sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Intervenção no Copan


Mauricio Adinolfi
realiza intervenção artística no Edifício Copan


Marco da arquitetura moderna em São Paulo abre espaço para projeto do artista, que apresenta instalações e colagens em madeira no foyer e galeria dos blocos C e D.

Mostra “Sobre mar, madeiras e outros animais” tem entrada gratuita e fica aberta de 17 de novembro e 17 de dezembro na Avenida Ipiranga, 200.

Décio Hernandez Di Giorgi
Adelante Comunicação Cultural
dgiorgi@uol.com.br
MSN: deciogiorgi@yahoo.com.br
Tels.: (55 11) 3589 6212 / 8255 3338

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Adriana Varejão parte rumo a paisagens marítimas



Mario Gioia da Folha de S.Paulo

Formas circulares, paisagens marítimas, figuras do imaginário popular. Na série de pinturas apresentada a partir de hoje na galeria Fortes Vilaça, a artista carioca Adriana Varejão passa a trabalhar com diversos elementos novos.

'Pérola Imperfeita', uma das pinturas da série inédita da artista carioca Adriana Varejão

"Chega de quadrados", brinca ela, pintora surgida no final dos anos 80 e um dos nomes mais conhecidos da arte brasileira no exterior. Varejão, 45, teve a última individual em São Paulo em novembro de 2005, justamente exibindo a série "Saunas", marcada pela reprodução de azulejos.

A exceção na mostra são duas grandes telas "craqueladas". "Vejo essas duas peças como desenhos. Quis colocá-las na entrada como uma espécie de introdução à minha produção mais nova."

A nova série começou a ser criada quando Varejão conheceu a produção em cerâmica do artista português Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), feita na cidade de Caldas da Rainha, em Leiria, centro de Portugal.

"Tive um impacto muito forte. Quis começar a trabalhar com esse material, mas foi um processo cheio de idas e vindas, que durou seis meses."

A artista decidiu fazer as obras em fibra de vidro, "mas à moda da cerâmica". Começou a pintar cenas quase mitológicas na superfície côncava das peças, a maioria com elementos marítimos, como estrelas-do-mar, anêmonas e conchas.
"As figuras que aparecem nas pinturas têm mais a ver com o imaginário popular do que os registros históricos que eu costumava usar", diz Varejão.

Para a artista, as pinturas se contrapõem à produção de tom mais asséptico da cena de arte contemporânea.
"Queria algo oposto ao minimalista, aos projetos rigorosos e elaborados. Essa pintura não tem nada a ver com algo que é feito aqui. Isso me agrada bastante", avalia Varejão.

SERVIÇO

ADRIANA VAREJÃO
Quando: abertura hoje, às 19h; de ter. a sex., das 10h às 19h, e sáb., das 10h às 17h; até 22/12
Onde: galeria Fortes Vilaça (r. Fradique Coutinho, 1.500, tel. 0/xx/11/3072-7066); livre

Quanto: entrada franca

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Nuno Ramos vence prêmio Portugal Telecom

da Folha

Três brasileiros conquistaram o prêmio Portugal Telecom de Literatura, anunciado ontem, em São Paulo. O livro de contos "Ó" (ed. Iluminuras), de Nuno Ramos, foi o grande vencedor da noite. Ele levará R$ 100 mil reais.
 Autores portugueses consagrados, como António Lobo Antunes, também concorriam.
 Em segundo lugar ficou "Acenos e Afagos" (ed. Record), de João Gilberto Noll, que levou R$ 30 mil.
"A Arte de Produzir Efeito sem Causa" (ed. Companhia das Letras), de Lourenço Mutarelli, foi escolhido em terceiro lugar e vai receber R$ 15 mil.
"Eu não sou escritor, sou artista plástico. Se pudesse significar algo para a literatura, eu gostaria que fosse a tentativa de estimular a literatura mais experimental", disse Ramos

MAM do Rio recebe exposição do artista Carlos Vergara



O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro abre ao público carioca no dia 13 de novembro a exposição Carlos Vergara: A dimensão gráfica – uma outra energia silenciosa. A mostra traz um conjunto de mais de 200 trabalhos realizados pelo artista dos anos 1960 até hoje, onde a linguagem gráfica é o fio condutor.
A exposição tem curadoria do colecionador George Kornis, que por mais de um ano pesquisou os arquivos do ateliê do artista, com intuito de reunir os trabalhos produzidos por Carlos Vergara que tornasse visível ao público a linguagem gráfica que perpassa sua produção, há quase 50 anos.
George Kornis destaca que a produção de Vergara se expressa por diversas linguagens, e esta exposição no MAM pretende dar visibilidade à linguagem gráfica, presente em toda a sua trajetória, de diversas maneiras: monotipias, gravuras, desenhos, 3D, fotografias, filmes.
– Vergara não é somente um pintor, como ele costuma ser apresentado –, comenta Kornis. –Sempre me incomodou que na boa e vasta bibliografia sobre ele há uma fixação em torno de sua obra pictórica –, diz.
A mostra terá trabalhos nunca mostrados, além de obras inéditas no Rio, como a instalação que fez para a Capela do Morumbi, em São Paulo, em 1992, ou o conjunto completo de monotipias da série Gávea. O célebre painel de desenhos de 20 metros de comprimento, feito para a Bienal de Veneza, em 1980, também estará na mostra do MAM.
As 200 obras são provenientes do ateliê do artista e de coleções privadas, como a de, Gilberto Chateaubriand e do próprio George Kornis, além de outros acervos. Para se chegar a esse universo, o curador pesquisou por mais de um ano o Acervo Carlos Vergara, para mapear a produção do artista.
– O acervo está muito bem organizado, então foi possível visualizar, em toda sua extensão, as múltiplas linguagens e os interesses que atravessam sua trajetória.

Serviço:


Exposição: “Carlos Vergara: a dimensão gráfica – uma outra energia silenciosa”

Visitação: 13 de novembro de 2009 a 14 de março de 2010

De terça a sexta, das 12h às 18h
Sábado, domingo e feriado, das 12h às 19h

Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85
Parque do Flamengo

sábado, 7 de novembro de 2009

SUPERFLEX



Superflex se rebela contra o capitalismo

por Júlio Cavani


Os dinamarqueses do grupo Superflex estão entre os mais famosos ativistas políticos no atual cenário da arte contemporânea internacional. Depois de participarem de algumas das principais bienais do mundo, eles mostram seu trabalho no Recife pela primeira vez a partir desta segunda-feira(09/11), na Galeria Vicente do Rego Monteiro, da Fundação Joaquim Nabuco do Derby.


Vídeo Carro em chamas, que faz parte da exposição dos artistas dinamarqueses, mostra ícone do consumismo em cena repleta de tensão.

As contradições da sociedade capitalista são o principal alvo dos trabalhos do Superflex, mas com uma nova abordagem sem maniqueísmos esquerdistas. Eles já chegaram a ter obras censuradas porque atingiram o orgulho de grandes marcas multinacionais. Na Fundação Joaquim Nabuco, são projetados dois vídeos dos artistas, em cartaz em períodos diferentes. O primeiro é Carro em chamas, que é lançado nesta segunda, às 19h, e continua em exibição até 29 de novembro. O segundo, a partir de 1º de dezembro, é McDonald's inundada, inédito no Brasil.

Carro em chamas mostra exatamente o que o título diz. Durante 11 minutos, um automóvel pega fogo até ser totalmente carbonizado. No lugar de monótona, a cena é carregada de tensão e beleza plástica, pois a filmagem tem fotografia de cinema e mostra os efeitos do calor e o movimento do fogo em detalhes. A imagem, que faz uma referência direta aos protestos ocorridos em Paris há três anos, funciona como uma catarse contra os mecanismos de exclusão social, simbolizada pela destruição de um dos maiores ícones do consumismo.

McDonald's inundada (20 minutos) também tem um título bastante literal. Em um estúdio, os artistas construíram uma réplica do ambiente interno de uma lanchonete e depois alagaram o local com o uso de mangueiras. Aos poucos, a água preenche o ambiente até o teto. O filme, também cuidadosamente fotografado, oferece a sensação de que as forças da natureza se rebelaram contra esse templo internacional da alimentação comercial padronizada. Temas como aquecimento global, manipulação de individualidades e saúde pública podem ser indiretamente associados à obra.

Em 2004, na Bienal de São Paulo, o Superflex teve um trabalho censurado. A obra consistia na distribuição de latas de um refrigerante fabricado por pequenos produtores de guaraná do amazonas, que foram engolidos pelo velado monopólio das grandes companhias de bebida nacionais. Fundado em 1993, o grupo é formado por Reuter Christiansen, Jakob Fenger e Rasmus Nielsen.

Uma programação com cinco debates, acompanha o período da mostra, que é a primeira de um programa de dez exposições em torno do tema Política da arte. Entre os convidados estão Jochen Volz (co-curador da Bienal de Veneza em 2009 e diretor do Centro de Arte Contemporânea Inhotim) e o crítico Luiz Camilo Osório (curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro).

Museus correm para expor Oiticica



SP ganha mostra com "Metaesquemas" e relevos que é aberta hoje; Inhotim terá pavilhão exclusivo para artista carioca



"Cosmococas" serão exibidas em três instituições dos EUA; após incêndio, custos de exposição paulistana dobram 



Mario Gioia e Silas Marti da Folha de S. Paulo





Depois do incêndio de 30% do acervo de Hélio Oiticica que estava na casa do irmão, César Oiticica, no Rio, museus e instituições aceleram mostras e espaços dedicados ao artista carioca, no Brasil e no exterior. Em São Paulo, hoje, o IAC (Instituto de Arte Contemporânea) inaugura a exposição "Da Estrutura ao Tempo", que exibe 18 trabalhos de Oiticica (1937-1980) do início de carreira, de 1956 ao começo da década seguinte.


Após o incêndio ocorrido no último dia 16, a mostra ganhou mais interesse e teve os custos duplicados. "A segurança, que já era maior que o normal, foi reforçada. O seguro também aumentou", conta Roberto Bertani, diretor do IAC.


As obras emprestadas por cinco colecionadores de São Paulo e do Rio também estão com o valor dobrado. Em média, cada um dos 14 "Metaesquemas" presentes no IAC vale US$ 300 mil (cerca de R$ 516 mil). Cada um dos quatro relevos que completam "Da Estrutura..." é avaliado em US$ 700 mil (R$ 1,2 milhão).


O curador da exposição, Cauê Alves, fez o recorte no começo da carreira de Oiticica por avaliar que as leituras sobre essa fase se repetem. 
"É um período muito importante na trajetória do Hélio e que tem sido visto como antecipador da obra mais sensorial dele, quando ele abandona o plano, quase como se a trajetória dele tivesse uma evolução linear", afirma Alves. "Mas ele poderia ter trilhado outros caminhos. A rigor, os "Metaesquemas" se aproximam muito da produção de outros construtivos, como Barsotti e Amilcar de Castro.

Pavilhão exclusivo


Na esteira de mostras de Oiticica pós-incêndio, o Instituto Inhotim pretende inaugurar no ano que vem um pavilhão para abrigar cinco das nove "Cosmococas" produzidas pelo artista, com o cineasta Neville d'Almeida, nos anos 70.


Só uma das instalações, "CC5 Hendrix War", está montada hoje no museu de Brumadinho, na Grande BH. Com a construção do novo pavilhão, as outras quatro obras da série, que já integravam o acervo do Inhotim, poderão ser vistas juntas pela primeira vez desde 2005, quando foram expostas no Rio e em Buenos Aires. 
"Esse projeto já existia antes do incêndio, mas agora se torna mais urgente", afirma Rodrigo Moura, um dos curadores do centro mineiro. "Toda a situação de como mostrar a obra do Hélio mudou muito."


No trabalho já montado, Oiticica faz uma homenagem ao músico Jimi Hendrix. As demais obras da série são instalações com projeções de slides, espécie de fusão entre artes plásticas e cinema, dedicadas a outras figuras centrais na história da arte, como Luis Buñuel, Yoko Ono e John Cage. "Nossa filosofia era homenagear pessoas de grande transgressão", lembra Neville d'Almeida, que fez a série com Oiticica entre março e agosto de 1973, no apartamento onde o artista vivia em Nova York.


"Hendrix, por exemplo, fez uma transgressão tão violenta, tão absoluta que o vice-presidente na época disse que ele era um veneno para a juventude americana." 
Esse veneno aparece no branco da cocaína usada nas fotografias da série. Contornos dos rostos de Hendrix e Monroe, por exemplo, são traçados por cima dos retratos com carreiras da droga. As "Cosmococas" formam parte expressiva da filosofia de Oiticica e seu chamado programa ambiental. "É uma obra matricial de como artistas vão pensar o papel do espectador dentro da imagem em movimento", diz Moura.


Três obras da série serão exibidas no exterior. Uma delas, a que homenageia Buñuel, pode ser vista agora no museu Yerba Buena, em San Francisco. Em fevereiro de 2010, viaja para o Hunter College, em Nova York, e segue em setembro de 2010 para o Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles.

DA ESTRUTURA AO TEMPO

Quando: abertura hoje, às 11h (convidados); de ter. a sáb., das 10h às 18h, e dom., das 12h às 17h; até 28/2
Onde: IAC (r. Maria Antonia, 242, tel. 0/xx/11/3255-2009); livre
Quanto: entrada franca

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Serra e Sayad querem acabar com os museus de SP

por Celso Fioravante do Mapa das Artes

O jornal “O Estado de S. Paulo” publicou no último dia 9 de agosto uma reportagem na qual detalhou uma proposta nefasta do governo do Estado de São Paulo, de, por meio de seu Secretário de Cultura, João Sayad, transferir para as prefeituras a administração dos 49 museus públicos estaduais que ainda não são geridos por organizações sociais, como a Pinacoteca e o Museu da Língua Portuguesa. Isso significa que a dupla Serra-Sayad não está interessada em manter os museus do Estado e por isso decidiu passar a conta para as prefeituras. Visto que é provável que muitas prefeituras não aceitem essa proposta indecente, a tendência é que os museus do Estado caiam ainda mais no ostracismo (como já acontece com 12 deles) ou se juntem aos seis museus-fantasmas do Estado (aqueles que existem só no papel), conforme apontou a reportagem.
Dá até medo de ter governantes tão maquiavélicos! Eles sabem que gastar com a manutenção de museus não traz votos pra ninguém e por isso já querem se livrar deles! De olho nas futuras eleições, preferem investir em obras com muito ferro e cimento, que chamem a atenção, como o faraônico complexo cultural de dança e ópera, que pretendem construir na Estação da Luz.
A reportagem de “O Estado de S. Paulo”, assinada por Edison Veiga e Vitor Hugo Brandalise, revela ainda que, para passar a conta para as prefeituras, o Estado está restaurando e/ou reformando apenas três dos 49 museus. E não vai reformar mais nenhum, conforme declarou o próprio secretário Sayad! Nem eu acreditei quando li isso!!!
Ou seja, o governo do Estado prefere abrir mão de imóveis e acervos museológicos a ter que gastar com eles uma mínima parte de seu orçamento que seja. O Ministério Público Estadual deveria fazer uma análise aprofundada desse processo para verificar se o Estado pode abrir mão de suas responsabilidades dessa forma. Hoje, as vítimas do descaso da administração do Estado de SP são os museus, mas amanhã quem serão? As escolas, os hospitais...
E por falar em Ministério Público Estadual, me causou estranhamento a atitude do MPE de indeferir a posse do empresário Heitor Martins como presidente da Fundação Bienal de São Paulo, alegando “conflito de interesses”, como divulgou o jornal “Folha de S. Paulo” em reportagem de Silas Martí em 07 de agosto último.
O “conflito” seria o fato de a empresária Fernanda Feitosa, mulher de Heitor Martins, ter um contrato de aluguel de espaço na Fundação Bienal até 2015...
Mas qual seria exatamente o “conflito”? O contrato entre Feitosa e a Fundação Bienal não existe desde 2005, quando ocorreu a primeira edição da feira SP-Arte? O primeiro contrato não foi anterior à posse de Heitor Martins? A empresária não tem cumprido o contrato? Ela não tem pago pra usar o espaço da FB?
Na minha opinião, “conflito de interesse” (e falta de vergonha na cara) é usar dinheiro público para contratar, mulher, filho, genro, namorado de neta e tudo ficar por isso mesmo!
O Mapa das Artes São Paulo agradece o Instituto Moreira Salles pela cessão da imagem da fotografia “Vista Panorâmica do Vale do Anhangabaú, a partir do Mosteiro de São Bento” (c. 1911), de Vincenzo Pastore (1865-1918), pertencente ao seu acervo, parcialmente reproduzida na capa desta edição do Mapa das Artes São Paulo.

Celso Fioravante - Editor
mapadasartes@uol.com.br

terça-feira, 3 de novembro de 2009

HÉLIO OITICICA NO INSTITUTO DE ARTE CONTEMPORÂNEA - IAC

"Da Estrutura ao Tempo" reúne trabalhos do carioca Hélio Oiticica (1937-1980), que recentemente teve obras destruídas por um incêndio ocorrido no Rio de Janeiro (RJ). São exibidos 18 trabalhos (sendo 14 metaesquemas), com curadoria de Cauê Alves. Na ocasião o IAC comemora três anos no Centro Universitário Maria Antonia e inaugura nova reserva técnica, com investimento de R$ 600 mil (ambas de 07/11/2009, às 11h, a 28/02/2010).

Palestra Hoje em SP: Nicolas Bourriaud


Martins Martins Fontes recebe o renomado escritor Nicolas Bourriaud para o lançamento de suas obras



Tudo pronto para a recepção do escritor Nicolas Bourriaud, em São Paulo. Com previsão de chegada, dia 03 de novembro, o crítico de arte apresenta-se no Itaú Cultural. A apresentação aberta ao público terá início às 19h30.O tema de abertura Mesa Formas de Convívio: Os Limites da Coabitação será debatido durante a 7ª Edição do Próximo Ato - Encontro Internacional de Teatro Contemporâneo.Em seguida à apresentação, o escritor participa da noite de autógrafos dos seus livros Estética Relacional e Pós-Produção - Como a Arte Reprograma o Mundo Contemporâneo - lançamento Martins Martins Fontes.

Em Estética Relacional, Bourriaud investiga a sensibilidade coletiva em que se inscrevem as novas formas da arte, detendo-se na vertente convivial e interativa dessa revolução, procurando saber por que os artistas passaram a produzir modelos de socialidade e a se situar dentro da esfera inter-humana. Já em Pós-Produção - Como a Arte Reprograma o Mundo Contemporâneo, que é um prolongamento do anterior, mostra como entender e interpretar as novas manifestações artísticas da atualidade, abordando as relações entre a cultura em geral e a obra em particular.

ESTÉTICA RELACIONAL
Autor: Nicolas Bourriaud
ISBN: 9788599102978
Preço: R$ 25,50
Páginas: 152 pp.
Martins Fontes

PÓS-PRODUÇÃO - COMO A ARTE REPROGRAMA O MUNDO CONTEMPORÂNEO
Autor: Nicolas Bourriaud
ISBN: 9788561635114
Preço: R$ 19,80
Páginas: 112 pp.
Martins Fontes

Entrevistas Vol. 1 e 2: Hans Ulrich Obrist

Entrevistas de Hans Ulrich Obrist começam a ser publicadas no Brasil


Silas Martí da Folha de S.Paulo

Duas conversas determinaram a vida de Hans Ulrich Obrist, 41. Na primeira, entrevistava o filósofo alemão Hans-Georg Gadamer. Depois, o artista italiano Alighiero Boetti.

Hans Ulrich Obrist, diretor da Serpentine Gallery, lança volumes de entrevistas
Gadamer dormiu durante o papo e mais tarde provocou Obrist a transcrever o seu silêncio. Boetti reclamou do marasmo no meio artístico, culpa de curadores sem vontade de fugir de amarras tradicionais.

Hans Ulrich Obrist, diretor da Serpentine Gallery

Mais do que silêncio, Obrist se acostumou a transcrever suas conversas. O curador suíço, hoje diretor da Serpentine Gallery, em Londres, tem mais de 2.000 horas de entrevistas gravadas com quase todas as personalidades relevantes na arte, na arquitetura e na ciência que despontaram no século 20.
Também respondeu a Boetti e se empenhou em transformar a noção de curador --realizou desde os anos 80 algumas das mostras mais inusitadas (e elogiadas) por críticos e artistas.

Mas não estão dissociados os papéis. Obrist entrevista toda essa gente como pesquisa para exposições. Enquanto editoras vão escolhendo conversas de seu repertório para lançar em formato de livro, ele pensa em como organizar esse conhecimento no espaço físico de museus e galerias --a Serpentine, aliás, virou QG de suas ações.

ENTREVISTAS VOL. 1 E VOL. 2

Autor: Hans Ulrich Obrist

Tradução: Beatriz Horta, Diogo Henriques, Izabela Leal

Lançamento: Cobogó

Quanto: R$ 32 (cada volume)
Onde: Livraria Cultura

Estão saindo agora no Brasil, pela editora Cobogó, uma série dessas entrevistas. Dois volumes já chegaram às livrarias --entre os entrevistados, Merce Cunningham, Yoko Ono, Walter Zanini, Robert Crumb, Manoel de Oliveira, Augusto de Campos e Jeff Koons e mais quatro devem ser lançados até meados do ano que vem.

Essa ligação com o Brasil também deve se estreitar em 2010, quando Obrist vem ao país entrevistar uma série de artistas. A lista de nomes ainda não confirmados tem Tom Zé, José Celso Martinez Corrêa e o ermitão João Gilberto.

No exterior, seu segundo volume de entrevistas saiu pela Charta, que deve publicar ao todo 22 livros. No lançamento do mês passado, estão conversas com Björk, Miranda July, Richard Hamilton, Doris Lessing, Ai Weiwei e Arto Lindsay.
"Faço uma entrevista por dia, é como um diário ou cápsula do tempo, uma forma sistemática de lutar contra o esquecimento", conta Obrist à Folha. "Vivemos num momento de acúmulo de informação, mas o aumento exponencial de dados não significa que teremos melhor memória do que ocorre."

Contra o acúmulo de informação no mundo, Obrist despeja um falatório inesgotável em páginas de livros. Não sabe quantos volumes já publicou ou quantos livros já reproduziram entrevistas suas --uma pesquisa com seu nome na Amazon traz 363 resultados.

Não assusta que ele se descreva hoje como "máquina de livros".
Talvez pelo excesso, Obrist saltou da posição 35 para o primeiro lugar da lista das cem pessoas mais influentes nas artes plásticas divulgada há duas semanas pela revista "Art Review". É o primeiro curador a ocupar o topo em pelo menos dez anos, depois de um monopólio do posto por colecionadores, galeristas e o artista blockbuster Damien Hirst --sinal de que, em tempos de recessão, premiaram a reflexão.

"Minhas entrevistas acontecem em trens, cafés, aviões, restaurantes", conta. "Tento produzir memória; com exposições, tento recriar a realidade, e, nas entrevistas, avançar contra o esquecimento."

Todo e qualquer esquecimento. As conversas não seguem roteiro rígido. Saltam de um tema a outro, ressaltam desvios, interrupções --o gato de Yoko Ono faz uma participação especial, ou o telefone de Gadamer. Num livro de entrevistas com o artista alemão Hans Peter Feldmann, Obrist faz uma pergunta na página da esquerda e o artista responde com uma imagem à direita.

"Não são conversas para descobrir alguma coisa, são situações abertas. Tem mais a ver com o processo do que com o resultado final", diz Obrist.
"Quando já conheço o artista, vou tentando encontrar novos capítulos de sua vida e aos poucos consigo chegar a um retrato total, registrar todas as dimensões daquela personalidade."

Costuma ser vasto esse campo. Mais do que a vida de cada entrevistado, Obrist quer saber sobre a cidade onde vive, sobre projetos, sobre o estado geral da vida pública e privada. Também conclui cada entrevista perguntando que projeto impossível gostariam de realizar.

Alguns deles, depois da entrevista, viraram realidade, como uma exposição de Alighiero Boetti que ficou em cartaz nos aviões da Austrian Airlines, proposta de levar as obras para além das paredes do museu.
"Vejo uma dimensão urbanística no papel do curador", diz Obrist. "Foi quando comecei a fazer e pensar em mostras inusuais, idealizadas também a partir da escala das cidades."

Mais de cem desses projetos saíram compilados neste ano no livro "Unbuilt Roads". Nem todos se propõem a serem realizados. Alguns se anunciam mesmo como fracassos, mas estão ali, abertos à consulta, apontando os tais caminhos não construídos do título.

E realizar os realizáveis, juntos numa grande mostra, é o maior projeto não realizado do curador Hans Ulrich Obrist, ainda sem data para acontecer mas já na memória que ele produziu para virar realidade.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

BOA NOTÍCIA?


Perda da obra de Oiticica é menor que a anunciada



Fabio Cypriano 
da Folha de S.Paulo

Menos de uma semana após iniciar o trabalho de restauro das obras do artista Hélio Oiticica (1937-1980)--atingidas por um incêndio, no dia último dia 17, no Rio--, a avaliação dos técnicos do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) é muito mais positiva do que a inicial. A família Oiticica calculava que 90% da coleção teria sido destruída.

Obras de Hélio Oiticica após incêndio, na casa da família do artista no Rio de Janeiro
"Eles se precipitaram, o que é compreensível, pois tudo estava enegrecido, então foi uma reação normal, de quem estava assustado. O laudo definitivo será divulgado na próxima semana, mas, ao que tudo indica, até agora, entre 70% e 80% do acervo está preservado", disse à Folha José do Nascimento Júnior, presidente do Ibram.

Cinco técnicos do instituto trabalham desde o dia 21 na casa do irmão de Oiticica, César, onde foi montado um laboratório de restauração. "Os "Penetráveis", desenhos e guaches estão em bom estado. Já os "Parangolés" e trabalhos com tinta a óleo foram os mais destruídos, pois estavam próximos do foco inicial do incêndio", contou Nascimento Júnior.

Segundo o presidente, também foram chamados para auxiliar no restauro técnicos do Instituto Moreira Sales. Isso por conta do grande número de fotografias do acervo, inclusive de José Oiticica Filho (1906-1964), um dos pioneiros da fotografia moderna no país e pai de Hélio. Os técnicos também estão comparando o que foi digitalizado do arquivo de Oiticica com o que restou no local.

O acervo privado mantido pela família Oiticica, orçado por ela mesma, no dia do incêndio, em mais de R$ 342 milhões, agora está sendo restaurado por iniciativa pública. Nos últimos anos, obras importantes foram vendidas a instituições do exterior, como a emblemática "Tropicália", um conjunto de "Penetráveis", adquirido pela Tate, em 2007, por 415 mil (R$ 1,16 milhão). O museu comprou ainda dois "Bólides" por 730 mil (R$ 2 milhões), segundo o site da instituição. "Nossa preocupação agora é salvar o que for possível", disse Nascimento Júnior.

Mas qual poderá ser a contrapartida do restauro? "Junto com o Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional] e a Funarte [Fundação Nacional de Artes], estamos propondo que o Ministério da Cultura tome algumas medidas, que ainda estão sendo analisadas pelo Juca Ferreira [ministro da Cultura] e devem ser anunciadas em breve", afirmou ainda Nascimento Júnior.

Hoje Francis Bacon faria 100 anos

Para o pintor Francis Bacon, homem é carne e carcaça em potencial; leia trecho


A representação da carne humana de forma nua e crua, em tons sanguíneos e funções orgânicas palpáveis diante do olhar do espectador. Foi assim que o irlandês Francis Bacon (1909-1992) destacou-se na pintura figurativa do século 20 com seus quadros. Hoje, comemora-se o centenário do nascimento do pintor.

Bacon pincelava temas polêmicos com uma inusitada visão modernista que possuía do mundo. Fantasias masoquistas, pedofilia, desmembramento e dissecação de corpos e tensão homoerótica eram comumente tratados por ele em suas obras. Essa liberdade autoral está relacionada, em parte, à repressão que sofreu quando criança. O pai era um homem violento e o agredia. A infância traumática do pintor transformou-se em arte transgressiva, permeada por fluídos naturais --sangue, bílis, urina e esperma-- e sexo e religião contrapondo-se em intensa velocidade de traços.



Em "Entrevistas com Francis Bacon", o crítico de arte inglês David Sylvester reuniu nove entrevistas que o pintor lhe concedeu entre os anos de 1962 e 1986. Os relatos são o testemunho do processo de criação e concepção do artista.
No trecho abaixo, extraído do volume, Sylvester trata do tema corporal e de como o pintor irlandês lida com a questão da carne humana. "Quando você entra num açougue e vê como as carnes podem ser bonitas e depois pensa nisso, é que percebe todo o horror da vida-- da coisa que come uma a outra", explica Bacon.

David Sylvester: Quando você pinta uma crucificação, você acha que aborda o problema de uma maneira muito diversa daquela que usa para abordar outras pinturas?

Francis Bacon: Bem, claro, você está então lidando realmente com seus sentimentos e emoções. Você poderia dizer que chega quase a ser um auto-retrato. Você está lidando com sentimentos muito particulares que têm a ver com o comportamento e com a vida como ela é.

D.S.: Uma configuração recorrente e muito pessoal em sua obra é o entrelaçamento da imagística da crucificação com a imagística do açougue. A conexão com a carne deve ter um significado muito forte para você.

F.B.: É verdade. Se você for a um desses grandes açougues e andar por aqueles salões enormes cheios de cadáveres, encontrará carne, peixe, aves e outras coisas mais ali deitadas, mortas. E, como pintor, você não pode deixar de perceber toda a beleza do colorido da carne.

D.S.: A conjunção da carne com a crucificação parece acontecer de duas maneiras: pela presença na cena de flancos de carne e pela transformação da própria figura do crucificado numa carcaça pendurada.

F.B.: Bem, claro, nós somos carne, somos carcaça em potencial. Sempre que entro num açougue penso que é surpreendente eu não estar ali no lugar do animal. Mas usar a carne dessa maneira particular talvez seja igual à maneira como alguém usaria a coluna, porque estamos sempre vendo imagens do corpo humano através de chapas de radiografia e isso obviamente modifica o modo como se pode usar o corpo. Você deve conhecer o belo pastel de Degas na National Gallery, de uma mulher lavando suas costas. E você pode ver bem lá no alto da coluna que o osso quase sai para fora do corpo. Isso dá uma tal força e imprime uma tal distorção que você passa a perceber a vulnerabilidade do resto do corpo, mais do que se Degas tivesse desenhado a coluna subindo naturalmente até o pescoço. Ele quebra a coisa para que ela pareça saltar da pele. Não importa se Degas fez isso de propósito ou não, é este detalhe que torna o quadro ainda mais admirável, pois você de repente passa a perceber tanto a carcaça quanto a carne, que em geral ele simplesmente pintava cobrindo os ossos. No meu caso, não resta dúvida de que essas coisas são influenciadas por chapas de radiografia.

D.S.: É evidente que sua obsessão por pinturas em que aparecem carnes se deve bastante a questões ligadas à forma e à cor... suas próprias obras evidenciam isso. Mas sem dúvida os quadros que têm o tema da crucificação pertencem àquela categoria que levou os críticos a ressaltar o que chamaram de elemento de horror na sua obra.

F.B.: Bem, não há dúvida de que eles sempre ressaltaram esse lado do horror. Mas eu não sinto muito isso em minha obra. Nunca procurei o horror. Basta que se observem as coisas e se saiba ler nas entrelinhas para concluir-se que as coisas que eu fiz não enfatizam este lado da vida. Quando você entra num açougue e vê como as carnes podem ser bonitas e depois pensa nisso, é que percebe todo o horror da vida - da coisa que come uma a outra. É como todas essas idiotices que se dizem das touradas. As pessoas comem carne e depois se queixam da existência de touradas; elas recriminam as touradas, mas estão lá cobertas de peles e com enfeites de pena no cabelo.

"Entrevistas com Francis Bacon"

Autor: David Sylvester

Editora: Cosac Naify

Páginas: 208

Quanto: R$ 62


da Folha Online em 28/10/09

Rosalind Krauss: Alerta contra a fraude nos nossos dias



A crítica americana Rosalind Krauss fez uma palestra polêmica no Paço das Artes

Camila Molina do Estadão

A americana Rosalind Krauss, em curta passagem por São Paulo para realizar palestra anteontem à tarde no 3º Simpósio Internacional de Arte Contemporânea do Paço das Artes - Experiências, Campos, Intersecções e Articulações, foi apresentada na abertura do evento como a mais importante crítica, teórica e ensaísta de arte da atualidade. Aos 67 anos, Rosalind, professora da Universidade de Columbia, Nova York, é uma referência, não só pelos livros que publica desde a década de 1960 - The Originality of the Avant-Garde and Other Modernist Myths e O Fotográfico -, como a de ser uma das fundadoras, em 1976, da October, influente periódico sobre arte, atualmente, publicado pela MIT Press, e de conceitos, entre eles, o da "escultura no campo expandido" e da defesa da fotografia como gênero - no simpósio, ela se valeu de um termo que agora usa especificamente: "Abandonei a palavra mídia e comecei a usar a expressão suporte técnico."

Dona de uma fala contundente - e voltada para um público preparado -, Rosalind começou sua conferência enfática: "Aqueles que conhecem minha obra sabem quão profundamente sou opositora do trabalho fomentado por essas mostras internacionais e feiras como as Documentas e várias Bienais." Fez sua palestra "testando" declarações da curadora da Documenta X, de 1997, Catherine David, sobre o fim do cubo branco ("as paredes do museu e o espaço da galeria") e da recusa das ideias de pureza, autenticidade e oposição entre arte e mídia. Para tanto, a crítica, por mais de uma hora, fez sua provocação sem interrupção: discorreu sobre sete "artistas rebeldes" da contemporaneidade (Harun Farocki, Ed Ruscha, William Kentridge, Christian Marclay, James Coleman, Sophie Calle e Marcel Broodthaers) que conseguem criar uma obra "contra a ditadura do cubo branco".

A palestra de Rosalind, mediada pelo professor da Unicamp, Márcio Seligmann-Silva, tinha como título Reconfigurações no Sistema de Arte Contemporânea. Valendo-se de uma citação do professor de filosofia de Harvard, Stanley Cavell - "a possibilidade de fraude e a experiência de fraude é endêmica na experiência da arte contemporânea" - Rosalind defende que o trabalho do crítico é "penetrar" e "comunicar" quais seriam os processos de criação genuínos dentro de um sistema que "encoraja o espetáculo". Foi segura ao eleger apenas uma lista de menos de dez criadores que, usando expressão de Walter Benjamin, dão "o salto do tigre" (Tigersprung) abrindo espaço para a reflexão dentro da arte. "Não existe a sobreposição da historicidade", resumiu, depois do término da palestra, Seligmann, o que significa que esse "salto do tigre" pode ser dado mesmo que se permita "um passo para trás".

"O passado dá poder ao presente", afirmou Rosalind, que depois, respondendo a uma das perguntas do público, simplesmente arrematou toda sua palestra dizendo: "Se você está me perguntando se sou uma reacionária a resposta é sim" (Infelizmente, a sessão aberta ao debate com o público foi interrompida abruptamente pelos organizadores do seminário).

Tendo uma vasta formação, no início marcada pelas teorias do formalista Clement Greenberg e das visões mais subjetivas de Harold Rosenberg, sua trajetória de quase 50 anos, marcada pelo engajamento, reflete a passagem do modernismo para a pós-modernidade - já foram temas de seus trabalhos o cubismo e a fotografia surrealista, as esculturas de Brancusi, David Smith e Richard Serra, o minimalismo ou a obra de Cindy Sherman. Rosalind, assim, chamou atenção em sua palestra para a ideia de "pureza" que o modernismo chamou de "especificidade da mídia" - e que tanto a estética relacional quanto as instalações (a grande estrela das bienais e feiras) se alimentaram do fim da especificidade e da narrativa principal. A genuinidade de cada obra elencada por Rosalind Krauss não poderia estar desgarrada do "suporte técnico" escolhido pelos artistas: no caso do checo-alemão Harun Farocki, "cineasta", a edição; do americano Ed Ruscha, a pintura com sua história; do sul-africano William Kentridge, a animação; do americano Christian Marclay, a sonoridade; do irlandês James Coleman, a fita slide; da francesa Sophie Calle, o jornalismo e a vida privada; do belga Marcel Broodthaers, a criação de um museu imaginário.

O 3º Simpósio de Arte Contemporânea do Paço das Artes termina hoje com a realização de três mesas de debate. A primeira, das 10h às 11h, tem como tema Confluências: Arte, Tecnologia, Indústria, Design e a participação do professor da PUC, Nelson Brissac e Yacine Ait Kaci, da França - depois ocorre debate com Cícero Inácio Silva, da Universidade de San Diego, Califórnia. A segunda, das 14h às 15h30, Redes Sociais, Arquivo e Acesso, terá como palestrantes Rogério da Costa, da PUC, e Alberto Lopez Cuenca, pesquisador espanhol, seguido de debate com o historiador de arte cubano Eugenio Valdés Figueroa, da Casa Daros-Rio. A terceira, Imagens Contemporâneas e Imagens da Arte Contemporânea, contará com as palestras de Lucia Santaella, da PUC, e de André Parente, da Universidade Federal do Rio de Janeiro - o debate, posterior, será com o artista Lucas Bambozzi. Será lançada uma publicação reunindo o conteúdo do simpósio.

ainda sobre Oiticica

Responsabilidade, segurança e trégua

por César Oiticica

Agradecemos, emocionados, às dezenas de mensagens de solidariedade enviadas por pessoas de várias partes do mundo pela tragédia do incêndio que destruiu grande parte da obra de Hélio Oiticica.

Não concordamos, de maneira nenhuma, que cabe culpa ao governo, municipal, estadual ou federal, por esse acidente trágico que deixa o mundo da arte órfão de uma das mais destacadas obras da segunda metade do século XX. Uma tragédia absurda, muitas vezes, tem como reação uma série de protestos contra o governo. É mais ou menos como a revolta do filho contra Deus pela morte prematura do pai.

Nós escolhemos, conscientemente, desde o início, o modelo no qual acreditávamos ser o melhor para gerir a obra de Hélio. Fundamos, em 1981, o Projeto Hélio Oiticica, uma associação cultural sem fins lucrativos, com as finalidades de guardar, conservar, estudar e difundir a obra do artista.

O projeto teve um desempenho excelente, nestes 28 anos, como provam o grande aumento do prestígio da obra a nível mundial, as inúmeras teses acadêmicas elaboradas sobre a obra de Oiticica, as restaurações de grande parte do acervo e o acondicionamento correto com controle ambiental perfeito em sua reserva técnica. O item segurança não foi negligenciado, contando com dois sensores de fumaça ligados ao sistema de alarme.

No interior da reserva, no momento do incêndio, só havia um ponto com energia elétrica ativo: o desumidificador, já que o sistema de ar-condicionado não tinha ponto de energia interno e a iluminação estava sempre desligada quando a reserva se encontrava vazia. Inúmeros especialistas em museus, restauradores, curadores, historiadores de arte e artistas visitaram a nossa reserva técnica e sempre a elogiaram.

Nunca houve uma crítica.

Mesmo assim, sempre nos perseguirá o sentimento de que talvez pudéssemos ter evitado o que ocorreu. A responsabilidade é só nossa e não seria justo tentar dividi-la com alguém.
Não duvidamos, porém, que o caminho que escolhemos para gerenciar a obra de Hélio foi o correto.

A administração da obra de um artista nunca deve ser feita pelo poder público principalmente quando não há o conhecimento e a estrutura necessários para isso.

A obra de Hélio Oiticica é extremamente complexa.


Até hoje é motivo de estudos até pelos mais veteranos pesquisadores e estimula, mais do que qualquer outra, os jovens acadêmicos a elaborarem monografias e teses. A sua ousadia a torna fonte de inspiração e estímulo à liberdade de criação em todo o mundo.

Uma estrutura estatal, burocrática, jamais poderia fazer o que foi feito pelo Projeto Hélio Oiticica nestes 28 anos. Depois do desespero, uma tristeza profunda, doída, tomou conta de todos que se acostumaram a amar a obra de Hélio Oiticica. Mas esse sentimento deve ser substituído pela vontade vital de continuar o trabalho de cuidar e difundir a sua obra.

Agradecemos à imensa ajuda do Ministério da Cultura, que rapidamente acionou o Ibram para nos ajudar a resgatar as obras que sobreviveram ao incêndio.

Essa força, neste momento, transformou a perplexidade diante da tragédia em ação para a recuperação do que restou do acervo.

Temos que pedir uma trégua a todos que, por um motivo ou outro, discordam ou desgostam do Projeto HO ou de nossa família. Por favor, um pouco de solidariedade.

Pedimos também um tempo a todos que, mesmo por motivos profissionais, desejam entrar em contato conosco. Estamos tentando salvar o que sobrou do incêndio.

Contamos com a sua colaboração.

CÉSAR OITICICA é irmão de Hélio e diretor do Projeto HO

O Globo, 21 de outubro de 2009

Políticas Culturais: enquanto no Brasil engatinhamos

No exterior, governos compram acervos

por Silas Martí da Folha de S. paulo

Governos estrangeiros têm mecanismos para evitar que acervos de artistas já mortos fiquem desprotegidos ou sob posse exclusiva de familiares.
Enquanto a legislação brasileira prevê o simples tombamento de um acervo ou a declaração de que as obras são de interesse público, países como França, Espanha, Portugal, Bélgica e Holanda têm medidas específicas para tratar o acervo depois da morte de um artista.
No caso francês, modelo com ampla aceitação mundial, a lei de heranças obriga que um percentual do acervo do artista permaneça na cidade onde ele morreu, como parte do pagamento do imposto sobre os bens legados aos herdeiros.
Esse mecanismo permitiu a criação do Museu Picasso, em Paris, que deteve boa parte das obras do artista espanhol. "Tem um imposto do Estado bem forte e esse imposto é pago em obras", afirma Philippe Ariagno, adido cultural francês em São Paulo. "Mas a decisão de pôr o acervo no museu continua pertencendo à família."
Em Portugal, há um fundo do governo específico para a aquisição de acervos, que prevê como agir no caso da morte de um artista. O mesmo ocorre na Espanha, onde o governo entra em contato com herdeiros para adquirir obras de artistas.
"Quando um artista morre, a família precisa vender obras para partilhar a herança, então o governo dá dinheiro para a compra do acervo", diz Rafael de Gorgolas, conselheiro cultural da Espanha em Brasília. "É uma maneira pública de favorecer as obras, para que elas não acabem sumindo."
Até agora, a legislação brasileira não tem nada parecido. "Do ponto de vista do Estado, a gente não vê um instrumento para isso", afirma à Folha o advogado Rodrigo Salinas, especialista em direitos autorais.
Dirigentes nacionais do setor dizem, no entanto, que modelos como o francês podem ser adaptados à realidade do país.
"Essas são leis interessantes porque buscam um equilíbrio entre o interesse privado das famílias e o interesse do Estado em preservar a obra de um grande artista", diz José do Nascimento Júnior, diretor do Instituto Brasileiro de Museus, órgão do governo federal.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

EXCELENTE


Artista plástica que começou aos 60 anos conquista mercado

Mario Gioia da Folha de S.Paulo

Foi olhando o morro da Mangueira pela janela de casa, em 2000, que a aposentada Lucia Laguna, à época com 60 anos, achou o que buscava desde que abandonara o magistério, sete anos antes.

"Do outro lado, havia um morro. Achei que precisava trabalhar o meu entorno, a paisagem que me rodeia. Essa era a resposta que eu procurava tanto e que talvez aplacasse a minha angústia", conta ela.


Nove anos depois e ainda inquieta, hoje, Laguna, 68, é destacado nome da pintura brasileira e acaba de ganhar sua primeira individual em São Paulo, na galeria Virgilio, em cartaz até 14 de novembro. Com exceção de uma grande tela, que custa em média R$ 40 mil, todos os outros nove quadros foram arrematados por grandes colecionadores de São Paulo.


Lucia Laguna, que tem mostra individual até 14 de novembro na galeria Virgilio, em São Paulo

O estilo da artista é uma complexa mescla de cenas abstratas e figurativas. Planos, linhas e cores se misturam em telas de grande tamanho, algumas com 2 m de largura. O emaranhado urbano da favela é transposto para as pinturas, mas de modo não literal.


"A Laura [Marsiaj, dona de uma das maiores galerias do Rio, que a representa] tem vendido todos os meus trabalhos também. Na verdade, até estou em dívida com ela porque já tem gente procurando as obras e eu não estou dando conta", conta ela, que foi chamada de "pintora de mão cheia" por Paulo Sergio Duarte, 62, ex-curador da Bienal do Mercosul e um dos mais influentes críticos de arte do país. "Lucia é atualmente uma referência da pintura contemporânea no país. Tem um vigor e uma jovialidade admiráveis e é dona de um universo plástico muito original", comenta ele.

Cuspe e giz


Nada mau para uma ex-professora da rede municipal do Rio, nascida em Campos (a 280 km do Rio), formada em letras em São João del Rei (MG) e que administrava, ao lado do marido, uma pequena fábrica de brinquedos educativos próxima à residência, no bairro São Francisco Xavier.


No ano histórico de 1968, Laguna concluiu a graduação e foi morar no Rio. No início, dava aulas da antiga disciplina comunicação e expressão para alunos de colégios particulares da Tijuca. "Eram aulas muito voltadas para teatro, leitura de poesia, interpretação de texto. Cecília Meireles, Drummond e Julio Cortázar eram os meus autores preferidos para dar na classe", lembra ela.

Os estudantes faziam tarefas a partir de peças ou filmes que frequentavam.
Em 1973, passou em um concurso para ser professora da rede municipal e foi dar aulas também em Inhaúma, bairro ainda mais distante da zona norte do Rio. "Aí era só na base do cuspe e giz.

Tudo era muito pobre. Mas nunca deixei de oferecer o melhor que podia. Eram aulas com muita coisa de revistas, jornais. Os adolescentes conseguiam pegar o que eu lançava."
Laguna diz que, na época, não eram comuns os casos de agressões contra professores. "Isso começou a crescer justamente quando eu deixei de dar aulas.

O máximo que havia era ter de esperar os estudantes ficarem quietos e sentados na sala, coisa que às vezes demorava mais de dez minutos."
A vida no magistério transcorreu calma até a aposentadoria, em 1993. "Depois, passei uns seis meses de vazio. Fazia as coisas domésticas, bordava, criava até bijuterias. Também ajudava meu marido na fábrica, mas faltava algo."

O cotidiano modorrento começou a mudar quando Laguna viu na televisão uma reportagem sobre a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Jardim Botânico, bairro nobre da zona sul carioca.
"Disse comigo: 'Vou lá ver isso'. Frequentava raramente museus e conhecia de forma mediana alguns artistas proeminentes, como os impressionistas e Velázquez."

Na escola, conheceu o professor Luiz Ernesto, que ministrava aulas de pintura. "Fiquei fascinada pelo modo como ele falava de arte. Descobri um mundo novo, e foi exatamente por meio da pintura."

No Parque Lage, a pintora encontrou outra grande influência, o professor Charles Watson, que organizava excursões artísticas pela Europa e pelos Estados Unidos.
"No início, não tinha dinheiro e trocava telas pelas viagens. Comecei a ver pintores que passei a admirar, como Sean Scully e Richard Diebenkorn."

Prêmios e participações em salões vieram na década seguinte, com o fortalecimento de estilo mais ligado às paisagens urbanas, algo caóticas, dos morros do Rio. "Por isso, a série que apresento agora se chama 'Janela'. Foi algo que custou a surgir, mas que estava ao meu lado."

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

NANCY SPERO, ARTISTA DO FEMINISMO, MORRE AOS 83

Nancy Spero, uma artista americana e feminista cuja particular arte figurativa se debruçou sobre a realidade da violência política, morreu no passado domingo(18/10), em Manhattan, onde vivia. Tinha 83 anos. A causa de morte foi uma infecção que levou a problemas respiratórios que por sua vez causaram paragem cardíaca.



Nascida em Cleveland em 1926, Spero estudou na School of the Art Institute of Chicago, onde conheceu o seu marido, o pintor Leon Golub, com quem esteve casada 53 anos até à sua morte, em 2004.

O casal mudou-se para Paris em 1959, onde Spero mergulhou no existencialismo europeu e produziu uma série de pinturas a óleo que tinha começado em Chicago sobre os temas da noite, maternidade e erotismo.

Quando se estabeleceram em Nova Iorque, que se tornou a sua morada permanente, em 1964, a Guerra do Vietnan e as mudanças sociais que esta criava nos Estados Unidos afetaram Nancy Spero profundamente.

Disponível em: www.nytimes.com

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Arte em alerta: Projeto Leonilson



Incêndio que destruiu obras de Oiticica reacende debate sobre a manutenção de acervo por parte de famílias ou instituições


Quando soube do incêndio que destruiu grande parte do legado de Hélio Oiticica, no último fim de semana, a psicóloga Ana Lenice Dias Fonseca da Silva sentiu o coração apertar. Ela é uma das responsáveis pelo projeto Leonilson, que cuida de mais de 1.500 obras deixadas por seu irmão, o artista José Leonilson Bezerra Dias (1957-1993), um dos destaques da Geração 80. As obras estão guardadas numa pequena casa, na Vila Mariana, sem seguro e sem proteção contra incêndio, nem mesmo detector de fumaça.

O NAVIO 1983 /2005 - lâmpadas vermelhas, amarelas e azuis
(montagem póstuma)
125,0 x 150,0 cm. Obra do acervo do PROJETO LEONÍLSON


"Nossa preocupação sempre foi com furto, mas, com esse incêndio, fiquei aflita. Há dois anos, estamos conversando com a Pinacoteca para transferir o projeto para lá, cedendo algumas obras em comodato e doando outras. Agora é a hora de isso acontecer e, se não for lá, vamos encontrar outra instituição", disse Silva.
Na Pinacoteca, o diretor Marcelo Araújo confirma a negociação: "Estamos buscando uma solução jurídica possível para viabilizar esse comodato". A instituição já tem nessa situação a coleção Nemirovsky, que possui obras de Oiticica. Mas sua alocação lá foi mais fácil pois a coleção havia sido doada pelos seus criadores, José e Paulina Nemirovsky, a uma fundação que deveria mantê-la numa instituição pública e nunca vendê-la.


"Creio que os artistas deveriam prever o que fazer com sua obra, pois isso é mesmo um abacaxi para as famílias, receber toda a tralha dos artistas que fizeram o que bem entenderam", conta a artista Anna Maria Maiolino.


De fato, se não fosse a família de Leonilson com os amigos que criaram o projeto, sua obra talvez não alcançasse tamanha repercussão. Hoje, ela está em instituições como o Museu de Arte Moderna de Nova York, a Tate, em Londres, e o Centro Pompidou, em Paris.


"Todo mundo costuma crucificar a família. Quando a Mira Schendel morreu, ela não tinha quase valor e sobrou para a família cuidar de tudo", diz Ada Schendel, filha da artista Mira Schendel (1913-1988). Ela guarda em sua casa o acervo e se recusou a cedê-lo em comodato para o Instituto de Arte Contemporânea (IAC). "Não confio nessa instituição. Colocaram obras danificadas em uma exposição e os artistas em panelas, quando eu passei os últimos 20 anos para tirar a Mira de panelas", diz Schendel.


Roberto Bertani, diretor do IAC, diz que a declaração de Ada parece um contrassenso. "Estamos organizando, no próximo ano, uma exposição da Mira, com aval dela."

Fundação Iberê Camargo apresenta vida do artista sintetizada em mostra


Fábio Cypriano da Folha de S. Paulo

Quando ainda se vive o choque pela perda de um dos mais importantes acervos de arte do país, com o incêndio das obras de Hélio Oiticica (1937 1940), no Rio de Janeiro, a capital gaúcha torna-se modelo mais evidente na preservação do patrimônio de um artista com a FIC (Fundação Iberê Camargo). 


Inaugurada em maio do ano passado, a sede da instituição, um museu projetado pelo festejado arquiteto português Álvaro Siza, de frente para o rio Guaíba, em Porto Alegre, é um exemplo frente à tragédia ora em curso. 
Os oito mil metros quadrados da construção elegante em concreto branco custaram R$ 40 milhões, 40% pagos por patrocínio direto e 60% financiados pela Lei Rouanet.

Além de três andares com salas expositivas, o museu possui uma reserva técnica que consegue abrigar todo o acervo da FIC: 4.000 obras de Iberê Camargo (1914-1994), em condições de preservação internacionais. 
Durante a Bienal do Mercosul, estão em cartaz duas mostras na FIC: "Iberê Camargo, uma Experiência da Pintura" e "Dentro do Traço, Mesmo".

A primeira segue a tradição do local de sempre ter ao menos uma exposição com obras do acervo da instituição, respeitando-se, afinal, seu objetivo primeiro. 
Com curadoria de Virginia Alta, a exposição apresenta uma síntese da carreira de Camargo, desde suas primeiras influências até suas obras mais misteriosas, do fim de sua carreira.



Gravuras



Já "Dentro do Traço, Mesmo", organizada por Teixeira Coelho, curador do Museu de Arte de São Paulo, reúne obras de um trabalho exemplar da FIC, seu ateliê de gravura. Iberê Camargo trabalhou grande parte de sua vida com gravura e possuía um ateliê em sua casa que, desde sua morte, recebeu a visita de dezenas de artistas, o que acabou sendo estabelecido como um programa de residências, em 1999, com supervisão de Eduardo Haesbaert. 


Com isso, a instituição acabou compondo uma coleção significativa de gravuras, não só com artistas que se destacam nesse suporte, como outros que pela primeira vez o experimentam.

Assim, a mostra em cartaz reúne nomes desde o próprio Álvaro Siza, que criou o edifício sede, para onde hoje foi deslocado o ateliê, como Amilcar de Castro, um mestre da gravura, ou ainda o fotógrafo Miguel Rio Branco e os consagrados artistas argentinos Leon Ferrari e Jorge Macchi.


SERVIÇO

IBERÊ CAMARGO, UMA EXPERIÊNCIA DA PINTURA

Na Fundação Iberê Camargo (av. Padre Cacique, 2.000, Porto Alegre, tel. 0/xx/ 51/3247-8000); de ter. a sex., das 10h às 19h, sáb. e dom., das 11h às 19h; até 31/8; entrada franca

Arte e literatura reinventam Porto Alegre


DE OLHO Capital gaúcha se transforma em polo de cultura com a 7ª edição da Bienal do Mercosul e a 55ª Feira do Livro



Fábio Cypriano da Folha de S. Paulo

A partir da próxima semana, Porto Alegre se consolida como capital cultural do país, ao menos durante o mês de novembro. Além da sétima edição da Bienal do Mercosul, inaugurada na última sexta, ocupando três grandes espaços da cidade e algumas intervenções pontuais, a capital gaúcha é sede ainda da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre. 
Até o dia 15 de novembro, a praça da Alfândega, no centro da cidade, irá reunir 170 editoras e livreiros, promovendo nada menos que 700 sessões de autógrafos, evento que movimenta centenas de pessoas em torno da literatura. 
Já a Bienal do Mercosul reúne mais de 250 artistas, cerca de 120 nos espaços expositivos e os demais participantes da Radiovisual, que diariamente transmite um programa na radio FM Cultura, em Porto Alegre, mas também está à disposição no site do evento (www. bienalmercosul.art.br). 
Em sua sétima edição, a Bienal do Mercosul, denominada "Grito e Escuta", com curadoria da argentina Victoria Noorthoorn e do artista chileno Camilo Yáñez, é uma das mais radicais experiências em arte contemporânea. 



Experimental 


Enquanto no Museu de Arte do Rio Grande do Sul a mostra "Desenho das Ideias" é concebida de forma elegante e tradicional, com trabalhos nas paredes, quatro armazéns do Cais do Porto dão o toque experimental ao evento. Em um deles, o armazém 3, mais de cem toneladas de areia constróem uma cenografia arrebatadora, concebida pela artista Laura Lima, que selecionou os oito artistas desse segmento denominado "Absurdo". 
Há quem ache exagerado, mas para uma artista que trabalha com performance, como Laura, o percurso irregular e desafiador não deixa de ser coerente. No armazém 5, há duas mostras mescladas: "Texto Público", organizada por Artur Lescher, e "Biografias Coletivas", de Yáñez. Na primeira, com 18 artistas, dez realizaram intervenções na cidade e no espaço expositivo estão registros dessas obras. Uma das mais comentadas é a obra de Henrique Oliveira, numa antiga casa com protuberâncias que parecem imensos tumores de madeira, criados pelo artista nas portas e janelas. Localizada na rua da Praia, 400, próxima à praça da Alfândega, será passagem para muitos que visitarão a feira do livro, num interessante diálogo entre os dois eventos.


SERVIÇO

7ª BIENAL DO MERCOSUL
De ter. a dom., das 9h às 21h; até 29/11; nos armazéns do Cais do Porto, Santander Cultural e Museu de Arte do Rio Grande do Sul; tel. 0/ xx/51/3433-7686; entrada franca
www. bienalmercosul.art.br

55ª FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE
De 30/10 a 15/11; para informações sobre horários e locais, ligue para 0/xx/51/3225-5096 ou consulte
www.feiradolivro-poa.com.br