domingo, 7 de junho de 2009

Bruce Nauman Wins Golden Lion at Venice Biennale

ArtForum 06.06.09

Bruce Nauman’s installation “Topological Gardens,” currently on view at the US pavilion and two other venues at the fifty-third Venice Biennale, has won the Golden Lion for Best National Participation. In its award citation, the Biennale stated that Nauman’s work “reveals the magic of meaning as it emerges through relentless repetition of language and form.” This is the first time since 1990 that an American artist has won the award. The international jury for the award comprised Jack Bankowsky, Homi K. Bhabha, Sarat Maharaj, Angela Vettese, and Julia Voss.

The jury also awarded Tobias Rehberger a Golden Lion for Best Artist of the exhibition for his piece in the Palazzo delle Esposizioni, and the Swedish artist Nathalie Djurberg a Silver Lion for Promising Young Artist. The jury also decided to assign four Special Mentions in the following categories: a mention for Remaking Worlds was given to the late Brazilian artist Lygia Pape for her work in the Arsenale; one for Curating Worlds was given to Michael Elmgreen & Ingar Dragset for their work as curators of the Danish and Nordic Pavilions; a mention for Expanding Worlds was given to Ming Wong for the Singapore Pavilion; and the artist Roberto Cuoghi received a mention under the category of Translating Worlds for his work Mei Gui in the Palazzo delle Esposizioni.


Lygia Pape recebe prêmio póstumo na Bienal de Arte de Veneza

efe

O júri da 53ª Bienal de Arte de Veneza concedeu neste sábado a Menção Especial "Remaking Worlds" ("Refazendo Mundos", em tradução livre) à artista fluminense Lygia Pape (1927-2004) em caráter póstumo.

Veneza revive "dolce vita" de luxo na Bienal de Arte

No prêmio de maior destaque, os EUA foram agraciados hoje com o Leão de Ouro pela Melhor Participação Nacional na bienal.

Além disso, a japonesa Yoko Ono e o americano John Baldessari receberão um Leão de Ouro cada, em homenagem a suas respectivas carreiras artísticas.

Segundo informou a organização do evento em comunicado, os EUA receberam o prêmio pela "energia constante e à precisão" do trabalho exibido em seu pavilhão por Bruce Nauman, cuja exposição é uma das mais visitadas entre as apresentações oficiais na cidade italiana.

"Sua obra revela a magia do significado enquanto emerge através de uma repetição implacável da linguagem e da forma", acrescenta.

O artista apresenta em Veneza "Topological Garden", uma obra que exibe corpos desmembrados e luzes de neon e que pretende dissolver os limites habitualmente estabelecidos para separar o espaço pessoal do social.

O Leão de Ouro para o Melhor Artista da Bienal de Arte de Veneza foi para o alemão Tobias Rehberger, por sua obra "Was du liebst, bringt dich auch zum Weinen", exibida no Pavilhão da Alemanha, enquanto que o Leão de Prata para a Jovem Promessa foi concedido a Nathalie Djurberg, por "Experimentet", exposta no Pavilhão da Suécia.

Também houve uma Menção Especial para o dinamarquês Michael Elmgreen e o norueguês Ingar Dragset, que surpreenderam os visitantes da bienal com o Pavilhão Nórdico, no qual é possível ver a obra "Death of a Collector" (2009), o colecionador de arte que flutua morto em uma piscina.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Obra de brasileira abre Bienal Internacional de Veneza


Lygia Pape está na entrada da mostra, que apresenta obras de mais 90 artistas, de 77 países.

Instalação feita com fios de ouro é da artista brasileira  Lygia Pape (1927-2004)

Instalação feita com fios de ouro é da artista brasileira Lygia Pape (1927-2004)

De Milão para a BBC Brasil - Uma obra da brasileira Lygia Pape (1927-2004) abre a Bienal de Artes de Veneza. A instalação feita com fios de ouro iluminados por spots presos ao teto é a primeira imagem que os visitantes encontram no principal evento de arte contemporânea do cenário internacional.

Diagonais e quadrados atravessam o espaço com se fossem feixes de luzes e representam o ápice da pesquisa tridimensional da brasileira. A obra está na entrada da mostra, nas margens do Grande Canal.

Depois da instalação da brasileira, em espaços que somam um total de 88 mil metros quadrados, estão expostas as obras de outros 90 artistas, de 77 países - um recorde de presença.

A bienal exibe desde a ousadia da projeção em uma parede das sombras de uma orgia até canteiros de peões de obras, em uma instalação que retrata o crescimento urbano das cidades, passando por esculturas feitas com pneus de bicicletas e espelhos de água que refletem a fotografia de uma montanha nevada.

A obra de Lygia Pape foi inserida como cartão de visitas porque expressa o título da Bienal deste ano, "Fazer Mundos", e reúne diferentes linguagens da arte, como o desenho, a instalação, a escultura e a pintura. A ideia é mostrar os trabalhos modernos e discutir a influência de gerações passadas.

"A mostra está ancorada na história da arte contemporânea graças à presença de artistas como Lygia Pape, Yoko Ono, Blinky Palermo. Elas são constantes fontes de inspiração para os artistas mais jovens. E em anos recentes estiveram sempre no centro de discussões acirradas dentro da comunidade artística", afirma o diretor Daniel Birnbaum, na apresentação da exposição.

"Pape trabalhou em diferentes campos da pintura, da escultura, da dança, foi uma das artistas mais inovadoras do seu tempo", acrescenta. A obra de Lygia Pape foi criada em 2002, mas serve como introdução para obras concebidas apenas para a Bienal.

Parada musical

Daniel Biernbaum, diretor sueco de 46 anos de idade, colocou no programa até mesmo uma parada musical, ao longo de várias ruas de Veneza, com o americano Arto Lindsay, radicado no Brasil.

"A mostra vai criar novas realidades artísticas, que deverão ir além das expectativas das instituições e do mercado", afirma.

Durante a Bienal, Veneza se transforma em uma imensa galeria a céu aberto. Para se chegar aos locais tradicionais da exposição, passa-se por um submarino artístico ancorado diante de um palácio do século 15, ou por uma escultura gigante de um cadeira que tem ao lado um pacote de cigarros.

Uma experiência interessante é caminhar pelo cais de Veneza, nas proximidades da Piazza San Marco, entre a beleza arquitetônica da cidade e a fila de iates de luxo. Entre um barco e outro, foi instalado um telão em que são exibidas imagens animadas de trânsito no asfalto, algo que não existe em Veneza.

Artistas das Ilhas Comores apresentam uma instalação bem característica. O pequeno arquipélago, localizado entre Madagascar e o continente africano, ancorou na frente dos Jardins um barquinho de madeira, com um enorme contêiner. Quem passa tem a impressão de que alguém ainda não terminou o trabalho de descarregar o material embarcado.

Mais à frente, o artista israelense Harush Shlomo navega em círculos com uma lancha-instalação, tendo em uma das mãos o timão e em outra uma vara de pescar com um peixe no anzol. O barco aparece, em parte, submerso, apenas a proa e a popa estão acima do nível do mar - e ninguém sabe se ele irá afundar ou não.

Suicida

Os pavilhões nacionais da mostra abrigam de tudo um pouco. O espaço da Finlândia exibe uma piscina em que o manequim de um homem flutua como se fosse o corpo de um suicida.

O pavilhão da Espanha apresenta as obras de Miquel Barceló - séries de pinturas sobre primatas, paisagem africana e espuma das ondas do mar impressionam pelo impacto visual. Em uma delas, gorilas solitários nascem de um pequeno ponto do quadro e, em perspectiva, ocupam toda a tela.

O espaço do Brasil apresenta para Veneza duas realidades com cores bem vivas: a de Maceió, com os quadros de Delson Uchoa, e a de Belém, com os painéis fotográficos de Luiz Braga. O pintor exibe telas armadas em superfícies inusitadas como lonas.

"Qualquer brasileiro sente a vaidade de representar o seu país, ainda mais sendo nordestino. Na minha obra, eu trato a cor e a luz que é o Brasil no seu estado puro", disse Braga à BBC Brasil. "É um testemunho de que (o país) vive no círculo luminoso do planeta. O público percebe a nossa identidade calorosa, algo que não poderia acontecer na Sibéria."

Já as fotografias de Luiz Braga "pescam" o visitante pelos tons suaves com os quais ele conta a realidade amazônica.

"Eu nunca imaginei ver uma visitação tão diversa e constante aqui em Veneza. Gente do mundo inteiro esta vindo aqui. Eu trouxe o Brasil longe dos estereótipos", diz o fotógrafo.

"A minha fotografia privilegia o Brasil natural, a brasilidade da rotina das pessoas e não aquela dos índios, do carnaval, do gringo, aquilo não me interessa", acrescenta Braga, diante do painel de um barco cheio de redes que navega durante a noite pelos rios da Amazônia. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Bienal de Arte de Veneza privilegia novas formas artísticas


MIGUEL CABANILLAS
da Efe, em Veneza

Em sua 53ª edição, a Bienal de Arte de Veneza procura conservar o mesmo magnetismo do evento, patente nesta quinta-feira na apresentação da Bienal no discurso do diretor da mostra, o sueco Daniel Birnbaum, que deu início a três dias de atos e inaugurações oficiais até a grande abertura ao público, que acontecerá no domingo.

O que poderá ser visto no festival, acrescentou, são coisas novas, embora seu conceito não seja de todo novo, segundo Birnbaum. "As obras se apresentam em diálogo com este belo lugar, cujo centro será a arte em si mesmo, o mundo que os artistas criaram", afirmou o sueco.

Sob o título de Fare Mondi ("Criar Mundos"), a 53ª edição da Bienal de Arte de Veneza oferecerá a especialistas e visitantes a possibilidade de ter acesso à obra dos máximos representantes da arte contemporânea de 77 países e de mais de 90 artistas.

Nesta sexta-feira o destaque é o Pavilhão Latino-americano, que apresentará oficialmente as propostas artísticas de Bolívia, Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Peru, República Dominicana e Costa Rica.

Outros países têm pavilhões próprios, entre eles Brasil, Chile, Uruguai, Venezuela, Argentina e México. Eles representam uma arte latino-americana que faz com que, neste vai-e-vem de artistas e especialistas no qual a cidade italiana se transformou, se ouça muito português e espanhol.

Veneza é, desde hoje, sinônimo de arte. Dentro disso também se encontra a comunidade autônoma espanhola da Catalunha, que participa com uma instalação própria na seção dos Eventi Collaterali, que será apresentada oficialmente amanhã pelo vice-presidente regional, José Luis Carod-Rovira.

"O título da mostra, Fare Mondi, expressa meu desejo de enfatizar o processo de criação. Uma obra de arte representa uma visão do mundo e, se levada a sério, pode ser vista como um modo de criar um mundo", declarou Birnbaum.

Ferramentas que vão desde as composições audiovisuais até as criações de luz, passando por técnicas mais tradicionais como a pintura ou a cerâmica, suportes com os quais Barceló trabalhou e que são os protagonistas do Pavilhão da Espanha.

Neste sentido, o comissário do Pavilhão espanhol, Enrique Juncosa, diretor do Museu Irlandês de Arte Moderna de Dublin (IMMA), disse hoje que é pouca a pintura que decora as paredes da Bienal de Arte, fruto, afirmou, das decisões dos responsáveis das exposições.

Nestes três dias que antecedem a abertura ao público da Bienal de Arte também haverá tempo para a entrega de prêmios, como o Leão de Ouro à carreira da japonesa Yoko Ono, que acontecerá no sábado.

Bienal de Veneza chega à sua 53ª mais enxuta e renovada



por Mário Gioia da Folha de S.Paulo

A Bienal de Veneza, mais tradicional exposição de artes do mundo, chega à sua 53ª edição mais enxuta e renovada. Tendo à frente o sueco Daniel Birnbaum, 46, o curador mais jovem da história do evento, a seção principal da Bienal terá 90 artistas, além das 77 representações nacionais. Com entrada para o público do próximo domingo a 22 de novembro, a abertura especial para convidados se estende desta quinta-feira (5) a sábado.

Tudo bem mais discreto que a exposição anterior, em 2007, quando o curador norte-americano Robert Storr se orgulhava de destacar que comandava a maior edição da Bienal, com cerca de 500 artistas, entre os exibidos no Arsenale (uma antiga fábrica de cordas) e nos Giardini (onde os países mantêm seus pavilhões).

O recorte de Veneza parece ser mais experimental que o anterior. Storr assinou uma edição considerada por alguns críticos como "museológica", contando com nomes já consagrados em alguns dos principais espaços da mostra.

Já Birnbaum e seu cocurador, o alemão Jochen Volz, privilegiaram artistas com uma obra mais experimental, mesmo sendo de gerações diversas. A seleção vai desde nomes jovens, como a hispano-brasileira Sara Ramo, 34, a medalhões como John Baldessari, 77, e Yoko Ono, 76. Esses dois ganharão o prêmio máximo da Bienal, o Leão de Ouro.

Em entrevista à Folha por e-mail, Birnbaum e Volz dizem que a pluralidade pretendida na mostra é refletida já no seu título: "Fare Mondi, Making Worlds, Bantin Duniyan, Weltenmachen, Construire des Mondes, Fazer Mundos...".

"Um conceito para uma exposição grande como a Bienal de Veneza tem de ser amplo e generoso. Não pode funcionar como tema a ser ilustrado por meio de obras de arte -precisa suscitar perguntas ou conferir um espírito ao projeto como um todo", conta Birnbaum.

"O título desta Bienal é "Fazer Mundos" no maior número possível de línguas. Tem conotações bem diferentes em cada língua. No inglês, por exemplo, ela traz um sentido de trabalho artesanal; já em alemão, soa um pouco bombástico."

Volz, curador convidado da 27ª Bienal de São Paulo (2006) e curador licenciado do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), também destaca o caráter multicultural do evento.

"Em um mundo que tende a ficar cada vez mais homogêneo, é importante apontar para o pluralismo, com todos os problemas de tradução que o acompanham", diz Volz. "Mas não enxergamos nossa exposição como reação a bienais anteriores, embora tenhamos consciência dessa história."

Reformas

A curadoria de Veneza criou novos espaços para tentar surpreender o mundo da arte que passa pela cidade nesses dias. O Pavilhão Italiano, nos Giardini, ganhou novo nome --Palazzo delle Esposizioni--, foi ampliado em 1.000 m2 e vai servir de plataforma para eventos de áreas diversas, como cinema, arquitetura e dança.

Entre os pavilhões nacionais, artistas de peso exibirão obras, como Bruce Nauman (pelos EUA) e Steve McQueen (pelo Reino Unido). Haverá também novidades, principalmente vindas da estreia de países entre as representações, como Montenegro, Mônaco e Gabão.

"Em uma Bienal, é claro que esperamos ver coisas novas. Mas é de suma importância ter consciência de que a arte não é reinventada a cada dois anos", afirma Volz. "Com alguns artistas, você só se dá conta de sua relevância real depois de alguns anos ou décadas."

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Biennale of Sydney 2010

Biennale of Sydney

THE BEAUTY OF DISTANCE
Songs of Survival in a
Precarious Age

12 May - 1 August 2010

David Elliott, Artistic Director

17th Biennale of Sydney

ARTISTA INGLÊS NO PAVILHÃO ALEMÃO EM VENEZA



Uma das decisões mais surpreendentes da 53ª Bienal de Veneza foi a seleção de Liam Gillick, um artista inglês baseado em Londres e Nova Iorque, para ocupar o pavilhão da Alemanha. No entanto, este aparente desafio às sensibilidades nacionais parece ter atraído uma reação surpreendentemente otimista.

À parte algumas vozes dissidentes, têm sido levantadas poucas objeções. Gillick não é o primeiro estrangeiro a ocupar o pavilhão da Alemanha: em 1993, Nam June Paik, nascido na Coreia, não só expôs no pavilhão alemão como também ganhou o Leão de Ouro.

Por sua vez, Gillick considera-se “um estrangeiro mas não um estranho” e não considera a sua seleção como uma afirmação de diferença. “Trabalhei muito na Alemanha nos últimos 20 anos, foi onde fiz a maioria das exposições e o contexto crítico tem sido muito central no meu desenvolvimento. Penso que sou simbólico de uma determinada geração de artistas que trabalharam confortavelmente numa Europa pós-acordo de Shengen.”

A escolha de Gillick foi feita por Nicolaus Schafhausen, o curador do pavilhão alemão e diretor do CentrWitte de With em Rotterdam. Ao contrário de outros países, a Alemanha não tem sistema de comité para escolher o seu representante nacional, pelo que a responsabilidade da escolha recai unicamente sobre o curador, que é nomeado pelo Ministério Federal dos Negócios Estrangeiros.

Disponível em: www.theartnewspaper.com

terça-feira, 2 de junho de 2009

Dédale: um filme-instalação de Pierre Coulibeuf


Dédale: um filme-instalação de Pierre Coulibeuf, obra que apresenta o universo de Iberê Camargo através do olhar do cineasta francês, entra em cartaz na Fundação Iberê Camargo a partir do dia 4 de junho, às 19h. Composta por três projeções em vídeo e uma série de fotografias, a instalação pretende dialogar com o espaço expositivo da instituição para construir uma nova realidade a partir do ambiente e da arquitetura. Dédale, filmado em Porto Alegre em março deste ano, parte da mitologia grega para construir uma história que relaciona a obra de Iberê e o projeto labiríntico de Álvaro Siza.
O projeto surgiu em 2006, por iniciativa do curador Gaudêncio Fidelis, que vislumbrou no trabalho de Coulibeuf a possibilidade de contextualizar a obra de Iberê Camargo no universo contemporâneo, a partir do olhar de outro artista.

Segundo ele, convidar o cineasta deveu-se, em primeiro lugar, por seu processo artístico ter como ponto de interesse a obra de outros artistas. Contudo, ele acentua, Coulibeuf não é um documentarista, e seus filmes são autônomos em relação às obras que os inspiraram. “A obra de Coulibeuf possui características únicas dentro do panorama da arte contemporânea internacional. Ele é um artista que trabalha com filme dentro do universo das artes plásticas como muitos nos dias atuais, mas é talvez o único que faça uma leitura crítica do cinema ao mesmo tempo em que trabalha inspirado no universo criativo de outros artistas. Sua obra possui também uma interdisciplinaridade ao valer-se de elementos do cinema, das artes plásticas, da dança e da literatura entre outras”, explica o curador.

Assim, Dédale busca na figura mitológica de Dédalo e seu labirinto construído para aprisionar o Minotauro sua estrutura formal, servindo como metáfora que ecoa na estrutura arquitetônica criada para a sede da Fundação por Álvaro Siza. Segundo Coulibeuf, estes elementos são aliados à “ideia de movimento e dinâmica que pertence às pinturas de Iberê”. “A ideia do filme é também fazer os espectadores se perderem neste labirinto cinemático, para que eles, em diferentes momentos da história, sejam confrontados com o trabalho de Iberê Camargo – de forma mais ou menos repentina e sob diversos pontos-de-vista”, explica o cineasta.

Para realizar Dédale, Pierre Coulibeuf e sua equipe vieram a Porto Alegre no mês de março, e filmaram no Cais do Porto, na rua Lopo Gonçalves, no centro da Capital gaúcha e na cidade de Guaíba, localizada na outra margem do rio de mesmo nome, além da sede da Fundação Iberê Camargo.

Uma exposição com 14 pinturas oriundas de coleções públicas e privadas do País, bem como do Acervo da Fundação, foi montada para as filmagens, pois o interesse do cineasta residia sobre as obras mais escuras do artista gaúcho, principalmente as da década de 1960. “As pinturas de Iberê dão o tom do filme, ao mesmo tempo em que representam um ponto de convergência dentro de uma concepção de filme-labirinto. Elas também trazem uma dimensão formal: o escuro das pinturas e o branco do prédio da Fundação em relação à figura graficamente forte de Ariadne se movendo nos espaços labirínticos de Siza. O núcleo central gerador do filme nesse sentido é a obra de Iberê e seu espírito criativo”, enfatiza Gaudêncio.

Dédale é um filme de ficção que tem como personagens um casal formado pelos atores Vania Rovisco e Matheus Walter. Eles equivalem às figuras mitológicas de Ariadne e Teseu, mas não representam ou interpretam estes personagens: referem-se a eles em uma espécie de história paralela, ligada ao espaço mental, em oposição a seus papéis na “vida real”.

“A oportunidade de realizar um projeto desta envergadura é única. Com ele, a Fundação mostra sua vocação em gerar obras exclusivas através de projetos de iniciativa própria, cumprindo sua missão institucional de produzir e gerar conhecimento sobre a obra de Iberê, ao mesmo tempo em que estabelece vínculos com a produção artística internacional”, destaca o curador.

O projeto foi comissionado e financiado pela Fundação Iberê Camargo, e faz parte de "França.Br 2009", Ano da França no Brasil [21 de abril a 15 de novembro], organizado, na França, pelo Comissariado Geral Francês, Ministério das Relações Exteriores e Européias, Ministério da Cultura e da Comunicação e por Culturesfrance, e no Brasil, pelo Comissariado Geral Brasileiro, Ministério da Cultura e Ministério das Relações Exteriores.

A filme-instalação poderá ser visitada até 30 de agosto, de terça a domingo, das 12h às 19h, e quintas até as 21h. A Fundação Iberê Camargo se localiza na Av. Padre Cacique, 2.000, em Porto Alegre.

domingo, 31 de maio de 2009

Meio artístico acha positiva eleição do novo presidente



Projeto do empresário Heitor Martins, eleito anteontem, tem votos de confiança

por Camila Molina do Estado de S. Paulo

Heitor Martins, eleito anteontem novo presidente da direção executiva da Fundação Bienal de São Paulo, agora terá como desafio realizar uma grande 29ª edição da mostra, para abrir em outubro de 2010, tal afirmou que são seus planos. "Se a Bienal fosse adiada, perderia seu sentido", disse. Ao contrário do que foi publicado ontem no Estado, durante a reunião ordinária do conselho da Bienal, anteontem à noite no prédio da instituição, o candidato, único, não foi eleito por unanimidade. Estavam presentes na eleição 27 conselheiros e 4 votos foram feitos por meio de procuração, contando um total de 31 votações. Dentre elas, o consultor e empresário teve um voto contra. Também foram contadas duas abstenções.

Martins afirmou que nas próximas semanas promoverá encontros com artistas, galeristas, críticos e profissionais de instituições culturais para discutir e ouvir sugestões para a 29ª Bienal de São Paulo.

"Achei a eleição de Martins positiva e promissora já que ele tem um envolvimento muito forte com a arte. Há uma expectativa grande em torno da ação dele, vai enfrentar um bom projeto", diz Marcelo Araújo, diretor da Pinacoteca do Estado. O artista Nuno Ramos é direto. "Pior do que estava a Bienal acho difícil imaginar. Não o conheço, mas achei seu discurso sensato e estou esperançoso." O curador e crítico Agnaldo Farias também vai nessa linha. "A eleição dele foi ótima, suscitou um debate e uma movimentação por parte dos conselheiros porque a situação da instituição estava no fundo do poço. Acho que agora a Bienal anda porque a gestão anterior (de Manoel Pires da Costa) vai entrar para a história como a mais trágica da instituição."

O historiador, crítico e curador Tadeu Chiarelli dá seu "voto de confiança" ao novo presidente e acha que não há ninguém melhor do que ele para dar uma guinada na instituição. "Espero que ele não tenha como meta apenas desenvolver o problema da próxima edição da Bienal. A grande questão da instituição é a falta de uma política que transcenda as edições da mostra e ele não pode perder a oportunidade de estabelecer coordenadas para que a Bienal dinamize o circuito de arte brasileiro", afirma. Chiarelli defende a ideia de se pensar um plano político da Bienal que leve em conta, de uma maneira contínua, cinco edições da mostra. "Pode ser que teoricamente a Bienal não tenha um papel museológico, mas nossos museus, infelizmente, não conseguem dar conta de certas questões. A base para que o público possa entender a produção recentíssima artística e o conhecimento da arte vêm de uma sedimentação de várias perspectivas. Os museus não têm coleções e nem sempre conseguem trazer mostras que contribuam para esse processo."

Reforçando também que "a Bienal não pode tornar-se um balcão de exposições", Chiarelli diz que vê com bons olhos a proposta de Heitor Martins de fazer a 29ª edição com mais de um curador, dentre eles, um estrangeiro. "Seria bom se tivesse um colega latino-americano", diz. "Hoje grande parte da produção contemporânea tem diálogo com arte dos anos 60 e 70 e há artistas excepcionais que nunca foram mostrados com abrangência. Onde está, por exemplo, uma bela retrospectiva de Anna Bella Geiger? Ou de Luis Camnitzer (artista nascido na Alemanha que vive no Uruguai)?" "Dá para pensar também no grande público sem desmerecê-lo", continua.

ARTIGO


Desde 2008 este Blog vem acompanhando os desdobramentos da Bienal do Vazio que culminou numa crise política ameaçando as próximas edições da mostra e finalmente a eleição de Heitor Martins para presidente da instituição que mesmo com muitas desconfianças dá um novo alento ao futuro da Bienal SP. Abaixo um artigo bastante interessante(publicado na Folha de S. Paulo do dia 31/05) analisando os papéis da Bienal por Terixeira Coelho.

A Bienal e o sistema da arte

TEIXEIRA COELHO

A Bienal continua vendo a si mesma como se estivesse nos anos 50, ignorando todo o sistema que ajudou a criar


"NOSSAS ARTES foram instituídas, e seus tipos e usos fixados, num momento bem diferente do nosso, por pessoas cujo poder de ação sobre as coisas era insignificante perto do que temos hoje. Mas o surpreendente crescimento de nossos meios, a maleabilidade e precisão que alcançam, as ideias e os hábitos que introduzem nos garantem mudanças próximas e profundas na antiga indústria do Belo."
Citei num artigo de 2008 sobre a Bienal essas mesmas palavras de Paul Valéry tiradas de "A Conquista da Ubiquidade" (1934) e às quais Walter Benjamin recorreu em 1939 na sua última versão de "A Obra de Arte na Época de sua Reprodutibilidade Técnica". Elas continuam válidas como ponto de reflexão sobre "a crise da Bienal de São Paulo".
Pensando com Valéry, a Bienal de São Paulo surgiu num momento bem diferente do atual. Não havia então o sistema da arte que hoje existe. Quando a Bienal abriu as portas em 1951, não só o mundo tinha apenas duas ou três bienais como, no Brasil, Masp, MAM e Pinacoteca mal engatinhavam e MAC-USP e Lasar Segall não eram sequer projetos.
Não havia mercado da arte à altura do nome, nem institutos culturais bancados por empresas. Havia arte e crítica de arte, mas não um sistema da arte, algo que a abertura da própria Bienal viria estimular.
A Bienal era o clínico geral da arte do momento. Num ambiente sem especialistas em número suficiente para um país no entanto nada pequeno, a Bienal era ao mesmo tempo o barco, seus passageiros, sua carga, o farol e o porto. O poder das pessoas disponíveis para o que então se fazia era grande no seu contexto, mas, como diz Valéry, "insignificante perto do que temos hoje".
Hoje esse sistema da arte existe e começa por um sistema de museus que cumpre em larga medida a função que antes era da Bienal. Esse sistema exibe a arte feita aqui e a arte do mundo. Ainda não há no país um representante do museu mundial que existe no hemisfério Norte. Mas o sistema de museus implantado faz em larga medida aquilo que a Bienal fazia no início -e mesmo o que ela vem fazendo nos últimos anos.
Esse sistema requer, para funcionar, curadores, historiadores, conservadores, críticos (e público, por certo). Tudo isso exige cursos, universidades, pesquisa, teses, livros, intercâmbio, redes pessoais e institucionais. Sem falar em secretarias, fundações e ministérios.
A capacidade da Bienal à época de sua fundação era "insignificante perto do que temos hoje". No entanto, ela continua vendo a si mesma e organizando a si mesma como se estivesse nos anos 50, ignorando todo o sistema que ajudou a criar.
Da esmagadora maioria de seus membros não se pode dizer que representem de fato esse quadro, que é um quadro de especialistas. O sistema da arte requer financistas, experts em comunicação e captação, ao lado de instituições de arte e especialistas da arte. Estes são minúscula minoria na Bienal. (E não é indiscutível que os demais estejam nela bem representados.) E da presença das instituições de arte na Bienal, nada.
A questão da Bienal é institucional. Mas continua sendo tratada como questão pessoal, uma questão de indivíduos. As pessoas são decisivas, mas, sem a instituição, movem menos do que poderiam. Se hoje existe um sistema da arte no país, e de modo particular um sistema de museus, não é compreensível que esse sistema não esteja institucionalmente representado na Bienal. Isso torna a Bienal institucionalmente fraca. Injeções de dinheiro não alterarão o quadro.
Fala-se agora em reforma do Conselho da Bienal. Se essa reforma não se abrir para o sistema institucional da arte no país, não avançará nada. É esse sistema que fala pela arte no país, é esse sistema que diz a arte no país. Sem ele, a Bienal é muda. E não muda. A Bienal é um patrimônio desse sistema, que ela insiste em ignorar. Sua natureza e suas prerrogativas continuam a fazer sentido, no sistema da arte. Mas, para que ela esteja à altura das "mudanças próximas e profundas na antiga indústria do Belo", precisa parar de pensar em pessoas e pensar em instituições, aproximar-se delas, incorporá-las. Não é a panaceia universal. Mas é uma proposta à altura da época.

JOSÉ TEIXEIRA COELHO NETTO, 65, é professor titular aposentado da ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Pulo), crítico e curador do Masp (Museu de Arte de São Paulo). É autor de "Dicionário Crítico de Política Cultural", entre outras obras.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Ateliê 397 apresenta “Sessão Corredor: Vídeos de Artistas”


O Ateliê 397 apresenta a segunda edição da “Sessão Corredor: Vídeos de Artistas” em 29/05/09, das 21h às 23h. O projeto exibe trabalhos em vídeo de curta duração (em loop) no corredor a céu aberto do espaço. São apresentados trabalhos de Adriano Casanova, Bel Goudart, Cristiano Lenhardt, Fernando Peres, Flamínio Jallageas, Leo Ayres, MM Não É Confete, Marcio Shimabukuro, Kika Nicolela e Paulo Meira. A partir das 23h ocorrerá uma festa com DJs.

Ateliê 397
Vila Madalena: r. Wisard, 397, tels. (11) 3034-2132 e 9996-9812. www.atelie397.com

Regina Silveira comenta suas obras



É admirável que ainda estejam em pleno vigor artistas já na faixa dos 70 anos, como Nelson Leirner, que acaba de inaugurar mostra com releituras de algumas de suas obras-chave, no Itaú Cultural, e Regina Silveira, que terá documentário sobre sua obra veiculado pela TV Cultura amanhã, às 21h30.
"Regina Silveira - Luz e Sombra", dirigido por Sérgio Roizenblit, parte da discussão da artista sobre sua exposição individual mais recente em São Paulo, "Mundus Admirabilis e Outras Pragas", na galeria Brito Cimino (hoje Luciana Brito), no ano passado.
A artista gaúcha explica, sem afetações e calmamente, todo o processo de elaboração da mostra, na qual ela ancora suas criações em pragas das mais diversas. Com intervenções feitas para o espaço, objetos e instalações, Silveira exibe sua habilidade em elaborar obras em variados suportes e, em geral, com forte teor político.
"Rerum Natura", por exemplo, é um aparelho de jantar de porcelana, mas completamente "invadido" por insetos diversos. Silveira, assim, questiona o uso nobre do material e "polui" tal louça com figuras e personagens inusuais.
O documentário sabe explorar as propostas da artista e foge de abordagens batidas, comuns em produções sobre artes visuais.


REGINA SILVEIRA - LUZ E SOMBRA

Quando: amanhã (sábado 30/05), às 21h30
Onde: TV Cultura
Classificação: livre

Heitor Martins é eleito presidente da Fundação Bienal


Silas Martí da Folha de S.Paulo

O empresário Heitor Martins, 41, foi eleito nesta quinta-feira (28) presidente da Fundação Bienal de São Paulo. Candidato único ao cargo, ele teve 28 votos a favor, um contra e duas abstenções --27 conselheiros foram à reunião na Bienal e quatro votaram por meio de procuração.

Sócio-diretor da consultoria financeira McKinsey, Martins é investidor e colecionador de arte, casado com Fernanda Feitosa, criadora da feira SP Arte.

Além dele, foram eleitos ontem para a diretoria e o conselho todos os nomes que havia sugerido, priorizando profissionais do setor financeiro para dirigir a instituição e colecionadores para integrar o conselho.

Minutos após a eleição, Martins adiantou à Folha a intenção de convidar mais de um curador para realizar a próxima Bienal, sendo um deles estrangeiro. Ele terá como prioridade agora apresentar propostas para realizar a mostra em outubro de 2010 --o evento corria o risco de ser adiado para 2011 por falta de verbas e atrasos na escolha do curador.

"Essa é a primeira missão, fazer a Bienal em 2010 e expandir a sua conexão com o governo e com diversos níveis da sociedade", disse Martins.

Com apoio declarado do ministro da Cultura, Juca Ferreira, com quem se reuniu na última terça, Martins diz que vai buscar agora estreitar laços com os governos do Estado e do município, além de patrocinadores da iniciativa privada.

Também disse que a escolha do curador será uma decisão dele e de sua diretoria, em vez de uma eleição de projetos submetidos à fundação, como ocorreu nas duas últimas edições da mostra. Segundo ele, serão nomes que nunca fizeram uma Bienal de São Paulo.

Estão na nova diretoria Jorge Fergie, sócio de Martins na consultoria McKinsey; Eduardo Vassimon, ex-vice-presidente do banco Itaú BBA; e os empresários Luis Terepins e Pedro Barbosa. Outros membros são Justo Werlang, ex-presidente da Bienal do Mercosul, o colecionador Miguel Chaia e o advogado Salo Kibrit.

Por indicação de Martins, passam a integrar o conselho da Fundação Bienal: Alfredo Egydio Setúbal, Carlos Jereissati Filho, José Olympio Pereira, Paulo Sérgio Coutinho Galvão Filho, Susana Steinbruch e Tito Enrique da Silva Neto.


quinta-feira, 28 de maio de 2009

CAPACETE convida para a apresentação e palestra



Ducha (Rio de Janeiro) - artista
Mariana Castillo Deball (Mexico) - artista em residência

Segunda-Feira, dia 1 de junho 2009

horário 19:33

No CINE GLORIA
Praça Luís de Camões, subsolo // Memorial Getúlio Vargas
Antiga Praça do Russel // tel 21 2556. 0781
http://cinegloria.net/about/


Pedimos certa pontualidade PLEASE!!!!

Este é o primeiro evento de uma série mensal em colaboração com o Cine Gloria

Próximos palestrantes:
Ernesto Neto (Rio de Janeiro) - artista
Ulrik Heltoft (Copenhagen) - artista em residência

Contato: contato@capacete.net - a/c Helmut Batista


Projeto Residência Artistica


Projeto Residência Artistica 2009 - Base 7 (Brasil) e Fundación El Levante (Argentina)



A Base7 Projetos Culturais convoca artistas, teóricos, educadores ou gestores brasileiros interessados em realizar residência de produção artística em contextos sociais na Fundación El Levante (http://www.ellevante.org.ar), em Rosário, na Argentina. As propostas devem ser enviadas até 15/06/09 para marta@base7.com.br.
O Projeto Redesearte promove a construção de uma rede internacional de agentes culturais que, por meio das ferramentas da arte contemporânea, pretende contribuir para o fortalecimento da coesão social.
A iniciativa tem como origem as metodologias desenvolvidas entre a Galeria de Arte Contemporânea Paul Bardwell, do Centro Colombo Americano de Medellín, na Colômbia, e a Transit Projectes, de Barcelona, na Espanha. Desde 2005, elas têm colocado em prática projetos e intervenções, com a participação de artistas em processos de sensibilização e acesso ao bem cultural por indivíduos e comunidades em situação menos favorecidas.
Atualmente o projeto se desenvolve em sete instituições culturais de Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Nicarágua, Venezuela e Espanha.
Nesta, que é a segunda convocatória realizada pela Redesearte, será selecionado um artista de cada um destes países para viajar a outro para trabalhar com temas definidos pelas respectivas instituições.
A proposta temática é originada pelo país que recebe o artista. Assim, a Fundación El Levante propõe aos artistas brasileiros que, partindo de um conceito de pedagogia social, o residente apresente um projeto sobre processos de formação, visando à configuração de práticas artísticas que possam gerar instâncias de participação de discussão e investigação, que propicie intercâmbios e produção critica em relação a um contexto.
Poderão se inscrever profissionais envolvidos em projetos de gestão com outros artistas, ou que estejam comprometidos com projetos que envolvam terceiros, seja de sua própria produção ou a partir de propostas metodológicas inovadoras relacionadas com a formação artística: experiência com crianças, estudantes de arte, artistas ou outros grupos sociais, em relação a uma prática artística que se propõe ativa nos processos de transformação social e na construção de pensamento critico.
A partir do projeto selecionado, serão feitos contatos com instituições locais que possam envolver-se com o mesmo.
Entre as propostas recebidas, a Base7 irá selecionar entre três e cinco projetos, a serem submetidos à escolha final, que será feita pela Fundación El Levante.
A residência será realizada no período de 01 a 30/09/09. O artista receberá a passagem aérea de ida e volta, espaço de trabalho e moradia, honorários de 500 Euros e uma verba de 1.000 Euros para produção.
A apresentação da proposta deverá ser feita por meio do envio de uma ficha de inscrição preenchida com os dados pessoais do artista. Para obter mais informações sobre o Projeto Redesearte visite o site www.deseartepaz.org.
A Base7, por sua vez, juntamente com a Fundación Can Xalant, recebe um artista da Espanha para residência no Brasil no período de 01 a 30/10/09, para trabalhar com o tema "Fronteiras". Obs.: Caso algum artista tenha interesse em receber este artista em sua residência ou ateliê, entre em contato com a Base7.

BIENAL: Lenga-Lenga Crise e Presidência


A Bienal tem salvação?


Rampa do prédio do Pavilhão da Bienal

POR TRÁS da crise da Bienal de São Paulo, podem estar o "grau de controvérsia da arte contemporânea", o "modelo defasado" da mostra de artes plásticas ou mesmo a última gestão, do advogado Manoel Pires da Costa, que "dilapidou a Bienal de seu cabedal ético".
Nos dias que antecederam a eleição para a presidência da Fundação Bienal, que acontecerá hoje numa reunião a portas fechadas, a Folha ouviu 41 dos atuais 53 conselheiros da instituição. Todos foram procurados pela reportagem -dois não quiseram dar declarações e os demais estavam fora do país.
Mesmo saudosos do mecenato de Ciccillo Matarazzo, acreditam viver o início de uma nova era. Falam em abolir "vícios", limar a "velharia inoperante" e "conselheiros fantasmas". Como solução, sugerem até juntar num só evento as mostras de arte e arquitetura, que hoje acontecem em anos alternados, e aumentar o intervalo entre as exposições.
Candidato único hoje, o empresário Heitor Martins é visto com uma "aura de esperança", "um farolzão no fim do túnel para a Bienal".

O QUE PENSA O CONSELHO DA BIENAL

Leia os destaques da enquete feita pela Folha de S. Paulo que ouviu 41 dos 53 conselheiros

CRISE

"O problema da Bienal é que ela tem que fazer uma Bienal a cada dois anos. O problema é o intervalo. Tem anos bons e anos menos bons. Quando as coisas se complicam, é ruim para todo mundo. Seria positivo para a Bienal dar uma repaginada, uma reciclada."
ÁLVARO AUGUSTO VIDIGAL
61, banqueiro

"É difícil dirigir uma fundação desse porte com a vedação de qualquer remuneração. Isso afasta aqueles que poderiam profissionalmente se voltar à Bienal, deixando o lugar a diletantes, que muitas vezes não são os mais talhados ao exercício da função."
CARLOS FRANCISCO BANDEIRA LINS
62, advogado

"A Bienal não está em crise. Estamos saindo de uma gestão excelente. É o mundo que está em crise, e a Bienal faz parte do mundo."
ARNOLDO WALD FILHO
46, advogado

"A Bienal viveu até aqui do espírito do Ciccillo Matarazzo. Ele deu alma à instituição, só que agora o mundo mudou, e a Bienal precisa de um conceito mais moderno de governança corporativa. Não é uma crise terrível, é uma crise que com um pouco de sabedoria se supera."
BENO SUCHODOLSKI
65, advogado

"O motivo principal é a gestão temerária que está se encerrando, que dilapidou a Bienal de seu cabedal ético. Falta gestão que busque resultados, que busque responder às demandas."
EVELYN IOSCHPE
60, administradora cultural

"A Bienal não está em crise nenhuma, está absolutamente em ordem. Não tem nenhum problema, nenhum tipo de constrangimento."
MANOEL FRANCISCO PIRES DA COSTA
70, advogado

"O apego da última diretoria ao cargo desgastou tudo e acabou esvaziando a Bienal e o interesse das pessoas do conselho."
ELIZABETH MACHADO
58, economista

"No dia em que a Bienal não estiver em crise, não será mais a Bienal. É da essência da Bienal esse conflito."
ROBERTO DUAILIBI
73, publicitário

SOLUÇÕES

"O curador tem a sua importância, mas não pode virar o dono da Bienal. Há uma espécie de ditadura dos curadores. A Bienal é a grande festa das artes, tem que ser uma coisa bonita, atraente. Não pode ter um monte de cacarecos lá. Eleição de curador é bobagem. O curador é uma pessoa de confiança do presidente."
CARLOS BRATKE
66, arquiteto

"Estamos fazendo o que o Ciccillo faria: num momento de exaustão, repensar o modelo para que se inicie uma nova etapa, que esperamos que seja brilhante."
DECIO TOZZI
72, arquiteto

"É importante incorporar [ao conselho] pessoas das novas mídias, senão ficamos tratando de um assunto e a arte vai correndo por outro caminho, atropela isso."
FABIO MAGALHÃES
66, arquiteto

"Precisa ter um retorno às bases, gente que tenha não a vaidade de pertencer ao conselho ou à diretoria, que tenha o que o Ciccillo tinha: uma dedicação genuína e desprendida. Em vez de egoísmo, responsabilidade."
MANOEL FERRAZ WHITAKER SALLES
68, advogado

"A estrutura da Bienal precisa ser reformada, para que seja mais ágil e adequada aos dias de hoje. Precisa fazer um "aggiornamento" da Bienal como um todo."
ANDREA MATARAZZO
53, secretário da Coordenação das Subprefeituras de São Paulo

"Falta à Bienal uma estrutura administrativa profissional. Falta deixar de ser dependente do prestígio de "A", "B" ou "C". Não deveria ser função do presidente sair atrás de patrocínio, com o pires na mão."
EMANOEL ARAUJO
68, artista e curador

EXPECTATIVAS

"Heitor Martins vai assumir com uma aura de esperança de todos que sempre gravitaram em torno da Bienal, artistas, intelectuais."
MIGUEL ALVES PEREIRA
66, arquiteto

"Não há dúvida de que quem pegar essa presidência é um homem corajoso."
PEDRO ARANHA CORRÊA DO LAGO
51, economista

"A gente espera que ele tenha uma gestão objetiva, prática, moderna, atual e que ele possa manter a fundação num nível de integridade."
PEDRO CURY
75, arquiteto

"Mais do que uma luz, o Heitor [Martins] é um farolzão no fim do túnel para a Bienal sair dessa."
CESAR GIOBBI
60, jornalista

"A expectativa é que a Bienal possa ser o que ela foi no passado, que não fique sendo questionada a cada momento sobre a lisura das coisas."
RUBENS MURILLO MARQUES
72, professor
"Agora é que vai começar o momento em que todos pensam para apagar tudo isso que foi feito pelo atual presidente."
BENEDITO JOSÉ SOARES DE MELLO PATI
84, advogado

BIENAL SP I


Conselheiros admitem crise e sugerem soluções para a Bienal


por Silas Martí da Folha de S.Paulo

Não há dúvida entre os conselheiros da Bienal de São Paulo de que a mostra passa por sua maior crise desde que foi fundada em 1951 por Ciccillo Matarazzo. Mas discordam quando o assunto é como restaurar o prestígio do segundo maior e mais tradicional evento de arte contemporânea no mundo.

Na enquete feita pela Ilustrada, cada conselheiro foi convidado a opinar sobre os motivos da crise atual, sugerir soluções para o futuro e dizer o que espera da nova gestão. Heitor Martins deve ser eleito hoje presidente da Fundação Bienal, substituindo Manoel Pires da Costa, que deixa a presidência com dívida de R$ 4 milhões.

Com 15 membros vitalícios e 38 temporários, o conselho, que não é remunerado, funciona como espécie de congresso da Bienal, podendo vetar decisões do presidente e rejeitar suas prestações de contas.

Formado em sua maioria por representantes da elite paulista, é um órgão que se reconhece como inchado e, com idade média de 69 anos, idoso --ainda há conselheiros que entraram para a instituição a convite do próprio Ciccillo Matarazzo.

A ideia original era que os conselheiros, representantes de classes abastadas e com prestígio político e financeiro, ajudassem a buscar recursos para as mostras. Hoje, no entanto, há reclamações de que boa parte está ali em busca de status, não para contribuir.

Segundo os conselheiros, a falta de verbas é a principal causa da crise da Fundação Bienal. "Está em crise porque vive da caridade da iniciativa privada", resume o jornalista e conselheiro Cesar Giobbi, 60. "Nos últimos tempos, a Bienal foi mal gerida", diz o professor Rubens Murillo Marques, 72.

Outra razão seria o envelhecimento da instituição e do conselho. "Esse conselho não se renovou. Podia dar uma boa sacudida, ter sangue novo, mais gente jovem", diz a jornalista Maria Ignez Barbosa, 64, mulher do ex-embaixador Rubens Barbosa, que chegou a ser cotado para presidir a fundação.

"A arte evoluiu, mas a Bienal não tem evoluído, fica lá uma velharia inoperante, que pouco participa, mas vai a festas, badalações", afirma o arquiteto Carlos Bratke, 66, que já presidiu a Fundação Bienal. "Não é isso que a gente quer, a gente quer gente trabalhando."

Soluções

Até agora, o único passo rumo à mudança foi a aprovação pelo conselho de um novo estatuto para a Fundação Bienal, que, entre outras medidas, deve reduzir para 40 o número de conselheiros e punir, com a perda do cargo, os que não forem às reuniões.

Enquanto isso, conselheiros sugerem desde juntar as mostras de arte e arquitetura numa só Bienal, para facilitar a captação de recursos, a aumentar os intervalos entre as exposições, com itinerâncias da Bienal por outras cidades e parcerias com museus de São Paulo.

A proposta de juntar as bienais numa só deve ser apresentada por uma comissão de conselheiros ao futuro presidente, com o argumento de já não haver distinções tão claras entre arte, arquitetura e design. "Por que separar arquitetura e arte? Estamos tentando encontrar novos formatos para reunir o que há de contemporâneo", adianta Fabio Magalhães, 66.

Para sanar problemas de orçamento, alguns defendem a volta das representações nacionais, mecanismo extinto desde 2006 em que cada país escolhia e financiava seus artistas na mostra. É um ponto polêmico, no entanto, porque limitaria a liberdade do curador.

Conselheiros enfatizaram a necessidade de instalar na Bienal uma estrutura administrativa permanente e moderna, que evitasse o desmanche de equipes a cada edição da mostra. "É preciso um "aggiornamento" da Bienal como um todo", resume Andrea Matarazzo, 53, atual secretário da Coordenação de Subprefeituras de São Paulo, que também foi cotado para o cargo de presidente.

Embora seja vista com bons olhos a candidatura de Heitor Martins, chamado de "herói", "corajoso" e "farolzão no fim do túnel" por alguns conselheiros, também há resistência à sua indicação para o cargo.

"Parece que a Bienal cogitou nomes importantes e acabou com um desconhecido que se aventurou a ser presidente", disse um membro do conselho que não quis ser identificado.

BIENAL SP II


Novo estatuto da Bienal vai punir os conselheiros que faltarem


por Silas Martí da Folha de S.Paulo


Na tentativa de corrigir os problemas de um conselho idoso, pouco atuante e mais afeito a badalações do que à gestão da Fundação Bienal, conselheiros acabam de aprovar um novo estatuto para a instituição. Dos 33 artigos, 24 foram alterados.

Embora sem efeito imediato, o novo estatuto, obtido com exclusividade pela Folha, reduz de 53 para 40 o número de conselheiros, incluindo os membros vitalícios. Sendo que os mandatos dos 38 temporários vencem em junho do ano que vem, é a brecha para uma renovação ampla e inédita no órgão.

Também limitam cada mandato de quatro anos a uma única reeleição, que depende da presença do conselheiro nas reuniões --a Bienal costuma realizar dois encontros ordinários por semestre-- e, caso tenha integrado a diretoria, da aprovação de suas contas.

Pelo novo estatuto, perde o mandato de conselheiro aquele que faltar a mais de cinco reuniões consecutivas do grupo. Para que se torne vitalício, contará a idade do conselheiro, sua frequência aos encontros e também a aprovação de suas contas pelo conselho fiscal.

Outra medida de grande impacto é o veto à votação por meio de procurações. Até agora, conselheiros ausentes podiam delegar seus votos aos que compareciam às reuniões por meio de procurações, de modo que um só conselheiro acabava votando em nome de muitos outros, distorcendo o resultado das votações.

A partir da entrada em vigor do novo estatuto, será permitido que cada conselheiro compareça às reuniões com no máximo uma procuração e apenas para a votação em matérias que exigem quorum qualificado. É obrigatório também que a procuração indique os itens a serem votados e o sentido dos votos do conselheiro ausente.

Foram definidas também regras para a eleição do presidente e vice-presidente do conselho, que até agora eram definidas a cada eleição. Pelo novo documento, a eleição será por voto secreto e maioria simples.

Novos rumos

Num ponto que indica com clareza algumas intenções futuras do conselho, determinam pela primeira vez que o órgão terá o poder de redefinir ou alterar os intervalos de tempo entre as exposições. Também criam um dispositivo oficial para que se dê maior atenção ao arquivo histórico da fundação, cujo estudo foi um dos motes da última edição da Bienal.

O documento também estabelece a criação de uma comissão de acompanhamento da diretoria, responsável por fiscalizar mais de perto os atos do presidente, apresentando relatórios a cada reunião.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Nelson Leirner relê obra política dos anos 60


por Mario Gioia da Folha de S.Paulo

É uma mostra pequena, com apenas oito trabalhos, mas consegue deixar clara a obra provocativa de Nelson Leirner, 77. "Ocupação Nelson Leirner" inaugura uma série de exposições especialmente produzidas para o Itaú Cultural, que vai enfocar artistas que sirvam de referência a gerações mais novas.

Leonardo Wen/Folha Imagem
Retrato do artista plástico Nelson Leirner, 77, na galeria do Itaú Cultural, em São Paulo

Já estão confirmadas "ocupações" do diretor teatral José Celso Martinez Corrêa e do artista Abraham Palatnik, que irão acontecer no segundo semestre na instituição.

Leirner começou a ficar conhecido no final dos anos 60, sendo um dos precursores do happening no Brasil e produzindo trabalhos que ironizam o sistema de arte. O artista também produziu obras de forte teor político, como "O Porco" (1966), presente no Itaú.

"O Porco" e outros três trabalhos importantes de Leirner dos anos 60 -"Homenagem a Fontana 2" (1967), "Matéria e Forma - Tronco e Cadeira" (1964) e "Stripencores" (1968)-- ganharam reletituras feitas pelo artista neste ano.

"As obras são muito emblemáticas dentro da minha produção", conta Leirner. "Ao mesmo tempo, quis dar visibilidade a "Tronco e Cadeira", que é muito menos conhecida e tão importante quanto "O Porco"."
Em 1967, o artista foi muito criticado quando exibiu em Brasília "O Porco", objeto-escultura com um porco empalhado dentro de um engradado de feira. "Hoje tudo é menos ideológico", avalia ele.

Entre as ironias propostas por ele, estão plotagens da tela "Homenagem a Fontana". "A obra inicial foi feita para mexer, mas hoje não é permitido. Por isso multipliquei-a por quatro."

OCUPAÇÃO NELSON LEIRNER
Quando: abertura nesta quarta-feira (27), às 20h (convidados); de ter. a sex., das 10h às 21h, e sáb., dom. e feriados, das 10h às 19h; até 28/6
Onde: Itaú Cultural (av. Paulista, 149, tel. 2168-1776); livre
Quanto: entrada franca

terça-feira, 26 de maio de 2009

French Pavilion - La Biennale di Venezia



Le Grand Soir - Claude Lévêque
June 7 - November 22, 2009

Curator: Christian Bernard

French Pavilion
53rd International Exhibition of Art
La Biennale di Venezia



Claude Lévêque | Le grand soir | 2009
Néon blanc - 200 x 177 cm | 3 exemplaires - Photo Charles Duprat
© ADAGP Claude Lévêque | Courtesy the artist and kamel mennour, Paris