terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Analizando el futuro de las bienales

Expertos internacionales del mundo del arte se reunirán en un simposio en Nueva York para analizar el futuro de estos eventos



Albright-Knox Art Gallery, Buffalo, New York

Albright-Knox Art Gallery, Buffalo, New York


Coincidiendo con la preparación de la muestra bianual "Beyond/In Western New York 2010", dedicada a exhibir la producción de creadores de la ciudad estadounidense y sus alrededores, un selecto grupo de profesionales del ámbito artístico se reunirá el próximo 30 de enero en la galería Albright-Knox de Buffalo para analizar qué sentido tiene en la actualidad la existencia de bienales y cuál será el futuro de estas ferias teniendo en cuenta su masificación actual: 110 eventos de este tipo se celebran cada dos años en todo el mundo. El consultor Bruce Ferguson moderará este encuentro, en el que participarán como ponentes personalidades de la talla de Francesco Bonami, director artístico de la Fondazione Sandretto re Rebaudengo de Turín y comisario de la 75º Bienal de Whitney; Anthony Bond, director adjunto de Art Gallery of New South Wales; Charlotte Bagger, co-directora de la feria U-Turn de Copenhague o Gabriel Pérez Barreiro, conservadora jefe de la sexta Bienal do Mercosul, en Portoalegre. Ferguson, organizador del evento, comisario independiente y crítico de arte, fue el fundador y el primer director de la Bienal de Santa Fe.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

BIBLIOGRAFIA: Claire Bishop

Participation (Documents of Contemporary Art)

Sobre o Autor
Claire Bishop é autora do livro Istallation Art (Instalação Arte: Uma História Crítica) além de colaborar para muitas revistas de arte, incluindo ArtForum, Flash Art, leciona História da Arte na Universidade de Warwick.

Description
The desire to move viewers out of the role of passive observers and into the role of producers is one of t
he hallmarks of twentieth-century art. This tendency can be found in practices and projects ranging from El Lissitzky's exhibition designs to Allan Kaprow's happenings, from minimalist objects to installation art. More recently, this kind of participatory art has gone so far as to encourage and produce new social relationships. Guy Debord's celebrated argument that capitalism fragments the social bond has become the premise for much relational art seeking to challenge and provide alternatives to the discontents of contemporary life. This publication collects texts that place this artistic development in historical and theoretical context.

Participation begins with writings that provide a theoretical framework for relational art, with essays by Umberto Eco, Bertolt Brecht, Roland Barthes, Peter Bürger, Jen-Luc Nancy, Edoaurd Glissant, and Félix Guattari, as well as the first translation into English of Jacques Rancière's influential "Problems and Transformations in Critical Art." The book also includes central writings by such artists as Lygia Clark and Hélio Oiticica, Joseph Beuys, Augusto Boal, Felix Gonzalez-Torres, Thomas Hirschhorn, and Rirkrit Tiravanija. And it features recent critical and curatorial debates, with discussions by Lars Bang Larsen, Nicolas Bourriaud, Hal Foster, and Hans-Ulrich Obrist.

Editorial Reviews

Review
"A rigorous introduction to debates on the relations between art and society, community and collective agency, from the rise of socially based art in the 1960s to the present.... What is an authentic concept of contemporary democracy, and how can art address it? What is the social value of participatory authorship, and what are the aesthetic limits of the social turn in art? These are crucial questions today, and this is an inexhaustible resource for those who want to answer them."
-Viktor Misiano, Curator and Chief Editor of Moscow Art Magazine

"Claire Bishop has distilled an opinionated treasury of analytical writings, empirical narration, and curatorial criticism. Her editorial enterprise results in a volume that lays out key concepts intrinsic to recent participatory art practices and illuminates a cross-section of social dynamics such practices activate and express."
-Julie Ault, artist, co-founder of Group Material

"The current focus on relational aesthetics seems to have been largely detrimental to a more complex, nuanced and art-historically informed discussion on participatory practices. Claire Bishop's thoughtful anthology will hopefully begin to remedy this situation. Her book provides the theoretical and historical tools that are essential to perform a closer reading of participatory practices, current and past. Precisely organized and carefully selected, this anthology will surely be consulted widely, both by professionals and students. To its usefulness and clarity, Bishop's book adds a concern for a geographically expanded field of inquiry, so that her version of history is gladly one that does not disregard the evidence – as much recent writing unfortunately still does – when it comes from outside the well-trodden paths of the Western canon."
-Carlos Basualdo, Curator of Contemporary Art, Philadelphia Museum of Art

Copublished with Whitechapel Art Gallery, London

Product Details
  • Paperback: 207 pages
  • Publisher: The MIT Press (November 1, 2006)
  • Language: English
  • ISBN-10: 0262524643
  • ISBN-13: 978-0262524643

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

08 Leituras em tempo de crise

O projeto ‘Leituras’ é idealizado pelas pesquisadoras portuguesas Silvia Guera e Inês Moreira, interessadas em estudos nas áreas de arquitetura e cultura visual. Trata-se de um assunto de suma importância para o conteúdo do Blog e um tipo de iniciativa que certamente temos carência no cenário brasileiro. Abaixo o texto do evento ‘08 Leituras em Tempo de Crise’ que aconteceu na cidade do Porto nos dias 18 e 27 de dezembro de 2008. Muito interessante.

PETIT CABANON
fonte: artecapital.net

Rua Miguel Bombarda 285, Porto (Loja 24 do Centro Comercial Bombarda)
18 DEZ - 27 DEZ 2008

Um projecto de Sílvia Guerra acompanhada por Inês Moreira
Dias 18 e 27 de Dezembro 08, no Porto

Projecto documental
Produção crítica e teórica sobre a arte e o espaço contemporâneos

Inúmeras práticas artísticas contemporâneas circulam hoje entre países, não sendo sempre acompanhadas por uma produção teórica com a mesma actualidade. É também pouco usual encontrar uma partilha aberta de referências pessoais fora do meio académico.

Nos últimos anos, alguns pensadores (filósofos, economistas, historiadores de arte, sociólogos, arquitectos) têm procurado colmatar a lacuna crítica sobre a criação contemporânea após todas as “mortes da arte” proclamadas nos anos 90 (por Arthur C. Danto, Hans Belting entre outros). A pós-modernidade chegou ao seu fim com todas as pós-produções artísticas que lhe sucederam ficando a arena teórica a repensar os clássicos do século XIX como valores seguros. Hoje é evidente que as teorias sobre a contemporaneidade são tão ecléticas quanto as geografias dos seus autores (felizmente não vivemos numa ditadura global a nível de pensamento). Mas urge acrescentar às citações do século XIX um conjunto de referências do século XXI.

Num momento em que o último sistema económico que nos foi legado do século passado vê abalado os seus próprios alicerces, vimos propor uma partilha de leituras de um conjunto de autores, curiosamente num pequeno espaço localizado dentro de um símbolo da sociedade portuguesa após a sua entrada na CE – o Centro Comercial. Este é contudo um projecto iniciado em troca directa entre as suas autoras, que esperam, também, uma troca com o seu público.

Projecto documental / Leituras públicas

Uma das principais orientações da arte e do comissariado artístico dos últimos anos - talvez mais evidente após a exposição colectiva “Utopia Station” comissariada por Molly Nesbit, Hans Ulrich Obrist e Rirkrit Tiravanija na Bienal de Veneza de 2003 - caracteriza-se pela valorização da documentação e das práticas artísticas processuais afastando-se da obra de arte vista como objecto único e imaterial.

No final de um ano de actividades e de vida, em Dezembro de 2008, o Petit Cabanon acolhe ensaios críticos sobre práticas artísticas e sobre arte, criando espaço para a discussão e para sessões de leitura pública de alguns textos. A proposta consiste em fazer uma hipérbole do conceito de exposição documental; para além de uma simples exposição bibliográfica ou de um trabalho artístico em torno da palavra, propõe-se um processo colectivo de recolha de livros, de frases, de citações e apontamentos recentes: propõe-se uma partilha de bibliografia.

É bom poder neste final de ano trocar ideias abrigadas por uma arquitectura mental partilhada na pequena cabana de férias de Corbu. A era dos manifestos não é a nossa, vivemos talvez na era do post-scriptum. Uma das actividades que perdura em torno da prática artística é a do comentador da arte ou a do seu crítico, que por vezes é também comissário. Parece-nos útil pensar numa re- densificação das atribuições; para o fazer precisamos de partilhar ideias e livros. Sentimos necessidade em criar uma alternativa à Sociedade Citacionista em que vivemos, traduzida numa análise da contemporaneidade e no abrandamento da recorrência à citação de autores do inicio da Modernidade, para abranger, e possivelmente abraçar, novos autores que permitam reflectir e escrever sobre uma sociedade na véspera de sofrer profundas alterações.
Da crítica estética à provocação filosófica, de Slavoj Zizec a Boris Groys, ou da multiplicidade de práticas artísticas à conceptualização do espaço contemporâneo, de Irit Rogoff a Keller Easterling, percorremos textos e projectos que não esquecem a sociedade em mutação nem a implicação política das suas relações com a arte. Todas as escolhas são subjectivas, parciais e situadas no momento e na história de cada uma das leitoras, e posteriormente dos seus convidados. A partilha tem início entre duas pessoas com percursos diferentes entre a filosofia a história da arte e a arquitectura.

Os livros e leituras aqui partilhados continuarão a sua disseminação quando forem doados a uma biblioteca pública da cidade do Porto. A sua entrega será um testemunho de uma troca directa em que autores e leitores voltam a uma situação primordial da economia, em que a troca acontece livre, e talvez apenas comprometida com uma pura vontade de conhecimento e de encontro anónimo.

Como o futuro que nos espera, gostaríamos que estas leituras se tornassem itinerantes, ocupando espaço e hospedagem em lugares diversos. Em cada espaço serão introduzidas novas propostas de leituras sobre o contemporâneo, dilatando um corpo de referências que se espera diversificado, múltiplo e singular como a arquitectura mental de cada um dos seus participantes.

LEITURAS

Art Power, Boris Groys
La subjectivité à venir, Slavoj Zizec
Qu'es-ce que le contemporain? , Giorgio Agamben
Le Spectateur Emancipé, Jacques Rancière
Networked Cultures, Parallel Architectures and the Politics of Space, P. Moertenboeck e H. Mooshammer (eds.)

Did Someone Say Participate? An Atlas of Spatial Practice, Markus Miessen e Shumon Basar (eds.)
Altering Practices, Feminist Politics and Poetics of Space, Doina Petrescu (ed.)
Enduring Innocence, Global Architecture and Its Political Masquerades, Keller Easterling

LINK
www.petitcabanon.blogspot.com

BIOGRAFIA: Miriam Kilali

A artista vive e trabalha em Berlin

Projeto de arte revitaliza abrigo para moradores de rua


fonte: dw-world.de


Casa Schöneweide: albergue para moradores de rua em Berlim Em 2006, Miriam Kilali realizou em Moscou o projeto Riqueza para os Pobres, baseado na idéia de revitalização de um albergue para pedintes e desabrigados que vivem nas ruas da capital russa.

A artista, que trabalhou numa instituição de apoio à população de rua enquanto estudava na capital alemã, chegou através de seu dia-a-dia à idéia de desenvolver o projeto: "Achei que era um cinismo muito grande ver pessoas vivendo na rua e não fazer nada. Foi quando pensei em utilizar a arte para realizar alguma coisa", conta ela.

A implementação bem-sucedida do projeto em Moscou convenceu os responsáveis por um programa de atendimento a desabrigados de Berlim. Eles deram a Kilali a incumbência de revitalizar um abrigo no bairro de Schöneweide, na parte leste da cidade. O tratamento do local durou dois anos, financiado basicamente por doações.

Como num hotel

Hall de entrada: ambiente agradável para moradores e hóspedes esporádicos A Casa Schöneweide fica num cruzamento movimentado, em frente a uma estação de trem. De fora, só a intensidade da cor amarela da fachada destaca o prédio antigo dos outros da redondeza. Quem entra ali, acredita estar chegando a um hotel: lustres imponentes, piso italiano, altas colunas dividindo os ambientes.

Logo depois da porta, há duas poltronas de couro, onde já se pode observar a presença dos freqüentadores do local, que diferem muito de hóspedes costumeiros de um hotel. Trata-se de desabrigados, pedintes e moradores de rua, muitos deles dependentes de drogas e álcool.

A idéia de colocar ali lustres de cristal e sofás vermelhos, por exemplo, poderia ter sido tirada de uma revista de decoração. Interessantes são também os quadros com molduras douradas nas paredes, com obras de arte de apenas uma cor: superfícies amarelas, vermelhas ou verdes. Essas obras são parte do conceito de renovação visual do local desenvolvido por Miriam Kilali.

"Certo exagero"

Nem todos os moradores do albergue compreendem a idéia que está por trás do projeto. A maioria reage de forma positiva às mudanças, embora alguns reclamem de um "certo exagero".

A decoração (lustres, colunas e cores) foi "imposta" pela artista. Já o mobiliário dos quartos, basicamente em branco, foi uma escolha dos moradores. A mesma liberdade eles tiveram em relação às fotos que estão dependuradas nas paredes – em sua maioria reproduções fotográficas de paisagens, feitas pela própria artista nos EUA.

Relação pessoal com o ambiente

Salão de jantar: lustre e mobiliário nobres Wolfgang Binder, que vive na Casa Schöneweide desde 2001, é um dos moradores satisfeitos com o ambiente mais amável e claro de seu quarto, onde estão dependuradas fotos de caminhões na paisagem norte-americana. Binder nunca esteve nos EUA e provavelmente nunca poderá viajar até lá, embora tenha uma irmã vivendo no país.

Para Miriam Kilali, o importante é fazer com que os moradores criem algum tipo de relação pessoal com o lugar onde vivem, passando a ver o albergue como a própria casa, mesmo que provisória.

Bálsamo para a alma

Às críticas de que os lustres imponentes seriam um exagero num abrigo para moradores de rua, a artista responde com o argumento de que um ambiente belo é sempre "um bálsamo para a alma", ou seja, de suma importância para as pessoas que vivem à margem da sociedade.

"Quero que as pessoas, quando entrem aqui, não tenham a sensação de que o lugar é um albergue para alcóolatras e ex-desabrigados, mas que admirem o ambiente. Para também darem aos moradores a sensação de que eles merecem todo o respeito e dignidade", conclui a artista.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Bienal do Cairo reúne 80 artistas de 44 países

fonte: site UOL

A Bienal do Cairo é a feira de arte mais importante da África, mas não tem dimensão internacional. Os mais de 80 artistas, de 44 países, que estão em exposição até o final de fevereiro esperam que a mostra ganhe atenção mundial.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Hélio Oiticica: PENETRÁVEIS

Curadoria de Luciano Figueiredo, César Oiticica Filho, César Oiticica

fonte Canal Contemporâneo

exposição: 21/12/2008 a 21/06/2009

“Hélio Oiticica: PENETRÁVEIS”, a exposição faz um panorama da produção do artista no segmento das proposições ambientais, as quais ele começou a criar em 1960. Na definição de Oiticica, "o PENETRÁVEL é um tipo de obra que foge das categorias comuns de pintura e escultura. São obras nas quais o espectador participa entrando, andando por elas, manipulando portas e/ou placas". Esta mostra reúne seis PENETRÁVEIS, que ocupam os três andares do Centro de Arte: "PN1", "Tropicália", "ÉDEN", "Rodhislandia: Contact", "PN 27 Rijanviera" e o inédito "Macaléia".

local:
Centro de Arte Hélio Oiticica
Rua Luís de Camões 68 Praça Tiradentes - Centro
Rio de Janeiro / Rio de Janeiro / Brasil
55-21-2232-2213

horários:
Terça a sexta, 11-18h; sábados, domingos e feriados, 11-17h

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

"Mais coragem menos petróleo"

Notícia antiga, mas um assunto muito interessante para o Blog, trabalho do artista Rirkrit Tiravanija para a Sharjah Biennial 8 no Emirados Arabes Unidos em 2007.

fonte: artdaily.com


Rirkrit Tiravanija, Less Oil More Courage, 2007. Courtesy: the artist. Photo: Annette Aurell.

“Some years ago I received an invitation card in the mail from a gallery in New York, (Matthew Marks); it was an invitation to an exhibition by a young artist by the name of Peter Cain. Peter was a painter known for his anamorphic splicing of cars; they were coolly painted with the brushes of oil paint thickly applied to canvas. They were the marks of a realist (almost graphic) with the narrative of a surreal world; it was the world of surfaces and the surfaces of the metallic baked enamel of cars. But if cars were his fascination, the anamorphic world of biotechnological mutation was in the shadow of these cars – a world where Dolly the sheep was being cloned and Adobe Photoshop computer software was about to be introduced to the world, offering a new landscape of photographic rendering beyond our imagination. But Peter’s life was cut short and he did not see beyond the age of 37, and the invitation I received was for an exhibition five years after his death.

On the front of the invitation card was a reproduction from a page of Peter’s artist’s notebook: a text that read “More courage less oil”. Taken in context, that message was clearly a note to himself about the dilemma of being a painter and the moral choices one faces in executing a painting. I kept the card on my wall all these years for what I thought was a very inspired thought, not just for a painter but also perhaps for all artists.

Today, in the present context, we face a different dilemma altogether. The question of courage and the thoughts facing our present condition come ironically from the turn of Peter Cain’s inspired message.

Less oil more courage asks us to face our own desires in the making, and to confront and question them, even as we try to achieve them. How do we, as a society and a community, face our weakness with courage and find the place in our consciousness to redirect the course and path we have been traveling? We will travel to our moral end, but while we are on this road, perhaps a small detour off course can bring us closer, to face the facts and be inspired enough to change.”

Rirkrit Tiravanija
Chiang Mai, Thailand 2007


Peter Cain( Estados Unidos, 1959-1997). Sem título, óleo sobre tela - 1989. (posição original da obra)

BIOGRAFIA: Yang Hae-gue

Born 1971, Seoul, South Korea. The artist lives and works in Berlin and Seoul

'Emotional Conceptualist' to Represent Korea at Biennale

fonte: english.chosun.com

Yang Hae-gue, a Berlin-based artist, will represent Korea at the Venice Biennale in 2009. In an interview with the Chosun Ilbo on Tuesday, Yang (37) said the key to her success as a foreigner in the European art world was that she makes full use of the solitude and isolation she feels as a foreigner in her art.
graduated from the College of Arts at Seoul National University, and was a "master pupil" at the Stadelschule in Frankfurt. Critics say Yang pursues an "emotional conceptualism."

To Yang, art is a tool that makes spectators sympathize and "resonate" with intimate memories and ideas that captured the heart of the artist. "The essence of my work lies in appealing to all senses by any reasonable means such as light, sound, temperature and wind, and eventually draw emotional consensus between the artist and the spectators," she says. "One thing an artist and a philosopher have in common is that they both create a tool that leads people to see things that exist more clearly."

Yang was recently named as one of the 100 top media installation artists by German economic magazine Capital.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Artista Steve McQueen é autor do polêmico filme "Hunger"

SILAS MARTÍ

da Folha de S.Paulo

Rostos sorridentes de soldados mortos na Guerra do Iraque ilustram uma série de selos postais que o correio britânico ainda não decidiu se vai pôr em circulação. Nos cinemas europeus, um filme dramatiza a greve de fome de Bobby Sands, ativista do IRA (Exército Republicano Irlandês) que morreu em protesto contra o governo Thatcher nos anos 80.


Treiler do filme "Hunger", premiado em Cannes e dirigido pelo artista britânico Steve McQuee

Enquanto mártires e terroristas usarem o próprio corpo como instrumento de combate, não faltará assunto para o artista britânico Steve McQueen, autor do filme e dos selos.

"As pessoas se usam como armas", resume McQueen em entrevista à Folha. "É uma ferramenta para quando não há mais saída." O artista será o representante do Reino Unido na próxima Bienal de Veneza e ganhou, no ano passado, o Caméra d'Or, prêmio em Cannes para melhor longa de estreia com "Hunger", filme que dividiu a crítica ao expor laços estreitos, talvez até demais, com estratégias das artes visuais.

Se há economia de palavras e o texto parece minguar junto com o corpo do protagonista, há excessos nas imagens. Em sessões na Europa, onde o filme estreou no mês passado, muitos deixam a sala, e críticos descrevem cenas como "banhos de merda, mijo e sangue".

É como se McQueen traduzisse em cinema o expressionismo sem dó de Francis Bacon: o peso da matéria, tinta sobre tela, vira exagero visual em detrimento das falas, a imagem que bombardeia sem cessar.

Numa sequência sem cortes, um homem tenta enxugar um corredor inundado de urina, esgueirando-se entre paredes cobertas de excrementos que os detentos usavam em rebeliões. O fato de serem todos homens, nus e confinados, que apodrecem na prisão, fez com que certos críticos vissem no filme um manifesto sobre a virilidade em tempos de exceção.

Açougueiro

Talvez por isso, McQueen se considere aqui mais do que artista e cineasta, mas também "açougueiro às avessas", que fareja a carniça e expõe a putrefação do corpo e dos valores, esforçando-se para escancarar a sujeira que vê na guerra.

O Royal Mail ainda não autorizou a circulação dos selos que McQueen fez estampando o rosto de soldados britânicos mortos em combate no Iraque _a ironia é que o trabalho é fruto de um prêmio que o artista ganhou do próprio governo, agora alvo de um abaixo-assinado de 15 mil nomes a favor da distribuição dos selos.

"Queria que tivessem outra ideia dessa guerra, não só pela imprensa", diz McQueen. "Essas imagens vistas no dia-a-dia são um grito muito mais forte."

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

BIOGRAFIA - Alfredo & Maria Isabel Aquilizan

Alfredo Juan Aquilizan: * 1962 Cagayan Valley, Philippines.
Maria Isabel Gaudinez-Aquilizan: * 1965 Manila, Philippines.
They live in Brisbane, Australia.

Two installations at the Singapore Biennale 2008

fonte: site alemão universes-in-universe por Matthew Ngui

Collaboration and collection, community and family, re-location and temporary homes, memory and identity are all processes and things that feature in the work of husband and wife team, Alfredo and Isabel Aquilizan. Originally from the Philippines, they have recently moved to Brisbane with their children. As they literally live the issues they deal with in their artwork, the Aquilizans are particularly focused on conveying the complexity of emotions associated with social dislocation, which emanate from necessity or a need for change.

In Erasure and Remembrance at the 6th Havana Biennial in 1997, 10,000 used toothbrushes were collected from the inhabitants of a small town in the Philippines and densely installed. In the series of developmental works associated with Project: Be-longing from 1999 to the present, the artists began by collecting personal items from Filipinos who had migrated to Australia and in their projects (2002 in Japan and South Korea and 2005 in the USA), blankets and dreams, highly personal items, were collected to create installations. There are two important threads that bind these works and the artists’ practices. First, the process of collecting the personal items and objects necessitates a collaborative framework. The collaboration between the communities and the Aquilizans provides a platform for dialogue and an exchange of ideas

and as a result, new understandings and relationships develop. Secondly, these used items and objects, with their cumulative histories and personal, physical contact with the individual users, seem to embody the experiences and lives of the people. When presented in vast numbers in the artists’ installations, an overwhelming sense of shared and varied lived human experiences are communicated. The Aquilizans are therefore engaged in a process of collecting and presentation that is informed by what they observe outside and inside their own lived experiences.

Dream BlanketAddress (2007-2008) represents a developmental process spanning more than ten years since the first personal objects were collected 'cubed' by Balikbayan boxes. These are boxes that many Filipino migrants use to transport their personal belongings home. The Aquilizans used these boxes as moulds to 'cast' their own belongings as they moved from the Philippines to Australia. These 140 'cubes' of personal belongings are now 'bricks' used in the construction of Address, a room with a door but without a ceiling.

Address was exhibited in the Gallery of South Australia in the "Handle with Care" exhibition earlier this year. Installed at South Beach Development for the Singapore Biennale 2008, Address is a powerful reminder of things transient as the building itself is earmarked for massive re-development.

At the Central Promontory Site, the Aquilizans are presenting Flight (2008) an outdoor installation of 4000 slippers, perched on bamboo poles, between the Containart Pavilion and the water. This work is based on Daing (2003), for which the artists worked with a fishing village in the Philippines to create an installation of slippers and wind harps on bamboo poles seemingly ‘returning to the sea’. Daing in Tagalog, means ‘lament’ or refers to preserved salted fish. The installation pays homage to tradition while being a fundamental activity in art-making, not only for the artists but also the fishing community.

Matthew Ngui
Visual artist, lives in Singapore and Australia, exhibiting internationally (including several Biennales, and Documenta). Co-curator of the 2nd Singapore Biennale2008.

(Courtesy of the Singapore Biennale 2008. Text published in the event's guide.)


terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Sophie Calle no VideoBrasil 2009

fonte: site UOL


A artista francesa Sophie Calle que teve obra na 28ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo -- vem ao Brasil em 2009 apresentar a instalação "Prenez Soin de Vous" (Cuide-se Bem, em tradução livre).
A vinda de Calle faz parte do festival Videobrasil, do Sesc, que passa atualmente por processo de reestruturação e não terá mostra competitiva em 2009. A competição volta a ocorrer apenas em 2011. Esta edição do evento será inteiramente focada na vinda de Calle, artista convidada em função das comemorações do ano da França no Brasil.
Sophie Calle vem primeiro a São Paulo, onde apresenta em julho, no Sesc Pinheiros, a instalação que mostrou na Bienal de Veneza de 2007. Na seqüência, em setembro, a francesa exibe o trabalho no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador. A organização do Videobrasil estuda ainda a realização de outros eventos com a artista.
Para "Prenez Soin de Vous", Calle convidou 107 mulheres a interpretar um e-mail de rompimento amoroso que recebeu. O resultado são fotografias e textos que contam o que cada uma delas fez a partir da mensagem.
Sophie Calle é artista multimídia que utiliza abertamente fatos de sua vida em sua obra. Em 2002, participou de disco do duo de brasileiros Tetine, "Samba de Monalisa". Calle também é personagem de "Leviatã", romance de 1992 do escritor norte-americano Paul Auster.
Na 28ª Bienal de Arte de São Paulo, foi exibida a obra "La Filature", feita em 1981 pela artista.

Prenez Soin de Vous


A instalação "Prenez Soin de Vous" foi o trabalho mais comentado da última Bienal de Veneza em 2007. Esse trabalho inicia-se quando Sophie teve um relacionamento amoroso rompido por email, que terminava com a frase "prenez soin de vous" (cuide-se). Sem saber como responder a essa mensagem e a essa situação, ela resolveu seguir o conselho de uma amiga de fazer um trabalho de arte e utilizou para isso a própria mensagem. Gravou em vídeo mais de cem pessoas lendo o email e fazendo comentários. Entre as "leitoras" estão a mãe da artista, as atrizes Jeanne Moreau e Vitoria Abril, a compositora Laurie Anderson, a DJ Miss Kittin, entre outros. Ela enviou o texto do email para um advogado forense, uma lingüista, uma taróloga, uma juíza especialista nos direitos femininos, entre outros, e pediu a todos que o texto fosse analisado segundo o filtro de cada especialidade. E esse material compõe a instalação.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Bienais 2009

Calendar of international Biennials and other regular art exhibitions 2009


fonte: site alemão Universes in Universes - Worlds of Art


19 March -16 May 2009

9th Sharjah Biennial United Arab Emirates

Director: Hoor Al-Qasimi
Curator: Jack Persekian
www.sharjahbiennial.org

27 March - 30 April 2009

10th Havana BiennialCuba www.bienalhabana.cult.cu

18 April - 28 June 2009

2nd Triennial Poli/Gráfica San Juan, Puerto Rico Artistic director: Adriano Pedrosa. Curators: Julieta González, Jens Hoffmann, Beatriz Santiago.
www.trienalsanjuan.org

1 - 31 May 2009

Biennale Montréal Canada Director: Claude Gosselin; Curator: Scott Burnham
www.biennalemontreal.org

7 June - 22 November 2009

53rd Venice Biennial International art exhibition Italy Curator: Daniel Birnbaum
www.labiennale.org

15 June - 4 October 2009

2nd Athens Biennial Greece
Press preview: 13 - 14 June
www.athensbiennial.org

12 September - 8 November 2009

11th Istanbul Biennial Turkey Curators: What, How & for Whom / WHW
www.iksv.org/bienal/english/

16 September 2009 - 3 January 2010

10th Lyon Biennial France Artistic director: Thierry Raspail
www.biennale-de-lyon.org

September - November 2009

7th Mercosur Biennial Porto Alegre, Brazil

Artistic direction: Victoria Noorthoorn, Camilo Yáñez
www.bienalmercosul.art.br

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

BIOGRAFIA - Silke Wagner

Born 1968, Göppingen, Germany.
The artist lives and works in Frankfurt, Germany.

IªBrussels Biennial: Lufthansa Deportation Class

Silke Wagner presents a broad range of forms and themes in her work. Still, her projects are based on a common principle: They explicitly refer to social, political, and ecological problems. Wagner co-operates with minority groups and initiates activities that underline publicly place into question and actively promote alteration of the situation. Her concept triggers a shift in the perception and impact of the objects, performances, and actions. The artist takes a clear political stand in her use of a minibus labelled "Lufthansa Deportation Class," provoking a national public debate about Lufthansa allowing its planes to be used for the deportation of refugees and when she provocatively appealed for couples to enter bogus marriages. But she also discusses the private level of representation, when she sparks rumours or develops a modular system, which can be used to build a piece of furniture that is functional or, if preferred, serves no purpose at all. Art serves both as a magic hat and as a tool.

Her works always trigger communication processes, offer a framework or a platform for social action. They also discuss the conditions of the art industry. "Locals only", and other projects, focus on the public space. Street skating is an example of how to appropriate and re-conquer outdoor venues.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Para encerrar o assunto 28ª Bienal

Um acordo de cavalheiros em vivo contato

Fabio Cypriano (especial para o Fórum Permanente, 17 de dezembro de 2008) Desenhos: Nicolás RobbioMonumentos sob medida

desenho de Nicolás Robbio censurado no jornal 28b [para ver maior clique aqui]

O posicionamento da Fundação Bienal de São Paulo em relação à jovem que continuava presa mesmo após o encerramento da 28ª Bienal de São Paulo é muito significativo tendo em vista todas as discussões que essa edição do evento pretendeu levantar. Isentando-se de culpa, o comunicado à imprensa emitido no dia 11 de dezembro, contudo, não é uma surpresa, tendo em vista o histórico de seu atual presidente, Manoel Francisco Pires da Costa.

De se estranhar, entretanto, é o posicionamento do curador do evento, Ivo Mesquita, para quem “uma coisa é grafiteiro, pichação; outra coisa é uma tática terrorista de arrastão, 40 a 50 pessoas, com um histórico nada bom, que invadem lugares como a Belas Artes e a Choque Cultural e destroem obras de arte”, como afirmou à Folha de S. Paulo, segundo matéria publicada em 14/12/2008.

A questão é que, nesse momento, saiu-se do campo da estética para entrar no campo de ética. Nesse sentido, tanto curadoria quanto presidência estão afinados num mesmo posicionamento, lembrando o “acordo de cavalheiros” revelado por Mesquita na carta enviada ao presidente, quando da ameaça de corte ao evento, abordada em 26/12/2008 na matéria “Pedido de corte ameaça 28ª Bienal”, na Folha de S. Paulo.

Esse “acordo de cavalheiros” merece ser aprofundado. É notório que Mesquita foi o único curador a aceitar realizar esta Bienal após uma fracassada tentativa de seleção por projetos. Ele mesmo desistiu de entregar o seu, na última hora, e apenas Márcio Doctors chegou a apresentar um projeto, também desistindo quando soube ser o único. Frente à iminência de não ter um curador para a mostra, Pires da Costa pediu que Doctors e Mesquita fizessem um projeto conjunto, que acabou sendo, ao final, levado adiante apenas por Mesquita.

A expectativa, então, era que Mesquita, salvando o presidente do desastre, tivesse total liberdade para levar adiante seu projeto crítico, que não só abordaria a crise da Fundação Bienal como uma eventual crise do modelo da Bienal. Mesmo com um prazo curto, de menos de um ano, e a certeza de verbas limitadas, que não se revelaram tão limitadas assim, afinal R$ 8 milhões não é um valor baixo, o curador colocaria a Bienal no divã.

Contudo, desde então, ao mesmo tempo em que Pires da Costa ganhava legitimidade, o projeto de crítica institucional foi paulatinamente se esvaziando. Basicamente, ele se restringiu aos debates pouco freqüentados e, mesmo com uma seleção de convidados realmente diversificada, pareciam ser tão genéricos e impressionistas, com raras exceções, que eram absolutamente superficiais.

Assim, essa situação esquizofrênica foi se expandindo cada vez mais: a bienal da crítica institucional separou a reflexão da produção artística, como se a crítica não pudesse ser realizada pelos artistas, ou pior, deveria ser evitada. Alguém chegou a afirmar que o evento passou por um processo de “deshanshaackeização”, em referência ao alemão Hans Haacke, reconhecido por suas obras que fazem crítica institucional.Sem título
desenho de Nicolás Robbio censurado no jornal 28b [para ver maior clique aqui]

Essa contradição tornou-se mais patente ainda com a abertura da mostra, pois ela também foi totalmente omissa em relação à reflexão. O que a exposição tentou trazer de inovador foi uma experiência formal do modelo expositivo. Enquanto projeto experimental não deixa de ser válido, mas no contexto do projeto de “em vivo contato” foi absolutamente frustrante, além de conveniente para a presidência.

Nesse processo, foi um tanto obscura a saída do co-curador Thomas Mulcaire, no meio do processo de organização da Bienal. A amigos, Mulcaire tem dito que sua saída ocorreu por justamente tentar tornar a crítica institucional mais aparente, por exemplo tornando públicas todas as contas do evento. Teria sido de fato relevante saber, por exemplo, quanto se gastou com cada artista, com o projeto educativo, enfim, numa Bienal, o quanto se gasta com arte e o quanto com publicidade, por exemplo.

A minha impressão é que, mesmo que Mesquita procure sempre se mostrar independente da presidência, afirmando que a curadoria é “terceirizada”, portanto, livre, é muito difícil se desvincular essas duas pontas. Nesse sentido creio ser sintomático que, quando a carta de Mesquita contra o pedido de 40% de corte feito por Pires da Costa tornou-se pública _carta essa dura e reveladora da ação do presidente, o curador tenha voltado atrás em seu discurso, culpando o Conselho e lembrando que há um problema crônico de fluxo de caixa nas vésperas de toda Bienal, outro momento conveniente para a presidência.

No debate com os jovens críticos da revista Número, no Centro Universitário Mariantonia, no último dia 12, Mesquita revelou que chegou a desestimular três artistas com projetos mais críticos sobre a Fundação, dois deles pois o próprio curador estava envolvido. A ausência de projetos de risco na Bienal, tornou-se assim, uma marca desse evento, como afirmou a artista Carla Zaccagnini, no último debate da série “A Bienal de São Paulo e o meio artístico brasileiro: memória e projeção”.

E, aí, talvez, esteja o dilema central dessa Bienal: é possível realizar a crítica institucional dentro da instituição? Pelo que se observou ao longo da realização da mostra, a resposta, no caso da Fundação Bienal, é obviamente não. Artista cujo projeto seria uma inserção em todas as edições do jornal 28b, o argentino Nicolas Róbbio teve alguns desenhos censurados, justamente aqueles mais críticos à própria Fundação e ao projeto da curadoria, desenhos esses cedidos ao Fórum Permanente como se pode ver ao longo desse texto.
Objetos sob medida
desenho de Nicolás Robbio censurado no jornal 28b [para ver maior clique aqui]

O jornal 28b, aliás, comprova outra das incongruências de “em vivo contato”: se por um lado ele cria um novo circuito para a Bienal, ao ser distribuído gratuitamente pela cidade, por outro, seu conteúdo é tão conservador que chega a ser estarrecedor. A começar pela existência de um editorial: Por que é preciso uma página tão hierárquica, com a voz de um dono da verdade como um editor? Mas não é só isso: Por que os artigos são tão convencionais rebaixando o conteúdo, evitando a reflexão? Por que evitar as polêmicas da mostra, como se elas não existissem, dando a impressão de um “house organ” publicitário? Por que buscar agradar o leitor a todo custo, no modelo “o povo fala” usado nos tablóides sensacionalistas?

Enfim, essa falta de ousadia esteve não só na publicação 28b, mas por toda a 28ª Bienal, culminando com a sintonizada opinião em relação à pichação. Difícil não relacionar essa harmonia ao cumprimento do acordo de cavalheiros, abandonando-se de forma deliberada a crise circunstancial para abordar algo mais geral. O problema é que, ao se evitar o visível e real desmando do atual presidente criou-se uma situação falsa, “a crise das bienais”, escondendo-se embaixo do tapete o trauma recente. Sem ele, no entanto, tudo o mais ficou sem sentido.

Esse processo de encobrimento ainda segue no prometido relatório final da Bienal, que será secreto! Acabada a Bienal, depois de tantos encontros e debates, Ivo Mesquita comprometeu-se a entregar um texto à Fundação reunindo os principais tópicos abordados no evento com suas conclusões. Entretanto, aquilo que, então, seria o posicionamento do curador sobre todo o debate ficará restrito à diretoria da Fundação, cabendo a ela a decisão de torná-lo ou não público. É compreensível que existam relatórios internos que não precisam ser públicos. Contudo, no caso da 28ª Bienal, esse documento seria como o relatório de uma Comissão Parlamentar de Inquérito e relatórios de CPI são necessariamente públicos. Para a história da instituição urge que esse texto se torne público, mas parece que o compromisso da curadoria não está com a instituição, mas sim com sua direção.



quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O Vazio e a Fúria

Folha de S. Paulo, 15 de dezembro de 2008

por Fernando de Barros e Silva

SÃO PAULO - Caroline Sustos (sobrenome de guerra) está presa há mais de 50 dias. Ela integra o grupo que pichou um dos andares do pavilhão do Ibirapuera na abertura da Bienal de São Paulo. Aquela que ficou conhecida como Bienal do Vazio virou, enfim, um caso de polícia.
A prisão desta jovem me parece um exagero absurdo e cruel. Sim, há a lei. Mas imagine o leitor se os "artistas" da especulação imobiliária fossem em cana a cada predação do bem público que patrocinam, não raro em conluio com o poder público, para construir esta cidade tragicamente horrorosa e desumana.
Isso não redime outros vandalismos, claro que não. As artes da pichação podem fazer sentido como ritual de grupo, catarse, terapia, mas o resultado é regressivo social e esteticamente. Não há nenhum valor artístico associado à transgressão gravada nas paredes sujas. Trata-se, antes, da irrupção em língua cifrada de um mal-estar pouco digerido na cultura brasileira.
"Nas paredes surgem pichações monótonas, cuja única mensagem é o autismo: elas exorcizam o eu que não mais existe. (...) Nas ações espontâneas expressa-se a raiva das coisas em bom estado, o ódio por tudo o que funciona e que forma um amálgama indissolúvel com o ódio por si mesmo", escreveu Hans Magnus Enzensberger no ensaio "Visões da Guerra Civil", de 1993.
Como se viesse confirmar o diagnóstico do alemão, a garota, com a voz infantilizada, disse o seguinte: "Eu me identifico com o vazio. Sentia falta de alguma coisa na minha vida, fazia coisas e nada cobria aquilo. Sentia um buraco. Comecei a pichar, foi tapando aos poucos..."
Entre o vazio existencial da jovem Sustos e o vazio conceitual da Bienal há menos identificação do que antagonismo: a fúria da primeira é um impulso desesperado de vida que traz à luz o espírito burocrático e mortificante da segunda.
O templo da arte contemporânea (a Bienal) faz aqui o papel (ou papelão) de museu do que há de pior na tradição nacional. Ou esse qüiproquó artístico-policial não é um sinal das nossas iniqüidades de sempre?

Prisão da pichadora Caroline `Sustos` motiva manifesto

O caso de Caroline Pivetta da Mota, a Caroline `Sustos`, presa em flagrante por ter pichado e depredado o Pavilhão da Bienal de São Paulo junto a um grupo de cerca de 40 jovens, em 27/10/08, durante a exposição da Bienal, está dando o que falar.
Em 13/12/08, a partir das 19h30, no Atelier La Tintota, em São Paulo (SP), um grupo de “artivistas” se reúnem para uma manifestação em defesa de Caroline. Para a iniciativa, Artur Matuck (artista plástico, escritor e professor da Universidade de São Paulo), escreveu um manifesto, reproduzido abaixo na íntegra:

"Caros artivistas do Brasil e do mundo,
Vocês estão informados de um dos resultados da Bienal Internacional de São Paulo que se encerrou hoje? Uma mulher autodenominada pichadora está presa, ameaçada de permanecer encarcerada por até três anos. Caroline `Sustos` foi uma das integrantes do grupo de pichadores que invadiu a mostra. As paredes foram pichadas e repintadas e a mostra não foi prejudicada.
Independente da discussão estética, se a pichação é ou não arte, se se justifica ou não, a atuação deste grupo ao invadir o prédio da Bienal com um grupo de pichadores, foi também um ato expressivo, foi inequivocamente uma manifestação cultural que poderia, deveria ser discutida, avaliada, rejeitada e mesmo eventualmente contida. Que tenha como resultado a detenção de uma mulher apresenta-se como lamentável e inaceitável para as instituições públicas de São Paulo.
Especialmente, a Bienal de São Paulo não deve participar de um ato repressivo que resulte na detenção de Caroline `Sustos` (como assina seus autos de prisão) em suma, em mais uma pessoa encarcerada por motivos muito discutíveis.
Pode-se sim considerar, ao contrario, que a proposta do curador Ivo Mesquita em manter um andar da exposição vazio, para um exercício de reflexão sobre todas as Bienais do mundo, como afirmou, foi devidamente respondida por este grupo de pichadores. Esta resposta representa uma pulsão de uma cidade !
A história tem demonstrado que inúmeras vezes os críticos, curadores e historiadores equivocam-se diante de manifestações artísticas inusitadas. A Bienal de São Paulo teria muito a ganhar se o andar vazio tivesse sido, após esta invasão, voluntariamente oferecido aos pichadores e grafiteiros de São Paulo que aliás projetaram sua arte internacionalmente. O fato da pichação não ser validada e legitimada pode também representar uma ausência de reflexão de críticos e historiadores diante de um fenômeno contemporâneo que escapa de nossos paradigmas habituais.
A abertura da Bienal teria sido um gesto inédito de reconhecimento por uma instituição artística, de uma forma expressiva que se espalhou por toda a cidade e não pode ser simplesmente ignorada. Uma discussão ampla e bem informada sobre o fenômeno cultural da pichação é relevante desde que na medida em que não é validado enquanto expressão artística pode ser considerado como vandalismo e justificar repressão.
Diante de todo o exposto, proponho que seja organizado um protesto, seja presencial seja virtual, por todos os meios possíveis, convocando `artivistas` sejam brasileiros sejam internacionais no sentido de convocarmos nossas energias para que esta mulher seja liberada o quanto antes.
Aqueles dentre nós que possam acessar jornalistas, advogados, promotores de justiça, políticos, professores, estudantes, todos que puderem de algum modo interferir a favor, reenviarem esta mensagem e solicitar solidariedade.
Aqueles que puderem traduzir este protesto para outras línguas e enviar para grupos de discussão e instituições estrangeiras favor engajarem-se o quanto antes.
Divulguem este protesto, disseminem esta idéia para que Caroline seja libertada o quanto antes e para que as instituições artísticas e culturais brasileiras não se tornem cúmplices neste cerceamento da liberdade e da expressão”.

- Artur Matuck (artista plástico, escritor e professor da Universidade de São Paulo).

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

CATÁLOGO DA 28ª BIENAL DE SP ONLINE

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53ª Bienal de Veneza ocorre de junho a novembro de 2009

A 53ª Bienal de Veneza, na Itália, que ao lado da Documenta de Kassel (Alemanha) forma a dupla dos mais importantes eventos de arte do mundo, está marcada para entre 07/06/09 e 22/11/09, no Giardini e no Arsenale, entre outros locais da cidade. O vernissage ocorre nos dias 04, 05 e 06/06/09.
O sueco Daniel Birnbaum é o diretor desta edição da Bienal. Ele trabalha com o auxílio de Jochen Volz (organização artistica), Savita Apte, Tom Eccles, Hu Fang e Maria Finders (correspondentes).
Volz, alemão radicado em Belo Horizonte (MG), é curador do Centro de Arte Contemporânea Inhotim e foi curador convidado da 27ª Bienal de São Paulo (2006). Agora ele vai morar em Frankfurt, na Alemanha, onde vai dar aulas na Städelschule, a escola de arte da cidade, mais próxima de Veneza.
Entre os países representados na Bienal de Veneza estão Brasil, Irã, Marrocos, Nova Zelândia e San Marino. Andorra, Emirados Árabes Unidos, Gabão, Montenegro, Paquistão, Principado de Mônaco e África do Sul participam do evento pela primeira vez. A mostra, intitulada “Fazer Mundos”, destacará o processo de produção de uma obra de arte, no lugar do trabalho concluído, e o diálogo entre artistas jovens e experientes. A exposição não será dividida em seções. Será uma única exibição entrelaçada por alguns temas, como os processos de produção de uma obra de arte; a relação entre alguns artistas-chave e as gerações sucessivas; e a exploração do desenho e da pintura (um contraponto à grande quantidade de vídeos e instalações presentes em edições anteriores do evento).
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Brasil
Os artistas Cildo Meireles (59 anos), Renata Lucas (37) e Sara Ramo (33), espanhola radicada na capital mineira, serão os principais nomes brasileiros na mostra internacional da Bienal de Veneza. Eles foram escolhidos pelo co-curador da mostra, Jochen Volz.
Enquanto se define o quadro de artistas que participam da mostra internacional da Bienal, continua o impasse sobre a representação brasileira na mostra italiana. Boa parte dos países que mantém o próprio pavilhão nos Giardini já definiram suas curadorias e artistas convidados. Atrasado, o Brasil, cujo pavilhão fica sob os cuidados da Fundação Bienal de São Paulo, não escolheu nem o curador que deverá apontar os artistas para a representação nacional.
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Mais informações: www.labiennale.org

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Rehearsal Studio


Musée d'art Contemporain de Montréal
de 14 de outubro de 2008 a 11 de janeiro de 2009


Apresentada na exposição Sympathy for the Devil: Art and Rock and Roll Since 1967, pelo artista tailandês Rirkrit Tiravanija, a obra Untitled 1996 (Rehearsal Studio No. 6 Silent Version) oferece aos visitantes o acesso a um estúdio real de gravação. Músicos de todos os níveis podem reservar uma hora de tempo livre ensaiar lá durante o horário museu. Contruido integralmente com painéis de Plexiglas, o estúdio está equipado com microfones, duas guitarras, um baixo e um drum kit electrônico. Fones permitem que a platéia fora do espaço possa ouvir os músicos. Os instrumentos são amplificados, mas não são alimentados diretamente em uma gravação console. Para os espectadores andando pela exposição, estes ensaios são paradoxalmente "silenciosos".

O estúdio está disponível desde 14 de outubro e fica em exposição 11 de janeiro de 2009. O uso do espaço está sujeito a disponibilidade dos horários que foram organizados em uma tabela de acordo com o funcionamento do museu.

De Terça-feira a sexta-feira, das 14 às 15h e das 15.30h às 16.30.
Quarta-feira à noite das 18 às 19h e das 19.30 h às 20.30h.

Os interessados em participar do projeto podem baixar da internet o termo de condições e o formulário de inscrição para uso do estúdio.
Condições
Formulário de Inscrição

Rirkrit Tiravanija, Untitled 1996 (Rehearsal Studio No. 6 Silent Version), 1996. Paredes de Plexiglass, quadro metálico, violão, guitarra, baixo, kit de percussão eletrônica, microfones, equipamento de gravação, auscultadores e carpete. Dimensões variáveis. Cortesia Gavin Brown's Enterprise, em Nova York.

Cildo, Renata Lucas e Sara Ramo são os principais nomes do Brasil em Veneza

15/12/2008

SILAS MARTÍ
da Folha de S.Paulo

Os artistas Cildo Meireles, Renata Lucas e Sara Ramo serão os principais nomes brasileiros na mostra internacional da próxima Bienal de Veneza, que começa em junho do ano que vem. Escolhidos pelo co-curador da mostra, Jochen Volz, alemão radicado em Belo Horizonte, são três dos artistas mais respeitados da arte contemporânea no país.

"A trajetória deles têm a ver com um questionamento que nos interessa para a exposição", disse Volz, que divide com o sueco Daniel Birnbaum a curadoria da Bienal de Veneza. A próxima edição da mostra italiana, "Fazer Mundos", tem como idéia central destacar o processo de produção de uma obra de arte, no lugar do trabalho concluído, e o diálogo entre artistas jovens e experientes.

Cildo, 59, que já participou de duas edições da Bienal de São Paulo e da Documenta de Kassel, além da Bienal de Veneza de 2003, representa a geração de nomes consagrados da arte brasileira, enquanto Renata, 37, e Sara, 33, espanhola radicada na capital mineira, são jovens elogiadas pela crítica e valorizadas pelo mercado.

Depois de se retirar da 27ª Bienal de São Paulo, em 2006, como protesto à reeleição de Edemar Cid Ferreira para conselho da Fundação Bienal, Cildo abriu em outubro deste ano uma aguardada exposição individual na Tate, em Londres. Artista que despontou nos anos 70, considerado por Volz "um dos nomes mais importantes no cenário mundial hoje", é conhecido por questionar o valor simbólico da arte, além de seu papel como mercadoria.

São dele a série "Inserções em Circuitos Ideológicos", em que fez circular garrafas de Coca-Cola e cédulas de dinheiro com inscrições de protesto contra o regime militar, e a escultura "Babel", em que empilhou rádios numa estrutura em forma de torre, num grande coro de freqüências dissonantes.

Embora acredite que o modelo das grandes mostras "não dá mais conta do recado", Cildo está disposto a encarar mais uma Bienal de Veneza.

"De todas as bienais, acho que Veneza é a que menos teria condições de mudar, porque foi a primeira delas", disse Cildo à Folha. "Em última análise, são os artistas e seus trabalhos que definem uma exposição mais do que o peso institucional do lugar onde é feita."

"Não gosto de Veneza"

Mas, se Cildo não depende do lugar para criar suas instalações e performances, Veneza preocupa Renata Lucas. Conhecida pela destruição e construção de espaços arquitetônicos, intervenções que dão novas funções a lugares já habitados, ela derrubou paredes de galerias, cobriu fachadas com tijolos, duplicou calçadas e postes e revestiu com chapas de compensado grandes cruzamentos de cidades como o Rio.

"Tudo em Veneza é tombado, há mil restrições, e eu vou ter de trabalhar com elas", adianta ela à Folha. "É uma cidade estranha, parece que tudo está de costas para você, as fachadas das casas são voltadas para os canais, que são, na verdade, as ruas. Não gosto de Veneza."

Renata, aliás, diminui até a fama da mostra. "Eu não sei por que tem tanto glamour em torno de Veneza, já que na verdade eles não proporcionam basicamente nada para uma artista além de publicidade."

É a mesma artista que plantou árvores e plantas tropicais nos jardins de paisagismo simétrico da Tate Modern, em Londres, no ano passado, numa mostra que consolidou o braço internacional de sua carreira. No Brasil, Renata participou em 2006 da 27ª Bienal de SP, a exposição que Cildo Meireles se recusou a integrar.

Pequenos mundos

Em contraponto ao aspecto monumental das intervenções de Lucas, Sara Ramo entra na mostra com uma visão mais poética de um mundo particular. Suas obras em vídeo e fotografia põem em xeque a realidade com um lirismo às avessas, cheio de melancolia.

"Ela desenvolve pequenos mundos imaginários com uma linguagem muito mais pessoal, um sentido poético", diz Volz.

Vencedora da bolsa Pampulha e depois do prêmio Marcantonio Vilaça, Sara também esteve na Bienal do Mercosul de 2007 e foi um dos nomes mais fortes da última Paralela, encerrada neste mês em SP.