sexta-feira, 11 de junho de 2010
Exposição mostra lado católico e abstrato de Andy Warhol
Morre o artista plástico alemão Sigmar Polke
BIENAL DE BERLIM INAUGURA HOJE
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Tate Modern compra obra de Lygia Pape e Paulo Brusky
terça-feira, 1 de junho de 2010
Bienal de São Paulo divulga lista de artistas para a 29ª edição
segunda-feira, 31 de maio de 2010
A artista que agigantou aranhas, morre aos 98
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Beuys vem aí
Fora da 29ª Bienal, obra de Joseph Beuys, o mais importante artista alemão do século 20, ganha exposição no Sesc Pompeia
A 29ª Bienal de São Paulo, programada para ser aberta ao público em 25 de setembro, não vai apresentar a obra do artista alemão que melhor sintetizou a relação entre arte e política, Joseph Beuys (1921 - 1986), apesar de seu nome ter sido considerado pela curadoria.
Faria todo sentido, afinal a Bienal tem por tema central justamente as aproximações entre arte e política, e Beuys abordou esse tema especialmente nas décadas de 1960 e 1970, período que vai receber atenção especial no Ibirapuera.
Mesmo assim, Beuys estará presente na cidade, na maior mostra já dedicada a ele no país, em exposição paralela à Bienal, organizada pela Associação Videobrasil e pelo Sesc São Paulo.
"Essa exposição é nosso aporte à Bienal, dentro da ideia do "São Paulo, Polo de Arte Contemporânea", em fazer com que instituições da cidade contribuam para adensar as propostas da curadoria da Bienal", diz Solange Farkas, diretora do Videobrasil.
Ela organiza a exposição dedicada ao artista alemão no Sesc Pompeia, mesmo local que abrigou "Cuide de Você", instalação de Sophie Calle, no ano passado.
Com o título "A Revolução Somos Nós", nome de um dos mais famosos pôsteres do artista, reproduzido acima, a mostra terá curadoria de Antonio Davossa, da Academia de Arte de Milão, que acompanhou Beuys em muitas de suas viagens à Itália. A produção italiana do artista, aliás, será o foco da mostra.
Mostra exibe seis vertentes de trabalho de Beuys
As instalações são apenas uma das seis vertentes da exposição; haverá também pôsteres, vídeos, fotos e ciclo de conferências
Em 1971, Joseph Beuys foi convidado pelo galerista Lucio Amélio a organizar sua primeira mostra na Itália, em Capri. Nessa exposição, ele criou o slogan "La Rivoluzione Siamo Noi" (A revolução somos nós), para abordar as mazelas da democracia italiana. Na abertura, um jovem estudante ficou fascinado com o que viu. "Havia tanta gente que nem todos conseguiram entrar na galeria, e eu mesmo nem compreendi direito o que vi, mas fiquei impressionado com o carisma do Beuys", disse Antonio D'Avossa à Folha, por telefone.
Quase 40 anos depois, D'Avossa prepara "A Revolução Somos Nós", que irá abordar a produção italiana de Beuys. "Depois da Alemanha, foi na Itália onde ele produziu a maior parte de obras. Vamos mostrar desde o pôster de 1971 até sua última instalação, "Terremoto", de 1985, criada quatro meses antes de ele morrer", diz o curador e autor de "Joseph Beuys - Difesa della Natura".
Além de "Terremoto", inspirada num terremoto real, ocorrido em Palermo, abordando assim o conceito de catástrofe, a mostra terá também a instalação "Arena", de 1972, realizada em Verona, outra obra que aborda a democracia.
Contudo, as instalações são apenas uma das seis vertentes da exposição. "Beuys é como um diamante. Ele tem muitas faces, mas todas estão conectadas: a pedagógica, a política, a ecológica e a escultura são algumas das mais importantes", diz D'Avossa.
As demais vertentes da mostra são: os múltiplos, numa seleção dos 600 que Beuys criou como forma de democratizar sua obra; os pôsteres, cerca de 200, apresentando a coleção do italiano Luigi Bonotto, que possui o conjunto completo; os vídeos, divididos em três sessões (documentação, discussão e documentários); fotos e ciclo de conferências.
Uma das curiosidades da mostra é a comparação que D'Avossa faz entre as viagens de Beuys pela Itália com as andanças de Goethe pelo mesmo país, entre 1786 e 1788, quando usou um pseudônimo para se misturar à população.
Beuys esteve na Itália muitas vezes - em Veneza, Roma, Milão, Nápoles e Verona, entre outras. "Assim como Goethe, quando ele estava em Nápoles, por exemplo, se transformava num napolitano. Por isso, todos os seus trabalhos italianos abordam questões locais, como a agricultura, onde criou o slogan "Defesa da Natureza", em 1977", diz o curador.
Durante a mostra, será ainda instalada em São Paulo a Universidade Livre, criada por Beuys e mantida por seu aluno Jochen Stuttgen. "O ciclo de debates e a Universidade Livre são fundamentais na mostra, pois duas das questões centrais no trabalho do Beuys eram a difusão e o debate de ideias", diz ainda D'Avossa.
FABIO CYPRIANO da Folha de S. Paulo
quarta-feira, 7 de abril de 2010
MIKE NELSON REPRESENTA GRÃ-BRETANHA EM VENEZA
Nelson foi o vencedor do Paul Hamlyn Award em 2001 e foi por duas vezes finalista do Turner Prize. Nascido em 1967, ganhou reputação internacional pelas suas instalações esculturais cuidadosamente realizadas.
A sua obra mais recente, Quiver of Arrows (2010), está atualmente em exibição numa mostra individual na 303 Gallery de Nova Iorque até ao dia 10 de Abril.
O artista londrino já esteve presente na oitava Bienal Internacional de Istambul (2003); Modern Art Oxford (2004), 26ª Bienal de São Paulo (2004); Statens Museum for Kunst, Copenhague (2008); Creative Time, Nova Iorque (2008); e na Tate Triennial (2009).
Disponível em:
www.flashartonline.com
www.303gallery.com
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Artista da Bienal 2010
Um casal se separa. As perguntas dela são murmúrios que se perdem no espaço. As respostas dele são solos violentos de bateria. Tambores abafam o discurso verbal e o som embaralha forma e conteúdo.
O casal no vídeo "Answer Me" (Responda-me), do artista Anri Sala, 36, tenta desfazer o romance dentro do domo erguido pelo arquiteto Buckminster Fuller sobre as ruínas da Berlim arrasada pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Era a antiga estação de espionagem dos Aliados, que tentavam decifrar o tráfego radiofônico vindo do outro lado do muro.
Domo erguido pelo arquiteto Buckminster Fuller sobre as ruínas da Berlim arrasada pela Segunda Guerra Mundial.Toda a obra desse artista albanês, um dos maiores nomes escalados para a próxima Bienal de São Paulo, que começa em setembro, se estrutura em torno do som e de sua relação com a arquitetura na tentativa de aferir mudanças políticas.
O videoartista albanês Anri Sala que visitou São Paulo para palestra e pesquisas
Seu vídeo sobre a separação entre rajadas de tambor não estará na mostra paulistana, mas dá ideia do que será seu próximo trabalho, ainda em preparação. "É uma forma de fugir de simbolismos de linguagem, de escapar dos grandes temas, já que o som é menos construído, não pode ser emoldurado", afirma Sala em entrevista à Folha num hotel em São Paulo.
Essa moldura impossível do som é sempre um prédio ou um contexto explorado por seu tipo de acústica, mas nunca vazio de história. Se não o domo geodésico de Buckminster Fuller, pode ser, então, uma sala de música aposentada em Bordeaux ou a Casa de Vidro de Lina Bo Bardi, que o videoartista visitou no Brasil.
Ele não deve usar os projetos da arquiteta no trabalho que vai mostrar em São Paulo, mas garante que a nova obra tem a ver com o contexto da cidade e o tema de arte e política desta edição da Bienal. Sala antecipou à Folha que seu próximo filme também gira em torno de um prédio agora interditado, mas ainda "rico em memórias".
Filme mudo
"A música ressuscita o passado desse prédio; as novas melodias fazem o som do passado parecer mais atual do que o do presente."
Do mesmo jeito que explorou o eco dos domos em Berlim, Sala agora busca resquícios da sonoridade punk que encheu nos anos 60 a casa de concertos da Cité du Grand Parc, em Bordeaux, cenário do filme que estará na Bienal em setembro. "Estou interessado na ideia de fricção que o som pode criar."
Num de seus primeiros trabalhos, Sala buscou a mesma fricção. Encontrou um filme mudo de um discurso de sua mãe, uma militante comunista, feito na época do regime. Mandou então legendar o filme com as palavras perdidas, reinterpretadas por leitura labial. Diante das novas imagens, Valdet, a mãe do artista, não acredita na tradução das palavras e nega ter pensado daquele jeito.
Mais do que o resgate de um discurso perdido, a tradução da obra exalta a passagem linguística entre dois momentos históricos, a Albânia antes e depois do comunismo. "Mudanças políticas trazem uma mudança de sintaxe, o que parecia articulado nos anos 60 e 70 já não é mais hoje", diz Sala.
Também herança de um regime obsoleto, há mais distinções entre branco e negro na língua nativa do Senegal, país africano dominado pela França até os anos 60, do que para outras cores, como azul e vermelho. Sala explora isso num filme em que três crianças repetem os nomes dos tons entre o preto e o branco até virar uma espécie de melodia abstrata.
"Há algo muito importante nesse espaço intervalar, quando a língua se transforma em som puro", diz. "São tão sensíveis à cor da pele que resistiram às cores tradicionais. Não havia motivo para brigar pelo vermelho, pelo amarelo. É essa linguagem desconhecida repetida até o ponto em que acaba se tornando melódica."
SILAS MARTÍ da Folha de S.Paulo
segunda-feira, 29 de março de 2010
Oscar Cruz abre novo espaço expositivo
Galeria Oscar Cruz abre novo espaço expositivo no dia 30 de março
com mostra coletiva de artistas brasileiros e estrangeiros. Destaque
para a arte contemporânea carioca, com a inauguração da coletiva,
“Com Afeto, Rio”, curada por Bernardo Mosqueira
No dia 30 de março, terça-feira, às 20 horas, o galerista Oscar Cruz inaugura novo espaço de arte contemporânea brasileira e internacional no bairro paulistano do Itaim. A Galeria Oscar Cruz está localizada no endereço da extinta galeria Baró Cruz, agora com novo projeto com um novo e renovado grupo de artistas representados.
Oscar Cruz atua no mercado da arte brasileira e internacional há 15 anos e inicia uma nova fase da sua carreira com propostas para atender o crescente interesse do público por arte contemporânea em grandes exposições e feiras internacionais. Um dos diferenciais da galeria é a forte presença de artistas contemporâneos internacionais com passagens por mostras institucionais como a Bienal de São Paulo e do Mercosul.
Os artistas representados pela Galeria Oscar Cruz são: César Gabler (Chile), Daniel Alcalá (México), Eduardo Basualdo (Argentina), Giulianno Montijo (Brasil), Hernán Salamanco (Argentina), Julio Grinblatt (Argentina), Lina Kim (Brasil), Marcelo Amorim (Brasil), Marco di Giorgio (Brasil), Mariana López (Argentina), Martín di Girolamo (Argentina), Martin Legón (Argentina), Michael Stubbs (Inglaterra), Michael Wesely (Alemanha), Nino Cais (Brasil), Pablo Siquier (Argentina), Rodrigo Cunha (Brasil) e Sebastian Gordín (Argentina).
Michael Wesely (Alemanha)
“O mercado brasileiro de arte contemporânea vem crescendo constantemente e por este motivo carece de novos talentos. Neste sentido, um dos principais projetos da galeria é enfatizar a produção contemporânea, apoiando o surgimento de novos talentos e trabalhando para consolidar e inserir seus artistas no circuito nacional e internacional.”, atesta Oscar Cruz, que atua há 15 anos no mercado paulista e carioca.
Mostras inaugurais
A coletiva no andar térreo reúne pinturas, fotografias, colagem, esculturas, objetos e aquarelas dos artistas representados.
No piso superior é apresentada a coletiva de artistas cariocas “Com Afeto, Rio”, organizada pelo jovem curador Bernardo Mosqueira. São apresentados vídeos, fotografias, desenhos, pinturas, performances, objetos e instalações de Alessandro Sartori, Bernardo Ramalho, Coletivo LaRica, Coletivo Opavivará, Daniel Toledo, Daniela Antonelli, Felipe Fernandes, Gilvan Nunes, Glaucia Mayer, Joana Traub Cseko, João Penoni, Julia Cseko, Julia Debasse, Leo Ayres, Pedro Victor Brandão, Pontogor + Julia Pombo, Rodrigo Torres, Susana Guardado, Tiago Rivaldo.
Serviço:
Eventos: exposição de artistas da galeria e coletiva “Com Afeto, Rio”, com curadoria de Bernardo Mosqueira
Abertura: dia 30 de março, terça-feira, das 19 às 23 horas
Período expositivo: de 31 de março a 10 de maio de 2010
Local: Galeria Oscar Cruz
Endereço: Rua Clodomiro Amazonas, 526, Itaim Bibi - São Paulo, SP
Telefone: (55 11) 3167 0833
Horários de funcionamento: terça a sexta-feira, das 11 às 19 horas; e sábados, das 11 às 17 horas
Entrada franca e Livre
Estacionamento: duas vagas gratuitas em frente à galeria e estacionamento conveniado próximo
Mais informações para a imprensa:
Adelante Comunicação Cultural
Décio Hernandez Di Giorgi
Tel.: (55 11) 3589 6212 / 8255 3338 (cel.)
E-mail: dgiorgi@uol.com.br
MSN: deciogiorgi@yahoo.com.br
Crítica/"Andy Warhol, Mr. America"
Exposição aponta sarcasmo do artista em relação aos mitos americanos e exibe obras experimentais, além das famosas
O rótulo "artista pop" é muito pequeno para definir Andy Warhol, como se pode perceber na mostra "Andy Warhol, Mr. America", que será aberta no próximo sábado, na Estação Pinacoteca.
A reportagem da Folha viu a exposição em sua primeira montagem, em Bogotá, na Colômbia, no ano passado.
Obviamente, estão nas obras, como nas gravuras de Marilyn Monroe e nas das latas de sopa Campbell's, os elementos que marcam a chamada arte pop, ou seja, o uso de elementos do mundo das celebridades e da publicidade -nessas imagens, Warhol sempre se apropriou de fotos de jornal.
Mas o que a exposição revela com intensidade é, em primeiro lugar, uma faceta crítica, que até então costuma ser atribuída apenas ao pop inglês, onde o movimento surgiu, com a famosa colagem "O que Exatamente Torna os Lares de Hoje Tão diferentes, Tão Atraentes", de Richard Hamilton, de 1956.
Se Warhol não usava ironias em seus títulos, elas estão presentes, contudo, em suas próprias construções. Suas celebridades são maquiadas com cores fortes e berrantes, outro elemento que o caracteriza como pop, mas exibidas após situações de fraqueza. Na série sobre Jackie Kennedy, por exemplo, ela surge não quando estava gerando um padrão de beleza para o país, mas no momento de luto.
É como se Warhol apontasse para o poder ambivalente da imagem que se torna impressa, afinal ela não é capaz de revelar tudo. Nesse sentido, o custo da fama revela-se perverso e sem glamour. Mesmo assim, ao colorir tais imagens, ele apela para a sedução, uma das razões que o tornou a ser tão reconhecido popularmente.
Outro caráter importante da exposição é exibir, junto com os trabalhos mais famosos, sua obra mais experimental, até então normalmente vista em pequenas mostras ou como trabalhos menores. Warhol produziu filmes alternativos em grande quantidade -há 17 deles na exposição- e trabalhou em vários suportes, chegando até a criar ambientes imersivos, como "Silver Clouds" (nuvens prateadas), de 1966, ou "Cow Wallpaper" (papel de parede de vaca), de 1972.
São trabalhos precursores das instalações contemporâneas, que o levam muito além da mera produção pop.
Finalmente, o curador Philip Larratt-Smith acerta ainda ao apontar o caráter sarcástico de Warhol em relação aos mitos americanos. O artista abordou a violência contra os negros, em "Confrontos Raciais", a miséria, em "Desastres do Atum Enlatado", retratou temas tabus como a homossexualidade, a obsessão pela morte e, como se não fosse suficiente, a sociedade do espetáculo.
Assim, quem observa apenas as cores fortes e as imagens sedutoras, fica apenas na superfície da obra de Warhol, mas quem quiser se aprofundar de fato nessas imagens, vai descortinar um mundo não colorido e tampouco atrativo, o que afinal é o retrato da América. (FABIO CYPRIANO)
Quando: de ter. a dom., das 10h às 18h
Onde: Estação Pinacoteca (lgo. General Osório, 66, Centro, SP, tel.0/ XX/11/ 3335-4990); até 23/5
Quanto: R$ 3 a R$ 6 (sábado, grátis)
Cotação: ótimo
sexta-feira, 19 de março de 2010
Exposição em SP reúne 100 peças de Hélio Oiticica
Com curadoria de César Oiticica Filho, sobrinho do artista, e Fernando Cocchiarale, é a maior exposição de Oiticica em São Paulo. O evento, que vai ocupar três andares do instituto, traz 100 peças, das quais 65 pertencem à coleção da família. "A exposição é um resumo panorâmico dos trabalhos feitos por Hélio desde o início do Grupo Frente (núcleo do concretismo carioca) até os anos 1970", explica Cocchiarale.
Em destaque estão 15 Bólides (caixas), 12 Parangolés (capas), oito Penetráveis (instalação) e uma Cosmococa (instalações com projeção de fotos e música). Junto das obras, anotações de Oiticica.
Para César, o aspecto mais ambicioso da exposição é extrapolar a galeria. Seguindo o nome da mostra, uma citação do artista, a curadoria vai levar cinco Penetráveis para outros espaços da cidade. As obras poderão ser vistas na Casa das Rosas, Teatro Oficina, Pinacoteca do Estado, Parque Mário Covas e Ibirapuera. "A ideia é atingir quem está na rua, amplificando o alcance da mostra."
Museu é o Mundo. Itaú Cultural: Avenida Paulista, 149. Tel. (011) 2168-1776. Amanhã, somente convidados.
De 21 de março a 16 de maio. Ter. a sex., das 9h às 20h. Sáb., dom. e feriados, das 11h às 20h. Grátis. Livre.
terça-feira, 16 de março de 2010
Bienal de São Paulo divulga cartaz da sua 29ª edição
O cartaz foi criado pela nova área de design da fundação e contem o verso do poeta Jorge de Lima: "Há sempre um copo de mar para um homem navegar", título da mostra, extraído de "Invenção de Orfeu" (1952).
MARINA ABRAMOVIĆ NO MOMA DE NOVA IORQUE
O Museum of Modern Art de Nova Iorque apresenta “Marina Abramović: The Artist is Present”, a primeira retrospectiva de larga escala num museu americano do trabalho de performance da artista, até 31 de Maio de 2010.
Reconhecida internacionalmente como pioneira e figura-chave na arte da performance, Marina Abramović (Iugoslávia, 1946) usa o seu próprio corpo como sujeito, objeto e meio, explorando os limites físicos e mentais.
A exposição percorre a prolífera carreira de Abramović com cerca de 50 obras que se estendem por quatro décadas de intervenções e peças sonoras, obras em vídeo, instalações, fotografias, performances solo e coletivas.
A mostra inclui a estréia mundial de uma nova obra de performance executada pela própria Abramović e a execução de performances históricas de influentes artistas especialmente selecionados para esta exposição.
Disponível em: www.artdaily.com
Paris recebe mostra de Lucian Freud
Dividida em salas, o foco da mostra é a experiência do ateliê na obra de Freud, o modo como ele transformou tal espaço em seu universo pictórico.
A sala "Reflexão" agrupa uma série de autorretratos em diferentes épocas, inclusive o famoso "Painter Working, Reflection" (1993), em que ele se pintou nu, aos 71 anos. O isolamento no ateliê transforma o próprio artista em tema crucial e o estimula a refletir sobre a sua relação de poder com o modelo, às vezes com ironia.
Os modelos surgem em total entrega ao pintor, tombados em camas ou no chão, gordos, estranhos, desidealizados, dessublimados. As pinceladas firmes e densas acentuam os estragos feitos no corpo pelo tempo e pelo uso. "Eu trabalho a pintura para que ela seja igual à carne", disse o pintor.
É como se, para Freud, a carne fosse o último tema da pintura figurativa, a expressão derradeira do controvertido naturalismo do artista, sobre o qual o próprio amigo Bacon emitiu um dos juízos mais severos: "O problema com a obra de Lucian é que ela é realista sem ser real".
ALCINO LEITE NETO da Folha de S.Paulo
segunda-feira, 15 de março de 2010
Artista coloca touros em cima das vacas da CowParade em SP
A intervenção não autorizada durou pouco. Lá pelas 10h, os touros foram retirados pelos organizadores da parada. "Fomos avisados e mandamos retirar [os touros], mas não danificaram as vacas, está tudo bem", disse a assessora de imprensa do evento.
O manifesto foi feito pelo artista Eduardo Srur, 36, que há alguns anos promove em São Paulo a discussão sobre o que é arte pública. O alvo desta vez foi a CowParade por ser "o maior e mais bem sucedido evento de arte pública no mundo".
Na semana passada, cerca de 20 vacas tiveram que mudar de lugar por fazerem alusão direta a marcas patrocinadoras --saíram das ruas e foram para dentro de lojas. A CowParade já passou por dezenas de cidades do mundo e acontece em São Paulo pela segunda vez em SP, depois de ter passado por Rio, Belo Horizonte e Curitiba.
"A escultura do touro remete ao touro Bandido, aquele que nunca foi domado em rodeios, personagem de novela, lenda nacional", disse Srur à Folha, que acompanhou a instalação dos dois animais na madrugada de domingo para segunda. "Não consigo ver relação entre uma vaca importada da Suíça e o nosso país. É um objeto estéril, e o touro vem para fazer uma inseminação cultural, gerar uma discussão."
Os dois touros foram feitos pelo escultor Heitor Morrone, 29, com ajuda de outras três pessoas, em dez dias. Ele e um assistente, usando chapéus de caubói, instalaram os touros e os prenderam com um cabo de aço ao redor da barriga da vaca. Vídeos e fotos serão publicados no site de Srur.
A ação começou por volta da 1h, na esquina da av. Faria Lima com av. Cidade Jardim, numa vaca pintada com onças e jacarés, instalada num posto de gasolina, principal patrocinador da CowParade. Participaram oito pessoas, incluindo um cinegrafista e dois motoristas de caminhão, que transportaram os "animais".
Uma unidade móvel da Polícia Militar e um carro da CET estavam estacionados do outro lado da av. Faria Lima e não intervieram no trabalho. Um policial chegou a se aproximar, riu e foi embora.
"O pessoal passa muito aqui para tirar foto, mas agora acho que não vão tirar mais foto dessa aí", disse João Adolfo de Oliveira, 48, segurança de uma banca de jornal na av. Paulista, esquina com a rua Augusta, onde foi feita a segunda intervenção.
Cada patrocinador paga ao evento cerca de R$ 40 mil por vaca e chama convidados para pintá-las. O site da CowParade informa que, na primeira edição, em 2005, foram levantados R$ 4 milhões em patrocínio e R$ 1,2 milhão para instituições carentes. Neste ano, o evento termina dia 21 e custou cerca de R$ 2 milhões. As quase 80 vacas serão leiloadas em abril, por um preço mínimo de R$ 5 mil.
A artista Fernanda Eva, que assina a vaca verde da av. Faria Lima, recebeu R$ 1.000 para fazer o trabalho. Ela ficou chateada com a intervenção de Srur. "É uma apropriação de mau gosto, me entristece que ele não consiga reconhecer uma obra de arte", disse Fernanda à Folha, que afirmou ter passado um mês pintando a vaca. "E ele conseguiu danificar a obra, tem umas colas grudadas, arrancou a pintura."
Não é de hoje que a CowParade gera polêmica. O evento começou em 1998 em Zurique, Suíça, país que tem a vaca como símbolo, e se espalhou pelo mundo. Em 2004, em Estocolmo, artistas "sequestraram" um dos animais e ameaçaram "decapitá-lo" caso os participantes não assinassem uma carta declarando que a CowParade não era um evento de arte. No final, a vaca foi feita em pedacinhos e mandada de volta dentro de um saco.
FERNANDA EZABELLA da Folha de S.Paulo
quinta-feira, 11 de março de 2010
BIENAL: Evento terá "terreiros" entre a exposição
"Essa é uma bienal que pretende celebrar a política, mesmo enquanto os políticos a desmoralizam. Não poderíamos organizar uma mostra que fosse simplesmente contemplativa e, por isso, vamos ter seis terreiros, que é o lugar da festa, do sagrado e do profano, como espaços para encontro em meio à exposição", conta Farias.
A ideia surgiu na primeira reunião do time curatorial, a partir da canção de Assis Valente, "Brasil Pandeiro", que se popularizou com os Novos Baianos, e tem o verso "Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros/ que nós queremos sambar". Segundo Farias, "foi no morro que o Oiticica criou os parangolés, e o terreiro é uma construção essencialmente brasileira, o que faz todo sentido para o caráter que queremos dar à mostra".
Assim, no pavilhão do Ibirapuera, em meio à mostra, serão dispostos seis terreiros, cada um organizado por um artista, de acordo com os temas usados na 29ª Bienal. Ernesto Neto, o único até agora confirmado, será o criador do terreiro da "Lembrança e Esquecimento", uma reflexão sobre o papel do monumento. Os demais temas são "Dito, Não Dito e Interdito", uma tribuna para debates, inspirada em Guimarães Rosa; "Pele do Invisível", o espaço para projeção de filmes; "Longe Daqui, Aqui Mesmo", que irá abordar as utopias; "Eu Sou a Rua", espaço para palestras e debates; "O Mesmo, o Outro", o lugar das performances, a partir de um texto de Jorge Luis Borges. "Durante a Bienal vamos ter entre 200 e 300 ações acontecendo nesses espaços, seja a apresentação do coro da Osesp, seja uma peça de dança contemporânea", diz Farias.
Na última quarta, um ciclo gratuito de palestras deu início à programação da 29ª Bienal. Organizado por Helmut Batista, coordenador do projeto Capacete, o primeiro debate foi com o artista albanês Anri Sala, no teatro Arena. Nesta quinta, o brasileiro Amilcar Packer e o britânico Jeremy Deller irão abordar suas trajetórias artísticas, no mesmo local. "O Arena foi cedido ao Helmut pela Funarte e toda a programação dele, durante esse ano, terá apoio da Bienal. Creio que essa é uma forma de mostrar o que entendemos por política, adensando o debate e colaborando com outras instituições, em vez de ficarmos apenas no Ibirapuera", conta Farias. Folha de S. Paulo
quarta-feira, 10 de março de 2010
MAIS MULHERES E MAIS DISCRIÇÃO NA WHITNEY BIENNIAL
A 75ª edição da Whitney Biennial (até dia 30 de Maio), intitulada apenas “2010”, é a primeira da história em que a presença feminina é maioritária. E isso fica ainda mais patente no último piso do museu, onde foi organizada a retrospectiva “Collecting Biennials”. Aí se mostra o melhor de cada década, desde Rauschenberg até Andy Warhol ou Jasper Jones, mas os nomes femininos rareiam: Eva Hesse, Cindy Sherman e poucas mais.
No entanto, nos três pisos que ocupa a bienal são muitas as propostas assinadas por mulheres e, surpreendemente, não se trata nem de arte feminista nem de uma ode à juventude extrema – como ocorreu durante a última década. A grande maioria das artistas tem mais de 40 anos, havendo inclusive quem chegue aos 76, como Lorraine O’Grady, relativamente desconhecida até agora e que finalmente encontrou reconhecimento.

A sua proposta, the first and the last of the modernists é um desdobramento inquietante de fotografias do cantor Michael Jackson e do poeta Baudelaire em diferentes etapas da sua existência, mas organizadas por idades e aos pares, de forma a que se pode ver a evolução e transformação de ambos os ícones, cujas vidas tiveram um certo paralelismo, por incrível que possa parecer.
Disponível em: www.elpais.com










