segunda-feira, 13 de abril de 2009
Carlos Garaicoa - Como harcerse millonario a través del junk mail
exposição: 16/04/2009 a 16/05/2009
A mostra reúne desenhos, lixo eletrônico, uma maquete de papel e dois trabalhos em vidro rememorativo de edifícios. Estas obras abordam conflitos de uma vida contemporânea através do uso de imagens urbanas e arquitetura. O artista cubano também está expondo na X Bienal de Havana.
Local:
Galeria Luisa Strina
Rua Oscar Freire 502 - Cerqueira César
São Paulo / São Paulo / Brasil
55-11-3064-9361
55-11-3088-2471
info@galerialuisastrina.com.br
www.galerialuisastrina.com.br/
horários:
Segunda a sexta, 10-19h; sábados 10-17h
Jorge Macchi – Last Minute
Data do Evento: 18/04/2009 até 31/05/2009
Horário de funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 18h
Preços: R$ 4 e meia-entrada, grátis aos sábados
Serviços: Praça da Luz, 2
Tel.: (11) 3324-1000
www.pinacoteca.org.br
Acessibilidade: Sim
Estacionamento: Pago
Município(s): São Paulo
Morre, aos 89 anos, o escultor Xico Stockinger
Fonte: ZH
Morreu na noite de domingo (12), aos 89 anos, o escultor Xico Stockinger. O austríaco naturalizado brasileiro dormia em sua casa, em Porto Alegre, quando familiares perceberam que ele havia morrido.
O corpo deve ficar no local até às 16h, quando segue para o Crematório Metropolitano. História Nascido na Áustria, em agosto de 1919, Francisco Alexandre Stockinger criou-se em São Paulo e iniciou-se na escultura no Rio de Janeiro. Transferiu-se para Porto Alegre nos anos 1950.
Estava entre os fundadores do Atelier Livre da prefeitura e foi um dos primeiros diretores do Margs. Depois de ter construído obra importante em xilogravura, ganhou projeção nacional com seus guerreiros em ferro e madeira. É dele um dos conjuntos de escultura mais famosos de Porto Alegre, instalado na Praça da Alfândega: em pé, Carlos Drummond de Andrade lê para Mario Quintana, sentado em um banco.
Residência Internacional de Criação para Artistas
Terá lugar na Estación Forestal INTA 25 de Mayo – Argentina, de 14 a 26 de Setembro de 2009. A intenção é possibilitar a formulação de questionamentos entre a produção artística e o desenvolvimento florestal. Os artistas interessados deverão enviar os seus projetos por email para o Centro Rural de Arte até 3 de Junho. Entre os projetos selecionados será dada prioridade à diversidade de disciplinas.
No final do encontro será realizado um CICLO para apresentação de toda a obra produzida ou o trabalho em processo, aberto ao público em geral. Nos meses seguintes será exposta a experiência em diferentes eventos, entre eles o XIII Congreso Forestal Mundial, a decorrer de 18 a 23 de Outubro de 2009 na cidade de Buenos Aires.
Mais informação em: www.centroruraldearte.org.ar
info@centroruraldearte.org.ar
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Os rumos da Bienal em 15 páginas
Camila Molina
Foi entregue na tarde de quarta-feira ao presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Manoel Pires da Costa, e ao presidente de seu Conselho Administrativo, Miguel Alves Pereira, um extenso relatório, ao qual o Caderno 2 teve acesso. O texto está assinado pelos curadores da 28ª Bienal de São Paulo, Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen. No mesmo dia, foi realizada na Bienal uma reunião do conselho fiscal para apresentação das contas de 2008.
O relatório faz suas "recomendações" à instituição no que se refere a temas como administração, organograma, financiamentos, captação de recursos e serviço educativo (leia ao lado principais trechos). "A questão será sempre de organização, planejamento e recursos", escreveram os curadores. "Está claro que ela (Bienal de São Paulo) não pode continuar sendo uma benesse dada ao público por uma ação entre amigos, pois trabalha com dinheiro público", afirmaram, ainda, Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen na conclusão de suas 15 páginas.Esse relatório foi concebido a partir da experiência dos curadores e do material de discussões promovidas pelos seminários durante a última bienal, que ficou conhecida como a Bienal do Vazio, por ter deixado desocupado todo o segundo andar do pavilhão de exposições.
Em breve, ainda sem data definida, haverá uma reunião com todos os conselheiros para a eleição do novo presidente da instituição. O nome cotado é Andrea Matarazzo, secretário de Coordenação das Subprefeituras do município de São Paulo. "É um excelente administrador, ele tem meu convite pessoal", afirmou Pires da Costa. Antes, foi convidado para o cargo o diplomata Rubens Barbosa. Segundo Pires da Costa, Barbosa não aceitou a candidatura porque não teria o apoio formal do poder público.
A entrega de um relatório detalhado sobre a 28ª Bienal estava prevista no projeto curatorial de Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen desde o início do evento, realizado entre 27 de outubro e 6 de dezembro. No relatório, o número de visitantes aparece como 162 mil pessoas.
PRINCIPAIS PONTOS DO DOCUMENTO
UMA DIVISÃO SEM SENTIDO: "No momento, é irrelevante se pode haver conselheiros vitalícios ou não. Antes, a questão é a composição do Conselho, como ele se articula para cumprir os objetivos da Fundação. Se os conselheiros não contribuem financeiramente para as operações da Fundação, conforme propunha o modelo de filantropia que criou o MAM e a Bienal nos anos 1950, então o que cabe ao Conselho é o gerenciamento dos trabalhos da instituição, a busca pela realização de seus objetivos. Assim, parece sem sentido a divisão entre Diretoria Executiva e a Presidência do Conselho."
MAIS EXPERIÊNCIA: "O que parece importante e procedente é uma nova composição do conselho, incluindo não apenas os amantes da arte e da cultura, mas também profissionais experientes como diretores de museus, curadores, artistas, galeristas, acadêmicos, que possam contribuir para um entendimento e uma presença mais orgânica da instituição na sociedade e no meio artístico brasileiro e internacional."
A FIGURA DO SUPERINTENDENTE: "O modelo de organograma que tem no topo um superintendente, no comando de setores e de profissionais para tarefas específicas como a curadoria, o planejamento e o desenvolvimento, a captação de recursos e marketing, produção, imprensa e RP, já foi adotado por gestões anteriores da Fundação. As 17.ª, 18.ª e 19.ª Bienais estão entre as poucas que, por exemplo, não apresentaram problemas de fluxo de caixa 60-90 dias antes da inauguração, graças ao planejamento do projeto."
A QUESTÃO DO ALUGUEL: "O uso do pavilhão para aluguel a feiras e eventos é o que parece garantir a folha de pagamento mensal de cerca de 30 funcionários, dedicados e colaboradores, que hoje trabalham na Fundação. Aparentemente, não há nenhum problema se for dentro de um processo criterioso, e também um meio de obter recursos para a exposição, arquivos históricos, benefícios ao prédio. Entretanto, esse procedimento parece ter gerado entre os funcionários (não todos, é claro) uma mentalidade que prioriza a feira, tomada como regra de organização, e a bienal como a exceção."
O DESGASTE DA IMAGEM: "A prática de realizar a mostra deixando dívidas para o próximo ano, a próxima bienal, não é boa para a imagem da Fundação, nem para o funcionamento de suas operações. Pior, algumas dívidas ficam sempre penduradas como, por exemplo, o prêmio recebido por Martin Puryear, em 1989, que até hoje não foi pago. O fato de a instituição se comprometer com projetos muito superiores à sua capacidade de captação de recursos parece evidente e é uma das causas de maior desgaste da imagem institucional da Fundação Bienal, afetando sua credibilidade como empregadora e pagadora."
PLANEJAR FINANCIAMENTOS: "Ao contrário de outras entidades que já trabalham a partir de estruturas profissionais e planejadas, dentro de programas definidos e regulares, a Fundação não tem quadros nem planejamento para esse setor, tão regulado e com dinâmica própria. Tampouco tem um cronograma adequado às suas atividades. Quando sai em busca de patrocínio para seus projetos, a Bienal sai em desvantagem, pois não pode oferecer um serviço regular ao patrocinador interessado. Faz isso apenas uma vez a cada dois anos. Por essa razão, ela muitas vezes recebe o que sobra de uma quantia anual definida pelas empresas."
MANTER A PERIODICIDADE: "De tempos em tempos surge a ideia de que a bienal deveria ser transformada em trienal ou quadrienal. O maior espacejamento entre as mostras não resolve questões financeiras e eventuais crises institucionais. Ao contrário, seria mais difícil ainda a captação de recursos. Apenas daria maior respiro entre o sufoco de duas exposições."
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Procura-se
Matarazzo, no entanto, quer conhecer mais de perto os números da Fundação Bienal, que estaria mergulhada em dívidas, situação oficialmente negada pela atual gestão. Ele deve se reunir hoje com o conselho fiscal da entidade para analisar melhor a situação. Matarazzo se limita a dizer que está "estudando o assunto".
terça-feira, 7 de abril de 2009
Ricardo Basbaum abre hoje individual na Luciana Brito
Uma estrutura metálica, espécie de jaula vigiada por câmeras, toma todo o espaço da galeria Luciana Brito (r. Gomes de Carvalho, 842, tel. 3842-0634). A instalação de Ricardo Basbaum, obra central da individual do artista aberta hoje, força o público a fazer uma performance compulsória, à medida que avança pelo corredor e dribla os obstáculos no chão.
"A estrutura tem um chamado ao corpo", diz Basbaum, 48. "Tudo tem uma noção de ritmo, de corpo."
Retomando ideias de sua obra na Documenta de 2007, uma série de salas construídas com grades metálicas, o que muda é o caráter mais violento da nova obra. "A estrutura de metal é agressiva, mas não ostensiva. Tem também sua sedução", diz o artista. "O trabalho abriga, mas ao mesmo tempo faz tropeçar, propõe limites, conformações ao corpo."
Com um diagrama na parede que lembra células e suas membranas, Basbaum tenta reforçar aqui a conexão entre biologia e arquitetura, a percussão natural e as batidas contra grades de ferro.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Maior bienal do Oriente Médio espelha a crise
Mostra de Charjah vai até maio nos Emirados Árabes, com curadoria da portuguesa Isabel Carlos; artistas desta edição exploram o silêncio
por Silas Martí da Folha de SP
Cinco vezes por dia, os chamados à reza quebram o silêncio de Charjah, emirado vizinho a Dubai, espécie de primo pobre à sombra de suas torres alucinantes de ferro e vidro. É uma comoção programada, indecifrável a ouvidos ocidentais, que acompanha a trilha sonora de música estridente do porto.
No pátio de uma construção à beira do golfo Pérsico, 44 alto-falantes berram por silêncio. É o sibilo que acompanha o gesto de levar o dedo indicador aos lábios, som sem sexo nem idade, que os brasileiros Valeska Soares e a dupla O Grivo gravaram para a instalação que mostram na 9ª Bienal de Charjah. "Muito aqui é não dito, muito se cala", diz a portuguesa Isabel Carlos, 47, curadora da mostra. "Aqui, você fica atento ao som."
Na cidade onde as crianças ainda jogam bola na rua e as mesquitas, na hora marcada, acumulam pilhas de sapatos nas portas -sinais de vida real ausentes de Dubai-, acontece o mais importante evento de arte contemporânea do Oriente Médio, marcado para coincidir com a Art Dubai, feira de arte no emirado mais rico, encerrada há duas semanas, que em tudo contrasta com a vida e a arte ditas mais verdadeiras.
Na febre construtiva que só arrefeceu com a crise econômica, os Emirados Árabes Unidos colecionam projetos de arquitetos estrelados e planejam abrigar em Abu Dhabi filiais do Guggenheim e do Louvre, um projeto de Tadao Ando e uma sala de concertos de Zaha Hadid -esta última suspensa por causa da escassez de crédito.
Não é segredo, também, que muito mais deve parar em breve. Os canteiros de obra, antes com operários estendendo turnos madrugada adentro, agora andam vazios, e carros abandonados juntam pó nas ruas fervilhantes de Charjah e Dubai.
Grito silencioso
Por isso, os sussurros. Incomodados com a certeza do fim, artistas da Bienal fizeram obras caladas, ou jogaram com o som numa terra que alardeia bonanças e disfarça protestos. Sheela Gowda, artista indiana entre as mais reconhecidas no cenário internacional, montou uma rede de canos de ferro, labirinto em que cada ponta emite versos e frases em línguas desconhecidas, quase inaudíveis de tão baixo.
Do lado de fora do museu, transformou uma rua da cidade desértica em espelho d'água: um grito silencioso, denúncia da ostentação tão cara aos príncipes e sultões. No subsolo do museu, numa sala quase escondida do público, outro tumulto afônico. O britânico David Spriggs desenhou um ciclone gigantesco em 160 camadas de acrílico, como se congelassem a força do furacão.
"Gosto da ideia de uma forma muito bela, que é ao mesmo tempo destrutível", diz Spriggs, 30. "É um símbolo dessa região, tem a ver com esse momento."
Mais feroz, a polonesa Agnes Janich criou um labirinto de cães. Latidos orientam os visitantes por corredores que terminam em projeções de cachorros mostrando os dentes. Seria uma alusão à maneira como animais foram melhor tratados do que as vítimas do Holocausto detidas em Auschwitz, mas aqui remete às mordaças do dia a dia, das burcas ao controle quase total do Estado sobre a imprensa e a cultura.
É o esforço sem trégua de criar para o mundo uma imagem que se esfacela diante de quem abre os olhos. Nada mais contundente nesse sentido do que a instalação da italiana Lara Favaretto: um cubo branco feito de confete, perfeito à distância, mas que, visto de perto, está prestes a desmoronar.
Sai lista dos 21 artistas selecionados no Prêmio Energias na Arte
* Adriano Woellner (Curitiba –PR)
* Ana Carolina de Leos Sario (São Paulo – SP)
* Ana Elisa Egreja (São Paulo – SP)
* Ana Laura Duarte Martins Estaregui (São Paulo – SP)
* Ana Luiza Flores Cople (Volta Redonda – RJ)
* André Alessandrini Feliciano (São Paulo – SP)
* André Ricardo de Almeida (São Paulo – SP)
* André Sztutman (São Paulo – SP)
* Camila Mifano Marcondes Nassif (São Paulo – SP)
* Carla Chain (São Paulo – SP)
* Fernanda Barros Barreto (São Paulo – SP)
* Flávia Junqueira Ângulo (São Paulo – SP)
* Flora Rebollo (São Paulo – SP)
* Giovanni Ferreira de Souza (Porto Alegre – RS)
* Gustavo Nóbrega (São Paulo – SP)
* Iuri Tavares de Souza Casaes (Rio de Janeiro – RJ)
* Luar Maria Escobar (Rio de Janeiro – RJ)
* Lucas Foianesi Arruda (São Paulo – SP)
* Luciana Paiva Pinheiro (Brasília – DF)
* Marcela Rebelo Tiboni (São Paulo – SP)
* Renata De Bonis (São Paulo – SP)
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Bienal de Veneza terá obras de Lygia Pape
Lygia Pape (1927-2004) é o novo nome brasileiro presente na exposição principal. Öyvind Fahlström (1928-1976), nascido em SP mas radicado na Suécia, também está na seleção. De artistas radicados no Brasil, a seção principal de Veneza inclui obras de Cildo Meireles, Sara Ramo e Renata Lucas. Entre os outros nomes de destaque presentes na mostra, estão a francesa Dominique Gonzalez-Foerster, o italiano Alessandro Pessoli e a americana Miranda July.
Narração é trunfo de documentário
CILDO
Direção: Gustavo Moura
Quando: hoje, às 21h, e amanhã, às 15h, no Cinesesc; sex., às 13h, no CCBB Classificação: não indicado a menores de 14 anos Avaliação: ótimo
segunda-feira, 30 de março de 2009
Oiticica por ele mesmo
Vi então que eram vários filmes do Hélio que, até aquele momento, não constavam de seu catálogo. Pensávamos que ele tinha feito um único filme, o ‘Agripina é Roma-Manhattan’, de 1972." César conta que, também em 2001, reeditando alguns "héliotapes", se deu conta da riqueza de um grande material em áudio, onde o artista falava de seu trabalho e que até hoje era ignorado. "Nesses héliotapes, ele entrevista, é entrevistado, ou às vezes manda uma carta para amigos como o Waly Salomão e Augusto de Campos. Percebi então que esse material já era o filme", revela. Além dos 12 rolos em Super-8 e os "héliotapes", uma entrevista dada pelo artista ao jornal "Folha de S.Paulo" no final dos anos 70, no qual participou o compositor Jards Macalé, completa o material que servirá como uma espécie de roteiro para o filme.
O rolo sumido. Mas será mesmo uma entrevista dada por Hélio, em 1969 para a BBC de Londres, que poderá mudar os rumos do filme de César. O rolo com o tape da fita, desaparecido há 40 anos, é procurado como uma verdadeira relíquia pela produção do filme na Inglaterra. "Na época ele estava fazendo uma exposição individual na galeria Whitechapel em Londres e que foi organizada pelo crítico de arte Guy Brett. Sei que foi uma matéria grande, de aproximadamente 20 minutos. Mas onde este rolo foi parar? Este é o problema", explica. César acredita que seu filme possibilitará que muito mais gente tome contato com a obra de Hélio. Para ele, é fundamental que o público tenha acesso ao discurso do artista. "Colocar a versão do Hélio sobre os fatos é muito importante. Nos dias de hoje, o discurso do curador ganhou uma dimensão tão grande dentro das artes plásticas que o que você vê são geralmente exposições de curadores. Acho importante que se dê voz ao artista", finaliz.
História
1968 foi o ano em que a bandeira "Seja Marginal, seja Herói", de Oiticica, foi exibida no show de Caetano Veloso na boate Sucata, no Rio
"Você não é o maior cineasta brasileiro?
Ivan Cardoso é o cineasta que mais filmou Hélio em vida. O mestre do terrir produziu dois filmes sobre o artista: "HO", de 1979, e "Heliorama", de 2004. "Hélio sempre foi muito especial para mim. Ele tinha grande admiração pelo meu trabalho", confessa Cardoso. "Volta e meia ele brincava comigo: ‘Você não é o maior cineasta brasileiro?’", Cardoso não esconde o orgulho de ter sido escolhido por Hélio para dirigir um filme sobre sua obra. "O Oiticica era amigo de vários cineastas importantes, mas quem ele escolheu para fazer um documentário sobre a sua trajetória fui eu". (JPB)
sábado, 28 de março de 2009
Revisões e propostas para o circuito de arte em debate
Camila Molina do Estadão
Nesse centro, onde os artistas são convidados a criar obras especialmente para o local, assim como é uma "coleção viva" de centenas de espécies botânicas, ocorreu na semana passada o seminário Revisões e Propostas: Desafios para o Circuito de Arte Brasileiro, que contou com a participação de personalidades do meio, foi aberto ao público e ganhará uma versão impressa.
Num momento em que se pedem ações concretas para além do debate - em âmbito maior, as mudanças na Lei Rouanet são o tema principal, mas no meio das artes visuais vê-se uma profusão de seminários que ficam, infelizmente, só na esfera da discussão, como o que ocorreu durante no ano passado para tratar da crise da Bienal de São Paulo dentro da 28ª edição do evento - Revisões e Propostas, realizado pela parceria entre Instituto Inhotim, Ministério da Cultura (MinC) e Fundação Athos Bulcão, teve, na fala da maioria dos palestrantes e nas incursões veementes de Bernardo Paz ao longo dos debates, a preocupação com a urgência.
"O governo acha que arte é para a elite e que museu é museu de artesanato", disse Paz, que afirmou em outro momento gastar R$ 18 milhões por ano em Inhotim sem uso de incentivos fiscais - segundo ele, um pedido para o MinC de ajuda de R$ 4 milhões para manutenção do centro de arte foi recusado pelo Iphan por causa dos custos com jardinagem. Ao mesmo tempo, um dado levado por Afonso Henrique Luz, representante do ministério, permeou todo o seminário: 93,4% dos brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nunca foi a uma exposição e o desafio é o de transformar o cenário em que apenas 6% participam, uma expressa minoria.
A primeira mesa do evento foi oportuna, com a presença dos críticos Paulo Sergio Duarte, Glória Ferreira, Celso Fioravante, Luisa Duarte e o jornalista Marcelo Rezende. Sob o tema Crítica de Arte e Projetos Editoriais: Estratégias de Inserção, ficou ???vigente que o campo é de faltas: a de críticos especializados - Paulo Sergio usou de ironia para falar que neste momento de crise talvez fosse melhor "corrigir o tráfico de conceitos" -; a de meios e publicações; de bibliotecas para se encontrar as informações e fontes. Rezende também lançou provocação: "É possível o circuito de arte se emancipar de si mesmo?", indagou sobre uma hierarquia dos censos de ignorância e de sabedoria - afinal, grande parcela do público acredita que o que há no museu não é para eles.
A segunda mesa sobre a crise da Bienal se tornou redundante, mas a terceira, sobre Estratégias de Formação de Acervo, com falas de Marcelo Araújo, diretor da Pinacoteca do Estado, e de Ricardo Resende, que acaba de assumir o cargo da coordenador de artes visuais da Funarte, rendeu propostas. Araújo falou das estratégias de parcerias e doações (colecionadores, artistas e galerias) que ajudaram a Pinacoteca nos últimos cinco anos a aumentar em 40% seu acervo. Já Resende investiu sua fala na importância dos editais, "o meio mais democrático".
sexta-feira, 27 de março de 2009
Bienal de Havana começa com baratas gigantes e obra de artista brasileiro
HAVANA, Cuba, 27 Mar 2009 (AFP) - Dez baratas com rostos humanos de dois metros de comprimento subiam pela fachada do Museu Nacional de Belas Artes de Cuba, que abriga a X Bienal de Havana, uma festa da arte internacional que tem como um dos destaques a obra do fluminense Ronald Duarte.
"Sobreviventes" foi o nome escolhido para a instalação do pintor cubano Roberto Fabelo, Prêmio Nacional de Arte 2004, "uma evocação do sentido kafkiano do mundo atual. Dizem que, depois de uma guerra nuclear, as baratas serão as únicas sobreviventes", explicou à AFP a curadora Hortensia Montero.A Bienal abre suas portas nesta sexta-feira na antiga fortaleza de San Carlos de la Cabaña, onde o pintor brasileiro Ronald Duarte apresentará sua performance "Nuvens de Obbatalá", sobre a violência urbana.
A mostra de Duarte figura entre as 140 exposições pessoais, 12 projetos coletivos e mais de 100 mostras colaterais que animarão até o dia 30 de abril o espaço da Bienal, da qual participam mais de 300 artistas, metade deles da América Latina; Brasil, México e Colômbia são os países mais representados.ANUNCIADOS OS PARTICIPANTES NA 53ª BIENAL DE VENEZA
Foram anunciados os artistas que participarão na 53ª edição da Bienal de Veneza, com curadoria de Daniel Birnbaum e sob o tema “Fare Mondi”. Birnbaum, reitor da Staedelschule Frankfurt/Maem e do museu Kunsthalle Portikus desde 2001, preparara uma mostra com mais de 90 artistas de todo o mundo, que será apresentada no Palazzo delle Esposizioni, no Giardini e no Arsenale.
ARTISTAS PARTICIPANTES:
>Jumana Emil Abboud. Nascida em Shefa-Amer, Palestina em 1971, vive e trabalha em Jerusalém.
>Georges Adéagbo. Nascido em Cotonou, Benin, em 1942, vive e trabalha em Cotonou.
>John Baldessari. Nascido em National City, EUA, em 1931, vive e trabalha em Santa Monica.
>Rosa Barba. Nascida em Agrigento, Itália, em 1972, vive e trabalha em Berlim.
>Massimo Bartolini. Nascido em Cecina, Itália, em 1962, vive e trabalha em Cecina, Itália.
>Thomas Bayrle. Nascido em Berlim em 1937, vive e trabalha em Frankfurt.
>Simone Berti. Nascido em Adria, Itália, em 1966, vive e trabalha em Milão e Berlim.
>Bestué /Vives. Nascido em Barcelona em 1980 e 1978. They live e work em Barcellona.
>Mike Bouchet. Nascido em Castro Valley, EUA, em 1970, vive e trabalha em Frankfurt.
>Ulla Von Breenburg. Nascida em Karlsruhe em 1974, vive e trabalha em Paris.
>Eré Cadere. Nascido em Varsóvia em 1934. Morreu em Paris em 1978.
>Paul Chan. Nascido em Hong Kong em 1973, vive e trabalha em Nova Iorque.
>Chen Zhen. Nascido em Shanghai em 1955. Morreu em Paris em 2000.
>Nikhil Chopra. Nascido em Calcutá em 1974, vive e trabalha em Mumbai, Índia.
>Chu Yun. Nascido em Jiangxi, China, em 1977. He liveas e works em Pechino.
>Tony Conrad. Nascido em Concord, EUA, em 1940, vive e trabalha em Buffalo e Nova Iorque.
>Keren Cytter. Nascida em Tel Aviv em 1977, vive e trabalha em Berlim.
>Nathalie Djurberg. Nascida em Lysekil, Suécia, em 1978, vive e trabalha em Berlim.
>Anju Dodiya. Nascida em Mumbai em 1964, vive e trabalha em Mumbai.
>Gino De Dominicis. Nascido em Ancona, Itália, em 1944. Morreu em Roma em 1998.
>Elena Elagina (Moscovo, 1949) e Igor Makarevich (Trialety, Georgia, 1943). Vivem e trabalham em Moscovo.
>Öyvind Fahlström. Nascido em São Paulo em 1928. Morreu em Estocolmo em 1976.
>Lara Favaretto. Nascido em Treviso, Itália em 1973, vive e trabalha em Turim, Itália.
>Hans-Peter Feldmann. Nascido em Düsseldorf, Alemanha, em 1941, vive e trabalha em Düsseldorf.
>Spencer Finch. Nascido em New Haven, EUA, em 1962, vive e trabalha em Nova Iorque.
>Ceal Floyer. Nascida em Karachi, Paquistão, em 1968, vive e trabalha em Berlim.
>William Forsythe. Nascido em Nova Iorque em 1949, vive e trabalha em Frankfurt.
>Yona Friedman. Nascida em Budapeste em 1923, vive e trabalha em Paris.
>Dominique Gonzalez-Foerster. Nascida em Estrasburgo, França, em 1965, vive e trabalha em Paris.
>Sheela Gowda. Nascida em Bhadravati, Índia, em 1957, vive e trabalha em Bangalore, Índia.
>Tamara Grcic. Nascida em Munich em 1964, vive e trabalha em Frankfurt.
>GUTAI Akira Kanayama. Nascida em em Nara, Japão, 1924. Morreu em 2005.
>Sadamasa Motonaga. Nascido em Iga, Japão, em 1922, vive e trabalha em Takarazuk, Japão.
>Saburo Murakami. Nascido em Kobe, Japão, 1925. Morreu em Nishinomiya, Japão, em 1996.
>Shozo Shimamoto. Nascido em Osaka, Japão, em 1928, vive e trabalha em Kyoto.
>Kazuo Shiraga. Nascido em Amagasaki, Japão, 1924. Morreu em 2008.
>Atsuko Tanaka. Nascido em Nara, Japão, em 1932. Morreu em 2005.
>Tsuruko Yamazaki. Nascida em Ashiya, Japão, em 1925, vive e trabalha em Ashiya.
>Jiro Yoshihara. Nascido em Osaka, Japão, em 1905. Morreu em Ashiya, Japão, em 1972.
>Michio Yoshihara. Nascido em Ashiya, Japão, em 1933. Morreu em 1996.
>Guyton\\Walker (Índiana, EUA, 1972); (Georgia, EUA, 1969). Vivem e trabalham em Nova Iorque.
>Gonkar Gyatso. Nascido em Lhasa, Tibete, em 1961, vive e trabalha em Londres.
>Jan Håfström. Nascido em Estocolmo em 1937, vive e trabalha em Estocolmo.
>Anawana Haloba. Nascido em Livingstone, Zâmbia, em 1978, vive e trabalha em Oslo.
>Rachel Harrison. Nascida em Nova Iorque em 1966, vive e trabalha em Nova Iorque.
>SEUAn Hefuna Nascida no Cairo, Egipto, em 1962, vive e trabalha no Egipto e Alemanha.
>Carsten Höller. Nascido em Bruxelas em 1961, vive e trabalha em Estocolmo.
>Huang Yong Ping. Nascido em Quanzhou, China, em 1954, vive e trabalha em Paris.
>Joan Jonas. Nascida em Nova Iorque em 1965, vive e trabalha em Nova Iorque.
>Mirea July. Nascida em Barre, EUA, em 1974, vive e trabalha em Los Angeles.
>Rachel Khedoori. Nascida em Sydney em 1964, vive e trabalha em Los Angeles.
>Toba Khedoori. Nascida em Sydney, em 1964, vive e trabalha em Los Angeles.
>Koo Jeong A. Nascida em Seoul em 1967, vive e trabalha em Paris.
>Moshekwa Langa. Nascido em Bakenburg, South Africa, em 1975, vive e trabalha em Amesterdão.
>Arto Lindsay. Nascido em Richmond, EUA, em 1953, vive e trabalha no Rio de Janeiro.
>Renata Lucas. Nascida em Ribeirão Preto, Brasil, em 1971, vive e trabalha em São Paulo.
>Goshka Macuga. Nascida em Varsóvia em 1967, vive e trabalha em Londres.
>Gordon Matta-Clark. Nascido em Nova Iorque em 1943. Morreu em 1978.
>Cildo Meireles. Nascido no Rio de Janeiro em 1948, vive e trabalha em Rio de Janeiro.
>Aleksera Mir. Nascida em Lubin, Polónia, em 1967, vive e trabalha em Palermo, Itália.
>Yoko Ono. Nascida em Tokyo em 1933, vive e trabalha em Nova Iorque.
>Jorge Otero-Pailos. Nascido em Madrid em 1971, vive e trabalha em Nova Iorque.
>Blinky Palermo. Nascido em Lipsia, Alemanha, em 1943. Morreu em Kurumba, Maldivas, em 1977.
>Lygia Pape. Nascida em Novo Friburgo, Brasil, 1927. Morreu no Rio de Janeiro em 2004.
>Anna Parkina. Nascida em Moscovo em 1979, vive e trabalha em Moscovo.
>Philippe Parreno. Nascido em Orano, Algery, em 1964, vive e trabalha em Paris.
>Pavel Pepperstein. Nascido em Moscovo em 1966, vive e trabalha em Moscovo.
>Alessero Pessoli. Nascido em Cervia, Itália, em 1963, vive e trabalha em Milão.
>Falke Pisano. Nascido em Amsterdam em 1978, vive e trabalha em Amesterdão.
>Michelangelo Pistoletto. Nascido em Biella, Itália, em 1933, vive e trabalha em Biella.
>Att Poomtangon. Nascido em Bangkok em 1973, vive e trabalha em Frankfurt e Chiangmai, Tailândia.
>Marjetica Potrč. Nascida em Liubliana, Eslovénia, em 1953, vive e trabalha em Liubliana.
>Sara Ramo. Nascida em Madrid em 1975, vive e trabalha em Paris.
>Tobias Rehberger. Nascido em Esslingen, Alemanha, em 1966, vive e trabalha em Frankfurt.
>Pietro Roccasalva. Nascido em Modica, Itália, em 1970, vive e trabalha em Milão.
>Tomas Saraceno. Nascido em Tucuman, Argentina, em 1973, vive e trabalha em Frankfurt.
>Amy Simon. Nascida em Nova Iorque em 1957, vive e trabalha em Estocolmo e Tel Aviv.
>Simon Starling. Nascido em Epsom, UK, em 1967, vive e trabalha em Copenhaga e Berlim.
>Pascale Marthine Tayou. Nascido nos Camarões, África, em 1967, vive e trabalha em Bruxelas.
>Wolfgang Tillmans. Nascido em Remscheid, Alemanha, em 1968, vive e trabalha em Londres.
>Rirkrit Tiravanija. Nascido em Buenos Aires em 1961, vive e trabalha em Nova Iorque.
>Grazia Toderi. Nascida em Padua, Itália, em 1963, vive e trabalha em Milão.
>Madelon Vriesendorp. Nascida em Bilthoven, Países Baixos, em 1945, vive e trabalha em Londres.
>Tian Tian Wang. Nascida em Qingdao, China, em 1980, vive e trabalha em Berlim.
>Richard Wentworth. Nascido em Samoa, Oceania, em 1947, vive e trabalha em Londres.
>Pae White. Nascido em Pasadena, EUA, em 1963, vive e trabalha em Los Angeles.
>Cerith Wyn Evans & Florian Hecker (Llanelli, Galles, 1958); (Augusta, Alemanha, 1975).
>Evans vive e trabalha em Londres. Hecker vive e trabalha em Viena.
>Xu Tan. Nascido em Wuhan, China em 1957, vive e trabalha em Shanghai e Guangzhou,China.
>Haegue Yang. Nascida em Seoul em 1971, vive e trabalha em Berlim e Seoul.
>Héctor Zamora. Nascido na Cidade do México 1974, vive e trabalha em São Paulo.
>Anya Zholud. Nascida em St. Peterbourg, Rússia, 1981, vive e trabalha em Moscovo.
quinta-feira, 26 de março de 2009
Os artistas plásticos Paulo Brusky e José Paulo estão fazendo as malas para seguir para Havana, em Cuba. Na bagagem, a trajetória artística de ambos, que estarão representando Pernambuco na 10ª Bienal de Havana, desta sexta-feira (27) até a segunda (30). A viagem recebe o apoio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) – que informou ter investido cerca de 50% dos R$ 250 mil totais.
É a primeira vez que o estado ganha uma sala especial na bienal, com o pioneirismo de Paulo Brusky. Localizada na Galeria Rubén Martinez Villena, na Biblioteca Pública em frente à Plaza de Armas, a sala exibirá, a pedidos da organização, não obras recentes, mas um panorama de todos os seus 40 anos de trajetória artística. Serão cerca de 150 itens datados de 1969 a 2009. Entre eles, Arte Correio, Xerografia, Poema Processo/ Poesia Visual/ Experimental, Fax Arte, Fotolinguagem e também filmes sobre a vida do artista e registros de suas intervenções urbanas.
A sala especial também receberá o livro Paulo Bruscky: Arte em Todos os Sentidos, escrito pela jornalista Cristiana Tejo. Com cerca de 120 páginas, a publicação falará, em três idiomas - português, inglês e espanhol - da trajetória do artista.
Já José Paulo, que tem construído carreira ascendente, promete fazer um apanhado de suas melhores obras. O artista tem na bagagem participações em eventos como Otras Contemporaneidades, (Bienal de Valencia, Espanha); Trienal Poli-Gráfica (San Juan, em Porto Rico); Repetir, Repetir, Repetir (Museu de Arte Contemporânea, do Rio de Janeiro); e a Territoires Transitorir (exposição que aconteceu em Paris, em homenagem ao ano Brasil-França).
A Bienal de Havana acontece há 25 anos, e é considerada como um dos eventos da área mais prestigiado, em todo o mundo. Neste ano, o tema será Resistência e Integração na Era Global, e espera reunir mais de 200 artistas de 44 países.
quarta-feira, 25 de março de 2009
fonte: site ArteCapital. net
Claude Lévêque irá apresentar Le Grand Soir no pavilhão francês da 53ª edição da Bienal de Veneza este ano. O artista selecionou o curador Christian Bernard, que é o diretor do Musée d’Art Moderne et Contemporain (MAMCO) em Genève, para apoiá-lo no seu projeto.
Lévêque nasceu em 1953 em Nevers, França, e trabalha e vive em Montreuil e Pèteloup. É considerado há anos um dos grandes artistas do cenário francês e é conhecido por desenhar sobre a cultura popular e o quotidiano para criar ambientes e objetos que usam técnicas sensoriais como o som e a luz.
Expôs em instituições de renome por todo o mundo, incluindo o P.S. 1 em Nova Iorque, MAMCO em Genève, o Hamburger Banhof em Berlim e o Musée d’Art Modern em Paris. Para a ocasião da sua apresentação em Veneza, a Culturesfrance, o Centre National des Arts Plastiques e o Flammarion co-publicam uma monografia sobre a sua obra.
Espetacular: http://www.claudeleveque.com
segunda-feira, 23 de março de 2009
fonte: AFP
HAVANA, Cuba (AFP) — Uma maquete de quatro metros quadrados representando a favela mineira de "Nossa Senhora de Fátima" será uma das atrações da X Bienal de Havana, que abre suas portas na próxima sexta-feira.
A obra já está sendo montada pelo artista Sergio Cezar, conhecido como "o arquiteto do papelão", na antiga fortaleza colonial de San Carlos de la Cabaña, sede principal da Bienal.
"Trata-se de uma obra que fala das imensas possibilidades criativas do ser humano", afirma o artista, explicando que se trata de uma maquete em escalar menor da que ele montou em seu país com a ajuda dos moradores da citada favela da capital mineira.
"Vivemos num mundo que está num momento muito delicado em relação à natureza. Todas as obras que serão reunidas na Bienal mostram a possibilidade de uma mudança no presente para um futuro melhor", acrescentu o artista, que fez sua obra com material reciclado do lixo.
fonte EFE
Roma, 23 mar (EFE).- A Bienal de Veneza, na Itália, tentará fugir da crise econômica e da arte como mercadoria em sua 53ª edição, graças à visão "não obsessiva com os objetos únicos" do diretor e curador da divisão de arte do evento, o sueco Daniel Birnbaum.
Durante a cerimônia de apresentação da Bienal, que estará aberta ao público entre 7 de junho e 22 de novembro sob o lema "Fare Mondi" (Criando Mundos), a crise foi mencionada apenas duas vezes, a primeira delas quando Birnbaum anunciou que o evento "não reagirá excepcionalmente" às dificuldades econômicas globais.
O curador deu como exemplo a arte de Yoko Ono, que será premiada neste ano com o Leão de Ouro pelo conjunto de sua carreira, para descrever uma edição na qual a Bienal de Veneza estará "mais próxima de outra economia, que foge dos objetos preciosos".
Entre os artistas convidados há figuras de reconhecido prestígio, como o pintor espanhol Miquel Barceló, como outros de países recém chegados ao circuito internacional da arte, como o indiano Nikhil Chopra.
A projeção internacional da mostra ficou patente durante a apresentação, quando diversos jornalistas fizeram perguntas sobre a participação até então inédita de países como Irã e Israel.
O presidente do evento, Paolo Baratta, explicou que a Bienal contará com a participação de 77 países - entre eles o Brasil -, a maior da história da mostra.
Francesco Prosperetti, o diretor-geral do Parc, organismo do Governo italiano responsável pela tutela e pela qualidade da arte contemporânea e da arquitetura, foi outro que mencionou a crise econômica durante seu discurso e afirmou que a Bienal de Veneza também deve "suportar cortes nas despesas".
No entanto, Prosperetti deu como exemplo do esforço feito pela organização as várias ampliações da estrutura expositiva que terão início neste ano, mesmo com menos recursos.
A primeira grande mudança é a criação do Novo Palácio de Exposições chamado de "Área dos Jardins", o qual, nas palavras de Baratta, representa "pela primeira vez na história da Bienal uma sede onde será possível desenvolver atividades permanentes, de forma paralela às festividades e às grandes exposições".
O novo edifício, que se chamará Palácio de Exposições da Bienal, terá acesso disponível ao público durante todo o ano e vai abrigar a biblioteca do Arquivo Histórico das Artes Contemporâneas daqui a uma década.
A 53ª edição da Bienal de Veneza também quis dar um papel mais importante à Itália, país que a partir de agora ocupará um pavilhão de 1.800 metros quadrados, quase duas vezes maior que o anterior.
Outra mudança para este ano é a volta do edifício "Ca' Giustinian" como parte da mostra, graças a um acordo com a Prefeitura de Veneza que previa a restauração da sede histórica.
A última grande novidade da estrutura da edição deste ano é a criação de uma nova ponte que une a zona do Arsenal com a dos jardins, uma infraestrutura que dará coesão aos diversos recintos.
Em seu discurso, Baratta que a terceira sede do evento será a própria cidade de Veneza, graças aos diversos atos paralelos que estão programados por instituições como a Coleção Peggy Guggenheim e o Palazzo Grassi. EFE
sexta-feira, 20 de março de 2009
por Fabio Cypriano da Folha de S.Paulo
Depois da polêmica Bienal do Vazio, no ano passado, que deixou um andar do pavilhão no Ibirapuera sem produções artísticas, a controvérsia do mundo das artes plásticas nacionais deste ano promete ser o 31º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), previsto para ser aberto no dia 10 de outubro.
Com curadoria de Adriano Pedrosa, 43, a mostra bienal não terá artistas brasileiros, ao contrário do que indica seu título, mas estrangeiros que estabeleçam algum diálogo com a cultura local ou estejam vinculados a um tipo de produção que ele considere brasileira.
"Minha primeira ideia foi organizar um panorama de arte latino-americana, que acabou amadurecendo nessa ideia de arte brasileira feita por estrangeiros. Esse projeto também reflete minha percepção de que a programação das instituições na cidade é majoritariamente com brasileiros", disse Pedrosa à Folha, na sede do MAM.
Criado em 1969 e transformado em evento bienal em 1995, o Panorama visava até então apresentar uma leitura da produção brasileira contemporânea, tendo sido organizado por curadores como Ivo Mesquita, em 1995, ou o cubano Gerardo Mosquera, em 2003, que agregou três estrangeiros à mostra, entre 19 artistas.
A proposta de não incluir artistas brasileiros significaria que a produção nacional anda fraca? "Estou flexibilizando uma noção ossificada de 'arte brasileira', questionando-a. O 'brasileiro' nesse contexto deixa de ser nacionalista. Parece-me pertinente, pois o Brasil e a arte brasileira sempre foram muito abertos", diz Pedrosa.
Residências
Outra inovação será a realização de residências artísticas para estrangeiros, como ocorreu na 27ª Bienal de SP (2006), na qual Pedrosa foi cocurador.
Assim como daquela vez, a Faap irá acolher os artistas em um edifício na praça Patriarca. Esse tipo de procedimento, contudo, teve início antes na carreira do curador: "O projeto de residências é algo que primeiro desenvolvi com a Luisa Lambri, uma italiana que fez fotografias de arquitetura brasileira, em 2003. É um bom exemplo de 'arte brasileira', nesse sentido ampliado".
Pedrosa pretende selecionar cerca de 30 nomes para a mostra: "Meu objetivo é buscar artistas que estabeleçam uma relação mais profunda com a cultura brasileira, como o Superflex [da Dinamarca], que trabalhou com o guaraná Power, ou a [francesa] Dominique Gonzalez-Foerster, que já trabalhou com muitas referências nossas e vive no Rio".
Cerca de metade da seleção, ainda segundo Pedrosa, deve participar do programa com a Faap: "Nas residências, vamos convidar de dez a 15 artistas que potencialmente possam desenvolver uma relação com o país, não apenas para realizar uma obra para o Panorama mas para algo muito além disso. Trata-se assim de reunir artistas estrangeiros que já produzam 'arte brasileira' e oferecer possibilidades para que outros também o façam".
Mais que polêmica, a proposta de Pedrosa é ambiciosa: é possível definir como brasileiro um trabalho de arte contemporânea, independentemente de quem o realize? Essa foi, afinal, uma das questões fundamentais dos modernistas brasileiros, que nunca conseguiram chegar a uma conclusão.
Bienal em NY
Com caráter similar ao do Panorama, apesar de criada em 1932, a Bienal do Whitney --museu sediado em Nova York e dedicado à produção norte-americana-- há oito anos flexibilizou a restrição para que apenas artistas nascidos nos EUA fizessem parte da mostra.
Há dez anos, na revista "Poliéster", Pedrosa criticou a Bienal do Whitney por sua condição restritiva. Já na última edição, em 2008, por exemplo, participaram o suíço Olaf Breuning, o venezuelano Javier Téllez e o israelense Omer Fast, ainda que os primeiros dois vivam nos EUA.
Em edições anteriores, fizeram parte os brasileiros Vik Muniz e Karim Aïnouz.





