sexta-feira, 17 de abril de 2009

Em crise, Bienal é adiada para 2011

Instituição procura novo presidente

por Catia Seabra da Folha de S. Paulo


Enfrentando severa crise, o conselho de administração da Bienal de São Paulo já trabalha com adiamento de um ano da mostra de arte. Pelo calendário apresentado ao secretário municipal Andrea Matarazzo(recém-convidado a assumir a presidência da fundação), a próxima Bienal está programada para 2011. Não mais para o ano que vem, como originalmente previsto. Além disso, planejada para este ano, a Bienal de Arquitetura só deverá acontecer a partir de 2010.
Até lá, o futuro presidente ganharia fôlego para sanear as contas da fundação, negativas, pelo menos, há dois anos.
O prédio onde ocorre a Bienal de São Paulo e a Bienal de Arquitetura, projetado por Oscar Niemeyer e que fica no parque Ibirapuera

Segundo números obtidos pela Folha, a Fundação Bienal de São Paulo encerrou 2008 com uma dívida de curto prazo de R$ 4,657 milhões, sendo R$ 2,39 milhões com fornecedores e R$ 859 mil em empréstimos.
Ainda de acordo com o documento(encaminhado ao conselho fiscal e chamado de "minuta" pela presidência da Bienal) a fundação gasta, ao longo do ano, mais do que arrecada.
Em 2008, sua receita foi de R$ 13,9 milhões, e as despesas, R$ 15,6 milhões: um buraco de R$ 1,643 milhão. Em 2007, o déficit foi de R$ 1,551 milhão.

Procura-se
Desde outubro, o conselho da Bienal procura um sucessor para o atual presidente da fundação, Manoel Pires da Costa. Pelo estatuto, seu mandato estaria encerrado no dia 6 de fevereiro, dois meses depois da conclusão da Bienal.
Mas a debilidade financeira está afugentando os potenciais pretendentes. Presidente do conselho administrativo da fundação, o arquiteto Miguel Pereira conta que, antes de Matarazzo, outros cinco foram sondados para o cargo.
Os números da fundação, reconhece, os desencoraja. "A bienal está demorando a resgatar o prestígio e credibilidade. Sofremos um revés acentuado, principalmente nos últimos dois anos", afirma Pereira.
Também dedicado à escolha do novo presidente, o conselheiro Julio Landmann conta que a lista de convidados incluiu José Olympio, Rubens Barbosa e Suzana Steinbruch.
"Não me lembro de outra Bienal em que o novo presidente não estivesse conhecido até meados de março. Estamos no mínimo um mês atrasados", diz Landmann.
Aberta essa lacuna, o conselho está, segundo Landman, disposto a adiar a Bienal para 2011. "Eu jamais faria em 2010. Não me parece lógico. O conselho, por si só, já está convencido de que não seria ideal. Vamos dizer: não teria empecilho jogar ela para frente por mais um ano", admite Landmann.
Ao ser convidado pelo conselho, Matarazzo foi informado de que a intenção é montar a Bienal de artes somente em 2011. É a data que fixa o tamanho do mandato do novo presidente.

Consenso
"Há um consenso de que a mostra foi postergada para 2011. Estou trabalhando com esse prazo", afirma Matarazzo, à espera da revisão de uma auditoria sobre os números da Bienal. Até o presidente Manoel Pires da Costa reconhece: "Não é uma coisa absurda, em função do que está acontecendo na economia do mundo, deixar para fazer a Bienal daqui a dois, três anos".
Pires da Costa(que teve a minuta de balanço questionada pelo conselho fiscal) prefere generalizar a crise: "É um problema da economia do mundo".
Na semana passada, as contas da Bienal foram apresentadas para o conselho de administração. Contratada pela fundação, a empresa Deloitte Touche Tohmatsu apontou ressalvas nas demonstrações financeiras da fundação. A auditoria será revista.
O presidente da Bienal chegou a agendar uma entrevista com a Folha para falar sobre a saúde financeira da fundação. Mas, por orientação de seu advogado, o encontro foi cancelado. Em nota, a assessoria disse esperar o fim da auditoria.
Matarazzo, por sua vez, depende desses números para tomar sua decisão. "Nunca tinha cogitado isso. O que me sensibiliza é o risco de a Bienal terminar", acrescenta ele, que carrega o sobrenome de Ciccillo Matarazzo, fundador da instituição.


Pires da Costa tem trajetória polêmica na Fundação Bienal



por Fábio Cypriano da Folha de S.Paulo


Manoel Francisco Pires da Costa entrou para a Fundação Bienal de São Paulo no final de 2000, numa das vagas abertas após uma série de conselheiros, entre eles Milú Villela, deixarem a instituição, depois de polêmicas que culminaram com a renúncia do então curador da 25ª Bienal, Ivo Mesquita.

Auxiliando na captação de um evento já em desgaste, Pires da Costa aproximou-se do então presidente da Fundação, o arquiteto Carlos Bratke, que lançaria seu nome para sucedê-lo, com apoio de Edemar Cid Ferreira, em julho de 2002. Na época, Pires da Costa era filiado ao PPS e havia sido presidente da BM&F (Bolsa de Mercadorias e de Futuros), cargo que teve que deixar após ser acusado, em 1996, de má gestão administrativa no Banco Patente pelo Conselho do Sistema Financeiro Nacional.
Manoel Francisco Pires da Costa, atual presidente da Bienal

A primeira polêmica com Pires da Costa na Bienal ocorreu em junho de 2003, quando Ethel Leon, curadora da 5ª Bienal de Arquitetura, pediu demissão do cargo por "falta de apoio institucional e verbas", quatro meses antes da mostra.

Em março de 2005, Pires da Costa foi reeleito presidente. Após uma enxurrada de críticas à 26ª Bienal, que teve Alfons Hug como curador, o presidente abriu mão de indicar um substituto e realizou um processo seletivo, organizado por um conselho, que escolheu Lisette Lagnado para cuidar da 27ª Bienal de São Paulo, realizada em 2006.

Em abril de 2007, às vésperas da segunda reeleição, Pires Costa se autodenunciou ao Ministério Público, admitindo que contrariou o estatuto da Bienal, que proíbe que membros da instituição forneçam bens à instituição, por usar sua empresa TPT para publicar a revista "BienArt".

Naquele mesmo mês, pela primeira vez na história da Bienal, o Conselho Fiscal recusou as contas da gestão de Pires da Costa, por "julgá-las comprometidas", mas a instituição reelegeu o empresário com um "voto de confiança" e a condição de uma comissão de ex-presidentes averiguarem as contas de sua gestão, que não chegou a nenhuma conclusão.

Em maio de 2007, a Folha publicou que, além de fazer negócios com a Bienal pela TPT, Costa comprava duplicatas que a instituição tinha para receber das firmas que alugavam espaços no pavilhão de exposições. Além disso, sua mulher recebia pela jardinagem e arranjos florais da Bienal e a corretora de seu genro fez os seguros da 27ª Bienal.

O Ministério Público considerou que, apesar de irregular, o negócio de Pires da Costa com a TPT não trouxe prejuízos à Fundação, mas realizou um Termo de Ajustamento de Conduta, no qual, entre outras coisas, o empresário comprometeu-se a não contratar empresas de parentes de diretores, conselheiros da Fundação e seus parentes de até o terceiro grau.

Assim como ocorreu com a mostra do "vazio", no ano passado, que não pagou artistas e prestadores de serviço dentro dos prazos estabelecidos, problemas com pagamento também marcaram a edição de 2006, que só teve suas contas encerradas quase dois anos depois de seu término.


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Artista brinca com a atual crise econômica



Carlos Garaicoa faz narrativa de falsas transações comerciais

por Camila Molina do Estadão

Em tempos de crise econômica mundial, o artista cubano Carlos Garaicoa criou uma narrativa de mentiras na obra Cómo Hacerse Milionario a Través del Junk Mail, que dá também título à exposição que ele apresenta na Galeria Luisa Strina. O trabalho começou como uma brincadeira: lançar e receber e-mails com propostas de transações milionárias de dinheiro que não passam de invenções e que não levam a nada concreto. A ironia da obra relaciona-se com o absurdo de uma realidade abstrata em que os valores e a moeda são negociados em esfera nada palpável. "É uma ideia esperançosa nesta época", diz o artista. Na galeria, ele colocou uma quantidade grande de impressões dos e-mails emoldurados, formando uma massa de mentiras. "Coleciono há mais de dois anos esses e-mails e quero fazer um livro com esse material."

Garaicoa, de 42 anos, criador cubano de destaque na cena mundial, que também participa da Bienal de Havana, usa sempre de um "olhar muito literário e conceitual" em sua produção. As palavras são caras na construção de sua poética, assim como a relação com a arquitetura. De certa forma, sua ação é sempre mínima, apresentada por meio de estética limpa.

Exige-se, portanto, o olhar atento aos desdobramentos abrigados nas ideias por detrás da suposta simplicidade ou limpidez de seus trabalhos. É assim com a instalação Mis Obsesiones Públicas e Mis Obsesiones Privadas, formada por duas grandes caixas de vidro com inscrições, respectivamente, de desenhos, que remetem à arquitetura de prédios de uma cidade e de ferramentas usuais como martelos e chaves de fenda. Dentro de cada uma das caixas transparentes há a projeção de um vídeo, compondo, assim, um jogo entre a ideia de cidade e da mecânica do trabalho - num deles, uma animação representa o suicídio de um corpo que salta do alto de um edifício. "São dois continentes, duas Caixas de Pandora", diz o artista.

Cómo Hacerse Milionario a Través del Junk Mail, que ocupa o térreo e o primeiro piso da galeria, com trabalhos todos novos, começou a ser elaborada no Brasil, quando o artista viveu entre 2006 e 2007 no Rio. Garaicoa também celebra a feliz coincidência de ter agora também a exibição de uma grande exposição sua que vem itinerando desde o ano passado pelo País - na próxima semana chega a Belo Horizonte e talvez venha a São Paulo.

Já no terceiro piso e no terraço, o gaúcho Marlon de Azambuja, de 30 anos, que vive na Espanha, exibe Projeto Moderno, sua primeira individual na galeria. Seu trabalho, tendo como mote a arquitetura e o questionamento do absurdo da sobreposição da estética sobre a função, também se abre em vários desdobramentos. Casa Modernista para Pássaros é "ironia light", com desenhos e maquete. Depois, no terraço, ele apresenta esculturas que são gaiolas com periquitos nas formas de prédios ícones de museus: o Masp, o New Museum e a Tate Modern.

Serviço

Carlos Garaicoa e Marlon de Azambuja.
Galeria Luisa Strina.
Rua Oscar Freire, 502, tel. 3088-2471.
Das 10 h às 19 h (sábado até 17 h; fecha domingo).
Até 16/5

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Herdeiros de Hélio Oiticica querem tirar nome do artista do centro de arte por causa de briga com prefeitura



por Suzana Velasco do Globo

Os herdeiros de Hélio Oiticica retiraram as obras do artista plástico do centro municipal que leva seu nome, próximo à Praça Tiradentes, e desmontaram nesta quarta-feira a exposição com os famosos penetráveis do artista, que ficaria em cartaz até junho. O motivo foi o não pagamento, pela prefeitura, da segunda parcela de R$ 267 mil aos herdeiros, que, no comando do Projeto Hélio Oiticica, produziram a mostra, e aguardavam o dinheiro desde janeiro. Na reserva técnica do Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, inaugurado em 1996 agora só se encontram as peças que foram desmontadas da exposição.


'Éden penetrável', de Hélio Oiticica, uma das obras da mostra retirada do centro de arte/ Foto divulgação

- Estamos nos desvinculando do centro de arte. E vamos tentar tirar o nome do espaço - afirma César Oiticica, irmão do artista e desde o início à frente do projeto.

Ana Durães, diretora do centro há dois meses, afirma que o atraso no pagamento se deve a uma auditoria que está sendo em toda a Secretaria municipal de Cultura. Segundo ela, César Oiticica foi informado pela secretária de Cultura, Jandira Feghali, de que o pagamento seria realizado em breve.

- O projeto ia receber o dinheiro em alguns dias, era só esperar um pouco. Não precisava fazer um estardalhaço. Mas o César achou que era uma luta, como se estivéssemos contra ele. Ele foi muito intransigente - diz Ana.

Greek Pavilion

Greek Pavilion
53rd International Art Exhibition
La Biennale di Venezia

"Paraxena"
June 7 - November 22, 2009
Official Inauguration: June 4, 14:00

Artist: Lucas Samaras
Commissioner: Hellenic Ministry of Culture
Curator: Matthew Higgs
General Coordinator: Vivian Efthimiopoulou
Organization: Hellenic Ministry of
Culture Directorate of Visual Arts for the
Promotion of Contemporary Art

Lucas Samaras represents Greece at the 53rd International Art Exhibition La Biennale di Venezia

Curated by Matthew Higgs, Lucas Samaras will present the multi-installation "Paraxena" in the Greek Pavilion in the Giardini della Biennale.

The exhibition for the Greek Pavilion brings together works from three recent series (2005-2009) of photographic and video works, juxtaposed with a discrete group of works from the mid 1960s.

The three recent groups of works – from the "Nexus", "Chairs", and "iMovie" series – have not been widely seen outside of the USA, they will be shown alongside a major video installation "Ecdysiast and Viewers" (2006), which is on loan from the collection of the Museum of Modern Art, New York.

The "Chairs" and "Nexus" series are photographic works, which further extend Samaras' radical use of photographic technologies (a dialogue that began in the late 1960s with his first experiments with Polaroid technology.) Both photographic series originate in images taken during Samaras' walks through New York City. They present a kind-of hallucinatory urbanism. The "iMovie" films (beginning in 2005) take this sense of 'strangeness' – alluded to the exhibition's title "Paraxena" - into Samaras' domestic environment, and his everyday routines. These recent works will be shown alongside the major installation 'Ecdysiast and Viewers', in which Samaras films the reactions of peers and colleagues (inc. fellow artists Chuck Close and Jasper Johns, and Artforum editor Tim Griffin) whilst observing a video self-portrait in which Lucas lays himself bare for the camera.

This frank self-portrayal in "Ecdysiast" is amplified in a group of three sculptures from the "Jewels" series of the mid 1960s, which represent three extremities of the artist's torso: the head, the groin, and the feet: a form of "incomplete" self-portraiture.

The final work - which will be the first work the visitor encounters - is a major mirrored structure "Doorway" (1966-2007): Upon entering the pavilion the viewer will be confronted with a reflected image of themselves. The work's title "Doorway" is apt given that the work will occupy the threshold between the exterior space of the Giardini gardens and the 'interior' space of the pavilion and Lucas Samaras' work.

The "reflected" image of the viewer sets up a "narrative" that runs throughout the exhibition: where the issue of being observed, by both oneself and others, and the activity of observing are central devices in the work. Together the works create a fluid conversation that articulates many of the persistent themes of Samaras' work.

The exhibition privileges Samaras' most recent work, but does so in a way that sets up conversation across four decades of his practice, establishing a historical context for the new work.

This conversation across time is amplified in the publication, the first section of which consists of a "visual essay" of images of Samaras' work – with at least one image for each of the 50 years Lucas has been exhibiting.

Lucas Samaras' show at the Greek Pavilion in Venice will take place on the 50th Anniversary of his first solo show in 1959 at the Reuben Gallery in New York.


terça-feira, 14 de abril de 2009

Becas Fundación Marcelino Botín



Convocatoria: Artes Plásticas 2009 / 2010
Fundación Marcelino Botín

La Fundación Marcelino Botín destina 220.000 euros a Becas de Artes Plásticas para formación, investigación y realización de proyectos personales en el ámbito de la creación artística (no trabajos teóricos), para artistas de cualquier nacionalidad. Deben tener entre 23 y 40 años, para las becas de formación, sin límite de edad para las referidas a investigación.

El tiempo de disfrute de esta beca será de 9 meses. Las becas fuera del lugar de origen, pueden prorrogarse por otro periodo, previa solicitud anual en los plazos de la convocatoria pública.

La ayuda se disfrutará a partir de su concesión, por el periodo pactado y sin interrupción. Es imprescindible su inicio antes de finalizar 2009.

Dotación:
Sin cambio de residencia: 16.000 euros.
Con traslado a otro país, distinto al de su residencia actual: 24.000 euros.
Con traslado a Estados Unidos: 28.000 euros.
Las cantidades anteriores comprenden los conceptos de viajes, alojamiento, manutención, alquiler de estudio, etc. Estas cantidades se incrementarán con el seguro médico y, en caso de las de formación, la matrícula en el centro de formación elegido, previa aceptación del mismo, que serán asumidos por la Fundación Marcelino Botín.

El plazo límite de recepción de solicitudes:
8 de mayo de 2009

Más informaciones sobre las becas, la documentación solicitada y el formulario de solicitud:

Fundación Marcelino Botín
Pedrueca 1
39003 Santander
España

Tel. +34 942 226 072
Fax +34 942 226 045

http://www.fundacionmbotin.org/inicio.asp
fmabotin@fundacionmbotin.org


The Biennale de Lyon 2009



by Artdaily.org

The Biennale de Lyon: 10th edition, will take place from Wednesday September 16, 2009 until Sunday January 3, 2010. An authorial biennale rooted in a museum project The Lyon Biennale stemmed from a project by Lyon’s Museum of Contemporary Art, directed by Thierry Raspail since its inception 1984. From 1984-1988, the Biennale was preceded by an annual event entitled October of the Arts, which ended with the exhibition Colour Alone: The Experience of Monochrome. This retraced the adventure of monochrome, from the beginnings of Impressionism and the historical avant-gardes topical work by artists ranging Malevitch to Anish Kapoor. Staged in various venues around the city, Colour Alone was highly successful, making its mark and illustrating Lyon's potential for hosting an international event, following the Paris Biennale's closure in 1985. event gave rise to the inaugural Lyon Biennale in September 1991.

Panoramic view of Lyon.

The desire to create an event capable of artistic self-renewal while building a stable, long-term project that bonded with its host territory led to an organisational model specific to the Lyon Biennale an Artistic Director builds the event's identity over time, and each edition chooses a curator/ curators with whom he collaborates closely to devise an artistic project.

The Lyon Biennale is therefore truly an authorial biennale and, as Jean-Hubert Martin noted, “a clever of having themes addressed through the personalities of others”. Each biennale provides the opportunity to explore a specific issue. Its nine editions thus far formed three successive trilogies the first devoted to History, the second to Globalisation, and the third to Temporality. They have been curated by an international array of art historians, critics professional curators including Harald Szeemann, Jean-Hubert Martin, Le Consortium (with Robert Nickas and Anne Pontégnie), Stéphanie Moisdon and Hans Ulrich Obrist, and now, in 2009, Hou Hanru.

Cineasta francês filma obscuridade de Iberê Camargo



por Fábio Cypriano da Folha de S. Paulo


Depois de trabalhar com nomes como a performer Marina Abramovic, a coreógrafa Meg Stuart e os artistas plásticos Jan Fabre e Michelangelo Pistoletto, todos bastante radicais em suas respectivas áreas, o cineasta francês Pierre Coulibeuf, nascido em 1949, prepara agora sua nova produção, que traz para a cena o pintor Iberê Camargo (1914-1994).

O filme em 35 mm, que também terá uma versão para uma instalação, será exibido em junho na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, que comissionou a obra de Coulibeuf.

"Vi toda a documentação sobre Iberê e, ao mesmo tempo, descobri o prédio de Siza, que muito me impressionou. Achei muito interessante o arquiteto fazer o edifício inspirado nele e, com isso, achei que tinha elementos significativos para um filme que relacionasse pintura e arquitetura", disse Coulibeuf à Folha.

No início do mês passado, foram realizadas as filmagens para a nova produção de Coulibeuf, na sede da Fundação Iberê Camargo, inaugurada há cerca de um ano, projeto do arquiteto português Álvaro Siza.

"A forma do prédio me levou a pensar na estrutura do filme, concebido como um labirinto percorrido por dois personagens ficcionais", disse o diretor. Os personagens são interpretados por um ator brasileiro, Mateus Walter, e uma bailarina portuguesa radicada em Berlim, Vânia Rovisco.

Sede da Fundação Iberê Camargo, projeto do arquiteto português Álvaro Siza.

"Como sempre em meus trabalhos, trata-se do olhar de um artista sobre outro artista, portanto não será uma biografia do Iberê. Além do mais, o que eu faço é a transposição de alguma área específica, como a performance ou a dança, para a linguagem do cinema. Agora, o tema será a relação entre a pintura e seu habitat", conta.

Livre para entrar na obra de Camargo, Coulibeuf inspirou-se num momento específico, quando o artista gaúcho, depois de viver no Rio, voltou a Porto Alegre.

"O momento de sua carreira que mais me interessou foi o dos anos 1960, que podemos chamar de 'período obscuro' e que relaciono com minhas próprias obsessões", diz. Nessa fase, Camargo aborda uma temática de fato densa, que mergulha em conflitos fundamentais da condição humana, como a solidão.

A Perda



Fonte: ZH


Xico Stockinger foi velado no Margs


O Brasil perdeu no domingo de Páscoa um dos artistas que consolidaram no país a escultura de matriz expressionista. Francisco Alexandre Stockinger inscreveu seu nome na história da arte nacional ainda nos anos 1960 e 1970 ao dar forma a guerreiros e touros que impressionavam pela sua contundência afirmativa. Não eram esculturas serenas, para se deleitar e achar bonito. Eram personagens rijos, forjados a ferro e madeira. O Rio Grande do Sul perdeu uma das figuras que ajudaram a definir o atual cenário cultural do Estado. Nascido na Áustria, educado em São Paulo, iniciado nas artes no Rio de Janeiro, Xico chegou a Porto Alegre em 1954, aos 35 anos, trilhando o caminho inverso do tradicional – do centro para a província. Em um ambiente em que ainda predominava a arte então dita acadêmica, marcada pelo naturalismo nas representações, o artista foi daqueles que irradiou a vertente moderna. Tendo como referência escultores como Henry Moore, Alberto Giacometti e Constantin Brancusi, construiu figuras que se pautavam por sua imagem impositiva, flertando com o grotesco e a total liberdade das formas. Só mais tarde, trabalhando com mármore, ele se deixou guiar pela sensualidade do abstrato. Porto Alegre perdeu um catalisador de forças criativas. Xico fundou o Atelier Livre da prefeitura, presidiu a Associação Chico Lisboa, dirigiu o Margs. Foi professor e participou ativamente de diferentes debates. Membro do Partido Comunista na juventude, mantinha-se à esquerda, malgrado as constantes desilusões. Compôs com Iberê Camargo e Vasco Prado uma espécie de santíssima trindade das artes visuais no Estado. Os amigos do Xico perderam uma companhia generosa e querida. Às vésperas dos 90 anos, ele já não bebia nem comia com o prazer de antes, mas mantinha aceso o bom humor. Surdo, lia lábios e mantinha conversas agradáveis. Sabia-se um grande narrador de histórias. Gostava de cachorros e gatos, inclusive os vira-latas. Não se envaidecia da posição que ocupava. Trabalhava sempre e todos os dias. Morreu em casa e dormindo.

Touro - anos 60



segunda-feira, 13 de abril de 2009

Carlos Garaicoa - Como harcerse millonario a través del junk mail

lançamento: 15/04/2009, quarta-feira, 19h
exposição: 16/04/2009 a 16/05/2009

A mostra reúne desenhos, lixo eletrônico, uma maquete de papel e dois trabalhos em vidro rememorativo de edifícios. Estas obras abordam conflitos de uma vida contemporânea através do uso de imagens urbanas e arquitetura. O artista cubano também está expondo na X Bienal de Havana.

Instalação de Carlos Garaicoa na Bienal de Havana de 2003.

Local:
Galeria Luisa Strina
Rua Oscar Freire 502 - Cerqueira César
São Paulo / São Paulo / Brasil
55-11-3064-9361
55-11-3088-2471
info@galerialuisastrina.com.br
www.galerialuisastrina.com.br/

horários:
Segunda a sexta, 10-19h; sábados 10-17h

Jorge Macchi – Last Minute

A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta exposição de Jorge Macchi (Buenos Aires, Argentina, 1963), um dos principais nomes da arte contemporânea argentina. Para o Projeto Octógono, o artista apresenta uma instalação realizada em parceria com o músico e compositor Edgardo Rudnitzky, inspirada em um grande relógio que emite o som produzido pelo contato dos ponteiros com o chão. Com curadoria de Ivo Mesquita, curador chefe da Pinacoteca do Estado.

Octógono, Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Iniciado em 2003, o Projeto Octógono Arte Contemporânea pretende ser, no quadro de atividades do museu, um espaço de debate sistemático acerca da produção e das idéias que conformam a contemporaneidade nas artes visuais, sempre sob a curadoria de Ivo Mesquita, Curador Chefe da Pinacoteca do Estado. Para tanto, são apresentados trabalhos inéditos realizados especialmente para o local, bem como remontagens de obras importantes para o conhecimento e difusão da arte contemporânea.

Data do Evento: 18/04/2009 até 31/05/2009
Horário de funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 18h
Preços: R$ 4 e meia-entrada, grátis aos sábados
Serviços: Praça da Luz, 2
Tel.: (11) 3324-1000
www.pinacoteca.org.br
Acessibilidade: Sim
Estacionamento: Pago
Município(s): São Paulo

Morre, aos 89 anos, o escultor Xico Stockinger

Artista morreu na noite do domingo, enquanto dormia. Velório acontece no Museu de Arte do Rio Grande do Sul

Fonte: ZH

Morreu na noite de domingo (12), aos 89 anos, o escultor Xico Stockinger. O austríaco naturalizado brasileiro dormia em sua casa, em Porto Alegre, quando familiares perceberam que ele havia morrido.

O corpo do escultor está sendo velado na Pinacoteca Central do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli, nesta segunda-feira (13). Além do diretor do museu, Cézar Prestes, acompanham a cerimônia os filhos de Xico, Francisco Antônio e Jussara Stockinger, e o artista e curador José Francisco Alves.

O corpo deve ficar no local até às 16h, quando segue para o Crematório Metropolitano.
História Nascido na Áustria, em agosto de 1919, Francisco Alexandre Stockinger criou-se em São Paulo e iniciou-se na escultura no Rio de Janeiro. Transferiu-se para Porto Alegre nos anos 1950.

Estava entre os fundadores do Atelier Livre da prefeitura e foi um dos primeiros diretores do Margs. Depois de ter construído obra importante em xilogravura, ganhou projeção nacional com seus guerreiros em ferro e madeira.
É dele um dos conjuntos de escultura mais famosos de Porto Alegre, instalado na Praça da Alfândega: em pé, Carlos Drummond de Andrade lê para Mario Quintana, sentado em um banco.

Residência Internacional de Criação para Artistas

Estão abertas as inscrições para a próxima residência internacional de criação, organizada pelo Centro Rural de Arte (Buenos Aires, Argentina), dirigida a artistas de teatro, dança, performance, artes visuais, vídeo, cinema, fotografia, literatura, música, investigação sonora, paisagismo e outros meios. Podem inscrever-se artistas individuais ou coletivos de artistas.

Terá lugar na Estación Forestal INTA 25 de Mayo – Argentina, de 14 a 26 de Setembro de 2009. A intenção é possibilitar a formulação de questionamentos entre a produção artística e o desenvolvimento florestal. Os artistas interessados deverão enviar os seus projetos por email para o Centro Rural de Arte até 3 de Junho. Entre os projetos selecionados será dada prioridade à diversidade de disciplinas.

No final do encontro será realizado um CICLO para apresentação de toda a obra produzida ou o trabalho em processo, aberto ao público em geral. Nos meses seguintes será exposta a experiência em diferentes eventos, entre eles o XIII Congreso Forestal Mundial, a decorrer de 18 a 23 de Outubro de 2009 na cidade de Buenos Aires.

Mais informação em: www.centroruraldearte.org.ar
info@centroruraldearte.org.ar

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Os rumos da Bienal em 15 páginas

Curadores da polêmica? Bienal do Vazio? entregam à instituição um extenso relatório com sugestões, rumos e metas

Camila Molina

Foi entregue na tarde de quarta-feira ao presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Manoel Pires da Costa, e ao presidente de seu Conselho Administrativo, Miguel Alves Pereira, um extenso relatório, ao qual o Caderno 2 teve acesso. O texto está assinado pelos curadores da 28ª Bienal de São Paulo, Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen. No mesmo dia, foi realizada na Bienal uma reunião do conselho fiscal para apresentação das contas de 2008.

O relatório faz suas "recomendações" à instituição no que se refere a temas como administração, organograma, financiamentos, captação de recursos e serviço educativo (leia ao lado principais trechos). "A questão será sempre de organização, planejamento e recursos", escreveram os curadores. "Está claro que ela (Bienal de São Paulo) não pode continuar sendo uma benesse dada ao público por uma ação entre amigos, pois trabalha com dinheiro público", afirmaram, ainda, Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen na conclusão de suas 15 páginas.

Esse relatório foi concebido a partir da experiência dos curadores e do material de discussões promovidas pelos seminários durante a última bienal, que ficou conhecida como a Bienal do Vazio, por ter deixado desocupado todo o segundo andar do pavilhão de exposições.

Em breve, ainda sem data definida, haverá uma reunião com todos os conselheiros para a eleição do novo presidente da instituição. O nome cotado é Andrea Matarazzo, secretário de Coordenação das Subprefeituras do município de São Paulo. "É um excelente administrador, ele tem meu convite pessoal", afirmou Pires da Costa. Antes, foi convidado para o cargo o diplomata Rubens Barbosa. Segundo Pires da Costa, Barbosa não aceitou a candidatura porque não teria o apoio formal do poder público.

A entrega de um relatório detalhado sobre a 28ª Bienal estava prevista no projeto curatorial de Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen desde o início do evento, realizado entre 27 de outubro e 6 de dezembro. No relatório, o número de visitantes aparece como 162 mil pessoas.



PRINCIPAIS PONTOS DO DOCUMENTO


UMA DIVISÃO SEM SENTIDO: "No momento, é irrelevante se pode haver conselheiros vitalícios ou não. Antes, a questão é a composição do Conselho, como ele se articula para cumprir os objetivos da Fundação. Se os conselheiros não contribuem financeiramente para as operações da Fundação, conforme propunha o modelo de filantropia que criou o MAM e a Bienal nos anos 1950, então o que cabe ao Conselho é o gerenciamento dos trabalhos da instituição, a busca pela realização de seus objetivos. Assim, parece sem sentido a divisão entre Diretoria Executiva e a Presidência do Conselho."


MAIS EXPERIÊNCIA: "O que parece importante e procedente é uma nova composição do conselho, incluindo não apenas os amantes da arte e da cultura, mas também profissionais experientes como diretores de museus, curadores, artistas, galeristas, acadêmicos, que possam contribuir para um entendimento e uma presença mais orgânica da instituição na sociedade e no meio artístico brasileiro e internacional."


A FIGURA DO SUPERINTENDENTE: "O modelo de organograma que tem no topo um superintendente, no comando de setores e de profissionais para tarefas específicas como a curadoria, o planejamento e o desenvolvimento, a captação de recursos e marketing, produção, imprensa e RP, já foi adotado por gestões anteriores da Fundação. As 17.ª, 18.ª e 19.ª Bienais estão entre as poucas que, por exemplo, não apresentaram problemas de fluxo de caixa 60-90 dias antes da inauguração, graças ao planejamento do projeto."

A QUESTÃO DO ALUGUEL: "O uso do pavilhão para aluguel a feiras e eventos é o que parece garantir a folha de pagamento mensal de cerca de 30 funcionários, dedicados e colaboradores, que hoje trabalham na Fundação. Aparentemente, não há nenhum problema se for dentro de um processo criterioso, e também um meio de obter recursos para a exposição, arquivos históricos, benefícios ao prédio. Entretanto, esse procedimento parece ter gerado entre os funcionários (não todos, é claro) uma mentalidade que prioriza a feira, tomada como regra de organização, e a bienal como a exceção."

O DESGASTE DA IMAGEM: "A prática de realizar a mostra deixando dívidas para o próximo ano, a próxima bienal, não é boa para a imagem da Fundação, nem para o funcionamento de suas operações. Pior, algumas dívidas ficam sempre penduradas como, por exemplo, o prêmio recebido por Martin Puryear, em 1989, que até hoje não foi pago. O fato de a instituição se comprometer com projetos muito superiores à sua capacidade de captação de recursos parece evidente e é uma das causas de maior desgaste da imagem institucional da Fundação Bienal, afetando sua credibilidade como empregadora e pagadora."


PLANEJAR FINANCIAMENTOS: "Ao contrário de outras entidades que já trabalham a partir de estruturas profissionais e planejadas, dentro de programas definidos e regulares, a Fundação não tem quadros nem planejamento para esse setor, tão regulado e com dinâmica própria. Tampouco tem um cronograma adequado às suas atividades. Quando sai em busca de patrocínio para seus projetos, a Bienal sai em desvantagem, pois não pode oferecer um serviço regular ao patrocinador interessado. Faz isso apenas uma vez a cada dois anos. Por essa razão, ela muitas vezes recebe o que sobra de uma quantia anual definida pelas empresas."


MANTER A PERIODICIDADE: "De tempos em tempos surge a ideia de que a bienal deveria ser transformada em trienal ou quadrienal. O maior espacejamento entre as mostras não resolve questões financeiras e eventuais crises institucionais. Ao contrário, seria mais difícil ainda a captação de recursos. Apenas daria maior respiro entre o sufoco de duas exposições."

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Procura-se

fonte: Coluna Mônica Bergamo

Uma Bienal à procura de um presidente: Andrea Matarazzo, secretário das Subprefeituras de São Paulo, pode assumir o comando da fundação, depois de o cargo ter sido recusado por outras personalidades.

Matarazzo, no entanto, quer conhecer mais de perto os números da Fundação Bienal, que estaria mergulhada em dívidas, situação oficialmente negada pela atual gestão. Ele deve se reunir hoje com o conselho fiscal da entidade para analisar melhor a situação. Matarazzo se limita a dizer que está "estudando o assunto".

terça-feira, 7 de abril de 2009

Ricardo Basbaum abre hoje individual na Luciana Brito

por Silas Martí da Folha de S. Paulo

Uma estrutura metálica, espécie de jaula vigiada por câmeras, toma todo o espaço da galeria Luciana Brito (r. Gomes de Carvalho, 842, tel. 3842-0634). A instalação de Ricardo Basbaum, obra central da individual do artista aberta hoje, força o público a fazer uma performance compulsória, à medida que avança pelo corredor e dribla os obstáculos no chão.

Ricardo Basbaum, membranosa-entre (NBP)

"A estrutura tem um chamado ao corpo", diz Basbaum, 48. "Tudo tem uma noção de ritmo, de corpo."
Retomando ideias de sua obra na Documenta de 2007, uma série de salas construídas com grades metálicas, o que muda é o caráter mais violento da nova obra. "A estrutura de metal é agressiva, mas não ostensiva. Tem também sua sedução", diz o artista. "O trabalho abriga, mas ao mesmo tempo faz tropeçar, propõe limites, conformações ao corpo."
Com um diagrama na parede que lembra células e suas membranas, Basbaum tenta reforçar aqui a conexão entre biologia e arquitetura, a percussão natural e as batidas contra grades de ferro.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Maior bienal do Oriente Médio espelha a crise

Região revê ambição de ser novo centro da arte; construção de filiais do Guggenheim e do Louvre está sob ameaça

Mostra de Charjah vai até maio nos Emirados Árabes, com curadoria da portuguesa Isabel Carlos; artistas desta edição exploram o silêncio

por Silas Martí da Folha de SP

Cinco vezes por dia, os chamados à reza quebram o silêncio de Charjah, emirado vizinho a Dubai, espécie de primo pobre à sombra de suas torres alucinantes de ferro e vidro. É uma comoção programada, indecifrável a ouvidos ocidentais, que acompanha a trilha sonora de música estridente do porto.
No pátio de uma construção à beira do golfo Pérsico, 44 alto-falantes berram por silêncio. É o sibilo que acompanha o gesto de levar o dedo indicador aos lábios, som sem sexo nem idade, que os brasileiros Valeska Soares e a dupla O Grivo gravaram para a instalação que mostram na 9ª Bienal de Charjah. "Muito aqui é não dito, muito se cala", diz a portuguesa Isabel Carlos, 47, curadora da mostra. "Aqui, você fica atento ao som."
Na cidade onde as crianças ainda jogam bola na rua e as mesquitas, na hora marcada, acumulam pilhas de sapatos nas portas -sinais de vida real ausentes de Dubai-, acontece o mais importante evento de arte contemporânea do Oriente Médio, marcado para coincidir com a Art Dubai, feira de arte no emirado mais rico, encerrada há duas semanas, que em tudo contrasta com a vida e a arte ditas mais verdadeiras.
Na febre construtiva que só arrefeceu com a crise econômica, os Emirados Árabes Unidos colecionam projetos de arquitetos estrelados e planejam abrigar em Abu Dhabi filiais do Guggenheim e do Louvre, um projeto de Tadao Ando e uma sala de concertos de Zaha Hadid -esta última suspensa por causa da escassez de crédito.
Não é segredo, também, que muito mais deve parar em breve. Os canteiros de obra, antes com operários estendendo turnos madrugada adentro, agora andam vazios, e carros abandonados juntam pó nas ruas fervilhantes de Charjah e Dubai.

Grito silencioso
Por isso, os sussurros. Incomodados com a certeza do fim, artistas da Bienal fizeram obras caladas, ou jogaram com o som numa terra que alardeia bonanças e disfarça protestos. Sheela Gowda, artista indiana entre as mais reconhecidas no cenário internacional, montou uma rede de canos de ferro, labirinto em que cada ponta emite versos e frases em línguas desconhecidas, quase inaudíveis de tão baixo.
Do lado de fora do museu, transformou uma rua da cidade desértica em espelho d'água: um grito silencioso, denúncia da ostentação tão cara aos príncipes e sultões. No subsolo do museu, numa sala quase escondida do público, outro tumulto afônico. O britânico David Spriggs desenhou um ciclone gigantesco em 160 camadas de acrílico, como se congelassem a força do furacão.
"Gosto da ideia de uma forma muito bela, que é ao mesmo tempo destrutível", diz Spriggs, 30. "É um símbolo dessa região, tem a ver com esse momento."
Mais feroz, a polonesa Agnes Janich criou um labirinto de cães. Latidos orientam os visitantes por corredores que terminam em projeções de cachorros mostrando os dentes. Seria uma alusão à maneira como animais foram melhor tratados do que as vítimas do Holocausto detidas em Auschwitz, mas aqui remete às mordaças do dia a dia, das burcas ao controle quase total do Estado sobre a imprensa e a cultura.
É o esforço sem trégua de criar para o mundo uma imagem que se esfacela diante de quem abre os olhos. Nada mais contundente nesse sentido do que a instalação da italiana Lara Favaretto: um cubo branco feito de confete, perfeito à distância, mas que, visto de perto, está prestes a desmoronar.

Sai lista dos 21 artistas selecionados no Prêmio Energias na Arte

Artistas selecionados:

* Adriano Woellner (Curitiba –PR)
* Ana Carolina de Leos Sario (São Paulo – SP)
* Ana Elisa Egreja (São Paulo – SP)
* Ana Laura Duarte Martins Estaregui (São Paulo – SP)
* Ana Luiza Flores Cople (Volta Redonda – RJ)
* André Alessandrini Feliciano (São Paulo – SP)
* André Ricardo de Almeida (São Paulo – SP)
* André Sztutman (São Paulo – SP)
* Camila Mifano Marcondes Nassif (São Paulo – SP)
* Carla Chain (São Paulo – SP)
* Fernanda Barros Barreto (São Paulo – SP)
* Flávia Junqueira Ângulo (São Paulo – SP)
* Flora Rebollo (São Paulo – SP)
* Giovanni Ferreira de Souza (Porto Alegre – RS)
* Gustavo Nóbrega (São Paulo – SP)
* Iuri Tavares de Souza Casaes (Rio de Janeiro – RJ)
* Luar Maria Escobar (Rio de Janeiro – RJ)
* Lucas Foianesi Arruda (São Paulo – SP)
* Luciana Paiva Pinheiro (Brasília – DF)
* Marcela Rebelo Tiboni (São Paulo – SP)
* Renata De Bonis (São Paulo – SP)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Bienal de Veneza terá obras de Lygia Pape

Fonte: Folha de SP

A organização da Bienal de Veneza divulgou os artistas que vão participar da 53ª edição da mostra, uma das mais importantes do mundo em artes plásticas. O evento é aberto em 4 de junho, para convidados, e segue até 22 de novembro.
Lygia Pape (1927-2004) é o novo nome brasileiro presente na exposição principal. Öyvind Fahlström (1928-1976), nascido em SP mas radicado na Suécia, também está na seleção. De artistas radicados no Brasil, a seção principal de Veneza inclui obras de Cildo Meireles, Sara Ramo e Renata Lucas. Entre os outros nomes de destaque presentes na mostra, estão a francesa Dominique Gonzalez-Foerster, o italiano Alessandro Pessoli e a americana Miranda July.

Narração é trunfo de documentário

por Fábio Cypriano da Folha SP
Atração do É Tudo Verdade, "Cildo", de Gustavo Moura, apresenta trajetória de artista por meio de suas destacadas obras

"Desvio para o Vermelho", instalação de Cildo Meireles que pertence ao acervo do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG)

Existe uma tendência na produção de documentários sobre arte e artistas contemporâneos que muitas vezes usa as obras desses artistas como mera escada para ressaltar a visão ou mesmo a opinião de seu diretor, uma espécie de sequestro "bem-intencionado". Felizmente, esse não é o caso de "Cildo", de Gustavo Moura, que hoje é exibido pela primeira vez em São Paulo. No documentário, existe um imenso respeito e admiração por Cildo Meireles, o artista-tema do filme, que se revela por meio de suas longas falas, muito mais significativas que as demais participações. Quem já conviveu um pouco com Cildo sabe que o artista é um grande contador de histórias, um narrador nos moldes a que Walter Benjamin se referiu em seu antológico texto que aborda esse assunto. "A experiência que passa de pessoa a pessoa é a fonte a que recorreram todos os narradores", escreveu Benjamin, em 1936. Por isso, não deixa de ser reveladora a maneira como Cildo sempre conta uma história, ao longo do filme, para explicar sua forma de criação. A memória de ter visto de sua janela, quando criança, um andarilho que durante a noite montou uma casa perfeita em miniatura e que pela manhã abandonou tudo, por exemplo, é apresentada pelo artista como um fato emocionante e que o teria motivado a escolher a formação em artes plásticas. Em alguns casos, vê-se até o artista recontando algumas de suas histórias, uma forma de reforçar essa vertente narrativa. É por meio dela, afinal, que se compreende melhor a experiência que Cildo propõe em cada uma de suas obras -várias delas, ao menos dez- muito bem apresentadas ao longo do documentário. Entre elas, estão desde aquelas vistas em 2006 na Estação Pinacoteca, em São Paulo -como "Babel", "Marulho" e "Cruzeiro do Sul"-, até "Desvio para o Vermelho" -uma de suas obras mais conhecidas, do acervo do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Outras não são tão famosas, como "Liverbeatlespool", uma instalação sonora com música dos Beatles. Também é significativo o trecho utilizado de um outro filme sobre Cildo, dirigido por Wilson Coutinho (1947-2003), em 1979, no qual é explicada, de forma hilária, a obra "Inserções em Circuitos Ideológicos". Cildo é sem dúvida um dos protagonistas da cena contemporânea nacional, como atesta a grande repercussão que obteve sua individual na Tate Modern, em Londres -encerrada em janeiro passado-, onde, aliás, estreou "Cildo". Com o documentário, sua obra, tão pouco vista frente à precariedade dos museus brasileiros, ganha nova visibilidade.

CILDO
Direção: Gustavo Moura
Quando: hoje, às 21h, e amanhã, às 15h, no Cinesesc; sex., às 13h, no CCBB
Classificação: não indicado a menores de 14 anos Avaliação: ótimo