quinta-feira, 16 de julho de 2009

Jean Dubuffet ganha primeira retrospectiva na América Latina


Gabriela Longman da Folha de S.Paulo

O escritório da Fondation Dubuffet fica escondido nos fundos de um prédio na região de Saint Germain de Près, em Paris. Foi dali que partiram 84 obras para a primeira retrospectiva do artista na América Latina, que abre nesta quinta-feira (16) para o público no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

A obra "Temps et Lieux", de 1979, que integra mostra no Instituto Tomie Ohtake

Ao lado das mostras de Matisse e Léger --ambas na Pinacoteca--, Jean Dubuffet (1901-1985) completa a trinca de grandes nomes do modernismo trazidos pelo Ano da França no Brasil. Trata-se, no entanto, de um modernista tardio --sua produção se concentra na segunda metade do século 20--, que nega aspectos do movimento e, em boa medida, prepara tendências futuras da arte.

A diretora da fundação Sophie Webel recebeu a reportagem da Folha poucos dias antes de embarcar, ela também, para São Paulo. Explicou o percurso que preparou para a mostra e as diferentes fases do artista que estarão ali retratadas. No começo, até os anos 40, Dubuffet era comerciante e pintava ao mesmo tempo. Apenas em 1942 assumiu-se como "artista" e passou a trabalhar ininterruptamente.

Esse "trabalhar" era múltiplo. Pintava, pensava, escrevia, experimentava, esculpia. No segundo núcleo, se encontram as pesquisas com texturas que fez nos anos 50 trabalhando com areia, papel, resíduo industrial, folhas secas.

Seu trabalho se aproxima e se distancia da abstração (embora rejeitasse a oposição figurativo/ abstrato). "Ele [Dubuffet] achava essa categorização redutora", disse Webel ao explicar a fase do Hourloupe. Criados entre 1960 e 1972, esses trabalhos são feitos a partir de cores puras --azul, vermelho e preto-- e de formas entremeadas numa espécie de labirinto pictórico.

As mesmas cores e tipo de forma aparecem transformados nas pinturas-fantasias-esculturas da performance "Coucou Bazar", criada em 1973 e vista pela primeira vez no Guggenheim, em Nova York, um grande destaque da mostra.

O nome da arte

Muitos mal-entendidos que cercam sua figura se associam ao conceito de "arte bruta", expressão cunhada por ele para designar a arte espontânea feita fora do circuito cultural.

"A arte não vem deitar na cama que fazemos para ela", escreveu em 1960. "Ela escapa logo que pronunciamos seu nome." Partindo dessa ideia, Dubuffet se interessou pela arte rupestre, pela arte feita por crianças, presidiários, doentes mentais. Criou importante coleção dessas obras, foi influenciado por elas, mas não deve ser classificado como artista bruto.

JEAN DUBUFFET
Quando: de terça a domingo, das 11h às 20h, até 7/9 Onde: Instituto Tomie Ohtake (r. Coropés, 88, tel. 0/xx/11/2245-1900)
Quanto: entrada franca

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