por él privilegiados son el metal, el mármol y el cristal, ya sean solos o combinados. Ha dominado con éxito el traicionero y difícil trabajo con el cemento directo; “Columna”, una de las piezas que engalanó la Avenida del Puerto de La Habana durante el Forum Internacional de Escultura Ambiental (La Habana; 18 al 28 de abril de 2000), es una prueba fehaciente de ello: ajustó la idea primigenia –concebida en metal– a los preceptos técnicos del hormigón. Al decir de la Dra. María de los Ángeles Pereira en las palabras del catálogo de dicho evento, “Columna” es una obra “esbelta y grácil, sin rebuscamientos formales, pero, asimismo, plena y rica en su proyección espacial”.

Sus composiciones se caracterizan por la armoniosa relación entre las partes, abordada con cierto hedonismo. Son en su mayoría no figurativas. Ello pudiera deberse a la naturaleza de sus temas: las inquietudes del ser y su historia, a partir de una conceptualización filosófica. Recurre a la cita intertextual como estrategia de inclusión en los espacios legitimados, a la vez que le sirve para cuestionar, desde la periferia, lo dictaminado como válido en los centros de poder. Pero a Niebla también le preocupa lo que le rodea, tanto en un contexto inmediato –Cuba– como en otro que se pudiera pensar más apartado: el resto del mundo.

Con “El buque petrolero”, tanto él como Tamayo pretenden reflexionar sobre algunos aspectos de la globalización, conscientes de que una obra no puede contener por sí sola un fenómeno tan complejo. Sin embargo, el “buque” deviene multisemántico. Se puede leer como símbolo de la distribución de energía en el planeta, de la lucha de poderes entre las grandes potencias, de la manera en que las transnacionales devoran a los países tercermundistas, de la civilización moderna, de los desastres ecológicos. El preciado combustible ha sido la causa de crecientes conflictos bélicos, y el precio del barril rige la economía mundial. Los autores no pretenden dramatizar sobre un mundo en crisis. Cuidado: tampoco es un panfleto; en el intento, más que en el apunte sociológico, se erige la metáfora.

Todo el proceso creativo ha sido documentado, desde la concepción del proyecto en 3D hasta los últimos pasos. La escultura fue concebida para un espacio cerrado –de hecho, se exhibirá en el Pabellón C de La Cabaña–; se pensó para un ambiente en penumbras, con el fin de provocar en el espectador cierta claustrofobia, reforzada por las grandes dimensiones del “buque”. Debido a ello la pieza fue ejecutada por partes en el taller de Niebla, y se ensamblará in situ . Pero los autores no quieren una réplica exacta del “buque”; le han dado la forma ondulada de una serpiente. Otra metáfora. El “buque”, cual voraz reptil, engulle cuanto se interpone ante sus ansias de poder, de dominar el mundo.

“El buque petrolero” tendrá de ambos creadores. De Reinerio, el afán por explorar cualquier tema de la vida que nos afecte como seres humanos; de Eulises, el abordaje mínimal, la línea curva y dinámica, el acabado perfecto. Será entonces la oportunidad de ver juntos a dos grandes de nuestras artes plásticas.
Livro vê teor espiritual no trabalho de Mira Schendel

por Silas Martí da Folha de S.Paulo


Engavetada por mais de uma década, vem a público uma tese polêmica, que analisa o teor espiritual e religioso da obra de Mira Schendel. Escrito em alemão nos anos 90, só agora sai, em português, "Mira Schendel - Do Espiritual à Corporeidade", de Geraldo Souza Dias, que chega às livrarias em abril.
Mira Schendel (1919-1988), artista plástica suíça e radicada no Brasil

"A controvérsia maior é quando se fala em espiritualidade", admite Souza Dias, 54. "Era uma tendência antes na crítica da arte deixar de fora tudo que pudesse trazer impurezas ao discurso mainstream", diz o autor, justificando a longa espera para a publicação do livro, reedição de sua tese de doutorado pela Cosac Naify.
Espécie de "biografia intelectual", o volume de mais de 300 páginas deve surpreender até estudiosos da obra da artista, pela pesquisa minuciosa que envolveu, incluindo a compilação de diários de Schendel e sua troca intensa de cartas com filósofos na Europa e brasileiros, como Haroldo de Campos.
"O cerne do trabalho é o diálogo dela com intelectuais", diz Souza Dias. "Eu fiz cópias de quase tudo, dos diários, dos rascunhos, da correspondência e fui atrás dos interlocutores."
Entre os mais importantes, estão os alemães Jean Gebser (1905-1973), com quem Schendel teria aguçado suas reflexões sobre a transparência, mote central de suas célebres monotipias, e Hermann Schmitz, que, segundo Souza Dias, influenciou a artista com sua teoria do "corpo vivo", ideia que tentava abolir a distinção clássica entre corpo e alma.
Um tanto obscuros, são eles os possíveis pontos de partida para as obsessões de Schendel.
Enquanto Gebser teorizava sobre a direção da escrita, tema caro à artista, o "corpo vivo" de Schmitz deu margem à produção de Schendel ligada à espiritualidade, como as citações bíblicas, as mandalas que desenhou e o flerte com composições do alemão Karlheinz Stockhausen (1928-2007) que fazem referências a Deus.
Descrita como "vulcão interrogativo" pela obsessão em destrinchar os meandros da vida espiritual, Schendel, com seus óculos fundo-de-garrafa, não seguia uma única religião, foi batizada pela mãe católica e criada pelo pai judeu.
Chegou mais tarde a presentear frades dominicanos com uma de suas poucas obras figurativas, uma pintura de duas flores brancas.

Lançamentos

Além da tese de Souza Dias, dois outros livros serão lançados. Na primeira parceria de uma editora brasileira com o MoMA, a Cosac Naify lança "León Ferrari and Mira Schendel: Tangled Alphabets", catálogo da exposição do museu nova-iorquino que sai junto com o início da mostra sobre os dois artistas, no dia 5 de abril.
Editado em inglês, o volume com textos de Luis Pérez-Oramas, Andrea Giunta, que escreve sobre Ferrari, e Rodrigo Naves, que fala sobre Schendel, também deve ser lançado em português pela mesma editora.
Também volta às livrarias "Mira Schendel", de Maria Eduarda Marques, livro-referência sobre a artista, até agora esgotado, da coleção "Espaços da Arte Brasileira", coordenada por Naves.
Contra crise, Bienal do Mercosul cresce

Apesar de corte no orçamento, evento amplia participação de artistas, que também estão na curadoria

por Fábio Cypriano da Folha de S. Paulo


Em vez de sujeitar-se ao colapso econômico mundial, a 7ª Bienal do Mercosul irá ampliar seu formato. Programada para ser inaugurada em 26 de setembro, em Porto Alegre, a mostra denominada "Grito e Escuta", com curadoria da argentina Victoria Noorthoorn e do chileno Camilo Yáñez, mesmo com um corte em seu orçamento, terá ampliada a participação de artistas.
"A crise foi uma grande sacudida, mas a Fundação Bienal decidiu manter o projeto, e nossa decisão foi aumentar o número de artistas para mostrar a pertinência da arte em abordar o que se passa hoje", disse Noorthoorn à Folha, no ateliê de Lenora de Barros, uma das cocuradoras da mostra, na semana passada. A lista dos selecionados será divulgada em maio, mas a curadora estima que, no total, haja cerca de 150 participações, contando autores de trabalhos sonoros.
Segundo a assessoria de imprensa da mostra, o orçamento da Bienal previa a captação de R$ 14 milhões, e agora se trabalha com a previsão de R$ 10 mi. Para chegar a tal economia, entre outras ações, o período da mostra foi reduzido, caindo de três para dois meses, e a abertura às segundas foi extinta.
"Essa crise até ajudou na definição do título, pois se trata de abordar a criação, o grito, e a reflexão, a escuta, tensionando assim os limites da arte contemporânea", diz a curadora.
Nessa edição, o projeto foi selecionado por concurso internacional e artistas ocupam toda a estrutura da mostra. Da equipe curatorial, de dez pessoas, apenas Noorthoorn é curadora de fato. Os demais são artistas: do Brasil, além de Barros, responsável pela programação de uma rádio, denominada Rádio Visual, participam Artur Lescher e Laura Lima, como curadores-adjuntos; da Argentina, Marina de Caro é curadora pedagógica e Roberto Jacoby, adjunto; do Chile, Mario Navarro é adjunto.
Os curadores editoriais são o mexicano Erick Beltrán e o colombiano Bernardo Ortiz. Uma das inovações é que os curadores editoriais serão responsáveis também pelo projeto gráfico e pela identidade visual da Bienal. Em geral, essas são áreas a cargo de publicitários, que muitas vezes elaboram projetos até contraditórios com os conceitos das mostras.
Para Noorthoorn, "os artistas estão ocupando um território que geralmente não é deles, mas isso tem a ver com o desafio de se repensar o sistema das bienais por meio de uma forma distinta, que é colocar o artista no centro do processo".
Além do Santander e dos armazéns do cais, já tradicionais, o recém-inaugurado Museu Iberê Camargo também funcionará como sede do evento. Estão programadas seis mostras distintas para essa edição, todas com foco na produção contemporânea.
Tracey Emin. 20 Years

Exhibition at the Museum of
Fine Arts Berne, Switzerland
19 March - 21 June 2009

Opening:
Wednesday, 18 March, 2009 18 - 20 hrs
Wednesday - Sunday 10 - 17 hrs
Tuesday 10 - 21 hrs
Tracey Emin. 20 Years
19 March - 21 June 2009

Scott Douglas - Tracey Emin - Foto Cortesia Scott Douglas © Scott Douglas, 2008

The first major retrospective exhibition of works by Tracey Emin, one of the most celebrated and influential artists of her generation will be the highlight of this year's exhibition programme at the Kunstmuseum Bern. The show will chart the artist's career from the late 1980s to the present day, presenting the full range of her work in an exceptionally wide range of media - from her famous appliquéd blankets to video; from neons and installation to her intensely personal paintings and drawings. The largest, and most significant showing of Emin's work to date, this eagerly anticipated exhibition will offer the first comprehensive overview of her career.
My Bed, 1998 - Bed, Mattress, Linen, Pillows, Mixed Media - 79 x 211 x 234 cm
Saatchi Gallery London © 2008 Tracey Emim

Tracey Emin is one of the best-known artists working in Britain today. Born in London in 1963, she is a central figure in the generation of Young British Artists (or YBAs) that emerged in the early 1990s, and has produced some of the most memorable, compelling and iconic works of the last fifteen years. Her autobiographical, confessional art has tapped into the mainstream of public consciousness. Emin studied at Maidstone College of Art, and the Royal College of Art in London, and has had major exhibitions around the world. She became a member of the Royal Academy of Arts in 2007, and in the same year, was selected to represent Britain at the Venice Biennale.

Highlights of the exhibition will include My Bed, perhaps the artist's most celebrated work, which caused a sensation when it was shown at the Tate Gallery in 1999. Other large-scale installations, such as Exorcism of the Last Painting I Ever Made (1996), The Perfect Place to Grow (2001) and It's Not the Way I want to Die (2005) will also be reconstructed for the show.

Famously, Emin's art is intimately bound up in her own biography. Drawing directly upon her personal experiences, it often refers, with disarming and sometimes painful frankness, to traumatic episodes in her life, including her rape at the age of 13, her sexually promiscuous adolescence, and abortions. Emin's great achievement is to have drawn upon her background and to have done so in a manner that is neither tragic nor sentimental.

Tracey Emin. 20 Years will include a dazzling array of the artist's embroidered blankets, which she covers in bold, autobiographical texts. The earliest of these, Hotel International, dates from 1993 and was made for her first solo exhibition, where it was shown alongside a collection of letters, memorabilia, teenage diaries and photographs of paintings that she had destroyed. Emin's family relationships are a central, recurring theme in her art, which the artist has explored in a variety of media. The exhibition will feature powerful examples, including a series of raw and deeply personal monoprints from 1994, entitled Family Suite; and There's Alot of Money in Chairs (1994), a poignant and affectionate work made from an armchair given to Emin by her grandmother.

Curator: Kathleen Bühler, phone +41 31 328 09 42, e-mail kathleen.buehler@kunstmuseumbern.ch

Hodlerstrasse 8-12
CH-3000 Bern 7
Phone +41 31 328 09 44
press@kunstmuseumbern.ch

http://www.kunstmuseumbern.ch

quarta-feira, 11 de março de 2009

Mira Schendel ganha mostras no MoMA de NY e em galerias de Londres e SP

Mira Schendel (Zurique/Suíça, 1919 - São Paulo/SP, 1988) e León Ferrari (Buenos Aires/Argentina, 1920) são o foco da mostra “Tangled Alphabets: León Ferrari and Mira Schendel”, realizada no MoMA (Museum of Modern Art ; www.moma.org), em Nova York (EUA), de 05/04/09 a 15/06/09. Mira ganha também exposição na Stephen Friedman Gallery (www.stephenfriedman.com), em Londres (Inglaterra), de 30/05/09 a 11/07/09. E na paulistana Galeria Millan (www.galeriamillan.com.br), Mira ganha exibição de 30 obras, unicamente monotipias, trabalhos em óleo sobre papel-arroz que a artista fez entre os anos de 1964 e 1966. São obras que evidenciam a gestualidade e a espontaneidade do traço, composto por elementos como linhas, frases, palavras e arquiteturas. Fica em cartaz de 18/03/09, às 20h, a 25/04/09.
Artistas desistem de bolsa do Salão de PE

Matéria originalmente publicada no Diário de Pernambuco, em 02/03/09.

Em sua 47ª edição, o Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, considerado o principal prêmio de arte contemporânea do Nordeste, com uma das maiores verbas do país, corre mais uma vez o risco de arranhar sua credibilidade, construída ao longo de mais de 50 anos, graças a atrasos na distribuição de verbas e cobranças de impostos excessivos.
Marcos Costa e Carlos Mascarenhas, dupla de artistas que foi selecionada com o projeto “Ópera Crua”, anunciaram por meio de uma carta entregue à imprensa que vão recusar a premiação e devolver para o governo do Estado o dinheiro recebido até agora.
O regulamento do 47º Salão foi divulgado em junho de 2008 e o resultado da seleção foi anunciado em outubro, com “Ópera Crua” entre os selecionados. Costa e Mascarenhas, junto com outros artistas, receberiam dez bolsas mensais de R$ 1,5 mil (totalizando R$ 15 mil) para desenvolver o projeto ao longo de dez meses. Segundo o edital, eles teriam que começar a trabalhar em novembro e concluir tudo em agosto de 2009. As parcelas, porém, só começaram a ser pagas no fim de dezembro, com um desconto de cerca de 30% do total.
O pagamento da primeira parcela não ocorreu em novembro. Os artistas só começaram a receber no fim de dezembro, quando ganharam os dois meses retroativos, já com o desconto de 30%. Em janeiro e fevereiro, as bolsas também não foram distribuídas. Até agora, os artistas dizem que não receberam nenhuma justificativa oficial e que também não foram comunicados sobre o motivo dos atrasos.
Burocracia - O atraso no pagamento das bolsas aos artistas deve ser resolvido na primeira semana de março. Essa é a promessa feita pela coordenadora-geral do Salão, Luciana Padilha. "A expectativa é que, até o fim da semana, os pagamentos de janeiro, fevereiro e março sejam efetuados e, a partir daí, a gente não tenha mais atrasos", explica Luciana. Ainda de acordo com a coordenadora, o atraso inicial no pagamento das bolsas - quando os valores referentes a novembro e dezembro foram pagos no fim de dezembro - foram ocasionados por questões "burocráticas". "Agora, esse novo atraso aconteceu porque, até o dia 15 de janeiro, o governo está empenhado na prestação de contas e não faz os pagamentos", complementa.
Esta semana também os artistas devem ter uma resposta com relação aos descontos no valor da bolsa, que chegam a 30%. "O desconto foi previsto no edital, mas nós não especificamos de quanto seria. É o valor referente ao imposto de renda, já que o edital se enquadrou na categoria de prêmio. Mas o jurídico está fazendo um estudo para ver se esse desconto pode ser, de alguma forma, reduzido", esclarece Luciana Padilha.
O cronograma do Salão não deve sofrer muitas alterações por conta dos problemas financeiros. A idéia é conversar com os artistas que se sintam prejudicados para tentar solucionar o problema. "Pode até acontecer um atraso, mas de poucos dias. Vamos tentar resolver de outra forma. O nosso interesse mesmo é que todos desenvolvam seus trabalhos da melhor forma e poder proporcionar pesquisas, fomentar as artes plásticas, ter um salão nacional em Pernambuco, que tenha troca de informações entre os artistas", finaliza a coordenadora.
Inconformismo - "Não temos como nos comprometer se não houver uma regularidade da fonte pagadora", reclama Marcos Costa. "Se aceitarmos trabalhar desta forma, vamos estar sendo incoerentes com o próprio mérito do prêmio. Não temos como garantir a qualidade", explica o artista, que precisaria alugar equipamentos e contratar técnicos e assistentes para produzir “Ópera Crua”, mas fica impedido de se planejar por causa dos atrasos.
"A gente não quer fazer mal feito para depois botar a culpa no Salão. Preferimos não fazer", raciocina Carlos Mascarenhas. "Dinheiro público merece ser gasto com responsabilidade", complementa Marcos Costa, que não quer assumir um compromisso sem receber condições suficientes para cumprir os prazos.
Na carta, intitulada “Tributo das artes ou tributo às artes?”, os artistas dizem que receberam um "tratamento amador" e uma "completa ausência de justificativa em relação ao atraso na liberação das mensalidades referentes ao financiamento dos projetos". Eles dizem ainda que "a natureza desses tributos, vale ressaltar, até então, não está devidamente discriminada e esclarecida".

Leia abaixo a íntegra da carta dos artistas.

“Tributo das artes ou tributo às artes?” - Carta-Manifesto escrita a quatro mãos por Carlos Mascarenhas e Marcos Costa.
Novidade alguma quanto à incrível capacidade do ser humano em adaptar-se às circunstâncias mais escabrosas e inóspitas nos chamaria à atenção se, contudo, as ondas de insatisfações e sintomas decorrentes de um tal contexto, não se perdessem e se desgastassem sem atingirem devidamente as motivações que geram o estado inaceitável das coisas.
Talvez, por isso mesmo, a qualidade da produção nem sempre é objeto privilegiado. Felizmente, essa postura não atinge a totalidade da classe artística, pois, é sabido que, por outro lado, existem os que prezam, não só pela qualidade da própria obra como, igualmente, pelos expedientes nos quais se envolvem para expor seus trabalhos.
Os descontentamentos advindos deste 47º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco são profusamente expressos através dos e-mails que circulam entre bolsistas contemplados. Invariavelmente, queixosos quanto ao tratamento amador e à completa ausência de justificação relativa ao abusivo atraso na liberação das mensalidades referentes ao financiamento dos projetos. Como se não bastasse todo esse descaso imobilizante, o artista ainda se depara com uma carga tributária que mutila em um terço o orçamento programado para a realização do trabalho, tal como fora contabilizado no cronograma original do projeto. A natureza desses tributos, vale ressaltar, até então, não está devidamente discriminada e esclarecida. Daí que, numa conjuntura mórbida e paralisante como essa, talvez seja o caso de se saber o que está realmente em questão: O Tributo das Artes ou Tributo às Artes?
Testemunhando assim, como se nos configura o atual quadro onde se denotam as distorções abusivas, sobretudo no que respeita ao trato com os artistas deste 47º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, a COMPARSA – Companhia de Arte & Saúde –, em nome dos seus respectivos criadores Marcos Costa e Carlos Mascarenhas, autores do “Ópera Crua”, projeto premiado na última seleção, vêm expressa e publicamente manifestar sua dissidência e afastamento do referido Salão, comprometendo-se, através desta carta-manifesto, em devolver na íntegra todo o subsídio financeiro até então disponibilizado pela Fundarpe – Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco.
Museu Vale (Vila Velha/ES) realiza 4ª edição dos Seminários Internacionais

O Museu Vale, em Vila Velha (ES), apresenta a 4ª edição dos Seminários Internacionais entre 11/03/09 e 15/03/09. Com o tema “Criação e Crítica”, o evento tem o propósito de mostrar a relação entre o fazer artístico e o pensamento que o compreende. São encontros entre artistas e críticos. A coordenação está a cargo do filósofo Dr. Fernando Pessoa, professor de Filosofia da Universidade Federal do Espírito Santo, e de Glória Ferreira, crítica de arte e curadora independente.

Programação:

11/03/09, credenciamento e abertura.
19h - Abertura do seminário com Mônica Zielinski (professora e coordenadora da catalogação da obra completa do pintor Iberê Camargo) e lançamento de livro.

12/03/09
15h - mesa-redonda 1 - José Damasceno (artista) e Tania Rivera (psicanalista e crítica de arte).
19h - mesa-redonda 2 – Jean-Claude Lebensztejn (crítico de arte - professor emérito de história da arte da Universidade Paris).
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13/03/09
- 15h – mesa-redonda 3 – Rodrigo Braga e Clarissa Diniz (artistas).
- 19h – mesa-redonda 4 - Ana Maria Machado (escritora) e Eduardo F. Coutinho (crítico literário).

14/03/09
- 11h – mesa-redonda 5 - Marilá Dardot (artista) e Luisa Duarte (crítica de arte).
- 15h – mesa-redonda 6 – Nelson Félix (artistas) e Glória Ferreira (crítica de arte e curadora).

15/03/09
- 11h – mesa-redonda 7 - Ricardo Basbaum e Waltercio Caldas (artistas).
- 15h – mesa-redonda 8 – Jacinto Lagueira (crítico de arte, professor de Estética na Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne) e Thierry De Duve (crítico de arte, historiador, filósofo da arte, professor da Universidade de Lille 3).

Vila Velha (ES): antiga Estação Pedro Nolasco, s/nº, Argolas, tel. (27) 3333-2484. www.museuvale.com e www.seminariosmv.org.br
Rumos é pautado pela delicadeza

Quarta edição do projeto reúne 45 obras selecionadas entre mais de 1.600 inscritos, quase todas marcadas pela sutileza

Maria Hirszman do Estadão

Com uma edição bastante enxuta, em que predomina grande multiplicidade de enfoques, suportes e tendências, será inaugurada hoje a 4ª exposição do projeto Rumos Visuais, do Itaú Cultural. Como ocorre desde sua implementação, há uma década, o evento conta com participação mais expressiva do Sudeste, com forte presença de artistas residentes em São Paulo e no Rio. Mas há também representantes de outros nove Estados entre os 45 artistas selecionados pela equipe curatorial, a partir de um esforço de mapeamento desenvolvido por um amplo time formada não apenas por um curador-geral, Paulo Sergio Duarte, mas também por quatro curadores e oito curadores-assistentes. Neste biênio, houve número recorde de inscrições (mais de 1.600), tornando extremamente difícil o processo de seleção, sobretudo na fase final.
Apesar da dificuldade crescente em sintetizar os rumos atuais dessa produção e do desejo de abertura expresso pela própria generalidade do título Trilhas do Desejo, adotado pela mostra, é possível notar ao longo da exposição a persistência de algumas linhas mestras, como o entrecruzamento de linguagens, a inexistência de uma hierarquia entre os diferentes suportes e grande preocupação com a beleza plástica da obra. Característica curiosa, destacada por Paulo Sergio Duarte, é, por exemplo, o desaparecimento do mundo rural nos trabalhos inscritos.
Também não se nota esboço de nenhuma ação poética crítica, de cunho político. Há, sim, em várias obras, a presença de questões de caráter regional ou de reelaboração de elementos cotidianos, de memória e vivências (em sua maioria urbana), mas sempre pautadas por grande sutileza. A tal ponto que Duarte tenderia a chamar a mostra de O Espetáculo e a Delicadeza. Ele faz questão de destacar que usa espetáculo não no sentido pejorativo do termo, mas como forma de definir o caráter sedutor, belo, dos trabalhos. Exemplos de trabalhos que se enquadram nesse binômio são os apresentados por Amanda Mei (SP) e Daniel Herthel (MG).
A opção por reduzir o número de artistas também contribui para essa maior sensação de leveza, tornando o espaço menos comprimido do que nas edições anteriores. O projeto museográfico criado por Pedro Mendes da Rocha não estabelece linhas divisórias. Vídeos, performances, pinturas e esculturas convivem nos três andares do prédio, se é que ainda é possível usar essas categorias de linguagem para falar das obras. Letícia Ramos (RS) faz uma videoinstalação a partir de fotos distorcidas e repetitivas feitas no Largo de Pinheiros; Rafael Alonso (RJ) cria obras de grande efeito pictórico usando elásticos ou fitas adesivas; Laila Terra (SP) propõe uma experiência multisensorial com sua escultura sonora.
Talvez o único piso em que haja uma vertente mais clara seja o primeiro andar, no qual se nota certa presença de questões pictóricas, cromáticas, mesmo que o suporte muitas vezes não tenha nada a ver com a tradicional superfície bidimensional. Lá estão, por exemplo, os baldes suspensos de Nino Cais ou o espaço de cor criado por Aline Shintani (ambos de SP).
Além de Trilhas do Desejo, a 4ª edição Rumos prevê eventos paralelos, como a organização de seminário entre 12 e 14 de março (que poderá ser acompanhado pelo site www.itaucultural.org.br), a realização de mostras itinerantes com recortes de obras selecionadas pelos curadores e ainda a parceria com diferentes instituições culturais do Brasil e do exterior, que receberão 4 dos 45 selecionados para períodos de residência. O júri responsável pela seleção dos artistas deve divulgar na próxima semana o nome dos contemplados com as bolsas de estudo.

Serviço

Rumos Artes Visuais 2008/ 2009. Itaú Cultural. Avenida Paulista, 149, tel. 2168-1776. 3.ª a 6.ª, 10 h/21 h; sáb., dom., 10 h/ 19 h. Grátis. Até 10/5

Preste Atenção

Este ano a mostra expandiu-se para fora do prédio do Itaú. Dois dos trabalhos mais interessantes estão numa casa alugada na R. Tomás Carvalhal, 273. Galeria Boliche, do mineiro Tiago de Carvalho, reúne obras de intensidade poética a partir de narrativas recolhidas no bairro; e a instalação do pernambucano Kilian Glassner, que pintou uma surpreendente paisagem no terraço do segundo andar da casa, para depois demolir parte do espaço, cria interessante relação com o entorno urbano.
Algumas obras conseguem potência poética com a manipulação e o encantamento de materiais aparentemente comuns. Preste atenção nas paisagens de arquitetura modernista de Yana Tamayo (DF) fotografando utensílios de plástico ou nas oníricas nuvens que Marcelo Moscheta, também com individual na Galeria Leme, sobrepondo caixas transparentes do chocolate que abrigam tufos de algodão.
Há certo caráter lúdico, infantil, em algumas obras, como a batalha naval interativa e agigantada, proposta por Laerte Ramos (SP), e a Revista Pretinho Básico, reedição das bonecas de papel acompanhadas de vestidos recortados. No caso da versão distribuída por Marina de Botas (SP), a boneca veste uma réplica do vestido que a artista usará em performance nesta noite. M.H.
Rumos mostra nova arte do país

Mapeamento de 45 artistas realizado pelo Itaú Cultural não encontra regionalismos e política explícita

Mostra, que tem abertura hoje para convidados, é fruto de trabalho coordenado pelo crítico Paulo Sergio Duarte


Mario Gioia da Folha de S. Paulo

Mapeamento da nova arte nacional, o projeto Rumos Artes Visuais tem aberta sua exposição hoje no Itaú Cultural celebrando o cruzamento de linguagens -pintura, fotografia, vídeo, gravura, escultura, instalação, desenho e performance- como uma das principais características das 72 obras dos 45 nomes da mostra.
Mas esse não é o único traço comum. O esvaziamento dos regionalismos e a ausência de trabalhos de teor explicitamente político são outros aspectos que surpreenderam a equipe curatorial.
"A arte militante de cunho político-social acabou, ao menos nesse nosso mapeamento", afirma Paulo Sergio Duarte, 62, crítico de arte radicado no Rio e coordenador do grupo. "Nem entre os trabalhos descartados havia esse viés", diz ele, que contou com a ajuda de quatro curadores de outros Estados -Alexandre Sequeira (PA), Christine Melo (SP), Marília Panitz (DF) e Paulo Reis (PR).
Nino Cais
Na entrada do último andar da exposição, o diálogo entre linguagens é destacado pelos curadores. Em uma das paredes, quatro fotografias da paulista Sofia Borges, 24, são influenciadas pela luz e pela composição da pintura. E, na frente delas, duas pinturas do paulista Rafael Carneiro se apropriam de imagens registradas por câmeras de um circuito interno de segurança.
"As fotos da Sofia têm uma luz barroca, guardam algo das pinturas dos séculos 16 e 17, de antigas naturezas-mortas", avalia Panitz, 50. "Já as pinturas do Rafael se apropriam dos frames do vídeo, são opacas." Borges concorda com a avaliação de Panitz. "Faço construções fotográficas.
Duplico figuras, faço sobreposições, coloco elementos. De certa forma, o meu método se apropria muito mais do "arbitrário" da pintura que do "instantâneo" da fotografia", diz a artista, um dos 16 nomes de São Paulo, o Estado com mais representantes no Rumos. Logo depois, vem o Rio, com seis, e o Pará, com cinco.
E é do Pará que são exibidos outros bons trabalhos da mostra, como o vídeo "Efêmera Paisagem", de Alberto Bitar, que, em quatro minutos, reconstrói o caminho de 70
km que o artista percorria com a sua família de Belém a Mosqueiro. "Poderia ter sido feito em qualquer lugar, tem uma velocidade próxima do mundo urbano", diz Sequeira, 47. "Por isso acreditamos que os regionalismos mais antigos foram suplantados. O artista usa um discurso que é forte em qualquer ambiente."
Uma noção de precariedade também parece aproximar as obras do paulistano Nino Cais, 39, que faz esculturas com baldes e objetos domésticos, e do gaúcho Ernani Chaves, que exibe tacos empilhados. "Busco o equilíbrio, mas há uma tensão permanente, pois as varas que sustentam o trabalho são frágeis. Um esbarrão mais forte, e desaba tudo", diz Cais.

RUMOS ARTES VISUAIS
Quando: abertura hoje (convidados), às 20h; de ter. a sex., das 10h às 21h, sáb. e dom., das 10h às 19h; até 10/5
Onde: Itaú Cultural (av. Paulista, 149, tel. 0/xx/11/2168-1776); livre
Quanto: entrada franca

terça-feira, 10 de março de 2009

Escócia em Veneza

Visual artist Martin Boyce has been selected to represent Scotland at the 2009 Venice Biennale; the world’s largest and most prestigious international showcase for contemporary visual arts.
This will be the fourth Scottish presentation at Venice by the Scottish Arts Council, together with partners the National Galleries of Scotland and the British Council in Scotland and is curated for the first time by Dundee Contemporary Arts (DCA).
Scotland and Venice 2009 will be the first time a solo presentation has been selected to represent Scotland and the presentation will build on the critical success of previous projects which have promoted artists including Turner Prize winner Simon Starling and current Turner Prize nominee Cathy Wilkes.
Martin Boyce’s work relates to and transforms the space around it creating atmospheric, sculptural art inspired by modernist design history. His work has been shown across the world and is currently exhibited at the prestigious Sculpture Center in New York. An installation ‘Our love is like the earth, the sun, the trees and the birth’, (2002) is on show at the Gallery of Modern Art in his home town of Glasgow.
Boyce will develop work specifically for the presentation in Venice and he has already undertaken a visit to Venice to identify sites and locations together with the DCA curatorial team of Judith Winter, Deputy Director/Head of Arts Programme and Graham Domke, Exhibitions Curator.
Following the Venice presentation the work will return to Scotland in December 2009 to be presented at a special exhibition at Dundee Contemporary Arts marking its 10th anniversary.
In addition, an exhibition at the Pier Arts Centre in Orkney this autumn offers visitors a flavour of the first three Scottish presentations at Venice with work by Simon Starling (2003) Cathy Wilkes (2005) and Charles Avery (2007).

The exhibition ‘Venice & Scotland – 2003, 2005, 2007’ will be on show at the Pier Arts Centre, Orkney from 20 September to 8 November 2008
Palestine c/o Venice

Palestine c/o Venice
53rd International Art Exhibition – La Biennale di Venezia
June 7th - Sept. 30th, 2009
Opening reception June 6th at 5 pm

Venue:
Convento Ss. Cosma & Damiano,
Campo S. Cosmo,
Giudecca Palanca,
30133 Venezia

Jawad Al Malhi - House No. 197, 2007-2009 - Image: courtesy of the artist - © Jawad Al Malhi

Palestine c/o Venice marks the first Palestinian participation at the Venice Biennale. Rather than adopt one theme, the exhibition takes on a conceptual framework that embraces the Palestinian people questioning the disproportionate use of the media image of nameless faces and voiceless people. Two of the art projects are collaborative interventions with diverse Palestinian communities whose members will travel to Venice to participate in the art performance and/or the Symposium.

In the same spirit, it is appropriate and necessary to insure that the Palestinian communities under siege, unable to obtain travel passes, join in celebrating the first Palestinian exhibition at the Venice Biennale. In this respect, six Palestinian art institutions in Palestine will exhibit duplicates of the art works, thereby allowing Palestinian audiences to participate in the opening of the exhibition simultaneously to its opening in Venice. The Palestinian venues are: A.M. Qattan Foundation, Birzeit University Art Museum, Al-Hoash Palestinian Art court, International Academy of Art Palestine, Al Ma'mal Foundation for Contemporary Art, and Riwaq Center for Architectural Conservation.

The seven participating artists, commissioned to create new works, were chosen for their outstanding commitment to their art and their ability to bridge local and global themes. Among them are emerging and established artists. They employ diverse techniques including sound installation, multimedia performance installation, site specific work, animation, photography, and video. Their art references Palestinian issues within an international artistic discourse. It is self-reflexive on the artistic process outside the boundaries of the traditional exhibition space, tackles themes ranging from the epistemology of the concept of biennales to the dialogue of cultures within architecture and urban design, and explores visual perception of objects in the mechanical state, marginality via the structural geography of the refugee camp, and the activation of an almost non-exiting community discourse on the colonialist socio-spatial reconfiguration of urban centers.

Participating Artists
Taysir Batniji, lives and works in Paris
Shadi HabibAllah, lives and works in Ramallah
Sandi Hilal and Alessandro Petti, live and work in Bethlehem
Jawad Al Malhi, lives and work in Jerusalem
Emily Jacir, lives and works in Ramallah/New York
Khalil Rabah, lives and works in Ramallah
Curator: Salwa Mikdadi, Independent Curator based in Berkeley, CA
Commissioner: Vittorio Urbani, Director Nuova Icona

Symposium: Conversations
Date: June 5th, 2009 9:30 until 5:00 pm
Free Admission. Limited seating, early registration required
Contact: info@palestinecoveniceb09.org

Issues to be discussed will focus on art in the time of perpetual crisis, the role artists play in civil society as activist and as catalysts of democratic discourse, and the artists' activation of public spaces as alternative venues in the absence of museums and state support.

Symposium participants include the artists as well as art historian Yazid Anani (Birzeit University, W. Bank), Kamal Boullata (artist & art historian), Salwa Mikdadi, Vittorio Urbani, Tina Sherwell (art historian and director of The International Academy of Art Palestine), Jack Persekian (curator, al Ma'mal Foundation for the Arts, Jerusalem & artistic director of the Sharjah Biennale) architects Suad Al Amiry (Director, Riwaq Center for Architectural Conservation) and Farhat Yousef (Head of Planning Unit, Riwaq), Ramallah.

Catalogue: A fully illustrated catalogue will be available in two editions, Arabic and English.

For more information contact Salma Tuqan, Exhibition Coordinator at:
info@palestinecoveniceb09.org
http://www.palestinecoveniceb09.org