terça-feira, 3 de março de 2009

COM O PÉ NO MUNDO - Havana/Veneza

Na contramão de artistas que se queixam de morar numa capital “provinciana” e afastada do eixo Rio-São Paulo, o alagoano Delson Uchôa enxerga essa condição como um aspecto positivo

por janaina Ávila da Gazeta de Alagoas

Em março de 2007, quando realizou a exposição Pintura Habitada, na Pinacoteca Universitária, em Maceió, o artista plástico alagoano Delson Uchôa celebrava a atualização pictórica que havia alcançado “morando” dentro da pintura. Hoje, mais do que nunca, Uchôa está embriagado do ofício de pintor. Além da realização do artista, parte dessa imersão absoluta tem dado bons frutos em relação à projeção de sua obra e, claro, à valorização no mercado. Agora, o alagoano dá um passo essencial a todo artista que alcança reconhecimento internacional: é um dos brasileiros selecionados para participar da 53ª Bienal de Veneza, que acontece em junho. Antes, a partir do dia 27 deste mês, quatro obras de Delson Uchôa serão vistas na 10ª Bienal de Havana, em Cuba, da qual participam 200 artistas de cerca de 40 países.
Gazeta – O fotógrafo paraense Luiz Braga, que também foi selecionado para a Bienal de Veneza, disse que é “off” por morar em Belém, mas que havia escolhido esse caminho. Essa é também sua opção?
Delson Uchôa – A princípio, meu retorno a Maceió foi decidido em função da melhoria da qualidade de vida que aqui eu poderia fornecer a meus filhos, mas logo em seguida percebi os lucros em reunir meu acervo em um só lugar. Perceber que já tinha um corpo, mudou minha orientação no sentido de que existo como obra e como tal devo ser pensado. Foi aí que comecei minha autofagia: tinha material suficiente para me alimentar de mim mesmo e, nessa direção, me afastei do grande risco de ser tragado pela torrente globalizada, troquei o bulevar pelas trilhas do meu nato, quero a universalização com meu sotaque. A partir desse momento, morar em Maceió já era estratégico. Entrei em clausura acompanhado da pintura e propus a convivência e conivência, e o criado não está além do testemunho desse embate. Ao barulho da asfixia da pintura no final do século, da pergunta que não se fazia calar: como continuar pintando? Onde está a pintura contemporânea? Respondi pintando.

EM VENEZA, O VALOR À PINTURA
Há dois eventos de arte que são referência no mundo: a Bienal de Veneza, na Itália, e a Documenta de Kassel, na Alemanha. Os outros, por mais importantes que sejam dentro de seus contextos locais, não se comparam às duas mostras europeias. Curadores, galerias, críticos e artistas se voltam para o que acontece lá e são esses acontecimentos que “pautam” o rumo dos fatos que se sucedem: visibilidade do artista, valorização da obra e, é claro, a crítica, cuja atuação influi sobre tudo.
Este ano, quando a Bienal de Veneza chega a 53ª edição, seu prestígio continua imbatível. Com o título Fazer Mundos, propõe-se a destacar o processo de produção de uma obra de arte (ao invés da obra já concluída) e a promover o intercâmbio de informações entre artistas de diferentes trajetórias.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Exibição de "Penetráveis" amplia visão sobre Oiticica

Ótima exposição no Rio reúne trabalhos que convidam o espectador à interação

por Fábio Cypriano da Folha

Os "Penetráveis" representam um dos momentos fundamentais na trajetória de Hélio Oiticica (1937-1980), quando o artista passa a criar espaços de convivência que rompem com a relação formal entre arte e observador e pedem presença ativa e distendida no tempo.
"Hélio Oiticica: Penetráveis", em cartaz no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica (Centro HO), no Rio, com curadoria de César Oiticica, César Oiticica Filho e Luciano Figueiredo, apresenta um conjunto significativo, sem cair no risco de "museificar" os trabalhos. São seis penetráveis, mas alguns contêm outros vários, como "Éden", que possui seis, como "Cannabiana", "Lololiana" ou "Yemanjá".
Criados para serem vivenciados (ou penetrados) pelo espectador, seria uma contradição "institucionalizar" essas obras de modo que só pudessem ser vistas e não experimentadas. É o que tem ocorrido com outros trabalhos daquele período, caso notório dos "Bichos", de Lygia Clark, muitas vezes exibidos em vitrines, como se não fossem objetos para serem manipulados.

Éden

Mas no Centro HO, como queria o autor, não há limites à participação. Além de apresentar obras que tiveram bastante visibilidade recentemente, como "Tropicália", ou muito conhecidas, como "Éden" (exposta na Whitechapel Gallery, de Londres, em 1969, e vista hoje pelos novos manuais de história da arte como uma espécie de obra-prima de Oiticica), a exposição surpreende especialmente ao remontar penetráveis até agora praticamente ignorados, que estimulam um novo olhar sobre o autor. É o caso, por exemplo, de "Rhodislandia: contact", de 1971, feito na Universidade de Rhode Island, que traz um Oiticica mais introspectivo e intimista. O trabalho troca as cores fortes em superfícies por telas transparentes e iluminação colorida, além de um piso com pedras e galhos secos, materiais que tinham relação com o contexto norte-americano.
Mais inesperado ainda é "Rijanviera", de 1979, montado apenas na galeria Café des Arts, do Hotel Meridien, do Rio, naquele ano. Composto por uma estrutura de metal com várias plataformas por onde circula água, esse Penetrável só ganha sentido quando percorrido pelo visitante descalço. Enquanto em "Tropicália" a referência era o morro da Mangueira, em "Rijanviera" é a maré baixa das praias cariocas. Reconhecida mas ainda muito incompreendida, quando não simplificada em demasia, a obra de Oiticica, com essa mostra, ganha novas possibilidades de compreensão, em seus diálogos com o contexto e em seu convite à interação -algo que no virtualismo do século 21 se reveste de um sentido extra.
HELIO OITICICA: PENETRÁVEIS

Onde: Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica (r. Luís de Camões, 68, Rio, tel. 0/xx/21/2242-1012)
Quando: de ter. a sex., das 11h às 18h; sáb. e dom., das 11h às 17h; até 21/6
Quanto: entrada franca
Avaliação: ótimo
Zilvinas Kempinas to represent Lithuanian at 53rd Venice Biennale 2009

Organized by the Vartai Gallery, commissioner Laura Rutkutė, curator Laima Kreivytė.

New York-based Lithuanian artist Žilvinas Kempinas employs videotape as a sculptural material rather than visual data carrier. In his installations invisible forces of gravity and air circulation animate architectural space, reshaping it into a totally new environment. His latest work, a large-scale installation TUBE was created at Atelier Calder (Saché, France) and will be set up for the Lithuanian pavilion in Venice to resonate with the environment of the city. TUBE addresses the physical and optical experience of the viewer, passage of time, perception of the body and architecture.

Kempinas has been using magnetic tape since the beginning of this decade to construct monumental yet fragile spaces of experience. Playful gestures and geometric clarity are equally important. His artistic practice is based on recycling the principles of minimal, abstract, op art and kinetic art in the post-medium condition.

Zilvinas Kempinas. Tube, 2008 Installation view, Atelier Calder, France

Žilvinas Kempinas was born in 1969 in Plunge, Lithuania. He lives and works in New York. Solo exhibitions: Kunsthalle Wien, Austria (through January 25, 2009); Grand Café, Saint Nazare, France (2008); Contemporary Art Centre, Vilnius, Lithuania (2007); Palais de Tokyo, Paris (2006); P.S.1, New York (2003); Spencer Brownstone Gallery, New York (2004, 2006, 2007). Selected group shows: The Immediate Future, Lund Konsthall, Sweden (January 31 – March 29, 2009), Now Jump, Nam June Paik Art Center, Yongin/Seoul, Korea (through February 5, 2009), Manifesta 7, Bolzano (2008); New Work: Zilvinas Kempinas, Alyson Shotz, Mary Temple, SFMOMA (2008); Go East, Museum of Modern Art, Luxembourg (2008). In 2007 Kempinas was awarded the Calder Prize and Atelier Calder residency.

Laura Rutkutė is a co-founder of Vartai Gallery, coordinator of an international contemporary art project ARTscape in collaboration with “Vilnius – European Capital of Culture 2009”.

Laima Kreivytė is an art critic and curator based in Vilnius. In 2007, she was part of the curatorial team of Prague Biennale 3. Since June 2007, she has been working as a visual arts projects manager at “Vilnius – European Capital of Culture 2009”.

Lithuanian Pavilion at the 53rd Venice Biennale is principally funded by the Lithuanian Ministry of Culture.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Bienal de SP ainda deve aos artistas

Pelo menos 8 participantes da mostra ainda não receberam

Existem "pequenos saldos devedores e créditos a receber decorrentes da realização da 28ª Bienal", afirma a fundação

por Silas Martí da Folha de SP

Quase três meses após o fim da 28ª Bienal de São Paulo, pelo menos oito dos 41 artistas na mostra ainda não foram pagos por sua participação, ou tiveram apenas parte do cachê depositado. A Fundação Bienal também deixou de pagar fornecedores desses artistas e de bancar custos de produção.
Segundo apurou a Folha, a instituição deve cerca de R$ 1 milhão em pendências da última Bienal, que teve R$ 9 milhões de orçamento total.
Procurados pela reportagem, o presidente da Fundação Bienal, Manoel Francisco Pires da Costa, e os responsáveis pelo departamento financeiro não quiseram comentar o assunto. Em e-mail, a assessoria de imprensa da fundação afirmou apenas: "Existem, ainda, alguns pequenos saldos devedores e créditos a receber decorrentes da realização da 28ª Bienal de São Paulo. Estes ajustes estão acontecendo dentro da normalidade".
Normalmente um artista convidado recebe um cachê pela participação na mostra e tem os custos de produção financiados pela Fundação Bienal, embora o reembolso, como na 27ª edição, possa levar 18 meses.
"As únicas memórias que tenho da Bienal são problemas", disse o artista colombiano Gabriel Sierra, 33, à Folha. "É como um jogo de gato e rato."
Sierra passou meses em São Paulo bancado pela Bienal enquanto desenhava o mobiliário usado na exposição, mas até o fechamento desta edição tinha US$ 3.000 a receber dos organizadores do evento.
"Houve uma quantidade de injustiças que fizeram comigo, mentiram para mim", disse o artista Nicolás Robbio, 34, argentino radicado em São Paulo que tem R$ 5.000 a receber.
"Eu tive o mesmo problema na última Bienal [em 2006], isso me parece mais um procedimento recorrente do que um problema desta edição", afirma a artista Mabe Bethônico, 43, que organizou um ciclo de palestras para a 28ª Bienal.
"Tinha um constrangimento da curadoria que me contratou dessa vez porque todo mundo sabia o que eu já havia passado lá dentro", diz Bethônico, que recebeu por sua participação na Bienal de 2006 com um ano e meio de atraso, quando já havia começado o projeto para a edição de 2008 da exposição.

Mais grave do que não receber, na opinião da artista, é não ter como pagar assistentes e fornecedores. "É uma situação constrangedora para o artista", diz Bethônico. Na mesma situação, Dora Longo Bahia, que também não recebeu cachê, e sua galerista, Luisa Strina, gastaram cerca de R$ 20 mil para pagar seus oito assistentes.
"A Bienal ficou de pagar, correr atrás de patrocínio e não fez isso", conta Longo Bahia, 47, que disse também não ter autorização para ligar as luzes quando trabalhava à noite.

Gringos
Tentando evitar mais estresse, alguns artistas estrangeiros, como o norte-americano Casey Spooner, do duo eletrônico Fischerspooner, o argentino Martiniano López-Crozet e a mexicana Milena Muzquiz, do Los Super Elegantes, foram mais duros na negociação.
Spooner se recusou a pegar o avião para fazer sua performance no Brasil até que depositassem o cachê na sua conta, enquanto López-Crozet e Muzquiz esperaram mais de três meses para receber, sendo que tiveram o dinheiro depositado só quando ameaçaram falar sobre o caso numa entrevista ao jornal "The New York Times".

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009



Excelente trabalho, vale a pena ver o site deste artista.

Australian Pavilion Giardini 2

Ludoteca

Sydney-based curator Felicity Fenner will curate a group exhibition of early career artists at The Ludoteca, a former convent in the Castello district between the Giardini and the Arsenale. The exhibition ONCE REMOVED, will present artists – Vernon Ah Kee, Ken Yonetani, and Claire Healy & Sean Cordeiro – through a series of installations unified by themes of displacement, Indigenous and environmental issues.
This exhibition will resonant with international audiences with its themes of displacement and environmental issues, while also revealing a diversity of work by early career Australian artists.

Vernon Ah Kee












Vernon Ah Kee, Cant Chant, Institute of Modern Art, Brisbane, 2007 (installation view)


Vernon Ah Kee creates work dealing with issues facing Australian Indigenous culture in a post-colonial society. He is best known for his monumentally scaled pencil portraits of Aboriginal family members, who gaze defiantly at the viewer.
Vernon Ah Kee is a younger generation Indigenous artist who lives and works in Brisbane, Queensland. He received his doctorate in Visual Arts from Queensland College of the Arts in 2007. His work explores Australian Indigenous and non-Indigenous culture in contemporary society. Using text, video and drawing, Ah Kee references past racial atrocities and the way they resonant in the present context.

Artist Representation Milani Gallery, Brisbane
Claire Healy & Sean Cordeiro














Claire Healy & Sean Cordeiro, Deceased Estate, Glashaus Gallery, Weil, am Rhein, Germany, 2004


Claire Healy & Sean Cordeiro explore the space between creation and consumption, questioning the layers that disguise the simple economics that underscore our increasingly complex lives. Their site-specific investigations of certain places are also investigations into the perception of the way things shift. Their art material is often found on site, recycled and reused in works that ponder the material and immaterial value of everyday objects. The artists’ explorations into formality, materiality, accumulation and transition manifest in works that relate closely either to the site in which they’re presented or from whence they derive.
More information: http://www.claireandsean.com/
Artists Representation: Barry Keldoulis Gallery, Sydney

Ken Yonetani














Ken Yonetani, Sweet Barrier Reef, Adelaide Biennial of Australian Art, 2008


Australian based Japanese artist Ken Yonetani creates sculptural installations made from ceramics and other similarly fragile materials. His work draws on the traditions of his Japanese cultural heritage to address contemporary environmental crises facing many parts of the world.
Ken Yonetani was born in Japan in 1971, where he studied pottery under the master Toshio Kinjo. He moved to Australia in 2003, gaining an MA from the Australian National University’s School of Art in 2005. Yonetani’s current work uses fragile and ephemeral materials as a metaphor for modern day consumerism and destruction of the natural environment.
More Information: www.diannetanzergallery.net.au
Artists Representation: Dianne Tanzer Gallery, Melbourne
Australian Pavilion Giardini

Shaun Gladwell, Apology to Roadkill, production still, videography: Gotaro Uematsu, photography: Josh Raymond, courtesy the artist & Anna Schwartz Gallery.

Artist Shaun Gladwell will present his work in the Australian Pavilion in the Giardini. Influenced by his experiences in Australia’s landscape of the outback, and Mad Max movies, the work is a suite of videos accompanied by sound, photographic and sculptural works.

Gladwell’s work critically engages personal history, memory and contemporary cultural phenomena through performance, video, painting and sculpture. He has exhibited in major national and international exhibitions; including The Mind is a Horse, Bloomberg Space, London (2001) and the Yokohama 2005 Triennale of Contemporary Art, Japan. Gladwell’s work was also represented in the 2006 Biennale in Busan (South Korea) and Sao Paulo (Brazil). In 2008 he exhibited in Sydney and Taipei Biennales. Gladwell was part of the Think with the Senses Feel with the Mind exhibition curated by Robert Storr at the Venice Biennale 2007.

Shaun Gladwell was one of three Australian artists selected by Director Robert Storr to participate in the 52nd International Art Exhibition at Venice Biennale 2007. Gladwell’s Storm Sequence generated positive reviews from a range of international newspapers and journals including Art in America and Frieze magazine. His installation for the Australian pavilion will build upon the foundation of interest and support created by his participation in the 2007 Venice Biennale.

More information:
http://shaungladwell.com

Shaun Gladwell is represented by Anna Schwartz Gallery, Sydney, Melbourne, Australiaiardini
Luis Felipe Noé na Bienal de Veneza

Com uma trajetória de 50 anos marcada pelo compromisso social e a inovação estética, o artista será o representante argentino na mostra plástica mais importante do mundo. León Ferrari obteve o máximo galardão em 2007.
Noé encontra linguagens sempre novas para expressar sua visão sobre as tensões e antagonismos da vida argentina.



A Bienal ficará em cartaz de 7 de junho a 22 de novembro e terá como eixos a encenação de artistas-chave da história da arte que ainda continuam produzindo obras e que constituem claras influências sobre as seguintes gerações. A escolha de Noé se ajusta com precisão a estes lineamentos.
“Sem dúvidas, sua obra é representativa da Argentina no sentido mais profundo, real e simbólico, com todas as suas contradições, idas e voltas, durante o último meio século, no passado, no presente e na soma de ambos: isto é, no futuro ", explicou o crítico Fabián Lebenglik, o curador designado pela Chancelaria argentina para a Bienal.
Noé, por sua vez, confessou que ficou contente ao saber do reconhecimento, “porque entendo que é a minha obra atual e não simplesmente aquela que realizei nos anos ´60. Sinto-me vivo criativamente e não a viúva de um artista que existiu nos ´60”.
Nasceu em Buenos Aires em 1933, o artista integrou entre 1961 e 1965 o grupo Otra Figuración (também conhecido como Nueva Figuración), junto a Ernesto Deira, Rómulo Maccio e Jorge de la Vega, que marcou um ponto de quebra na agitada vida cultural da Argentina nos anos 60.
A obra de Noé representa uma singular conjunção entre vanguarda estética e vanguarda política. A partir da compartimentação da superfície de suas pinturas que já se observam em quadros como “Mambo” (1962) ou “Introdução à esperança” (1963), Noé encontra linguagens sempre novas para expressar sua visão sobre as tensões e antagonismos da vida argentina.
Na Bienal Internacional de Veneza 2007, León Ferrari, outro destacado artista argentino foi reconhecido com o Leão de Ouro por seu compromisso ético e político e pela vigência estética de sua obra, que compreende seis décadas. Ferrari participou dos collages de sua série de L´Osservatore Romano (2001) e a escultura “A civilização ocidental e cristã” (1965), com um Cristo crucificado contra um bombardeiro americano. O diretor da Bienal, Robert Storr, também convidou o argentino Guillermo Kuitca para integrar a mostra central com obras de sua produção recente, que aludem a outros artistas nacionais, como Alfredo Hlito e Lucio Fontana.
Desejo de reencontro

Fonte: Canal Contemporâneo - por Tatiana do Zero Hora, em 19 de fevereiro de 2009

Carlos Vergara, artista que está com grande exposição em Porto Alegre, fala sobre Santa Maria, cidade onde nasceu e à qual não voltou mais
Santa Maria está de olho em um artista que nasceu lá, que construiu uma carreira admirável, de projeção nacional, mas que nunca voltou a sua própria cidade. Trata-se de Carlos Vergara, 67 anos, gaúcho radicado no Rio de Janeiro, atualmente em cartaz no Margs, em Porto Alegre, com a exposição Sagrado Coração, que tem como ponto de partida as ruínas de São Miguel das Missões.
O secretário de Cultura de Santa Maria, o artista plástico Titi Roth, diz que entrará em contato com Carlos Vergara para convidá-lo a expôr na cidade o mais breve possível. O plano é que as obras dos grandes artistas da região (além de Vergara, Carlos Scliar e Iberê Camargo) sejam expostas no Museu de Arte de Santa Maria (Masm). Para que isso aconteça, Roth quer fechar uma parceria com o Margs. Ele fala com entusiasmo da obra de Vergara:
– Ele tem uma pintura extremamente vigorosa e contemporânea. Há toda uma trajetória de brasilidade na cor, nos elementos que ele usa. É uma produção representativa de nossos valores.
Apesar de jamais ter morado no Estado, Vergara colocou o Rio Grande em seu mapa-múndi artístico na mostra Sagrado Coração, um olhar do artista sobre as ruínas de São Miguel das Missões, em cartaz no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs). Em uma das idas às reduções jesuíticas, no ano passado, o artista sobrevoou sua terra natal e sentiu uma certa nostalgia.
– A Santa Maria, não voltei não por falta de curiosidade, mas de oportunidade – diz. – Iberê Camargo (pintor gaúcho que foi professor de Vergara), que tinha uma relação grande com Santa Maria, tentou mesmo fazer uma exposição minha lá. É uma coisa que ainda está para acontecer. Tomara que aconteça logo.
Carlos Vergara deu entrevista, de seu estúdio em Santa Teresa, no Rio, por telefone. Na oportunidade, vibrava com a expectativa de desfilar no bloco carnavalesco Cariocas do Mundo, formado só por pessoas que vivem no Rio de Janeiro mas que não nasceram lá.
– Já tem até uma ambulância contratada. Pode ser a última entrevista – riu o artista, de 67 anos.

“Quero pisar no chão onde eu nasci”, diz Vergara.

“Diga aí para os nossos conterrâneos, que espero ter oportunidade de fazer alguma coisa em Santa Maria, uma exposição, alguma obra. Soube de dois lugares que me interessariam muito. Um é a velha estação férrea. Talvez eu pudesse fazer uma coisa que não fosse pieguice de novela (risos). Outra são umas águas paradas que Iberê pintou, em 1939 ou 1940, e que ficam na região de Santa Maria. Me interessaria muito visitar esses locais e retrabalhar com olhos contemporâneos uma coisa que ele pintou na época em que eu estava nascendo. Só estou esperando um convite para visitar a cidade, da universidade, da prefeitura. Se me chamarem, eu vou. Sobrevoei Santa Maria, na última vez que fui a São Miguel, ano passado. Mas quero pisar no chão, olhar as colinas, andar, e de repente, descobrir em qual maternidade eu nasci. Quero revisitar os alfarrábios da minha velha certidão de nascimento.”

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Steve MCqueen to represent britain at the 2009 Venice Biennale

Born in London in 1969, McQueen works predominantly in film and is considered one of Britain’s most influential artists. He was awarded the first ICA Futures Award in 1996, the Turner Prize in 1999 and an OBE in 2002. His work is represented in museum collections throughout the world and he has shown widely in important group and solo exhibitions. These include Documenta X and XI, the 50th and 52nd Venice Biennales, Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, Museu Serralves, Oporto, Fondazione Prada, Milan, and the Renaissance Society, Chicago.
As Official War Artist to Iraq, commissioned by the Imperial War Museum in 2003, McQueen generated international media attention with one of his rare non-film works Queen and Country. His first feature film Hunger, commissioned by Channel 4/Film 4, won both the Camera d’Or and an International Film Critics Federation Prize at the 2008 Cannes Film Festival, in addition to the inaugural Sydney Film Prize, for best film at the Sydney Film Festival.
Deadpan 1997, 16mm black and white film, without sound transferred to DVD - 4min 30sec

Steve McQueen is represented by Thomas Dane Gallery, London and Marian Goodman Gallery, New York and Paris. He lives and works in Amsterdam and London.

For more information please contact Eleanor Hutchins on +44 (0) 207 389 4981 or email Eleanor.Hutchins@britishcouncil.org.

McQueen is represented by Thomas Dane Gallery, London. For inquiries please contact Martine d'Angelejan-Chatillon at martine@thomasdane.com or phone +44 (0)20 7925 2505. For further information about the gallery, please visit www.thomasdane.com

The British Council works with an advisory committee of leading arts professionals across the UK who advises on the artist selection for the Venice Biennale every two years. This is to ensure that the selection process is transparent and broadly based. The advisory committee met on June 19 2008 and was made up of:

- Martin Barlow, Director Oriel Mostyn, Llandudno
- Katrina Brown, Director The Common Guild, Glasgow
- Penelope Curtis, Curator Henry Moore Institute, Leeds
- Stephen Deuchar, Director Tate Britain
- Alex Farquharson, Director Centre for Contemporary Art, Nottingham
- Jack Persekian, Director Al Ma’mal Foundation, East Jerusalem
- Declan McGonagle, Chair in Art & Design & Director School of Art and Design, University of Ulster, Belfast
- Magdalene Odundo, Professor of Ceramics, University College of the Creative Arts, Farnham
- Richard Riley, Head of Exhibitions, British Council
- Adrian Searle, Chief Critic, The Guardian
- Chair: Andrea Rose, Director of Visual Arts, British Council

If you are interested in the minutes of the meeting, you can download them here.

The 53rd International Art Exhibition in Venice will run Sunday 7th June – Sunday 22nd November 2009. Next year the British Council will be celebrating its 75th Anniversary. It has commissioned artists to represent Britain at the Venice Biennale to celebrate the best of emerging and established British artistic talent since 1938, including Barbara Hepworth, Henry Moore, Bridget Riley, Anish Kapoor, Mark Wallinger, Paul Nash, Gilbert & George, and most recently Tracey Emin in 2007, amongst many more.
The Icelandic Pavilion

Ragnar Kjartansson
to represent Iceland at the Venice Biennale in 2009

The artist Ragnar Kjartansson has been chosen to exhibit on Iceland’s behalf at the 53rd Biennale in Venice 2009. Born in 1976, he is the youngest artist ever chosen to represent the country in this important international venue where the art world gathers every two years to see the most exciting new art brought in from every corner of the earth.

Icelandic artists were first sent to the Venice Biennale in 1960 but in the last decade, more funding and effort has been expended to support and promote the representing artist, reflecting the growing importance of such international art events. Most recently, Iceland was represented in 2007 by Steingrímur Eyfjörð, in 2005 by Gabríela Friðriksdóttir, in 2003 by Rúrí and in 2001 by Finnbogi Pétursson – all artists who exhibit internationally and have built a strong reputation in and outside Iceland. Until 2005, the Icelandic artists were exhibited in a small pavilion built in 1956 by Finnish architect Alvar Alto in the Giardini di Castelli exhibition gardens. In 2007, however, Steingrímur Eyfjörð’s exhibition was mounted in the Palazzo Bianchi Michiel on the Canale Grande, reflecting the expansion of the Biennale in recent years as more and more exhibitions are held outside the gardens traditionally reserved for the event. The location of Kjartansson’s exhibition has yet to be announced.

Ragnar Kjartansson graduated from the Icelandic Academy of the Arts in 2001 but his artistic development has been rapid and he has already had twelve private exhibitions in five countries and taken part in some thirty group shows. He has built a body of work that is at once highly individual and easily appreciated, combining performances, video, sculpture and painting. In addition to his work in the visual arts, Kjartansson has a career in music, having released several albums with his bands and performing around the world. His contribution to the Reykjavík Arts Festival in 2005, though staged in an abandoned rural meeting house far from the city, was one of the most successful events of the festival and brought him to the attention of the international press. Like many of Kjartansson’s works, it combined drawing and painting with a dramatically staged setting and a performance piece that tested the artist’s endurance as he spent twelve hours a day for two weeks in the draughty, unheated building, dressed in fading theatrical costume, his face streaked with stage blood, strumming a guitar and singing to himself, gradually adding details to the chaotic installation. Kjartansson often highlights such themes as sadness, regret and loneliness, but his approach and execution are always fresh and intensely personal, forging a strong bond with the viewer and captivating audiences wherever he exhibits.

With Ragnar Kjartansson, the Icelandic pavilion in Venice in 2009 will feature a young artist who has in a remarkably short time built an impressive roster of international exhibitions and an engaging individual style that stands out even in today’s crowded global art world. He is a worthy representative of the vibrant young art scene in Iceland, a cutting-edge contemporary artist with strong roots in cultural tradition and a keen eye for the tragicomic spectacle of human experience.

The choice of an Icelandic artist for the Biennale is in the hands of a committee that this time included Christian Schoen, Director of the Center for Icelandic Art, Hafþór Yngvason, Director of the Reykjavík Art Museum, and the artist Rúrí who herself exhibited in Venice on Iceland’s behalf in 2003. Two further consultants were brought in to assist in the deliberations: Halldór Björn Runólfsson, Director of the National Gallery of Iceland, and Kristján Steingrímur Jónsson, Head of Visual Arts at the Icelandic Academy of Art. Christian Schoen is the commissioner for Iceland’s pavilion in Venice and the project is overseen by the Center for Icelandic Art, which in turn is funded by the Ministry of Education, Science and Culture.

Commissioner: Christian Schoen
Assistant: Rebekka Silvía Ragnarsdóttir
Curators: Markús Þór Andrésson & Dorothée Kirch
Commissioning Institution: CIA.IS – Center for Icelandic Art

Hafnarstræti 16
IS-101 Reykjavík
Tel: 00354-562 72 62
Fax: 00354-562 66 56
info@cia.is
www.cia.is

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Yoko Ono e John Baldessari serão premiados na Bienal de Veneza


ROMA, Itália, 24 Fev 2009 (AFP) - A Bienal de Arte Contemporânea de Veneza (7 de junho a 22 de novembro) concederá um Leão de Ouro pela carreira à japonesa Yoko Ono e ao americano John Baldessari, artistas que "revolucionaram a linguagem da arte", anunciaram os organizadores do evento.
"A Mostra deseja recompensar dois artistas cujos trabalhos de vanguarda abriram novas possibilidades de expressão poética, conceitual e social para os artistas do mundo inteiro", declarou o crítico de arte e filósofo Daniel Birnbaum, curador da 53ª edição da Bienal.
"O trabalho de Yoko Ono e John Baldessari revolucionou a linguagem da arte e continuará sendo uma fonte de inspiração para as futuras gerações", completou Birnbaum.
Yoko Ono, 76 anos, mulher de John Lennon, é uma "pioneira da arte-performance e da arte conceitual, e atualmente uma das artistas mais influentes. Ela desenvolveu modelos artísticos que deixaram marcas duradouras", afirma um comunicado oficial.
John Baldessari, californiano de 78 anos, é um artista conceitual "que desenvolveu sobretudo uma linguagem visual específica".

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Representação Portuguesa na 53.ª Bienal de Veneza

fonte: RTP - Portugal

Os artistas portugueses João Maria Gusmão e Pedro Paiva vão representar Portugal na 53/a Exposição Internacional de Arte - Bienal de Veneza, num projecto comissariado por Natxo Checa, revelou hoje à Agência Lusa o director-geral das Artes.

De acordo com Jorge Barreto Xavier, a escolha desta equipa - que já recebeu o aval do ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro - visa "reconhecer o valor do trabalho em equipa de três profissionais que ao longo dos últimos sete anos têm trabalhado juntos, e num percurso coerente e muito marcado por linhas singulares e reconhecidas no contexto nacional e internacional".

"Esta escolha permite a uma geração mais nova, mas com provas dadas e reconhecidas, o acesso ao circuito da Bienal de Veneza, numa promoção do país, mas também das possibilidades de sedimentação da sua presença internacional para assegurar o sucesso de um projecto que cumpra a exigência desta apresentação e o perfil de contemporaneidade" da representação portuguesa na Bienal de Veneza.

Pedro Paiva e João Maria Gusmão - The Occult (2007)

João Maria Gusmão, de 29 anos, e Pedro Paiva, 31 anos, ambos nascidos em Lisboa, "têm tido um trabalho discreto mas fulgurante em termos de reconhecimento", comentou à Lusa Jorge Barreto Xavier, acrescentando que a presença de ambos em Veneza "terá um grande impacto na sua carreira artística".

Por outro lado, "a equipa tem apresentado muito propostas existenciais que se inserem bem no tema geral da Bienal de Veneza", que na edição de 2009 se apresenta sob o título "Making Worlds/Fazer Mundos", e que terá como curador geral o sueco Daniel Birnbaum, decorrendo entre 07 de Junho e 22 de Novembro deste ano.

Desde 1997 que o Instituto de Arte Contemporânea, posteriormente Instituto das Artes, e actualmente Direcção-Geral das Artes, organismos do Ministério da Cultura, têm vindo a designar e financiar a representação portuguesa nesta Bienal, onde já representaram Portugal artistas como Helena Almeida, Jorge Molder e Ângela Ferreira.

Questionado pela Lusa sobre algumas críticas surgidas na imprensa, por parte de alguns meios artísticos, de que a escolha da representação portuguesa tardava em ser anunciada, Barreto Xavier escusou-se a comentar, sublinhando: "O processo esteve a decorrer e a Direcção-Geral das Artes está muito empenhada e satisfeita com esta escolha".

Desde há uma década que Pedro Paiva e João Maria Gusmão têm apresentado, em plataformas como o cinema experimental e a instalação, um conjunto estruturado de ensaios de investigação artística sobre os sentidos para a experiência humana no mundo.

Internacionalmente, têm vindo a apresentar-se no circuito das bienais, nomeadamente em São Paulo (2006), Mercosul (2007) e, mais recentemente, na Manifesta 7, assim como nas apresentações individuais no Wattis Institute em São Francisco, Photoespaña, em Madrid, e Adams Gallery em Wellington.

Este ano os artistas irão ainda expor individualmente na Kunstverein Hannover e Ikon Gallery em Birmingham.

Nascido em Barcelona em 1968, Natxo Checa iniciou a sua actividade profissional no início dos anos 90, e desde 1994, no contexto do espaço Zé Dos Bois (ZDB), em Lisboa, que co-dirige, ou do Festival Atlântico que dirigiu, tem vindo a mostrar diversa produção artística visual emergente portuguesa. Também tem organizado mostras e intercâmbios internacionais em algumas capitais europeias e na costa Oeste Americana com artistas da geração de noventa.

Cotidiano inspira poética de obras em mostra coletiva

por Mário Gioia da Folha

"Realidades Imprecisas", exposição que é aberta hoje no Sesc Pinheiros, reúne trabalhos de 13 artistas contemporâneos

De acordo com curadora, instalações, pinturas, esculturas, objetos e vídeos atestam ligações da arte com coisas corriqueiras

Objeto da série "La Donna, La Casa, Il Bambino", de Nino Cais

Baldes de plástico de R$ 1,99 que formam esculturas. Uma torneira colocada na parede de um espaço expositivo. Fotografias caseiras de festas familiares ampliadas e dispostas como banners em janelas. Os trabalhos da mostra "Realidades Imprecisas", que é aberta hoje no Sesc Pinheiros, parecem sempre dar um sentido poético ao cotidiano.
Com obras de 13 artistas jovens, com idade média de 30 anos, a exposição coletiva reúne peças de diversos suportes, como pinturas, instalações, esculturas e vídeos, que comentam as ligações entre arte e realidade. "O recorte que fiz destaca como os artistas sempre buscam sensibilizar e dar uma nova significação ao mundo real.
Escolhi quem mais acompanho de perto pelo desenvolvimento da obra e, por isso, os trabalhos são muito diversos", afirma a curadora de "Realidades...", Carolina Soares, 32, ex-curadora do MAM-SP (Museu de Arte Moderna de São Paulo) e que atuou como pesquisadora na 28ª Bienal de São Paulo.
Logo na abertura da mostra, no térreo, as cinco esculturas e os cinco objetos do paulistano Nino Cais, 39, exemplificam de modo claro a tese da curadora.
As esculturas no centro da sala são formadas por objetos baratos, como baldes, bancos e vassouras, que, rearranjados, servem de apoio a vasos de plantas e flores.
"Meu trabalho fala constantemente do cuidar. Para sobreviverem, as plantas precisarão de cuidados, em meio a esses rearranjos de peças banais e que agora estão num espaço de exposição", conta o artista. Outros cinco objetos de Cais têm como base páginas de uma revista feminina publicada na Itália nos anos 60, que ganham colagens feitas pelo artista.
Nas janelas da entrada do Sesc, o goiano Marcelo Amorim, 31, ampliou 32 fotos de seus registros familiares para discutir a identidade.
"Jogo com a presença e a ausência da minha figura em diferentes tempos." Já a mineira Flávia Bertinato, 28, apresenta uma instalação repleta de cortinas na cor vinho, com canção de Ennio Morricone ao fundo.
"A música alegre seduz o público para entrar no espaço, mas não há nada especial para ver." A paulistana Tatiana Blass, 29, apresenta cinco novas pinturas, que têm o palco teatral como foco principal. "Às vezes o espaço está vazio, às vezes tem personagens que não identificamos logo. Tem um quê de mistério essa série", conta ela.
A incerteza das obras de Blass encontra eco em outras peças da exposição, como nas fotografias oníricas do paraense Mariano Klautau Filho e na improvável torneira da carioca Débora Bolsoni, colocada discretamente em uma das paredes dos espaços de exibição da mostra, no terceiro andar.

Realidades Imprecisas

Quando: de ter. a sáb., das 10h30 às 21h30, e sáb., das 10h30 às 18h30; até 19/3
Onde: Sesc Pinheiros (r. Paes Leme, 195, tel. 3095-9400); livre
Quanto: entrada franca

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Cildo Meireles: Individual

Depois da histórica exposição individual na Tate Modern em Londres, a obra de Cildo Meireles chega a Catalunha. Em cartaz neste mês no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, o artista brasileiro apresenta sua maior exposição internacional.

A mostra reúne cerca de 80 obras que datam de 1967 até 2008. Neste último ano, Cildo ganhou o prêmio Velázquez, concedido pelo Ministério da Cultura da Espanha, e o Ordway Prize, do New Museum de Nova York, além de um documentário sobre sua vida dirigido pelo cineasta Gustavo Moura.

A abordagem de suas obras explora sempre os processos de comunicação, a figura do expectador, o valor da arte e da herança histórica, onde o real, o simbólico, e imaginário se encontram em perfeita harmonia.

Cildo Meireles está na lista de brasileiros de Daniel Birnbaum, curador da 53 Bienal de Veneza, juntamente com Sara Ramo e Renata Lucas.

Obra Desvio para o Vermelho

Cildo Meirelles – MACBA
Plaça dels Angels, 1
08001 Barcelona
Tel.: 34 93 412 08 10

Até 30 de abril.

Representação Brasileira na Bienal de Veneza


fonte: Folha de S.Paulo 23/01/2009


Dois artistas de fora do eixo Rio-São Paulo foram os escolhidos pelo curador Ivo Mesquita para representar o Brasil na Bienal de Veneza, programada para ser aberta ao público no dia 7 de junho: o fotógrafo paraense Luiz Braga e o pintor alagoano Delson Uchôa. Mesquita, curador da polêmica 28ª Bienal de São Paulo, encerrada em dezembro, confirmou, ontem, à Folha, sua seleção.

A galeria Oeste, que representava Braga, fechou as portas no mês passado. "Estamos brilhando na razão inversa do mercado", comentou ele, por telefone, do Rio de Janeiro. Já Uchôa é representado pela antiga Brito Cimino, que passa a se chamar Luciana Brito.

Bar Azul - 1996 do paraense Luiz Braga,representante da Geração 80 e um dos escolhidos para bienal

Presença no circuito

Ambos são da mesma geração, nascidos em 1956, e são artistas com presença no circuito institucional.

Uchôa participou da histórica mostra "Como Vai Você, Geração 80?", realizada em 1984, no Parque Lage, no Rio, e mais recentemente da 24ª Bienal de São Paulo, com curadoria de Paulo Herkenhoff, em 1998, e do 30º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna, em 2007, organizada por Moacir dos Anjos.

Típico representante da Geração 80, Uchôa cria suas pinturas sobre suportes distintos como fotos e tecidos plásticos, a exemplo de "Entre o Céu e a Terra", trabalho que exibiu em "Contraditório", o Panorama de 2007, também visto em Madri, no ano passado.

Já Braga, apesar de nunca ter participado de uma Bienal de São Paulo, teve várias exposições em instituições nacionais como o Museu de Arte de São Paulo, onde também faz parte da coleção Masp-Pirelli, e o Museu de Arte Moderna de São Paulo, além de outras no exterior, como na Photographer's Gallery, de Londres.

"Sou meio 'off' por trabalhar e morar em Belém, mas é minha escolha. Meu trabalho não está pautado pelo mercado, sempre fui fiel ao que chamo de território interior do olhar, muito mais influenciado pelas artes plásticas do que pela fotografia", conta Braga.

As imagens que serão vistas em Veneza ainda não foram selecionadas pelo curador. "O Ivo me disse que vai para Belém no próximo mês, mas a gente já sabe por quais caminhos vamos trilhar, que são a cor e a luz, os mais marcantes do meu trabalho", diz o paraense.

Pintor alagoano Delson Uchôa, que também foi escolhido para representar o Brasil na Bienal de Veneza, com a obra "Céu e Terra"

Em abril, o fotógrafo participa da primeira mostra organizada por conta do Ano da França no Brasil, na Pinacoteca do Estado.Lá, ele irá exibir 25 imagens inéditas, ao lado de fotógrafos franceses como Pierre Verger e Marcel Gautherot.

Segundo a Folha apurou, a decisão de Mesquita não agradou a alguns conselheiros da Fundação Bienal, como Jens Olesen, que havia indicado a artista Regina Silveira, também da Luciana Brito, para representar o país na mostra de Veneza.

Foi a segunda vez que Mesquita indicou artistas para o pavilhão brasileiro: há dez anos, sua dupla foi composta por Iran do Espírito Santo e Nelson Leirner.
Venice Biennale 2009

A partir de hoje o Blog Frequentar os Incorporais se dedicará a publicação diária de tudo que acontece em torno da 53ª Bienal de Veneza que ocorre de 7 de junho a 22 de novembro de 2009. Serão postados informes sobre os preparativos, artistas, curadoria, representações nacionais e notícias, além de textos relacionados. Procuraremos dentro do possível trazer os informes já traduzidos, voluntários para tradução das postagens em inglês serão muito bem vindos já que o Blog tem o público brasileiro como seu principal foco. Seguiremos normalmente com nossas já costumeiras notícias gerais sobre Arte Contemporânea.

Rodrigo Linhares - roodris@gmail.com

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Artistas criam em prol da proteção ambiental

da Deutsche Welle, na Alemanha

A luta contra a destruição do meio ambiente tornou-se assunto frequente na sociedade. Artistas de vários países também estão engajados e fazem de sua obra uma maneira de chamar atenção para os problemas climáticos.


Enquanto carros e pessoas transitam freneticamente por Wall Street, uma mulher se senta, coloca uma máscara de oxigênio e respira fundo dentro de um pequeno carro provido de dois assentos e um guarda-sol. Este era o Fresh Air Cart (Carro de Ar Fresco), aparato criado pelo artista americano Gordon Matta-Clark, em 1972, para oferecer ar limpo aos transeuntes de uma das ruas mais movimentadas de Nova York.
Documentada em vídeo, a performance de Matta-Clark é uma das obras da exposição "Fantasias morais. Posições atuais da arte contemporânea no contexto do aquecimento global", aberta ao público até 26 de abril, no Castelo Morsbroich em Leverkusen, perto de Colônia. Com Fresh Air Cart, Matta-Clark se consagrou como pioneiro da arte engajada pelo meio ambiente.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Quem é quem na Arte



Livro do crítico carioca Paulo Sérgio Duarte traz lista de 77 artistas que conquistaram o Brasil e o mundo com seu trabalho

por Antonio Gonçalves Filho do Estadão em 18/02/09


Uma das inúmeras qualidades do crítico carioca Paulo Sérgio Duarte é sua franqueza. Quando alguém lhe faz uma pergunta à queima-roupa, responde de forma direta, sem rodeios. Pede-se uma lista de quem é quem na arte brasileira e ele começa a declinar nomes sem pausas cautelosas.
Duarte reconhece que poderia ter aplicado um filtro mais fino para selecionar os artistas que figuram em seu livro Arte Brasileira Contemporânea (Sílvia Roesler Edições de Arte/Opus Investimentos, 300 págs., R$ 150), espécie de "quem é quem" na arte contemporânea brasileira, mas preferiu apresentar ao leitor as obras que lhe foram mostradas recentemente, arriscando-se a um recorte arbitrário. Assim, de uma lista inicial de 300 nomes, entre artistas jovens ou veteranos de sua geração - Duarte tem 63 anos e longa carreira como diretor de importantes instituições como a Funarte - ele escolheu 77 artistas que testemunham o que a arte brasileira tem de melhor: sua diversidade.

Dessa lista não constam artistas seminais. Afinal, não se trata de um catálogo, mas apenas de um recorte - criterioso, evoque-se. Dificilmente outro crítico de renome viria a contestar o valor de seus eleitos: da turma que já ultrapassou a barreira dos 50 anos fazem parte, entre outros, Antonio Dias, Antonio Manuel, Arthur Barrio, Carlos Zilio, Carmela Gross, Cildo Meireles, Iole de Freitas, José Resende, Miguel Rio Branco, Nuno Ramos, Paulo Pasta e Tunga. Na turma que ainda não passou dos 40 estão a paulistana Laura Vinci e a paraibana Oriana Duarte. Na faixa dos 30 uma outra artista que cresce é a paulistana Tatiana Brass. Finalmente, entre os caçulas, que ainda estão nos 20, o mineiro Thiago Rocha Pitta é um dos mais promissores. Apesar da pouca idade, já tem um vídeo na coleção do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA).

O livro de Duarte vem acompanhado de um CD-ROM e um DVD, justamente por não se tratar de uma edição para especialistas. Como reconhece o crítico, seu texto "oscila entre um tom professoral e um passeio informal" pela arte contemporânea. No CD-ROM estão 15 entrevistas com teóricos, críticos e curadores. No DVD, dirigido pelo cineasta Murilo Salles, o leitor é convidado a visitar templos da arte contemporânea (como o Instituto Cultural Inhotim, em Minas Gerais, que abriga a coleção Bernardo Paz) e ainda ganha nos extras vídeos de artistas como Laura Erber (1979), Marcelo Cidade (1979), Thiago Rocha Pitta (1980) e Mariana Manhães (1977).

A pouca idade de alguns desses artistas não deve ser entendida como uma tentativa de o crítico se debruçar sobre a "arte atual". A perspectiva de Duarte é mesmo histórica. Fukuyama não tem a mínima chance em seu livro. "Eclipsar a história, até mesmo recalcá-la, pode ser interessante para o mercado, uma máquina que movimenta bilhões de dólares por ano, para o balaio pós-moderno, não para a arte", defende o crítico, que trabalha num campo teórico em que a arte é aceita como um conhecimento específico, sempre de natureza subjetiva. Sem a história, reforça Duarte, "não veremos a luz no fim do túnel". Assim, a tentativa de levar ao marco zero uma mostra internacional como a Bienal de São Paulo, como na última edição, que apresentou um andar inteiro vazio, é um atentado contra a história. "A Bienal sempre funcionou como um Ministério das Relações Exteriores da arte, apresentando a curadores e críticos estrangeiros o que de melhor se produz no Brasil", justifica. "É preciso desenvolver uma estratégia urgente de restauração da Bienal para que ela volte a ter a importância das mostras passadas." A última grande, segundo o crítico, foi realizada em 1998 pelo curador Paulo Herkenhoff, a Bienal da Antropofagia (24ª.). "Depois disso foi o declínio."

Curador da Bienal do Mercosul em 2005, Duarte comenta que a arte brasileira começou a conquistar espaço lá fora graças ao esforço individual dos próprios artistas, citando exemplos presentes nas catedrais da arte internacional - Cildo Meireles na Tate Modern, Tunga no Louvre, Waltércio Caldas em todas as bienais e Documentas - por conta do trânsito internacional desses nomes. Para um território estético dominado por pressão de agentes comerciais e curadores, o da arte contemporânea, a invenção ainda conta - e muito -, segundo Duarte, destacando a importância do experimentalismo no trabalho da paraibana Oriana Duarte, que vive e trabalha no Recife. "Em suas instalações e performances, ela inscreve no próprio corpo uma cartografia do mundo em trânsito em que vive." Duarte vê entre os mais jovens uma predominância das questões urbanas e existenciais, que suplantam a questão social. "As manifestações políticas estão dentro da cultura hip hop", diz, elogiando o artista paulistano Marcelo Cidade, de 30 anos, que faz performances, fotos e vídeos, sempre elegendo o ambiente urbano como foco de seu trabalho.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

VERDADEIRA MARAVILHA

Mostras oferecem amplo painel sobre obra de Josef Albers


Por Fabio Cypriano da Folha de SP

Tomie Ohtake expõe ótima série de 45 trabalhos, e Pinacoteca trata de percurso do artista na América Latina

Duas mostras em diferentes instituições apresentam de forma complementar a obra do pintor alemão Josef Albers (1888-1976), um dos mais importantes artistas do século 20, ambas com curadoria de Brenda Danilowitz. Na Pinacoteca do Estado, "Anni e Josef Albers - Viagens pela América Latina", apresenta o percurso do artista em suas diversas viagens ao México, ao Peru, ao Chile e a Cuba, de 1934 a 1967. Estudante da Bauhaus, onde conheceu sua mulher, Anni, em 1922, Albers chegou a lecionar na famosa escola, ao unir forma e função. Fechada pelo nazismo, em 1933, foi naquele ano que Albers se transferiu para os EUA, de onde partiu para as 14 viagens que a mostra enfoca. Nos EUA, seguiu também sua carreira docente, no Black Mountain College e na Universidade Yale, um dos temas do ótimo documentário que abre a exposição. O filme apresenta um Albers performático em suas aulas, que chegaram a ter entre seus alunos artistas como Robert Rauschenberg. Em suas viagens, o casal não só colecionou objetos pré-colombianos como se deixou influenciar pelo grafismo dos índios latino-americanos, como se pode ver nas diversas peças de tapeçaria desenvolvidas por Anni, cujo conjunto ganha grande força, mérito da mostra, ao não focar só seu marido. Albers, contudo, vai se revelando, no percurso da exposição, cada vez mais sintético em suas composições, até chegar a "Homenagem ao Quadrado", que tem poucos exemplares na Pinacoteca e é sua mais importante série, iniciada em 1950. É no Tomie Ohtake, em "Cor e Luz: Josef Albers - Homenagem ao Quadrado", que a série pode ser vista em sua plenitude, num estonteante conjunto de 45 obras, entre elas uma que pertence ao Museu de Arte Contemporânea da USP, adquirida em 1969, quando ele participou da 10ª Bienal de SP. A mostra é um dos melhores exemplos da produção moderna, com sua obsessão pela forma geométrica e o estudo das cores. Três ou quatro quadrados se repetem nas obras, com cores que pouco variam, mas que tornam cada peça única. Gênio é palavra forte, mas que não pode deixar de ser usada.

Anni e Josef Albers - Viagens pela América Latina
Quando: de ter. a dom., das 10h às 18h
Onde: Pinacoteca do Estado (pça. da Luz, 2, tel. 3324-1000; até 8/3); livre
Quanto: R$ 2 a R$ 4 (sáb.: grátis)

Homenagem ao Quadrado
Quando: de ter. a dom., das 11h às 20h
Onde: Instituto Tomie Ohtake (r. Coropés, 88, tel. 2245-1900; até 1º/3); livre Quanto: grátis
Avaliação: ótimo (ambas as mostras)