segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Galeria LEME inaugura individual do artista japonês Atsushi Kaga


Why can we keep going forward? Because we forget the problem of yesterday

Atsushi Kaga, artista japonês residente na Irlanda, utiliza-se de diferentes suportes para criar seus trabalhos - pintura, desenho, escultura, animação - sempre acompanhados de sarcasmo e senso de humor. Seu estilo foi influenciado pela cultura popular japonesa – meio no qual ele cresceu – e sua abordagem, intencionalmente amadora e intimista, cria contextos que mesclam a vida e arte. Ele descreve seu trabalho como uma incorporação das margens do mundo – ao mesmo tempo desconhecido e cotidiano – onde há "perguntas mundanas para as quais não existem respostas especiais". Em seu projeto na Galeria Leme ele traz à tona aspectos anônimos da vida, analisando a si próprio inserido em um mundo avesso.

Rua Agostinho Cantu 88 in the Night, 2009 - Acrílica e marcador sobre tela - 35 x 27 cm

Para sua primeira exposição no Brasil - Why can we keep going forward? Because we forget the problem of yesterday, Atsushi está produzindo a partir do que encontrou disponível em São Paulo. Além de objetos, o artista tem usado como base para o seu trabalho algumas impressões interessantes em relação à cidade e às pessoas que nela habitam. Na bagagem, nada exceto melancolia, que trouxe para confrontar a energia e vivacidade brasileira, que estava ansioso por conhecer. O resultado é um trabalho ao mesmo tempo melancólico e bem-humorado: ele tem utilizado materiais descartados na rua para as suas esculturas, e pintado os travestis que trabalham em frente ao seu estúdio. Com estas apropriações, Atsushi busca questionar o valor agregado àquilo que esperamos, nos desfazemos ou descartamos, e de que forma isso influencia quem nos tornamos.

O artista chegou a São Paulo no dia 24 de junho, para uma residência na Galeria Leme apoiada pelo Culture Ireland, e ficará na cidade até o dia 23 de julho, quando retorna a Dublin.

Sobre o artista:

Atsushi Kaga (Tóquio, 1978), vive e trabalha em Dublin, Irlanda.

O artista formou-se em 2005 no National College for Art & Design, em Dublin, e desde então tem exposto internacionalmente. Recebeu a premiação Visual Arts Bursary do Arts Council of Ireland em 2007 e 2009. Nos próximos meses ele fará outras duas residências: em outubro próximo no Fountainhead, em Miami, e no Irish Museum of Modern Art (IMMA) por seis meses a partir de janeiro de 2010.

SERVIÇO
Galeria LEME
Exposição: Atsushi Kaga - Why can we keep going forward? Because we forget the problem of yesterday
Abertura: 12/08, às 19h até 19/09.
Rua Agostinho Cantu, 88, Butantã - tel. (11) 3814-8184
http://www.galerialeme.com

Salão Paranaense divulga lista de selecionados

A 63º edição do Salão Paranaense divulgou, nesta segunda-feira (10), os artistas selecionados que irão expor na mostra. A abertura do Salão acontecerá no dia 29 de outubro, no Museu de Arte Contemporânea do Paraná.

Trabalho do artista Cristiano Lenhardt é um dos selecionados desta edição

Os artistas selecionados foram avaliados pelo conselho curador - formado por cinco críticos de arte - que escolheram 27 participantes, incluindo os artistas nacionais convidados.

Ao todo se inscreveram 525 artistas Nesta edição o conselho curador foi formado pelos críticos de arte Stephanie Dahn Batista (PR), Marilia Panitz Silveira (DF), Fabrizio Vaz Nunes (PR), Marcos César de Senna Hill (MG) e Paulo Sérgio Duarte (RJ), que além de analisar as obras das participações espontâneas também fizeram as indicações de seis artistas com uma atuação expressiva na arte contemporânea.

Criado em 1944, o Salão Paranaense é o evento mais tradicional promovido pelo Museu de Arte Contemporânea do Paraná e, além de ininterrupto desde sua fundação, é o Salão mais antigo do País. Desde a edição de 2005, passou a ser bienal.

Veja os artistas selecionados:


1. ALICE SHINTANI
(São Paulo/SP)

2. AMALIA GIACOMINI
(Rio de Janeiro/RJ)

3. ANDRÉ HAUCK (Belo Horizonte/MG)
4. ANDREI THOMAZ
(São Paulo/SP)

5. ANGELLA CONTE
(São Paulo/SP)

6. BEANKA MARIZ (Rio de Janeiro/RJ)
7. C.L. SALVARO
(Curitiba/PR)

8. CARLA VENDRAMI
(Curitiba/PR) In Memoriam

9. CHARLY TECHIO
(Curitiba/PR)

10. CRISTIANO LENHARDT
(Recife/PE)

11. DACH - DANIEL ARAUJO CHAVES - (Curitiba/PR)
12. ELDER ROCHA
(Brasília/DF)

13. ESTEVÃO MACHADO
(Belo Horizonte/MG)

14. FABIO MAGALHÃES
(Salvador/BA)

15. GRUPO PORO
(Belo Horizonte/MG)

16. LAERTE RAMOS
(São Paulo/SP)

17. LEONARDO TEPEDINO - (Rio de Janeiro/RJ)
18. LOISE RODRIGUES
(Brasília/DF)

19. MARCELO SILVEIRA
(Recife/PE)

20. MARCUS ANDRÉ
(Rio de Janeiro/RJ)

21. MARIA LYNCH
(Rio de Janeiro/RJ)

22. MILENA TRAVASSOS
(Fortaleza/CE)

23. MILLA JUNG
(Curitiba/PR)

24. PATRICIA OSSES
(São Paulo/SP)

25. PAULO ALMEIDA
(São Paulo/SP)

26. PAULO VIVACQUA
(Rio de Janeiro/RJ)

27. WASHINGTON SILVERA (Curitiba/PR)

Vencedor do Pritzker, Paulo Mendes da Rocha constrói em Vitória


Silas Martí da Folha de S.Paulo


Não têm hora os trabalhos do mar. Paulo Mendes da Rocha sabe disso e quer o contraste entre o "desfile monumental" de navios e sua construção no cais do porto de Vitória.

Perspectiva de museu de arte moderna que será construído no cais do porto de Vitória

Numa espécie de moldura concreta da paisagem marítima, o vencedor do Pritzker projeta o que será o museu de arte moderna da capital capixaba e um teatro operístico, complexo batizado de Cais das Artes pelo governo do Espírito Santo.

Orçado em R$ 120 milhões, bancados pelo Estado, começa a sair do papel em novembro deste ano e deve ser concluído em meados de 2011, com a promessa de inserir Vitória no circuito nacional das grandes exposições e espetáculos.

Em escala menor, também tem certo valor afetivo para Mendes da Rocha, que nasceu em Vitória, mas nunca projetou na cidade. Seu avô trabalhou na construção do aterro onde hoje fica o parque Moscoso.

É o que ele chama de "inexorável confronto entre as terras e o mar" das cidades costeiras. Da mesma forma que o aterro que seu avô ajudou a construir, Mendes da Rocha faz um projeto ambicioso numa zona de "territórios ganhados do mar".

"É uma esplanada em frente ao mar, no canal de entrada do porto de Vitória", descreve. "A cidade fica espetacular nesse ponto, um confronto entre os navios belíssimos, iluminados, moventes e as construções."

Mendes da Rocha tenta manter a transparência da paisagem erguendo o pavilhão sobre pilares, num projeto que lembra o Museu de Arte Moderna do Rio, construído no aterro do Flamengo por Afonso Reidy nos anos 50. "É uma sucessão de espaços nesse engenho horizontal, suspenso do chão."

Brutalismo à beira-mar

Lá dentro, são cinco salões de exposição articulados entre rampas transparentes, com vista para a esplanada lá fora. Dessa forma, as áreas entre um espaço expositivo e outro devem ganhar uma iluminação natural vinda de baixo para cima, uma grande caixa vazada, que se mistura à praça exterior.

Essa fusão de espaços internos e externos marca quase todos os projetos do arquiteto, de linhagem modernista. Lembra, nos traços ortogonais e também pelo esquema de andares intercalados, as construções de Vilanova Artigas, que desenhou o prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

Numa transposição do estilo brutalista para a beira do Atlântico, Mendes da Rocha faz um teatro de 1.300 lugares debruçado sobre o mar. Colado ao chão, por causa do fosso da orquestra, é uma estrutura que começa na esplanada, mas tem dois de seus pilares de sustentação fincados direto na água.

"Não é extravagante fazer a fundação no mar", diz Mendes da Rocha, sobre um dos pontos mais impressionantes do projeto. Segundo o arquiteto, o lençol freático no terreno é tão alto que os pilares teriam de atingir a mesma profundidade tanto na esplanada quanto no mar.

Atrás da plateia, janelas dão vista para o outro lado do canal de Vitória, onde está a cidade de Vila Velha e o convento de Nossa Senhora da Penha, 300 metros sobre o nível da água -o lado de lá da moldura concreta de Mendes da Rocha.

sábado, 8 de agosto de 2009

Galeria Virgilio inaugura individual de Alice Shintani

Como olhamos o que olhamos?

Em que medida percebemos as pessoas, as coisas, o mundo, para além de um mero reflexo de nós mesmos? Buscamos de fato o estranhamento de um novo encontro ou procuramos o conforto do familiar? Agüentamos esse estranho ou necessitamos logo identificá-lo, rotulá-lo (e descartá-lo)?

A partir dessas indagações, Alice Shintani apresenta a mostra “Éter” na Galeria Virgílio. Concebida em dois ambientes que tomam por base a arquitetura local e institucional, a artista propõe uma experiência imersiva no andar térreo da galeria e uma sala com oito pinturas em resina acrílica sobre tela no piso superior.
Alice vem trabalhando a partir de uma idéia expandida de pintura para propor ambientes e situações no limiar do conforto e da beleza, mas que poderiam subitamente perder tal caráter “familiar” para alguma experiência ambígua de estranhamento, de não-entendimento ou de não-afirmação, “inclusive de seu próprio discurso”, como reitera a própria artista.

“Éter” é a segunda mostra individual de Alice Shintani na Galeria Virgílio. A artista vem obtendo importante reconhecimento no circuito nacional, como as recentes participações nas mostras “Nova Arte Nova”, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro e São Paulo, e “Rumos Artes Visuais – Trilhas do Desejo”, no Instituto Itaú Cultural em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.
Alice Shintani - Mostra Éter | sala 1 - Site-specific - 2009 | alvenaria e resina acrílica

SERVIÇO
Abertura: 12/08, às 20h até 05/09.
Rua Dr. Virgilio de Carvalho Pinto, 426, Pinheiros
tels. (11) 3062-9446 e 3061-2999. Seg. a sex., 10h/19h; sáb., 10h/17h.
http://www.galeriavirgilio.com.br

COMEÇA HOJE BIENAL VENTOSUL EM CURITIBA

Com cem artistas de mais de 30 países, a mostra, que este ano tem como título "Água Grande: Os Mapas Alterados", discute os rumos da arte contemporânea. Uma série de exposições, intervenções e palestras -todas gratuitas- estão previstas para acontecer até dia 11 de outubro na capital paranaense. Mais informações no site www. bienalventosul.com.br.

Artistas

Seguem abaixo os 37 artistas selecionados para participação da 4ª Mostra VentoSul em Curitiba.

Museu de Arte Contemporânea do Paraná - MAC-PR

Alberto Baraya (Bogotá)
Gabriele Gomes (Curitiba)
Interlux Arte Livre (Curitiba)
Jhafis Quintero (Ciudad de Panamá - San Jose)
Laura Miranda e Monica Infante (Curitiba)
Marcos Chaves (Rio de Janeiro)
Marga Puntel (Curitiba)
Mariela Leal (Santiago)
PaulaGabriela (Rio de Janeiro)
Paulo Meira (Recife)
Rodrigo Dulcio e C. L. Salvaro (Curitiba)

Casa Andrade Muricy

Claudia Casarino (Asunción)
Florencia Rodríguez Giles (Buenos Aires)
Franz Manata e Saulo Laudares (Belo Horizonte - Rio de Janeiro)
Jorge Mendez Blake (Guadalajara - Ciudad de México)
Karla Solano (San Jose)
Luis Morales (Medellin - Bogotá)
Mauro Restiffe (São José do Rio Pardo - São Paulo
Max Gómez Canle (Buenos Aires)
Pablo Sigg (Ciudad de Mexico)
Ricardo Migliorisi (Asunción)

Museu de Arte da UFPR - MusA

Boleta (São Paulo)
Dudu Figueiredo (São Paulo)
Jack de Castro Holmer (Curitiba)
Luiz Carlos Brugnera (Espumoso - Cascavel)

Memorial de Curitiba

Albano Afonso (São Paulo)
Alex Flemming (São Paulo - Berlin)
Frederico Dalton (Rio de Janeiro)
Janaína Tschäpe (Münich - São Paulo - New York)
Márcia Xavier (Belo Horizonte - São Paulo)
Nina Moraes (São Paulo)
Patrick Hamilton (Louvain - Santiago)
Elisa Iop (Chapecó - Florianópolis)
Fabiana Wielewicki (Londrina - Florianópolis)
Fernando Lindote (Florianópolis)
Letícia Marquez (Londrina)
Maria Cheung (Hong Kong - Foz do Iguaçú)

Serviço

Para acompanhar tudo sobre a Bienal VentoSul acesse:
http://www.bienalventosul.com.br

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Oficinas preparam a sétima Bienal do Mercosul



Por Bruno Cobalchini Mattos/Jornal Já

Os preparativos para a sétima Bienal do Mercosul, que ocorre em Porto Alegre de 16 de outubro a 29 de novembro, entraram na etapa final final.

“Grito e Escuta” é o título do evento, que apresenta este ano uma mudança metodológica.

A ênfase será no processo de criação – e não em um tema específico. O objetivo é apresentar as diversas etapas da criação de uma obra de arte, mostrando como, por quem e – principalmente – por que razão elas são produzidas.

Além disso, serão mostrados os diferentes papéis e função que os artistas assumem junto à sociedade.
A argentina Victoria Noorthoorn (curadora geral da exposição ao lado do chileno Camilo Yáñez) esteve em Porto Alegre para a Mesa de Encontros, onde foram apresentadas as principais diretrizes do evento.

Em seguida, teve início o Curso de Mediadores, responsável pela formação da equipe que fará contato com o público nas diversas instalações.

Agora, em agosto, começam as oficinas dos artistas em residência.

O objetivo é aproximar os artistas da Bienal dos cidadãos, através de oficinas que ocorrerão em espaços públicos diversos, tais como escolas, praças e parques.

Nas diversas atividades os participantes poderão desenvolver suas próprias obras. A ideia é desmistificar a prática artística mostrando que, assim como qualquer outra, é uma atividade que depende mais de pesquisa, trabalho e dedicação, sendo possível a qualquer pessoa e independendo de algum “dom divino”.

Outra novidade da 7ª Bienal do Mercosul é o projeto radiovisual, que pretende ampliar ao máximo o público atingido pelo evento.

A rádio FM Cultura de Porto Alegre irá levar ao ar diariamente um programa de uma hora que contará com depoimentos de artistas, mediadores, curadores e, principalmente, do público das exposições.
Ao que tudo indica, esta será a Bienal do Mercosul de maior alcance desde a sua criação, doze anos atrás.

Renata Tassinari brinca com cores em nova exposição


Obra de Renata Tassinari: 'Maré'

De tão poderoso, o contraste entre as cores anula as molduras: a arte torna-se inteiriça, num enquadramento peculiar. Assim é o trabalho de Renata Tassinari, a artista paulistana que há mais de 20 anos brinca com vastas extensões monocromáticas que se intercalam na tela. E é de posse desses experimentos que ela inaugura nesta quinta-feira (06.08) a exposição "Entre Cores", na galeria Lurixs, em Botafogo.

A mostra apresenta obras inéditas, feitas em 2008 e 2009, com tamanhos variados, que chegam até mais de dois metros de comprimento. Nelas, a artista dá prosseguimento ao trabalho que começou no início da década, quando passou a pintar sobre as superfícies de acrílico que originalmente comporiam as molduras, e não as telas. Assim, nos trabalhos apresentados na Lurixs, Renata exibe cores pintadas no "avesso" de molduras de acrílico.

Na abertura da exposição será lançado ainda o livro "Renata Tassinari" (Editora Francisco Alves), que passa a limpo a obra da artista, desde o início de sua carreira, em 1985.

ENTRE CORES

Até 4 de setembro. Segunda a sexta, das 14h às 19h. Aos sábados, agendamento por telefone. Galeria Lurixs (Rua Paulo Barreto 77, Botafogo). Tel: 2541-4935. Entrada franca.

Árvores, tema das esculturas de Frida Baranek

Obras são formadas por decks sobre uma estrutura de ferro:o visitante pode subir em cima da peça

Estadão

SÃO PAULO - Inspirada no movimento das árvores, Frida Baranek apresenta duas esculturas em Exteriores. As obras são formadas por decks sobre uma estrutura de ferro - o visitante pode subir em cima da peça e buscar o equilíbrio. A mostra também tem gravuras inspiradas neste tema (detalhe acima).

Esculturas da artista são inspiradas no movimento das árvores. Foto: Divulgação

Gabinete de Arte Raquel Arnaud. R. Arthur Azevedo, 401, Pinheiros, 3083-6322. 10h/ 19h (sáb., 12h/16h; fecha dom.). Abre sáb. (8), 12h. Grátis. Até 19/9.I

Tiago Carneiro da Cunha derrete formas em mostra

Artista exibe série de esculturas na Fortes Vilaça

por Silas Marti da Folha

Tiago Carneiro da Cunha derreteu seus personagens.
Substituiu os ângulos retos da resina pelos excessos disformes do barro. A série que mostra agora em individual na Fortes Vilaça retoma seus protagonistas clássicos: o ladrão, o pedinte, Gargântua, de Rabelais.

Gargantua Rex, 2009 | Faiança policromada | 40 x 40 x 43 cm

Mas fora dos contornos, refastelando em matéria e pigmento. São formas em estágio larval, que parecem moldadas só até o ponto em que sejam reconhecíveis. No lugar da definição "clean", Carneiro da Cunha parece traduzir para as esculturas o gesto espesso da pintura.
Seus glutões, cães, filósofos e caveiras de louça parecem saídos de uma tela de Lucian Freud: tons calados em camadas maciças, transbordantes. É uma regressão à indefinição, como se tivesse escancarado demais o discurso em suas primeiras mostras, com objetos de resina translúcidos, que pareciam cortados a laser.
Ele volta atrás, mas mantém a dimensão contida, a escultura como objeto de mesinha de centro, ícone. Industrial ou larval, Carneiro da Cunha ainda prefere sussurros dissonantes a uma grande sinfonia histérica.

TIAGO CARNEIRO DA CUNHA

Quando: ter. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 10h às 17h; até 29/8
Onde: galeria Fortes Vilaça (r. Fradique Coutinho, 1.500, tel. 3032-7066)
Quanto: entrada franca

CRÍTICA: "Argentina Hoy" por Fábio Cypriano

Fonte: Folha de S. Paulo

Mostra não compreende a atual cena argentina

Ao usar categorias passadas para olhar o presente, exposição se faz muito rígida

RES y Constanza Piaggio, La Dama 2005

"Argentina Hoy", em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, é uma exposição de arte contemporânea em princípio bastante correta. Ela apresenta alguns bons trabalhos em suportes e técnicas variadas, da instalação à pintura, tanto por artistas desconhecidos por aqui, quanto pelos renomados Leandro Erlich, Jorge Macchi e Tomás Saraceno. Os argentinos são os mais visíveis na cena internacional, todos, aliás, presentes com obras significativas nas últimas edições da Bienal de São Paulo.
No entanto, aqui se incorre num problema similar a outras mostras com esse caráter. O eixo curatorial escolhido pelos organizadores, o brasileiro Franklin Espath Pedroso e a argentina Adriana Rosenberg, acaba empobrecendo os trabalhos da exposição, ao recorrer a categorias da história da arte que não são tema da produção contemporânea.
No caso de "Argentina Hoy", os curadores optaram pela figuração como teor principal da exposição, sendo que esta questão está há muito tempo superada, revelando-se como uma lente obsoleta para se compreender a cena atual.
Se um artista como Estanislao Florido usa uma figura humana na simulação de um video game-na vídeoanimação "O Catador de Papéis", um dos melhores trabalhos da mostra-, ele não está discutindo o retorno ao figurativo, mas sim uma situação muito mais complexa. Entre elas a de que os "heróis" argentinos, hoje, podem estar pertencendo a uma classe de desvalidos que, para sobreviver, precisam ultrapassar os obstáculos da miséria.
Esse afã em se utilizar de categorias do passado para se olhar para o presente torna a mostra rígida demais, numa cena que, afinal, é das mais vibrantes da América Latina. Mas há aí outro complicador: o que significa buscar discutir o caráter nacional numa produção que é cada vez mais globalizada? A ausência de ousadia ao refletir sobre essa questão torna a mostra ainda mais frágil.

ARGENTINA HOY
Quando: de ter. a dom., das 10h às 20h; até 30/8
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil (r. Álvares Penteado, 112, tel. 3113-3651)
Quanto: grátis
Avaliação: regular

MP veta nova presidência da Fundação Bienal


MPE condiciona presidência da Bienal a rescisão de contrato

Fundação tem acordo com evento dirigido pela mulher de Heitor Martins, eleito em maio

Camila Molina do Estadão

O Ministério Público Estadual (MPE), por meio de ofício do promotor Airton Grazzioli, da curadoria de Fundações do órgão, indeferiu ontem os registros da eleição e posse do consultor Heitor Martins como presidente da diretoria executiva da Fundação Bienal de São Paulo. O principal argumento é o "conflito" entre o cargo de Martins e o contrato entre a Bienal e o evento SP Arte - Feira Internacional de Arte de São Paulo - dirigido por Fernanda Feitosa, mulher do presidente eleito. Segundo Grazzioli, há três alternativas: eleger um novo presidente para a diretoria executiva; entrar, em até dez dias, com processo judicial contra a decisão; ou revogar o contrato com o SP Arte, que só venceria em 2015.

Heitor Martins foi eleito em 28 de maio presidente da diretoria executiva da Bienal e empossado em 27 de julho. O contrato entre a Bienal e a SP Arte foi firmado em 2004 e desde 2005 o evento - uma feira de arte moderna e contemporânea que envolve galerias nacionais e estrangeiras - ocorre anualmente no prédio da instituição, no Ibirapuera.

"Fico surpreso e triste com a decisão do MPE", diz Martins. "Tenho uma profissão (é sócio-diretor da empresa de consultoria McKinsey), o cargo de presidente da diretoria é uma posição não remunerada e a relação entre o SP Arte e a Bienal é legítima." Segundo ele, quando foi convidado a se candidatar à presidência da instituição, sua primeira pergunta foi a questão da SP Arte, que a instituição não considerou um problema pelo fato de o contrato de cessão (ou aluguel) de espaço para a realização do evento no prédio ter sido firmado antes, na gestão de Manoel Francisco Pires da Costa. "Vinha colocando todos os meus melhores esforços para revitalizar a Fundação, mas agora o caso é matéria do conselho da instituição." O presidente do Conselho Administrativo da Bienal, Miguel Alves Pereira, não quis fazer nenhuma declaração. "Vamos estudar e não sei quando faremos uma reunião. Fico chocado com a impertinência do MPE, porque a Bienal está há anos em crise e quando se consegue uma equipe profissional é tudo barrado", diz Pereira. Martins já levava adiante o projeto de realização da 29ª Bienal de São Paulo, mostra programada para ocorrer em 2010 (leia ao lado).

"Há conflito de interesse porque o presidente da diretoria executiva vai ter de fiscalizar o contrato, as obrigações que seriam da feira", diz Grazzioli. "Enquanto isso a Bienal fica no limbo", afirma o promotor. Segundo Fernanda Feitosa o fato é um "absurdo". "As pessoas que alugam o prédio não negociam com o presidente. Existe um contrato, todo ano ele é corrigido com os índices que a Bienal estipula", diz a diretora da feira, que fala em "indenizações" caso haja algum encerramento do evento. Segundo ela é "ingenuidade achar que o presidente da instituição, que tem coisas mais sérias para fazer, seja a pessoa responsável por fiscalizar." "Se meu marido fosse membro do conselho em 2004, tudo bem, mas minha relação com a Bienal é anterior à eleição." Fernanda ainda diz que já realiza desde julho pagamento de dez parcelas do aluguel do prédio para a SP Arte de 2010, marcada para ser inaugurada em 29 de abril.

Em 17 de julho o MPE enviou à Bienal ofício pedindo esclarecimentos envolvendo a eleição de Martins. Além da questão da SP Arte, também questionou os membros estatutários da equipe de sua diretoria e a eleição de novos sete conselheiros (Alfredo Egydio Setúbal, Carlos Jereissati, José Olympio Pereira, Paulo Sérgio Coutinho Galvão Filho, Susana Leirner Steinbruch, Tito Enrique da Silva Neto - indicados por Martins - e Cacilda Teixeira da Costa), também ocorrida em 28 de maio. Grazzioli, ainda no ofício de ontem, rejeitou a ata que elegeu os conselheiros.

domingo, 2 de agosto de 2009

BIENAL DO MERCOSUL 2009 - Lista de Artistas

Lista dos Artistas Participantes - ordem alfabética

Abraham Cruzvillegas
nasceu na Cidade do México, em 1968. Vive e trabalha em Paris e na Cidade do México.

Adrià Juliá
nasceu na Espanha, em 1974. Vive e trabalha em Los Angeles, Estados Unidos.

Alejandra Seeber
nasceu em Buenos Aires, em 1969; vive e trabalha entre Nova York e Buenos Aires.

Ana Gallardo
nasceu em Rosário, Argentina, em 1958. Vive e trabalha em Buenos Aires.

André Severo
Nascido em 1974, em Porto Alegre, RS. André Severo vive e trabalha em Porto Alegre.

Anna Maria Maiolino
nasceu em Scalea, Itália, em 1942. Artista brasileira,vive e trabalha em São Paulo.

Arnaldo Antunes
nasceu em São Paulo, 1960, onde vive e trabalha.

Arturo Herrera
nasceu em Caracas, Venezuela, em 1959. Vive e trabalha em Berlim, Alemanha.

Augusto de Campos nasceu em São Paulo, em 1931, onde vive e trabalha.

Cabelo nasceu em Cachoeira de Itapemirim, Espírito Santo, Brasil, em 1967. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil.

Cadu Costa nasceu em São Paulo, em 1977, e reside no Rio de Janeiro.

Camila Sposati nasceu em São Paulo, em 1972, onde ainda reside.

Cildo Meireles nasceu no Rio de Janeiro, em 1948, onde ainda vive e trabalha.

Chelpa Ferro é um coletivo criado no Rio de Janeiro pelos artistas Luiz Zerbini, Sergio Mekler e Barrão, em 1995.
Claudia Del Río nasceu em Rosário, na Argentina.

Courtney Smith nasceu em Paris, França, em 1966.
Cristiano Lenhardt nasceu em Itaara, Rio Grande do Sul, em 1975. Morou em Santa Maria, Porto Alegre, Rio de Janeiro, mas reside atualmente em Recife. Graduou-se em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Santa Maria (2000).
Cristóbal León nasceu em Santiago de Chile, em 1980. Vive e trabalha em Berlim.
Cristóbal Leyht nasceu em Santiago, Chile, em 1973. Vive e trabalha em Nova York.
Daniel Acosta nasceu em Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil, em 1965. Vive e trabalha em Pelotas, Rio Grande do Sul.

Daniela Thomas nasceu no Rio de Janeiro, em 1959. Vive e trabalha em São Paulo.

Daniele Buetti nasceu em Fribourg, Suiça, em 1956. Vive e trabalha em Zurique.
Débora Bolsoni nasceu no Rio de Janeiro, em 1975. Vive e trabalha em São Paulo.
Décio Pignatari nasceu em Jundiaí, São Paulo, em 1927. Teórico da comunicação, publicitário e escritor.

Delcy Morelos nasceu em Tierra Alta, Colômbia, em 1967. Vive e trabalha em Bogotá, Colômbia.

Diana Aisenberg Vive e trabalha em Buenos Aires/Argentina.

Diego Fernández nasceu em Santiago, Chile, em 1973. Vive e trabalha em Nova York.
Diego Melero nasceu em 1960, em San Justo, Santa Fe/Argentina.

Edgardo Antonio Vigo (La Plata, Argentina, 1928-1997)

Eduardo Barrera Arambarri nasceu na Cidade do México, 1974, onde vive e trabalha.
Eduardo Basualdo nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 1977; onde vive e trabalha.
Eduardo Costa nasceu em Buenos Aires, em 1940; onde vive e trabalha.

Eduardo Navarro nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 1979; onde vive e trabalha.
Fabio Kacero nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 1961, onde vive e trabalha.
Fabrice Gygi nasceu em Genebra, em 1965, onde atualmente reside e trabalha.

Fermín Eguía nasceu em Comodoro Rivadavia, Argentina, em 1942. Vive e trabalha em Buenos Aires.
Flávio de Carvalho (Amparo da Barra Mansa RJ 1899 - Valinhos SP 1973).

Francisca García nasceu em Santiago, Chile, 1969.
Francisco Tomsich nasceu em Nueva Helvecia/Uruguai, em 1981.
Francisco de Almeida nasceu em Crateús, Ceará, Brasil. Vive e trabalha no Recife, Pernambuco.

François Bucher nasceu em Cali, Colômbia; vive e trabalha em Berlim.

Gabriel Sierra nasceu em San Juan Nepomuceno, Colômbia, em 1975.

Glenn Gould (Canadá 1932-1982) Pianista, compositor e autor canadense.

Gilberto Esparza nasceu na cidade de Aguascalientes, México, em 1975. Vive e trabalha na Cidade do México.
Gonzalo Pedraza nasceu em Santiago do Chile, em 1982.

Guilherme Vaz nasceu em Araguari, Brasil, em 1948. Vive e trabalha em Brasília.

Henri Michaux nasceu em Namur, Bélgica, em 1899, falecendo em Paris, 1984.
Henrique Oliveira nasceu em Ourinhos, São Paulo, em 1973. Vive e trabalha em São Paulo.

Hoffmann’s House é um coletivo de dois artistas chilenos, Rodrigo Vergara (1974) e José Pablo Díaz (1975).

Ingrid Wildi nasceu em Santiago, Chile, em 1963.

Iran do Espírito Santo nasceu em Mococa, São Paulo, em 1963. Vive e trabalha em São Paulo.

Ivana Vollaro nasceu em Buenos Aires, 1971, vive e trabalha entre Buenos Aires e São Paulo.

James Ensor nasce em Ostende, Bélgica, em 1860, onde vive a maior parte de sua vida, até seu falecimento em 1949.

Janine Antoni nasceu em Freeport, Bahamas, em 1964. Vive e trabalha em Nova York.
Javier Téllez nasceu em Caracas, Venezuela, em 1969. Vive e trabalha em Nova York.
Jérôme Bel nasceu na França, em 1964; vive e trabalha em Paris.

João Modé nasceu em Resende, RJ, 1961. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Joaquín Cociña nasceu em Concepción, Chile, em 1980. Vive e trabalha em Santiago do Chile.
Johanna Calle nasceu em Bogotá, Colômbia, em 1965, onde ainda vive e trabalha.

John Cage (Los Angeles 1912 – Nova York 1992)
Jonathas de Andrade nasceu em Maceió, e atualmente vive no Recife.

Jordi Colomer nasceu em Barcelona, em 1962. Reside e trabalha atualmente em Barcelona e Paris.

Jorge Caraballo nasceu em Montevidéu em 1941, onde vive e trabalha.

José Alejandro Restrepo nasceu em Bogotá, Colômbia, em 1959.

José Antonio Suárez nasceu em Medellín, Colômbia, em 1955.

José Carlos Martinat nasceu em Lima, Peru, 1974.

Juan Downey nasceu em Santiago, Chile, em 1940, e morreu prematuramente em Nova York, Estados Unidos, em 1993.
Júlio Lira Fortaleza-CE
Laura Kuhn (1953) é escritora, performer, acadêmica e diretora executiva do John Cage.

León Ferrari nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 1920.

Lilian Zaremba nasceu e vive no Rio de Janeiro.
Liliana Porter nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 1941. Vive e trabalha em Nova York.
Linda Matalon nasceu no Brooklyn, Nova York, em 1958, onde ainda reside e trabalha.
Luisa Duarte nasceu no Rio de Janeiro em 1979; vive e trabalha en São Paulo.

Luiz de Abreu nasceu em Araguarí em 1963.

Magdalena Jitrik nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 1966, onde ainda vive e trabalha.

Marcela Armas nasceu no México em 1976.

Marcellvs L. nasceu em Belo Horizonte, Brasil, em 1980. Vive e trabalha em Berlim, Alemanha.

Márcia X nasceu no Rio de Janeiro em 1959, e faleceu na mesma cidade em 2005.
Maria Helena Bernardes - nasceu em Porto Alegre (RS), em 1966.

Maria Lucia Cattani nasceu em Garibaldi, Brasil, em 1958; vive e trabalha em Porto Alegre.

Mariela Scafati nasceu em Olivos, Província de Buenos Aires, em 1973; vive e trabalha em Buenos Aires.
Mário Peixoto (1908-1992) nascido na Bélgica.

Marta Minujín nasceu em Buenos Aires, em 1941, onde vive e trabalha.

Martín Barea Mattos nasceu em Montevidéu, em 1978 onde vive e trabalha.
Martín Verges Rilla nasceu em Montevidéu/Uruguai, em 1975.
Mauricio Kagel (Buenos Aires 1931 / Colônia, Alemanha 2008).

Mauro Restiffe nasceu em São José do Rio Preto, São Paulo, em 1970. Vive e trabalha em São Paulo.

Milton Machado nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, 1947.

Nicholas Floc’h nasceu em Rennes, França, em 1970. Vive e trabalha em Paris.
Nicolás París Vélez nasceu em Bogotá/Colômbia, em 1977.

Niles Atallah nasceu em Santiago de Chile, em 1978, onde ainda vive e trabalha.

Nina Lola Bachhuber nasceu em Munique, Alemanha, em 1971 e trabalha em Nova York.
Pablo Rivera nasceu em Santiago do Chile, em 1961 onde ainda vive e trabalha.
Patricio Larrambebere nasceu em Merlo, Argentina, em 1968; vive e trabalha em Buenos Aires.

Paul Ramírez Jonas
nasceu em 1965, Califórnia; vive e trabalha em Nova York.

Paulo Bruscky artista, ativista e renomado arquivista, Bruscky nasceu em Recife, Brasil, em 1949, onde vive e trabalha até hoje.
Paulo Nenflídio
nasceu em São Bernardo do Campo, São Paulo, em 1976. Vive e trabalha em São Paulo.

Pedro Reyes nasceu na Cidade do México, em 1972, onde vive e trabalha.
Provisorio Permanente é um coletivo de artistas integrado por Victoriano Alonso, Eduardo Basualdo, Manuel Heredia, Hernán Soriano e Pedro Wainer. Vivem e trabalham em Buenos Aires.
Raquel Garbelotti nasceu em Dracena, São Paulo, em 1973.

Ricardo Basbaum Nascido em São Paulo, em 1961, vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Ricardo Lanzarini nasceu em Montevidéu, Uruguai, em 1963. Vive e trabalha em Montevidéu e Nova York.

Ricardo Ventura nasceu no Rio de Janeiro, em 1962. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.
Romano nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1969. Vive e trabalha em Santa Teresa, Rio de Janeiro.

Rosângela Rennó nasceu em Belo Horizonte, em 1962. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Rosario Bléfari nasceu em Mar Del Plata/Argentina.

Ryan Gander nasceu em Chester, Inglaterra, em 1976; vive e trabalha em Londres.
Samuel Beckett (Dublin, 1906 - Paris, 1989).

Sergio De Loof nasceu em Lanús, em 1962; vive e trabalha entre Berazategui e Buenos Aires.

Tomás Espina nasceu em Buenos Aires, em 1975, onde ainda vive e trabalha.

Walmor Corrêa nasceu em Florianópolis, Brasil, em 1962. Vive e trabalha em Porto Alegre.
Walter Smetak (Zurique, 1913 - Salvador, Bahia, 1984)

Yun-Fei Ji nasceu em Pequim, China, em 1963. Vive e trabalha em Nova York.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Coreógrafo norte-americano Merce Cunningham morre aos 90 anos

O coreógrafo Merce Cunningham, considerado um dos grandes nomes da dança contemporânea, faleceu em Nova York aos 90 anos, anunciou nesta segunda-feira a fundação que leva seu nome.

Duas imagens de arquivo mostram a coreógrafo americano Merce Cunningham; à esquerda, uma foto de 1973, e à direita, outra de 1988 Cunningham morreu nesta segunda (27) aos 90 anos

"É com grande pesar que informamos o falecimento de Merce Cunningham, que morreu serenamente em sua casa durante a noite por causas naturais", declarou a Fundação Cunningham Dance Foundation e a Merce Cunningham Dance Company em seu comunicado conjunto.

O texto elogia a contribuição artística de Cunningham, afirmando que ele "revolucionou as artes visuais e do palco, não por ser meramente iconoclasta, como também para alcançar a beleza e o assombro de explorar novas possibilidades".

Merce Cunningham em 1995

Em sua cadeira de rodas, o lendário coreógrafo continuou dirigindo até seus últimos dias no West Village sua própia companhia, fundada em 1953 como um laboratório do movimento aberto à inovação e experimentação.

Nascido em 1919 em Centralia, no Estado de Washington, Cunningham estudou balé em Seattle antes de ser solista na companhia da pioneira da dança moderna norte-americana Martha Graham, entre 1939 e 1945.

Em 1944 aconteceu o encontro que marcaria sua vida pessoal e artística, ao realizar um primeiro espetáculo individual com música do compositor John Cage, que viria a ser seu parceiro até a morte deste último quase meio século depois, em 1992.

Em sua fundação, Cunningham criou mais de 200 coreografias, muitas das quais foram apresentadas em turnês que o tornaram famoso em todo o mundo.

Esculturas em jogos de escalas

O carioca José Damasceno expõe três séries de novos trabalhos, após quatro anos de ausência

Maria Hirszman do Estadão

A mostra Complementar, que José Damasceno acaba de inaugurar no Galpão Fortes Vilaça, quebrando um jejum de quatro anos sem realizar exposições em São Paulo, é um interessante exercício de concisão, que revela muito de sua forma de pensar e fazer arte. Com apenas três trabalhos, ou séries, a mostra trabalha questões recorrentes na trajetória do artista carioca, como o jogo entre diferentes escalas, a elaboração de ordens geométricas e espaciais, uma atuação na fronteira entre o mundo da representação e o mais abstrato nível projetivo.

Projeto-Objeto, 2006 - Papel milimetrado, acrílico, mármore e madeira - 50 x 70 x 12 cm

O mais impactante deles, que dá título à mostra, é composto por uma série de mais de 50 cilindros, em dois diferentes tamanhos, que literalmente pontuam o amplo espaço do galpão, fixando-se no chão e parede de forma a criar relações de escala e perspectiva. "Afinal, o que é o espaço? Ele pressupõe a existência de coordenadas diferentes e produzir; descobrir essas coordenadas me interessa bastante", sintetiza. Esse trabalho remete a outras experimentações desenvolvidas pelo artista ao longo do tempo, na tentativa de potencializar e investigar as relações espaciais, como, por exemplo, na instalação composta por uma série de vírgulas em mármore afixadas nas paredes de um galpão na 4ª Bienal do Mercosul (2003). Mas agora o trabalho adquire um caráter ainda mais desafiante, ao deixar de lado o caráter metafórico, gráfico, da vírgula e substituir o nobre mármore pelo industrial polipropileno.

Projeto-Objeto, 2007 - Papel milimetrado, bronze, acrílico e madeira - 103.5 x 143.5 x 16 cm

Como durante muito tempo não teve ateliê, Damasceno habitou-se a desenvolver seus trabalhos - muitas vezes grandiosos - por meio de desenhos, esboços e projetos, vendo o resultado final apenas no espaço expositivo. Essa estratégia acabou tornando-se elemento fundamental do segundo grupo de obras que o artista expõe agora. Iniciada em 2006, os trabalhos da série Projeto-Objetos tem por base exatamente a estrutura do sistema de representação projetiva. O artista parte sempre de uma unidade similar - a caixa de madeira da moldura - e da base reticulada do papel milimetrado. A partir daí, derivam as combinações mais variadas, investigações amplas sobre os mais diversos sistemas de representação, mesclando abstrações de caráter construtivo a poéticas figuradas, de caráter até lírico como a tentativa de fuga da estatueta antiga de mulher, que parece tentar escapar do mundo abstrato e frio da caixa de vidro. "A pessoa é desafiada a tentar entender tudo isso", afirma o artista, que também se considera de certa forma um espectador em sua própria exposição.

Satélite, 2008 - Ferro e cartões postais - 15,30 x 19,80 cm

Satélite é o terceiro trabalho da exposição. Trata-se de uma estrutura semelhante a um mostruário de cartões-postais, mas cuja haste foi tão prolongada que se torna impossível alcançar os cartões, lá no alto. Mais um dos jogos de escala de Damasceno, com o intuito de estimular a percepção do espectador e que ele considera totalmente natural em seu trabalho. "Afinal, sou um escultor", brinca.

Quem se interessar em ter a imagem exibida pode adquiri-la por um preço "de custo" e a receberá pelo correio ao fim da exposição. Trata-se de uma única e bela foto em preto e branco, feita do mesmo mostruário, colocado na praia do Leme (Rio) e tendo por fundo o mar e o céu. Instigante transformação da paisagem em matriz de representação do espaço, reforçada ainda mais pela circularidade sem fim da linha do horizonte, quando disposta nos dispositivos da estrutura metálica circular.

Essa é a única obra da exposição que não é inédita, e foi concebida para a grande exposição individual realizada pelo artista no Museu Reina Sophia, em Madri, por ocasião do Ano do Brasil na Espanha, em 2008. Essa mostra foi tomada como uma confirmação da posição de destaque de Damasceno no cenário internacional. Em vez de assustar-se ou fascinar-se com tal situação, o artista procura encarar essa fase promissora com distanciamento, considerando o sucesso como mais um fator da série de "armadilhas" que se colocam ao artista ao longo de sua trajetória. "Não quero cumprir com expectativas que são depositadas em mim, mas estar o mais próximo das questões que me motivam", explica.

Serviço

José Damasceno. Galpão Fortes Vilaça. Rua James Holland, 71, B. Funda, 3392- 3942. 10 h/ 19 h (sáb. até 17 h; fecha dom.). Até 29/8


EXCELENTE

Crítica/"Pedro Weingärtner"

Pinacoteca relembra pintura de gaúcho
Mostra faz panorama de Weingärtner, cuja arte é descritiva e moralizadora

Obras do artista, do início do século 20, são resumo do que a pintura poderia ter sido se os movimentos de vanguarda não surgissem

por Tadeu Chiarelli

Em 10 de dezembro de 1910 foi inaugurada a terceira exposição do gaúcho Pedro Weingärtner em São Paulo. Apresentando pinturas com temáticas variadas, a mostra atraiu muitos visitantes, tendo vendido, no final, 50 das 52 obras expostas.
Se isso não basta para aferir a importância do pintor para São Paulo, lembro uma nota de "O Estado de S. Paulo" do dia 28 daquele mês, exortando o governo estadual a comprar o tríptico "A Fazedora de Anjos" para a Pinacoteca: "Deixá-lo sair de S. Paulo seria erro imperdoável (...) poucos trabalhos se prestarão tão bem a figurar como este numa galeria pública: educa pela arte superior com que é feito e educa pela elevada moral que o inspirou".

Interior com Figuras, 1907 , óleo s/ tela, 49 x 99 cm - Acervo IA - UFRGS

Desde 1911 pertencente à Pinacoteca, "A Fazedora de Anjos" sintetiza duas questões importantes para a pintura do início do século 20: primeiro, reforça o caráter descritivo da pintura da época que, acossada pela fotografia e pelo cinema, transborda o mimetismo característico da pintura ocidental para o servilismo copista; segundo, une a essa exacerbação da mímese a função exemplar que a arte sentia-se obrigada a exercer, apesar da falência dessa condição a partir das transformações do século 19.

Maricás, 1911, óleo s/ tela, 35 x 60 cm - Acervo IA - UFRGS

Entre anedótica e moralista, "A Fazedora de Anjos" manteve-se durante cem anos como uma das obras mais admiradas da Pinacoteca justamente por ser um resumo do que, para o público, a pintura poderia ter sido se os influxos das vertentes artísticas que vieram depois não desviassem seu rumo. E, para parte desse público do museu, a obra de Weingärtner e toda a compreensão do que a arte deveria ou poderia ter sido ficou resumida àquela pintura.
É por isso que a retrospectiva que a Pinacoteca inaugurou sobre o artista deve ser visitada. Ela apresenta um panorama da sua pintura, possibilitando conhecer esse artista que constituiu sua obra nos padrões de um gosto eclético, crente de que a arte devia ser descritiva e, ao mesmo tempo, moralizadora. E, dentro dessa dicotomia, Weingärtner é mestre.

Bailarinas, 1896, óleo s/ tela, 23 x 36 cm - Acervo IA - UFRGS

Parte de suas pinturas possui uma "moral da história", deliciosa para o público atual, menos "inocente". Ter trabalhado para atender ao gosto simples dos burgueses ricos e ignorantes não o impediu, no entanto, de provar que era qualificado também fora dos padrões que elegeu para alcançar o sucesso. "Paisagem com Árvores", por exemplo, atesta a desenvoltura com que manejava os pincéis na interpretação do aparente. Por essas e outras, o público paulista deve, cem anos depois, prestigiar de novo Weingärtner, visitando uma das exposições mais importantes do ano.

PEDRO WEINGÄRTNER: UM ARTISTA ENTRE O VELHO E NOVO MUNDO

Quando: de ter. a dom., 10h às 18h; até 9.8
Onde: Pinacoteca do Estado (praça da Luz, 2, tel. 3324-1000)
Quanto: R$ 6, grátis aos sábados
Avaliação: Ótimo

TADEU CHIARELLI é diretor do departamento de Artes Plásticas da ECA-USP

Presidente da Bienal toma posse sob dúvidas



fonte: Folha de S.Paulo

Terá uma sombra de dúvida a posse do presidente da Fundação Bienal de São Paulo, marcada para hoje à tarde. O empresário Heitor Martins, sua diretoria e os conselheiros que indicou para a fundação vão assinar os termos de posse sem um parecer favorável do Ministério Público Estadual, que questionou em ofício de 17 de julho a formação dessa diretoria.

O MP tem até sexta-feira desta semana para emitir um parecer depois que pediu esclarecimentos ao conselho da fundação sobre o contrato da mulher de Martins com a Bienal, o número de diretores estatutários, o aumento no número de conselheiros e a isenção deles.

Caso seja favorável o parecer que não saiu até o fechamento desta edição, os eleitos serão oficializados no cargo. Caso contrário, a posse hoje será só uma formalidade e poderá ser suspensa pelo MP, que ainda analisa as respostas da Bienal às perguntas feitas no ofício.

Essas respostas estão em carta que o presidente do conselho da Fundação Bienal, Miguel Pereira, enviou ao MP na terça-feira da semana passada.

Na última sexta, Martins esteve com a promotora Ana Maria de Castro Garms, curadora de Fundações. Estava acompanhado do ex-presidente da Bienal, Manoel Pires da Costa.

"A questão do ofício está sendo tratada pelo conselho e achei interessante ir lá me apresentar antes de tomar posse", diz Martins à Folha. "Eles fizeram algumas perguntas, e o conselho respondeu essas perguntas. Estivemos lá por 50 minutos e passamos 40 deles falando sobre a próxima Bienal."

Segundo Martins, não há "sinalização de problemas" por parte do MP. "A ideia é que a posse seja feita", diz. "Não estamos vendo nenhum fato novo que altere esse curso."

"A reunião de posse vai acontecer hoje porque é quase certo que a resposta do Ministério Público não vai ser uma negativa", diz Miguel Pereira, presidente do conselho da Bienal.

Saldo devedor

Mas, segundo apurou a Folha, pendências financeiras da Bienal com Manoel Pires da Costa podem dificultar o processo de transição. O ex-presidente tem R$ 500 mil a receber da fundação, uma dívida da Bienal com sua empresa TPT, que editava a revista "Bien'Art", publicação da Bienal de São Paulo.

No Termo de Ajustamento de Conduta que firmou com o MP em 2007, Pires da Costa, que se autodenunciou então à Promotoria por violar o estatuto da Bienal ao contratar parentes e a própria empresa, renunciava a valores que tinha a receber "exceto o custo das edições da 'Bien'Art' já editadas".

"Eu abri mão de valores altíssimos, fiz questão de abrir mão", diz Pires da Costa à Folha. "Concluiu-se que a minha empresa é credora de um valor, e de outro valor eu abri mão."

Além desse montante, pessoas ligadas à Bienal dizem que Pires da Costa também quer receber R$ 100 mil que pagou do próprio bolso por um parecer jurídico que encomendou ao advogado José Tavares Guerreiro, que o defendia da rejeição das contas de sua gestão.

Outros dois pareceres foram apresentados na reunião do conselho, em julho de 2007, que julgou a reeleição de Pires da Costa à presidência da fundação e as contas de sua administração, mas só o encomendado por Pires da Costa foi cobrado --os demais não tiveram custo financeiro para a Bienal.

Pires da Costa nega que esteja cobrando esse valor. "É a mesma coisa que andar de táxi [e pagar do próprio bolso]", diz. "Existe lá um recibo pago por mim, está no caixa. Se amanhã entenderem que isso pode ser restituído, eu recebo, se não puder, eu não recebo. Isso é um assunto acabado, liquidado."

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Cinco confrontos com Gary



Gary Hill, celebrado criador no campo da arte multimídia, inaugura no Rio a mostra O Lugar Sem o Tempo, segunda individual que traz ao Brasil e que estará em São Paulo em janeiro

Camila Molina, RIO


Gary Hill, Viewer, 1996


Com suas videoinstalações, o americano Gary Hill quer promover confrontos: pode ser barulhento e violento, como na obra Wall Piece (2000), feita da imagem de um homem que se joga contra a parede, falando a cada vez uma palavra diferente (foto maior da página); ou algo silencioso e desconcertante, como Viewer (1996), projeção, em telas que somam 14 metros, de uma fila de 15 homens, trabalhadores das camadas subjugadas e exploradas, que encaram o público, quase imóveis. Confrontar, para Hill, é a raiz da interatividade - e é sua maneira de "instigar acontecimentos" na mente das pessoas, trazer à tona os "interstícios de situações". Como diz ao Estado, usando outra expressão curiosa, ele quer promover a "sanfonização do tempo", alongando-o para mexer com nossa percepção.

Quebrando a barreira do que o enclausuraria no campo do vídeo, ou da arte tecnológica, o artista multimídia Gary Hill está inscrito na história da arte contemporânea como um criador já antológico, alguém que, não por acaso, faz parte da geração de Bill Viola e Bruce Nauman, outras duas referências para qualquer que seja o pensamento artístico atual. Por isso, é de se celebrar que este californiano, de 58 anos, que foi skatista e surfista, esteja agora pela segunda vez no Brasil, depois de um pulo de mais de uma década, quando fez por aqui, em 1997, sua primeira mostra individual, O Lugar do Outro.

Hoje, às 19h30, Gary Hill inaugura no espaço Oi Futuro, no Rio, a exposição O Lugar Sem o Tempo, formada por cinco grandes videoinstalações, entre elas, Wall Piece e Viewer, e ainda Accordions - The Belsunce Recordings (2001/2002), Up Against Down (2008) e Language Willing (2002). Em sua passagem pelo País, ele faz também duas palestras, uma amanhã, às 18 horas, no Oi Futuro (Rua Dois de Dezembro, 63, Rio); e outra na quarta-feira, às 19 horas, no Museu Oscar Niemeyer de Curitiba (Rua Marechal Hermes, 999).

Em 1997, o videoartista e produtor Marcello Dantas realizou a mostra O Lugar do Outro, exibida no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio e no Museu de Arte Moderna de São Paulo, com quatro obras de Hill. "Quando voltei de Nova York, no início dos 90, a gente estava na porta da história da arte contemporânea, coisas novas estavam acontecendo como a explosão do próprio Gary Hill, Bill Viola, Jenny Holzer. A gente não tinha informação, não tinha internet. Hoje eles se tornaram a coisa mais importante da arte e me deu a vontade de restabelecer esse link, entender até o que aconteceu com a nossa percepção. Quando você vai a uma Bienal de Veneza, ou à Bienal de São Paulo, o vídeo, a arte eletrônica viraram a coisa", afirma Dantas.

Para ele, curador também agora de O Lugar Sem o Tempo, orçada em R$ 500 mil e que a partir de janeiro de 2010 será exibida no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo, Hill está entre os artistas que trabalham na chamada "time based art" ou arte em que a questão do tempo é fundamental, "seja lá qual for o suporte".

"Há duas questões específicas no trabalho do Gary que podem ser vistas nessa exposição: obras em que ele encara o outro e, por outro lado, obras que são muito performáticas e nas quais ele lida com o si mesmo, ou seja, com o próprio corpo, coloca e confronta o outro", tenta explicar Dantas, ressaltando também um caráter sensorial das videoinstalações do artista. Gary Hill, de forma simples, explica a raiz do confronto: "Quando encaramos o outro, refletimos sobre as verdadeiras ideias que temos de nós, fazemos essa projeção."

Escultor por formação, Gary Hill, que vive desde 1985 em Seattle, fez sua primeira videoinstalação, Hole in Wall, em 1974, obra que na época quebrou o muro que ainda emperrava a aceitação do vídeo como arte. Nascido em Santa Monica, na Califórnia, em 1951, ele se mudou para Woodstock, no Estado de Nova York, no final da década de 1960, onde começou a experimentar o vídeo como ferramenta. "Qualquer um que use a mídia de sua época, que faz filmes, está esculpindo o tempo, exceto os que são feitos em Hollywood", diz Gary Hill, concluindo que, unindo a tecnologia, sempre pensa seus trabalhos como um escultor. "Wall Piece, em que o homem bate seu corpo contra a parede enquanto diz uma palavra, vejo como algo escultórico, penso em como, com essa ação, se pode mudar a forma de uma palavra."

Sempre que se fala na obra do artista, explicita-se que sua pesquisa está fincada na relação entre a imagem e a linguagem. A questão da palavra, portanto, na obra de Hill - que faz seus trabalhos em colaboração com escritores e poetas - é fundamental. "O que é poesia e o que ela pode ser? A maneira como as palavras trabalham em nossa mente e no espaço, quando se lê, se escreve, se descreve, se pensa, é muito diferente, acontece em outro nível. Linguagem, poesia e pensamento têm vizinhança estranha", afirma. No texto de Wall Piece, por exemplo, Hill escreve: "Uma palavra vale um milésimo de uma imagem. Embasbacar-me deixou de ser uma opção. De certa forma, estou cego. Vivencio o tempo por meio de uma série de imagens que conheço desde sempre. Mas é exatamente esse ?desde sempre? que me assombra." Nas camadas do alongamento do tempo e da percepção, algo pode acontecer e Hill arremata: "Quando você perde as palavras é quando experimenta a verdadeira natureza da linguagem."

Entenda Cada Uma das Videoinstalações da Mostra

VIEWER (1996): Conhecido trabalho do artista, é uma grande obra que ocupa cerca de 14 metros de uma sala e é feita a partir de cinco videoprojetores. Em escala humana real, homens identificados como trabalhadores que podemos dizer serem das minorias raciais - imigrantes latinos, etc. - estão em fila, de frente para os espectadores e encarando-os. Eles ficam quase imóveis porque seus gestos são apenas aqueles relacionados à ação involuntária de descanso do corpo. Nesse trabalho, silencioso, simples e potente, Hill joga com a questão do "encarar o outro" - afinal, quem é o espectador de quem?

UP AGAINST DOWN (2008): Este é um trabalho performático e no qual está o próprio Gary Hill. Imagens de partes de seu corpo são projetadas em diferentes lugares, todas elas em cenas de pressão do corpo em tensão com um espaço neutro. A obra também tem o uso do recurso do som.

LANGUAGE WILLING (2002): O poeta australiano Chris Mann recita texto atuado por um par de mãos que mexem dois grandes discos projetados em grande formatos dispostos lado a lado. Os discos são cobertos com papel de parede padrão floral, um vermelho e outro um branco creme. A ação é entremeada com som, que fica mais e menos contundente, criando situação perturbadora.

ACCORDIONS (2001/2002): A obra foi gravada na pequena Belsunce, comunidade franco-argelina em Marselha. O trabalho, formado por cinco projeções não sincronizadas de imagens e sons, é feito a partir de cenas do cotidiano da vida no bairro.

WALL PIECE (2000): Também uma obra diretamente performática, é a projeção da imagem de um homem, de calça, paletó e camisa, que vai se jogando, como flashes, contra uma parede. A ação é acompanhada, a cada vez, de uma palavra pronunciada em voz alta, depois se transformando em texto.

Fundação Bienal se explica ao Ministério Público

Ana Paula Souza e Silas Marti
da Folha de S.Paulo

A seis dias da tomada de posse da nova diretoria, presidida por Heitor Martins, a Fundação Bienal de São Paulo está às voltas com pedidos de explicação do Ministério Público.

Em ofício enviado à Bienal na sexta, o MP questiona o contrato da mulher de Martins com a fundação, o aumento no número de conselheiros, sua isenção em relação à diretoria e o número de diretores estatutários.

A mulher de Martins, Fernanda Feitosa, aluga o pavilhão para realizar a feira SP Arte. Pelo estatuto recém-aprovado pela Fundação Bienal, deveria cair o número de conselheiros de 50 para 40. Martins, no entanto, indicou seis novos nomes para integrar o grupo.

Após receber as respostas da Bienal, o MP decidirá se aprova ou rejeita as atas da reunião que elegeu a nova diretoria em 28 de maio. Se rejeitadas, a posse, prevista para a próxima segunda, seria suspensa. "A data de posse está mantida. Só por ordem do MP haveria um adiamento", diz Miguel Pereira, presidente do conselho.

Ele enviou ontem ao MP uma carta de sete páginas em que procura responder às perguntas da promotora Ana Maria de Castro Garms e traça um histórico da Bienal, enredada em problemas administrativos e denúncias de irregularidades.

"O contrato [de Fernanda Feitosa] foi renovado ainda na gestão comandada pelo Manoel Francisco Pires da Costa e se estende até o ano de 2015", afirma Pereira. "Nenhuma ingerência teve Heitor Martins na discussão das cláusulas."

Ao citar Martins, o presidente do conselho diz que o empresário foi o único a aceitar o posto, lembrando que, antes dele, todos os postulantes "acabavam por desistir". A única exigência de Martins foi autonomia para "formar uma sólida corrente de apoio". "Tal equipe não se cingia a quatro ou cinco pessoas, mas abrangia um número maior", afirma Pereira.

Outros conselheiros e pessoas ligadas à Fundação Bienal dizem que houve, no entanto, um atraso no registro do novo estatuto e os conselheiros indicados por Martins puderam entrar para o grupo ainda sob o estatuto antigo, que previa sete lugares vagos.

"O conselho não foi incongruente quando antes tinha dito que não iria preencher as vagas e depois resolveu preenchê-las", diz um conselheiro ouvido pela Folha.

"Nos dois momentos, ele agiu pensando no bem da fundação, na necessidade de aportes financeiros." Um dos conselheiros indicados por Martins, Tito Enrique da Silva Neto, do banco ABC Brasil, já doou, via Lei Rouanet, R$ 300 mil para ajudar a sanar as dívidas da Bienal.

Pelo em ovo

Segundo apurou a Folha, alguns conselheiros veem no questionamento do MP uma manobra da atual gestão para adiar a posse de Martins. "Alguém está interessado em dificultar as coisas para a diretoria", diz um conselheiro que não quis ser identificado.

Em resposta, o atual presidente Manoel Francisco Pires da Costa afirma que está "trabalhando sem parar desde quando essa diretoria foi eleita". "Eu fiz tudo para que realmente acontecesse uma transferência de cargo", afirma.

Para o conselheiro Jorge Wilheim, que lançou a candidatura de Martins à presidência, o MP está "querendo procurar pelo em casca de ovo". "As perguntas feitas têm resposta; é uma coisa corriqueira", afirma. "Não estou vendo como fazer grande drama em torno disso."

sexta-feira, 17 de julho de 2009

British Council International seleciona curador para mostra em galeria londrina

O British Council International promove em parceria com a Whitechapel Gallery (Londres/Inglaterra) o “Fifth Curator”, uma competição para curadores que aceita propostas até 04/09/09. Os projetos devem selecionar obras para uma exposição a partir da coleção do British Council, composta por 8.500 trabalhos de arte britânica dos séculos 20 e 21. Os curadores candidatos devem escrever e falar em inglês. Os interessados poderão visitar a coleção pessoalmente ou via internet. Em novembro de 2009 ocorre uma pré-seleção de seis projetos. A mostra, que ocorrerá em abril de 2010, será a quinta da série "Passports - Great Early Buys from the British Council Collection", que já teve seleções de Michael Craig-Martin, Tim Marlow, Paula Rego e Jeremy Deller e Alan Kane.

Mais informações:
British Council,
10 Spring Gardens,
London SW1A 2BN
tel.: +44(0)20 7389 3031
Contato: Emma Williams
emma.williams@britishcouncil.org
www.britishcouncil.org/collection

Iran do Espírito Santo expõe na Artur Fidalgo


O artista paulista Iran do Espírito Santo apresenta a quarta versão de uma série de pinturas murais, intitulada ‘En Passant”, além de esculturas e desenhos de sua recente produção.

imageEssas obras lidam com idéias ligadas a densidade, transparência, luz e sombra, assim como sua relação com o espaço real da galeria.

Iran trabalha constantemente com códigos de representação. O artista transforma objetos comuns em modelos ideais, tangenciando a forma geométrica pura, pelo domínio absoluto da técnica e da potencialidade de cada material.

Outras obras dialogam com a arquitetura por meio da intervenção direta sobre as paredes; da proporção entre as escalas do objeto e o espaço, ou ainda pela alteração da forma como o espaço é visto.

A inauguração está marcada para 22 de julho, na Artur Fidalgo Galeria de Arte, em Copacabana.