quarta-feira, 27 de maio de 2009

Nelson Leirner relê obra política dos anos 60


por Mario Gioia da Folha de S.Paulo

É uma mostra pequena, com apenas oito trabalhos, mas consegue deixar clara a obra provocativa de Nelson Leirner, 77. "Ocupação Nelson Leirner" inaugura uma série de exposições especialmente produzidas para o Itaú Cultural, que vai enfocar artistas que sirvam de referência a gerações mais novas.

Leonardo Wen/Folha Imagem
Retrato do artista plástico Nelson Leirner, 77, na galeria do Itaú Cultural, em São Paulo

Já estão confirmadas "ocupações" do diretor teatral José Celso Martinez Corrêa e do artista Abraham Palatnik, que irão acontecer no segundo semestre na instituição.

Leirner começou a ficar conhecido no final dos anos 60, sendo um dos precursores do happening no Brasil e produzindo trabalhos que ironizam o sistema de arte. O artista também produziu obras de forte teor político, como "O Porco" (1966), presente no Itaú.

"O Porco" e outros três trabalhos importantes de Leirner dos anos 60 -"Homenagem a Fontana 2" (1967), "Matéria e Forma - Tronco e Cadeira" (1964) e "Stripencores" (1968)-- ganharam reletituras feitas pelo artista neste ano.

"As obras são muito emblemáticas dentro da minha produção", conta Leirner. "Ao mesmo tempo, quis dar visibilidade a "Tronco e Cadeira", que é muito menos conhecida e tão importante quanto "O Porco"."
Em 1967, o artista foi muito criticado quando exibiu em Brasília "O Porco", objeto-escultura com um porco empalhado dentro de um engradado de feira. "Hoje tudo é menos ideológico", avalia ele.

Entre as ironias propostas por ele, estão plotagens da tela "Homenagem a Fontana". "A obra inicial foi feita para mexer, mas hoje não é permitido. Por isso multipliquei-a por quatro."

OCUPAÇÃO NELSON LEIRNER
Quando: abertura nesta quarta-feira (27), às 20h (convidados); de ter. a sex., das 10h às 21h, e sáb., dom. e feriados, das 10h às 19h; até 28/6
Onde: Itaú Cultural (av. Paulista, 149, tel. 2168-1776); livre
Quanto: entrada franca

terça-feira, 26 de maio de 2009

French Pavilion - La Biennale di Venezia



Le Grand Soir - Claude Lévêque
June 7 - November 22, 2009

Curator: Christian Bernard

French Pavilion
53rd International Exhibition of Art
La Biennale di Venezia



Claude Lévêque | Le grand soir | 2009
Néon blanc - 200 x 177 cm | 3 exemplaires - Photo Charles Duprat
© ADAGP Claude Lévêque | Courtesy the artist and kamel mennour, Paris

Bienal do Mercosul (Porto Alegre/RS) realiza convocatória aberta a artistas



A 7ª Bienal do Mercosul - Grito e Escuta, em cartaz de 16/10/09 a 29/11/09 em Porto Alegre (RS), realiza uma convocatória aberta a artistas interessados em participar da mostra “Projetáveis / Proyectables / Projectables”. Artistas de todo o mundo podem apresentar projetos para a mostra, uma das sete da Bienal do Mercosul e agendada para o Santander Cultural. As inscrições ficam abertas de 22/05/09 a 10/07/09. O regulamento está no website www.bienalmercosul.art.br/projetaveis.
Essa seção da 7ª Bienal, concebida pelo curador-adjunto e artista Roberto Jacoby, se propõe a explorar a materialização e localização específica dos projetos que utilizam a www como canal além das fronteiras geográficas ou de suportes finais. Os “Projetáveis” são peças bytes + atoms, formas híbridas que viajarão pela internet para serem baixadas ou transmitidas em tempo real, via streaming, para em seguida integrarem a exposição na 7ª Bienal.
Os projetos apresentados podem ser visuais (fotografias, imagens, slide shows, sombras, vídeos, filmes de curta, media ou longa metragem, animações, vídeo-instalações, flashes), sonoros ou performáticos (VJ e DJ, performances, conferências), ou outros meios (páginas web e jogos interativos), etc. Os projetos devem ser "projetáveis" em monitores, telas ou objetos.

Mais informações:

www.bienalmercosul.art.br e projetaveis@bienalmercosul.art.br.

INHOTIM ABRE PAVILHÕES EM OUTUBRO

Além da escultura de Chris Burden, o Instituto Inhotim planeja inaugurar em outubro uma série de pavilhões de outros artistas de peso, quase dobrando seu tamanho atual.
Até lá, as brasileiras Valeska Soares e Rivane Neuenschwander, a canadense Janet Cardiff, o norte-americano Matthew Barney e o argentino Jorge Macchi devem ganhar seus próprios espaços no centro de arte contemporânea em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte.
Para marcar as aberturas, o Instituto Inhotim planeja também um ciclo de palestras, que deve trazer, entre outros, o curador suíço Hans Ulrich Obrist, da Serpentine Gallery, de Londres, ao país.

Artista plástico Arcangelo Ianelli morre em São Paulo

Notícia foi confirmada pelo Hospital Israelita Albert Einstein.
Morte aconteceu na manhã desta terça, por falência múltipla de órgãos.

Do G1, em São Paulo


Sérgio Castro/AE - 06/04/01
Artista ao lado de sua escultura "Dança branca oval", no Parque da Aclimação

Em nota oficial divulgada nesta terça-feira (26), o Hospital Israelita Albert Einstein informou a morte do artista plástico Arcangelo Ianelli, ocorrida às 8h, por falência múltipla de órgãos.

Autodidata, Ianelli estudou na Associação Paulista de Belas Artes e também foi aluno de Colette Pujol, no começo da década de 1940. Durante os anos 50, formou o Grupo Guanabara, ao lado de artistas como Manabu Mabe, Jorge Mori, Tikashi Fukushima e Wega Nery, entre outros.

Ianelli começou a aventurar-se dentro da arte abstrata a partir de 1961, passando por diferentes fases – com um trabalho expressivo na abstração geométrica a partir dos anos 70, quando também começa a atuar como escultor.

Suas obras fazem parte do acervo de museus na América do Sul, México, EUA, Canadá, Itália, Japão e Alemanha, além de já ter exposto ao longo de seus mais de 60 anos de carreira na Europa, Ásia e Américas.



ENTREVISTA: Heitor Martins - candidato único a presidência da Bienal

"Déficit não é tão absurdo", diz candidato à presidência da Bienal

por Fábio Cypriano da Folha de S.Paulo

Mesmo sendo eleito nesta quinta, o empresário Heitor Martins só deve tomar posse após um período de transição de no máximo dois meses, para a captação de R$ 1,8 milhão, de acordo com a carta enviada ontem, pelo candidato, aos conselheiros da Fundação Bienal. A eleição do presidente depende da aprovação do conselho, que se reúne a portas fechadas e define as regras da votação, por exemplo, se será por unanimidade ou maioria simples. Não há quórum mínimo.

"Vamos trabalhar já, mas fazer uma transição que não seja uma ruptura", disse Martins à Folha, cercado de obras de artistas contemporâneos como Lygia Clark, Tunga e Jac Leirner, além de modernos como Volpi e Pancetti, todos de sua coleção. Entre as propostas do candidato, aliás, está reforçar a presença da arte brasileira na Bienal. Leia a seguir.

Folha - O que levou o sr. a ser candidato a presidência da Bienal?
Heitor Martins - Foi uma combinação de fatores. Tenho uma grande afinidade com o tema, desde criança me entusiasmei com artes plásticas. Quando universitário, tive um pôster da mostra "Tradição e Ruptura" [realizada na Bienal, em 1984] no quarto. Eu visitava as bienais, depois passei a colecionar e, quando morei na Argentina, fiz um curso livre na Faculdade de Belas Artes. Poucas instituições culturais no Brasil têm 60 anos, como a Bienal, e a sua importância, na divulgação da arte, é evidente, comparável somente ao MoMA [Nova York], à Bienal de Veneza, à Documenta de Kassel, ao Centro Pompidou [Paris]. Contribuir com uma entidade que tem essa história é um chamado ao qual não se pode recusar.

Folha - Quem o convidou para ser candidato?
Martins - Foi o Jorge Wilhem, que conheci por conta da Fundação Nemirovsky, com a qual eu contribuí. Ele me indicou há uns três meses, mas, quando surgiu a candidatura do Andrea Matarazzo [secretário da Coordenação de Subprefeituras de São Paulo], eu achei que ele tinha condições. Com a desistência dele, fui procurado também pelo Julio Landmann [conselheiro da Bienal] e aceitei.

Folha - E o sr. procurou se inteirar da situação financeira da Bienal?
Martins - A questão da situação da Bienal ganhou dimensão exagerada. Objetivamente ela é simples. O déficit da Bienal passada se transformou num endividamento de R$ 4 milhões, que não é um valor tão absurdo. A questão para mim foi entender isso e montar uma boa equipe que possa superar esse problema e colocar a Bienal nos trilhos novamente.

Folha - É isso que o sr. faz em sua empresa de consultoria?
Martins - Trabalho numa empresa de consultoria estratégica, que tem como clientes empresas que querem crescer. Para mim, a questão na Bienal é isso, não olhar para o passado, mas acertar os recursos para ela voltar a florescer. Posso dizer que 80% do tempo que já gastamos é em pensar como levar a Bienal para frente, qual equipe, como organizar, que tipo de aspiração.

Folha - O sr. leu o relatório do Ivo Mesquita para pensar sua proposta?
Martins - Sim. O que temos tido como questão central é a ideia de "refazer" e, é claro, isso só pode ser em cima das bienais anteriores. Nos últimos anos se abriu um debate sobre o papel das bienais e como elas devem ser geridas, mas a segunda questão deve estar baseada na primeira. Vamos repensar a Bienal, na gestão, nos recursos, na relação com o governo, a sociedade. Nossa gestão é dar continuidade ao debate. A última Bienal, no entanto, teve um debate mais intelectual, e o que queremos é que esse debate seja plástico. Também queremos que a arte brasileira tenha uma presença ainda maior, e que se pense na produção internacional tendo a produção nacional como referência.

Folha - Mas isso não é um debate para o curador?
Martins - Sim. E como nossa agenda está apertada, já que não queremos prorrogar a Bienal para 2011, mas mantê-la em 2010 -afinal, esse é o objetivo da instituição e, se ela não o cumpre, perde o sentido-, nós vamos indicar uma equipe de curadores logo. Mas não queremos curadores que já trabalharam na Bienal de São Paulo, queremos um novo olhar.

Folha - E quanto à Bienal de Veneza, a Bienal de São Paulo deve continuar indicando os representantes do pavilhão brasileiro?
Martins - Creio que sim. Nossa diretoria gostaria de manter essa tradição e, por isso, estamos integrando essa representação em nosso projeto. Já que queremos abordar a arte brasileira como referência no contexto internacional, Veneza é um ponto estratégico, e gostaríamos que os curadores que organizarem São Paulo indicassem a representação de Veneza já na própria proposta.

Folha - Qual será seu maior desafio, na sua opinião?
Martins - Temos três objetivos: resolver a situação financeira, viabilizar a 29ª Bienal em 2010 e preparar as bases para um projeto continuado. A Bienal tem um efeito fênix, a cada novo presidente ela morre e tem que recomeçar. Queremos uma fórmula de estabilidade, fortalecendo o modelo de gestão, que precisa quer uma relação estreita com a sociedade. Vamos trazer uma agenda positiva, e creio que, com isso, os recursos virão, mas é preciso entusiasmar a sociedade.

Candidato promete "agenda positiva" para Bienal

por Fábio Cypriano da Folha de S.Paulo

O empresário Heitor Martins, até agora único candidato à presidência da Fundação Bienal de São Paulo, encontra-se nesta terça-feira (26) com o ministro da Cultura, Juca Ferreira. A reunião sugere que dificilmente outro candidato terá chance na eleição, marcada para quinta-feira.
"Martins saberá conduzir a Fundação Bienal em sua missão fundamental no desenvolvimento das artes visuais do país, num momento excepcional de visibilidade internacional dos artistas brasileiros da área", divulgou o Ministério da Cultura, na semana passada, em nota de apoio inédito a um candidato na história da Bienal.

Danilo Verpa/Folha Imagem
O empresário Heitor Martins, candidato único à presidência da Bienal, em sua casa, em SP

Sucedendo três gestões de Manoel Francisco Pires da Costa, marcadas por crises, Martins, 41, chegará à instituição com um perfil técnico, quando muitos ex-presidentes usaram a instituição para melhorar a imagem. "Não vou ser a mesma coisa", disse Martins em entrevista exclusiva à Folha, no domingo, em sua casa, perto do Jóquei Clube de SP.

As dívidas da Bienal, em torno de R$ 4 milhões, não assustam o candidato: "Traremos uma agenda positiva. Creio que com isso os recursos virão".

Nesta segunda-feira (25), Martins enviou uma carta aos conselheiros da Bienal com suas propostas, que incluem a realização da Bienal em 2010 --o que, para a atual gestão, estava quase descartado por problemas financeiros e atrasos-- e os nomes de sua diretoria. Entre estes, o ex-presidente da Bienal do Mercosul, Justo Werlang, o crítico e colecionador Miguel Chaia e o advogado Salo Kibrit.

"Nosso maior desafio está no fortalecimento do modelo de gestão e no aprimoramento da relação com a sociedade", disse.

Na carta, segundo a Folha apurou, são sugeridos conselheiros para a instituição, todos empresários ligados ao colecionismo, que se tornam importantes apoios para a eleição: Suzana Steinbruch, José Olympio Pereira, Alfredo Egydio Setúbal, Milú Villela, Carlos Jereissati Filho, Paulo Sérgio Coutinho Galvão Filho e Tito Enrique da Silva Neto. O banqueiro Roger Wright, morto em acidente de avião na última sexta, também estava na lista.


Instituições de arte paulistanas vivem crise permanente


por Fábio Cypriano da Folha de S.Paulo


A crise que ronda a Fundação Bienal não é muito distinta da situação pela qual passam outras instituições de arte paulistanas, como o Masp (Museu de Arte de São Paulo) e o MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo).
Criados no mesmo período, o Masp (1945, por Assis Chateaubriand), o MAM e a Bienal (1948 e 1951, por Ciccillo Matarazzo) têm modelo de gestão centralizador e personalista, como foram seus mecenas fundadores.
Chateaubriand e Matarazzo construíram impérios com boas assessorias, mas profissionais da arte nunca foram incorporados a tais instituições. Com a morte de ambos, os museus e a Bienal ficaram com estruturas frágeis, dependentes de personalidades fortes. Quando Edemar Cid Ferreira assumiu a Bienal, por exemplo, injetou dinheiro e recolocou-a no circuito mundial.
Sem tal cacife, o empresário Manuel Francisco Pires da Costa dependeu de verbas governamentais, mas, com suas confusões administrativas, contratando parentes e usando sua empresa para criar a revista da instituição, perdeu legitimidade e aporte financeiro, levando a Bienal à sua mais séria crise.
Renovar a estrutura dessas instituições ajudaria a imunizá-las contra as crises. Foi o que propôs Ivo Mesquita, curador-chefe da última Bienal: "Importante e procedente é uma nova composição do conselho, incluindo [...] profissionais experientes como diretores de museus, curadores, artistas, galeristas, acadêmicos, que possam contribuir para um entendimento e uma presença mais orgânica da instituição na sociedade e no meio artístico brasileiro e internacional".

quinta-feira, 21 de maio de 2009

ARTIGO: SAIU NA FOLHA

Crítica/"Estética Relacional" e "Pós-Produção"

Bourriaud analisa artes plásticas sem temor nem preconceito

Obras fundamentais sobre a produção contemporânea, no entanto, chegam atrasadas ao país

Por Fábio Cypriano

Finalmente, dois livros fundamentais sobre a produção contemporânea em artes plásticas são publicados no Brasil: "Estética Relacional", de 1998, e "Pós-Produção", de 2004, ambos do crítico e curador francês Nicolas Bourriaud.
O primeiro, já um clássico, é dos poucos livros que olha a produção dos anos 90 sem preconceito, por alguém que acompanhou de perto toda uma geração, especialmente como curador, e conseguiu traçar linhas comuns. No geral, livros com tal ambição estão mais ocupados em detratar a arte contemporânea em vez de compreendê-la.
Em 1998, Bourriaud partiu de um grupo de artistas, hoje quase todos estrelas de grandes mostras ou bienais, como Dominique Gonzalez-Foerster, Pierre Huyghe, Rirkrit Tiravanija e Maurizio Cattelan, e percebeu que, em todos, a ideia de arte como um campo de trocas é comum. Com isso, o crítico francês chegou à definição da estética relacional como "uma arte que toma como horizonte teórico a esfera das relações humanas e seu contexto social mais do que a afirmação de um espaço simbólico autônomo e privado".
Tal conceituação amparou-se ainda na produção de artistas que se tornaram referência nos anos 90, como o cubano Felix Gonzalez-Torres, e os americanos Gordon Matta-Clark e Dan Graham, entre outros.
Não à toa Bourriaud foi um dos conferencistas da 27ª Bienal de São Paulo, "Como Viver Junto", de 2006, que exibiu vários dos artistas abordados em "Estética Relacional". Centrada nas ideias de Hélio Oiticica, contudo, a própria Bienal tornou clara uma das deficiências centrais da produção de Bourriaud -seu total desconhecimento da obra de Oiticica, um precursor da arte como estado de encontro, um dos pilares da estética relacional.
Já o livro "Pós-Produção", mais recente, continua o raciocínio de "Estética Relacional" sob nova ótica. Enquanto no primeiro volume o foco está no aspecto de convivência e interação da arte contemporânea, o segundo trata das formas de saber que constituem essa produção, especialmente aquelas vinculadas à estrutura em rede da internet, que geram um infinito campo de pesquisa para os artistas.

Reorganizar elementos
Assim, as práticas contemporâneas não estariam mais preocupadas com a ideia de original, singular, e sim em como reorganizar elementos já existentes, dando a eles novos sentidos, o que, obviamente, tem uma relação forte com os "ready-mades" de Marcel Duchamp, cuja "virtude primordial", segundo o autor, é o estabelecimento de "uma equivalência entre escolher e fabricar, entre consumir e produzir".
Esse procedimento pós-produtivo, então, seria a marca fundamental do processo de produção contemporâneo. Essas ideias de Bourriaud, contudo, já fazem parte da recente historiografia da arte contemporânea e influenciaram a organização de várias mostras pelo mundo. Aqui elas chegam um tanto atrasadas.
Tanto que, há duas semanas, o próprio Bourriaud encerrou sua curadoria na Trienal da Tate, denominada "Altermodern", criando aí uma nova forma de pensar a produção contemporânea.
Não há dúvida de que Bourriaud é dos poucos que não têm medo de pensar a arte hoje. A questão é que ele transforma sua reflexão na mesma velocidade das estações de moda o que, afinal, é mesmo um sintoma desses tempos.

SAINT CLAIR CEMIM EM SP

Escultor Saint Clair Cemin ganha retrospectiva em São Paulo

por Silas Marti da Folha de S.Paulo

Três graças se juntam num passo de dança, mas uma é cubista, outra futurista e a terceira rococó, o que faz o baile descambar para um samba do crioulo doido. Na retrospectiva do escultor Saint Clair Cemin, que o Instituto Tomie Ohtake abre nesta quinta-feira, fica evidente a polifonia, para o bem ou para o mal. "Eu uso estilos como quem usa cores", resume Cemin, 57.

WITNESS - White lackered - stainless steel | 326 cm X 48 cm X 90 cm | 2008

"Cada estilo é uma janela para mais possibilidades artísticas." No bronze síntese da exposição, a tela renascentista de Rafael, ou a escultura neoclássica de Antonio Canova, com as três graças em harmonia perfeita, acabam traduzidas no cozidão de estilos de Cemin, capaz de juntar Aleijadinho a Joseph Beuys.
Logo na entrada, uma obra em gesso é pretexto para exibir o virtuosismo do escultor, que executa um panejamento em sentido clássico, ou seja, a representação pétrea das dobras e pregas do tecido. Mais adiante, resíduos formais de surrealistas como Salvador Dalí vão ressurgir numa espada molenga, tentáculos de um molusco metálico e uma cadeira gigantesca, de encosto alongado e pernas bambas.
O barroco de Aleijadinho é revisto em duas figuras que se atraem e repelem ao mesmo tempo. Em aço inoxidável, reluzente até não poder mais, "O Pensador" de Rodin ganha releitura à luz de Takashi Murakami. Uma cadeira de ferro, refletida à exaustão por um jogo de espelhos, é aceno ao conceitualismo de Joseph Kosuth.
"A falta de uma linha contínua tem sido a única linha contínua no meu trabalho", admite Cemin, que se define "onívoro em termos de arte". É a deixa para aludir ao "metabolismo elétrico, digital" de "Computer", escultura em madeira rústica com um nó de troncos retorcidos, índice dessa digestão de influências.
Cemin, artista "sem estilo", parece mostrar mastigados conceitos-chave da produção escultórica moderna. Sua retrospectiva escancara o método antropofágico por trás do trabalho e toma ares de mostra coletiva, como se tentasse reunir o melhor representante de cada período, embaralhando forma, conteúdo e ornamento.
Arrancando outra mordida, agora na literatura, parece evocar o poema em que T.S. Eliot escreveu: "O tempo presente e o tempo passado / Talvez ambos estejam presentes no tempo futuro, / E o tempo futuro contido no tempo passado". De um monte de areia no meio do espaço expositivo, surge uma roda de bronze, a forma liberta da matéria amorfa. Com o nome "Childhood", ou "infância", atravessa tempos, do embrião à fixidez da forma final, juntando todas as épocas, de Eliot e Antonio Canova aos dias de hoje, ontem e amanhã.


Esta é a primeira grande exposição do artista no Brasil, desde sua mostra individual em 2006. Radicado em Nova York e Paris, o gaúcho já participou da Documenta de Kassel, Bienal do Mercosul e Bienal de São Paulo.

SAINT CLAIR CEMIN

Quando: abertura hoje, às 20h; ter. a dom., 11h às 20h; até 5/7

Onde: Instituto Tomie Ohtake (r. Coropés, 88, tel. 2245-1900)

Quanto: entrada franca


BIENAL DO MERCOSUL ADIADA

Bienal do Mercosul será aberta no dia 16 outubro
A sétima Bienal do Mercosul, que seria inaugurada em setembro, foi adiada e será realizada entre os dias 16 de outubro e 29 de novembro deste ano, em Porto Alegre.
As exposições ficarão abertas ao público durante 45 dias, no Armazéns do Cais do Porto, no Santander Cultural, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul e em espaços públicos da cidade.
Cerca de 70% das obras serão produzidas pelos artistas especialmente para esta bienal. A lista completa dos participantes será divulgada no início de julho.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Heitor Martins deve assumir a Fundação Bienal



Consultor apresentará sua candidatura na próxima reunião do conselho da entidade

Camila Molina do Estadão


O consultor Heitor Martins, de 41 anos, deverá ser o próximo presidente da Fundação Bienal de São Paulo. Ontem, ele anunciou que aceita o convite para se candidatar ao cargo de presidente da diretoria executiva da Bienal, se tornando, portanto, o único candidato oficial. A reunião ordinária do conselho está marcada para o dia 28 e nela já ocorrerá a eleição. Martins é paulista de Marília, sócio-diretor da empresa internacional de consultoria McKinsey e estudou na Fundação Getúlio Vargas. Ele já tem proposta de trabalho preparada para a instituição, equipe e projeto para realizar a próxima Bienal de São Paulo em 2010.

"Ele tem algumas condições, entre elas, a de acertar uma presidência de transição", diz o conselheiro Julio Landmann. Ele seria eleito já no dia 28, mas durante 60 dias sua equipe trabalharia com a equipe atual da Bienal para "equacionar as contas". "Há outras solicitações, mas a transição é uma maneira de fazer acertos", afirma Landmann. Martins está atualmente na Europa, mas, segundo o presidente do conselho da Bienal, Miguel Alves Pereira, o consultor já enviaria nesta semana sua proposta de trabalho para ser apreciada pelos 60 conselheiros (10 deles vitalícios) e discutida na próxima reunião.

O cargo de presidente da Bienal está oficialmente vago desde 6 de fevereiro, quando, pelo estatuto, terminou a gestão de Manoel Pires da Costa. As contas do ano de 2008 da fundação, com déficit contábil de R$ 2,891 milhões, foram aprovadas no último dia 5 pelos conselhos fiscal e administrativo. Pires da Costa continua respondendo pelo cargo até a eleição. Desde o ano passado, a instituição convidou oito pessoas (incluindo Martins) a se candidatar à presidência, entre eles, o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, e o diplomata Rubens Barbosa. "Não há outro candidato oficial, mas pode ser que algum conselheiro apresente candidato durante a reunião", pondera Landmann.

Martins é casado com Fernanda Feitosa, diretora e idealizadora da SP Arte - Feira Internacional de Arte de São Paulo que, neste ano, em sua quinta edição, ocorreu até domingo no Pavilhão da Bienal (o evento tem contrato até 2015 para ocorrer no prédio). Colecionadores de arte, eles têm grande trânsito no meio artístico. "Eu seria a pessoa adequada porque poderia reunir recursos para a instituição. Mas quem quer que assuma que tenha um projeto para a fundação andar", afirmou Martins ao Estado.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

'Ninguém quer presidir a Bienal? Como? Eu quero!', diz Forest



O artista francês de 75 anos propõe edição feita pela internet e começa sua campanha por meio de site

por Camila Molina do Estadão

"Não são políticos, cientistas, ou os financistas das Bolsas de Valores que vão resolver os problemas da Bienal de São Paulo. Ela precisa de sentido e são os artistas que portam os sentidos." Enquanto ninguém aceita se candidatar à presidência da Fundação Bienal de São Paulo - o tempo passa e fica o jogo do empurra-empurra -, um artista de outro país, o franco-argelino Fred Forest, de 75 anos, lança agora sua candidatura ao posto. "Não preciso de dinheiro porque faço a próxima edição pela internet", diz Forest, que criou um site, Campanha para uma Nova Bienal, para alimentar o debate e fazer sua proposta reverberar: www.fredforest.org/paraumanovabienal. Já faz tempo que o artista está empenhado na situação da instituição: em 1973, participou da 12ª edição com o projeto Bienal 2.000 e mais recentemente, desde 2006, vem desenvolvendo a Bienal 3.000 (www.biennale3000saopaulo.org).

"Estarei acompanhado por uma equipe de artistas, especialistas da comunicação, críticos de arte, teóricos das ciências humanas e da filosofia, engenheiros em informática e especialistas em marketing. A idade média das pessoas que integram nossa equipe será de 25 anos", escreve o artista, no site. Até agora, a Bienal já convidou oito pessoas a encarar o desafio de presidir a instituição - e desde o ano passado, todo mundo vem dizendo não. A fundação esperaria até amanhã a resposta do consultor e empresário Heitor Martins, de 41 anos, se ele aceita ou não se candidatar para que, enfim, seja marcada uma reunião-geral do conselho da instituição para a eleição do novo presidente.

Enquanto isso, Forest já lança sua candidatura, como um happening, uma provocação, para chacoalhar a situação. "Na literatura há artistas que questionam as coisas, mas nas artes plásticas, não. Os artistas é que devem ser donos do próprio destino, sem política, sem funcionários e sem dinheiro. Talvez seja ingênuo dizer isso, mas se todos pensarem assim poderemos mudar a sociedade no nível das ideias e das propostas", continua o candidato, doutor em literatura pela Universidade Sorbonne.

Forest começou sua carreira artística como pintor, mas foi com a videoarte, na década de 1960, que deu início a uma pesquisa mais crítica e experimental, de criações de obras interativas e misturando mídias diferentes. Centrou suas ações no tema da comunicação e estética - e na conversa com o Estado, se apresentou dizendo que Marshall McLuhan, o autor da teoria da comunicação de massas ("O Meio é a Mensagem"), já escreveu sobre seu trabalho. "Hoje não é a pintura que vai propor questões, mas a internet", continua Forest, que veio a São Paulo, Porto Alegre e Brasília por conta de sua participação no Ano da França no Brasil. Ele inaugurou no Museu de Arte Contemporânea da USP no Ibirapuera a mostra O Centro Experimental do Território e Laboratório Social, baseado no Second Life, além de também abrir instalações cibernéticas na Universidade do Rio Grande do Sul e na de Brasília.

Mas, como afirma, o comitê do Ano da França não queria que ele viesse. "Foi o comitê brasileiro que se tornou responsável pela minha vinda, pessoas como Daniela Bousso e Felipe Chaimovich", conta. "O comitê francês disse que eu já tinha feito coisas suficientes no Brasil", continua. Entre as "coisas suficientes", ele conta sobre sua participação na 12ª Bienal de São Paulo, episódio que até o levou a ser interrogado no Dops (Departamento de Ordem Política e Social), que funcionava no prédio onde hoje é a Estação Pinacoteca - era o regime ditatorial no Brasil.

Naquela Bienal, Forest participou de uma seção especial formada por artistas que trabalhavam com a comunicação. Como não havia computador, publicou anúncios em jornais com dois números de telefone. "Quando as pessoas ligavam, uma voz dizia que elas tinham um minuto para se expressar livremente." Depois, ele promoveu um happening: dez pessoas foram à Praça da República com cartazes em branco, até que o local foi enchendo de gente e a polícia apareceu para bloquear tudo.

"Alguém escreveu MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária, em espanhol) num dos cartazes e me levaram para o Dops. A polícia tentou me intimidar, mas, ingênuo, fingi que não entendia nada. Não sou um herói porque sou estrangeiro, mas tinha a imprensa para me ajudar", diz Forest. A princípio ele não sabia que seu happening (a documentação sobre ele pode ser vista no site webnetmuseum) iria tomar aquela proporção. "Era algo para tocar no senso nobre da política, o das ações simbólicas."

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sophie Calle - LIVRO & EXPOSIÇÃO


Sophie Calle fará exposição em São Paulo após a Flip

da Folha Online

A artista plástica francesa Sophie Calle vai expor sua obra mais recente,"Cuide de Você" ("Prenez Soin de Vous", no original), em São Paulo. Depois que participar da sétima edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que ocorrerá entre os dias 1º e 5 de julho, Calle vem a São Paulo para a exposição, que estará no Sesc Pompéia. A abertura ocorrerá no dia 10 de julho e, no dia 11, a artista falará ao público em palestra aberta. A exposição ficará na capital paulista até o dia 07 de setembro, seguindo depois para Salvador.
O livro que resultou dessa exposição é um dos assuntos que será abordado por Sophie Calle na Flip. Trata-se de uma obra feita a partir de um rompimento amoroso: o antigo companheiro da artista rompeu o relacionamento por e-mail, terminando o texto com a frase "Cuide de você". Ela levou isso ao pé da letra: pediu a 107 mulheres das mais diferentes profissões que lessem e interpretassem o texto, cada uma de acordo com sua especialidade. Atrizes, cantoras, psiquiatras, uma filósofa, uma menina de nove e até mesmo uma cientista forense dissecaram a missiva enquanto eram filmadas por Calle. O conjunto dessas interpretações resultou numa premiada obra que representou a França na Bienal de Veneza, em 2007.

TAKE CARE OF YOURSELF
Autor: CALLE, SOPHIE
Editora: DAP-DISTRIBUTED ART
ISBN: 2742768939
ISBN-13: 9782742768936
Livro em inglês
Encadernado
1ª Edição - 2007
Preço: R$ 371,25 na Livraria Cultura


DIAS & RIEDWEG em NY


Exposição em Nova York enfoca migração e exílio

da Efe, em Nova York


O carioca Maurício Dias e o suíço Walter Riedweg exibem a partir de hoje "...and It Becomes Something Else", um conjunto de obras que explora temas de imigração, exílio e deslocamento, e que poderá ser visto na Americas Society, em Nova York, até o dia 1º de agosto.
Uma das peças mais relevantes da exposição é "Raimundos, Severinos e Franciscos", que fala da imigração interna no Brasil.
Reprodução
"Raimundos, Severinos e Franciscos" (1998), de Mauricio Dias e Walter Riedweg, é um dos destaques da exposição em Nova York

A obra mostra um grupo de porteiros de São Paulo, todos eles chamados Raimundo, Severino ou Francisco, nomes típicos do Nordeste brasileiro, que migraram para trabalhar na construção civil. Muitos destes homens se tornaram zeladores dos edifícios que ajudaram a construir.
"As pessoas que vivem nesses lugares não sabem seus nomes, então nós queríamos reinscrevê-los nesse sistema", declarou Dias.
Outra das peças centrais da exposição é uma instalação sobre o trabalho dos policiais da fronteira entre San Diego (Estados Unidos) e Tijuana (México), que examina o contraste entre a atitude repressiva dos policiais com imigrantes e a afetividade que aqueles têm com os cachorros que os acompanham em sua tarefa.
Na sala em que a peça é exibida, há uma tela que projeta entrevistas com os policiais da fronteira, rodeada por duas paredes repletas de imagens de seus cães e que estão decoradas pelos próprios agentes com estrelas e os nomes dos animais, "humanizando-os e heroicizando-os", nas palavras de Dias.
Para estes artistas, o tema da imigração também contém estereótipos e preconceitos que se originam no mundo ocidental. "Isto faz que alguém possa se transformar em um mero imigrante e não em uma pessoa", diz Dias.
Oriundos de diferentes campos das artes, Dias e Riedweg trabalham juntos há 16 anos e estão radicados no Rio de Janeiro.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Leandro Erlich na Luciana Brito Galeria



Leandro Erlich – Fragmentos de Una Casa
Abertura: 12 de maio, terça-feira, às 19hs (hoje).

O artista plástico argentino Leandro Erlich inaugura sua segunda mostra individual na Luciana Brito Galeria. Fragmentos de Una Casa é composta por três obras/ instalações inéditas, concebidas especialmente para o espaço da galeria: Window and Ladder, Skylight e Shattered Door.

Window and Ladder – Too Late for Help
parede de fibra de vidro, escada de metal, estrutura metálica. 2008


Window and Ladder - projeto para a galeria. 2009

Leandro Erlich (Buenos Aires, 1973) é hoje um dos artistas argentinos de maior ressonância internacional, com participação em diversas bienais de arte como Biennale di Venezia (2001 e 2005), Bienal de la Habana (2000), Whitney Biennial (2000), Istanbul Biennial (2001), Shanghai Biennale (2002), Liverpool Biennial (2008), Singapore Biennale (2008) e Bienal Internacional de São Paulo (2004). Exposições individuais recentes aconteceram no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madrid (2008), no P.S.1 Contemporary Art Center, em Long Island City (2008) e no Museo d’Arte Contemporanea de Roma (2006).


Luciana Brito Galeria
www.lucianabritogaleria.com.br

Rua Gomes de Carvalho, 842–Vl. Olímpia–Tel. (11) 3842.0635
Período: de 13 de maio a 13 de junho de 2009.
Horário: terça a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 11h às 17h.

Assessoria de Imprensa: Balady Comunicação/Silvia Balady
Tel.: (11) 9117.7324/3814.3382 - contato@balady.com.br

FALANDO EM CICLO CREMASTER


Para quem assistiu a série Cremaster do artista americano Matthew Barney.

Vejam que vídeos interessantes que encontrei por acaso quando pesquisava sobre o Cremaster para a postagem anterior.
No mínimo bonitinho. Ouvi falar que são as Demos do jogo que será lançado para Playstation 3.





Itaú Cultural - Ciclo exibe clássicos da videoarte na tela grande


Mark Leckey e Matthew Barney são destaques


por Silas Marti da Folha de S. Paulo


Da era disco ao 11 de Setembro, o mundo viu parte da brasa apagar. Mark Leckey retrata essa mutação do hedonismo em pavor no curta "Parade", destaque do ciclo de filmes aberto hoje pelo Itaú Cultural, com divas setentistas e figuras pop que dão lugar a ruas desertas.
Além do vencedor do Turner Prize do ano passado, outros nomes fortes da videoarte -Matthew Barney, William Kentridge, David Weiss e Peter Fischli- terão trabalhos exibidos na tela grande, com hora marcada, numa aproximação entre artes visuais e cinema.


Cremaster Cycle Trailer

Barney mostra o primeiro e último episódios de seu ciclo reprodutivo, "Cremaster 1" e "Cremaster 5", ambos com sessão amanhã. Levando o nome do músculo que suspende os testículos, são filmes que ilustram a origem da humanidade com base em excessos visuais.
Questões reprodutivas resolvidas, "Drawing Restraint 9" traz Barney e sua mulher, a cantora Björk, a bordo de um baleeiro japonês, para consumar uma união em alto mar.
Destaques do último dia, David Weiss e Peter Fischli investigam os valores e origens da arte em tom menos visceral e mais absurdo. Em "Der Lauf der Dinge", um rato e um urso visitam galerias, estudam alguns livros e tentam ganhar dinheiro com artes plásticas.
O sul-africano William Kentridge revê acontecimentos políticos de seu país com um desenho animado. São traços em carvão sobre papel, todos feitos na mesma folha -um exercício obsessivo para reaver parte da história. Ao contrário do desfile de imagens de Leckey, a câmera que não para, Kentridge não consegue virar a página.

Programação - Filmes e vídeos da Coleção Goetz

de terça 12 a domingo 17 de maio de 2009


terça 12

20h
palestra de abertura com a curadora Susanne Touw e o artista Alexander Birchler e exibição dos vídeos Single Wide, House With Pool e Eight

quarta 13

20h exibição dos vídeos Cremaster 1 e Cremaster 5

quinta 14

20h
exibição do vídeo Bedevil

sexta 15

20h
exibição dos vídeos QM, I Think I Call Her QM, The Music of Regret e Parade

sábado 16

15h
exibição dos vídeos Night Cries - A Rural Tragedy, Heaven, Nice Colored Girls, Lip e Artist
17h
exibição dos vídeos Goshogaoka e Nô
19h
exibição dos vídeos Drawing Restraint 9

domingo 17

15h
exibição dos vídeos Der Geringste Widerstand (The Least Resistance), Der Lauf der Dinge (The Course of Things) e Alpsee
17h
exibição dos vídeos Neulich 4, Die Beichte, Robert Langner, Biografie, Hotel Acapulco, Zeno Writing e Tide Table
19h exibição dos vídeos Usinimage, Ester - Ein Purimspiel in Berlin e Superbia - Der Stolz

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Entrevista: GERARDO MOSQUERA



texto publicado originalmente pela Revista espanhola A-Desk*Crítica y arte contemporáneo e traduzida para o português pelo site ArtCapital.com


Gerardo Mosquera é uma das vozes mais reconhecidas da América Latina. O conhecimento que tem da situação global da arte (a sua passagem pelo New Museum em Nova Iorque e pela Rijksakademie em Amsterdão são exemplos disso) é paralelo à sua capacidade de leitura crítica da arte produzida nos diferentes países da América Latina. Gerardo Mosquera fala de política, da Venezuela e de Cuba, assim como da situação na Argentina.

Por Desiré Vidal
Argentina

P: Num comentário referiste a existência e a partilha de uma série de códigos internacionais no mundo da arte, uma espécie de latim culto que deriva em novas linguagens populares. Por exemplo, em relação ao trabalho de um artista da Palestina ou de um outro do Brasil, se existem elementos próprios do lugar, ligados ao contexto e ao modo de resolver tecnicamente uma obra, já no que diz respeito aos formatos, aos temas e às problemáticas, elas são as mesmas. Isto poderá acontecer naqueles países que não fazem parte do mainstream, dos circuitos internacionais da arte devido a uma postura política decididamente antiglobal, com discursos localistas e individualistas, como é o caso da Venezuela de Chávez ou de Cuba?

R: O que Chávez está a fazer é realmente louco. A Venezuela tinha e ainda tem colecções de arte contemporânea, nacional e internacional, impressionantes, fruto das fortunas milionárias da época do petróleo que hoje em dia estão paralisadas. Quando Chávez tomou o poder, encarregou-se pessoalmente de eliminar e até de ridicularizar publicamente os directores e responsáveis de centros e museus de arte públicos, profissionais altamente qualificados, com carreiras muito prestigiadas. Curadores, críticos, historiadores… muito respeitados internacionalmente. Um belo dia, estas pessoas souberam pela rádio que tinham sido demitidas dos seus cargos. Foi o próprio Chávez que anunciou: “E agora vamos limpar os museus da burgesia. M.ª Elena Ramos, directora do Museu Nacional de Belas Artes, ponchaaaaá” (termo do calão do baisebol), e assim sucessivamente. Foi uma situação lamentável e patética.


P: O que é realmente preocupante é o seu amplo raio de acção e influência. Poderá desencadear um novo modo de pensar e actuar e de ser latino-americano, mas desperta desconfiança pelos seus modos pouco transparentes e pouco democráticos.

R:Não, não acredito. Felizmente, com a queda do preço do petróleo ficou sem dinheiro e terá menos poder. Tudo leva a crer que financiou a campanha de Cristina Kirchner: o voo em que enviaram a famosa mala era o décimo terceiro desse avião, pelo que possivelmente teriam enviado outras malas antes. A sua influência sobre outros países da América Latina estava ligada ao dinheiro, mas agora já não tem tantas malas. Penso e confio que isso não vai durar muito tempo. Nas mais recentes eleições, foi eleito por uma pequena margem de votos e o país está dividido em dois.


P: E Cuba?

R: Restam 10 anos ao regime. Foi-se aguentando porque foi apoiado por Chávez.


P: Continuas a viver em Cuba?

R: Sim estou a viver em Cuba mas totalmente marginalizado pelo regime, sou um in-exilado, um exilado dentro do meu próprio país. Não posso ensinar, não posso publicar, dar uma conferência, não posso fazer nada, não há acesso à Internet, nada. Podemos fazer coisas subterraneamente, por nossa própria conta, mas se organizamos algo com outras pessoas, tudo se complica. Cada vez que saio tenho de pedir uma autorização ao Estado, e isso implica um processo muito burocrático que demora dias. Assim, sempre que saio, faço-o por períodos longos para trabalhar em diferentes lugares. E concedem-me as autorizações porque sou convidado de entidades e instituições com muito prestígio, a quem não lhes interessa dizer não, para evitar escândalos. Cada vez que viajo tenho que justificar aonde vou, com quem, para quê…


P: E o trabalho que realizaste para a Bienal de Cuba e no Ministério da Cultura?

R: Sim, assim foi, mas aparte disso o meu trabalho mais importante na época foi o de crítico de arte. Durante a década de 80 ocorreram processos culturais renovadores em que participei activamente e em que desenvolvi o meu trabalho de crítico de arte. Fui um dos protagonistas desse processo e estive muito vinculado à vida cultural do meu país. Essa é uma das razões porque não saí do país, quis continuar a trabalhar aqui de uma maneira crítica e independente.


P: Não podem ter acesso à Internet nem a uma conta de e-mail. Não há acesso legal a uma vasta informação digital nem à rede global. Nota-se essa distância entre os criadores out-net e os in-net?

R: Não se podem pôr portas no ciberespaço! Essa é uma das manifestações mais evidentes da falta de sentido do regime. As novas tecnologias tornaram a situação incontrolável. Por exemplo, um artista faz um vídeo em Cuba, alguém leva uma cópia para fora e começa a circular, e a ter vida própria fora da ilha. O ministério do Interior de Cuba dedica-se a desenvolver programas informáticos para poder rastrear as conexões ilegais na Internet...é uma loucura. Outro caso é blog Generación Y de Yoanni Sánchez, que é o blog independente mais conhecido de entre os muitos que surgiram em Cuba. Chama-se assim como referência a toda uma geração de crianças que receberam nomes que imitavam sons estrangeiros e eram símbolo de estatuto social.


P: Podes falar-me acerca de como surgiu e como avalias o projecto que dirigiste durante este ano “Nove Cutadores discutem a sua obra”. Qual é o papel do curador? Que perfil e formação implica? É necessário o exercício da crítica para não repetir, não cair em formalismos…

R: Este projecto de formação surgiu a convite de Lidia Blanco, directora do Centro Cultural de Espanha em Buenos Aires, e veio cobrir um vazio. Na Argentina existem muitos artistas, galerias, espaços, propostas independentes, mas as possibilidades de formação para curadores são practicamente inexistentes. Neste contexto, pensei que seria uma contribuição possível convocar uma variedade de curadores internacionais a apresentar o seu trabalho junto de curadores, artistas e críticos de Buenos Aires e de Santiago do Chile, sobretudo aos jovens, numa série de encontros mensais ao longo de nove meses. Expor a sua produção como matéria de análise e discussão, criando um espaço de trabalho flexível e adaptado às necessidades concretas dos curadores, e estabelecendo uma rede entre todos. Para a maioria dos participantes permitiu-lhes conhecer pessoalmente, e pela primeira vez, excelentes profissionais como Cuauhtémoc Medina, Vicente Todolí, Taiyana Pimentel... E não foi difícil atraí-los e entusiasmá-los para participarem neste projecto, dado o seu perfil e a sedução que o passado histórico e literário de Buenos Aires desperta. Uma das debilidades destes projectos que se desenvolvem em países subdesenvolvidos é que não se capitaliza o esforço realizado. Neste sentido, a chave é o papel desempenhado pela Rede de Centros Culturais de Espanha na América Latina, espaços de dinamização, activação e produção cultural dirigidos por professionais com ideias, com vontade, que não são burocratas. Em muitos lugares estos centros implicaram a renovação cultural, como sucedeu com o desaparecido centro cultural de La Habana.


P: Partilho essa opinião, sem dúvida. Contudo, estes equipamentos culturais que contam com mais recursos, meios, redes e infraestructuras do que os mais locais, exercem habitualmente um papel de apadrinhamento da dinâmica cultural de uma cidade, tanto que nalguns casos, acabam por desenvolver-se relações de dependência que eclipsam as iniciativas independentes ou mais modestas.

R: Sim, é possível que isso aconteça, mas o que é que se pode fazer. Acho que não concorrem uns com os outros, pois cada um tem um papel importante a desempenhar e cada um cumpre o seu ciclo. No caso dos projectos desenvolvidos por artistas e colectivos, estes têm normalmente uma vida relativamente breve, seja em Buenos Aires ou em Londres. O papel de uma instituição é diferente, os centros culturais de Espanha cobrem um vazio institucional que é evidente em muitos casos. A actividade artística em geral está muito necessitada de renovação, da entrada de novos olhares, e se pensarmos na grandeza do país, a cena artística de primeira ordem é muito reduzida se a comparamos com a do Brasil ou com a da Colômbia.


P: Estiveste a trabalhar para o New Museum of Art de Nova Iorque. Como é que eles nos vêem?

R: Não procuram o exotismo porque já não interessa. Não te querem pela tua origem, não lhes interessa de onde vens, mas para onde vais. Hoje em dia o artista circula com nome próprio mas sem apelidos nacionais. Podem ainda existir circuitos a quem interessa explorar os tópicos e estereótipos da nação de origem do artista tendo em vista um mercado muito concreto, mas isso não tem nenhum sentido hoje em dia no circuito internacional da arte, sobretudo quando comprovamos que a arte contemporânea se aprende, descobre-se e distribui-se pela Internet. Quando vês o currículo de qualquer artista percebes que o seu itinerário profissional se faz em diversos países ou cidades. O mais importante é: como é que a diferença produz novos significados nos códigos internacionalizados.


P: Em que projecto estás a trabalhar?

R: Agora mesmo estou a trabalhar num projecto em Córdoba (Espanha) com os pátios tradicionais, um espaço de exposição potente, com linhas discursivas entre o público e o privado, o tradicional e o contemporâneo… Interessa-me trabalhar com lugares ou cenários fora da protecção do cubo branco. Chama-se “El patio de mi casa. Arte contemporáneo en patios de Córdoba” e apresenta-se entre 15 de Outubro e 29 de Novembro. Vai ser um bom projecto, está a ser muito interessante trabalhar com os propietários destes pátios, que são património cultural da cidade, e com os artistas visitantes.

Disponível em:
www.a-desk.org/spip/spip.php?article239

sábado, 9 de maio de 2009

NINO CAIS na Galeria Virgílio



A casa imaginária de Nino Cais


A Galeria Virgilio inaugura no dia 12 de maio, terça-feira, as individual do artista Nino Cais, exibindo fotografias, colagens, instalações, imagens digitais.

O artista paulistano Nino Cais apresenta na exposição “Décor” fotografias, colagens, desenhos e um vídeo-objeto. O conjunto das obras é distribuído em três ambientes no andar térreo da galeria, compondo um ambiente que, segundo a curadora Thaís Rivitti, se situa entre um show-room de decoração e uma casa. A intervenção que o artista faz na galeria lembra muito um ambiente doméstico carregado de objetos do cotidiano.

Nino Cais, Sem Título, 2009 (fotografia, 110 x 85cm)

O percurso que o visitante é convidado a fazer simula três ambientes: uma sala, um quintal e um quarto. Na primeira sala, revestida de papel de parede floral, segundo Rivitti, estão os trabalhos novos, produzidos ao mesmo tempo em que essa exposição era pensada. Um corredor que se descortina atrás daquilo que o artista chama de “totem de samambaias empilhadas” conduz aos lugares mais resguardados da casa imaginária.

Nino Cais, Sem Título, 2009 (fotografia, 110 x 85cm)

“A sala dos fundos, mais intimista, simula um quarto, escritório ou gabinete onde ficam em exposição trabalhos em papel: desenhos e colagens mais delicados, além de fotos que mostram o artista concentrado, equilibrando-se sobre objetos de vidro. No ambiente intermediário, surge a única comunicação com o espaço externo realizada por intermédio de uma TV, que faz o papel de janela, e mostra uma bucólica paisagem”, diz a crítica.

Para Rivitti, que também assina o texto de apresentação de ‘Décor’, a museografia da exposição leva em conta a ironia presente na poética do artista. “Para Nino Cais, o espaço é visto como espaço ocupado, vivenciado. A casa, então, surge como campo de interesse imediato, à medida que ela seria o espaço por excelência da vivência íntima, do contato prolongado com os objetos, da organização que obedece apenas ao gosto pessoal.”


Nino Cais cursou Artes Plásticas na Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo. Ganhou dois Prêmios Aquisição, em 2005 e 2008, entre outros. Em 2007, participou da feira Pinta, no Metropolitan Pavillion, em Nova York. Atualmente, participa da mostra Trilhas do Desejo, em São Paulo, que apresenta 72 trabalhos de artistas selecionados no programa Rumos Itaú Cultural 2008-2009 pela equipe do curador Paulo Sérgio Duarte. Nasceu e trabalha na capital paulista.

Serviço:

Evento: individual de Nino Cais
Local: Galeria Virgilio
Inauguração: 12 de maio 2009, terça-feira, a partir das 19h30
Período expositivo da mostra: de 13 de maio a 09 de junho
Endereço: Rua Virgílio de Carvalho Pinto, 426
CEP 05415-020, Pinheiros, São Paulo - SP
Telefones: (55 11) 3062 9446 / 3061 2999
Horários: de segunda a sexta, das 10 às 19h; e sábado, das 10 às 17h
Entrada franca